Station n° 8 – Grande Ile
CRUSTACÉS MALACOSTRACÉS
Não existe um consenso em relação ao conceito de espaços abertos, espaços livres, áreas verdes e arborização urbana, sendo utilizados muitas vezes vários termos com o mesmo objetivo, dependendo das diferentes áreas do conhecimento (BARGOS, MATIAS, 2011, p.173).
Espaços abertos ou externos, segundo Lapoix (1979) é todo espaço não edificados e não destinados à implantação de obras de infraestrutura, na área urbana ou rural. Podendo ser: espaço livre, parques, praças, jardins, superfícies cobertas de água, áreas para as práticas esportivas, ruas, passeio, jardins e áreas verdes (MARTINS JÚNIOR, 2013).
Espaço livre é todo espaço aberto, que se destina ao abrigo das atividades humanas. Nucci e Buccheri Filho (2006) definem espaço livre como áreas verdes que contenham no mínimo 70% de área permeável e cobertura vegetal, excluindo as áreas arborizadas das ruas, rotatórias e canteiros.
Para Macedo (1995), no contexto urbano entende os espaços livres como: parques, praças, largos, ruas, vielas, quintais, jardins de terrenos baldios, corredores externos, vilas e outros, podendo ser privados ou públicos, classifica-os como:
- Espaços Verdes: corresponde a área urbana coberta de vegetação e que tenha valor social, voltado para a coletividade e a integração da sociedade;
- Área Verde: qualquer área com presença de vegetação;
- Áreas de Lazer: espaços livres destinados ao lazer ativo e/ou lazer passivo, como a contemplação da natureza, a alimentação (piqueniques). Enquanto o lazer ativo corresponde as atividades físicas de esportes, corridas, brincadeiras infantis, dentre outros;
- Área de Circulação: são a maior parte dos espaços livres de edificação de propriedade pública, correspondendo ao sistema viário no espaço urbano e parte do sistema privado de espaços, como as vias de condomínios e vilas.
Macedo (1995) também qualifica esses espaços conforme os tipos de adequação do mesmo, como:
- Adequação física: refere-se aos materiais utilizados e ao estado de conservação;
- Adequação funcional: está associado a conformação morfológica e dimensional que permite a utilização para esta ou aquela finalidade;
- Adequação ambiental: investiga a salubridade do local para o desempenho das mais diversas atividades, como presença de insolação, ventilação, umidade, qualidade e permeabilidade do solo e subsolo, rugosidade e estabilidade de pavimentações, declives e aclives.
- Adequação estética: está associada à capacidade de atração das pessoas por características naturais (montanha, mar) ou memória, monumento.
Quanto a definição de Áreas Verdes, segundo a prefeitura do Municipal de São Paulo (PMSP, 1974) é toda área pública ou particular, ajardinada, que visa manter a ecologia e resguardar as condições ambientais e paisagísticas.
Entendem-se área pública, como acessível a todos, independentemente do momento e de responsabilidade coletiva, diferenciando-se da área privada, que tem acesso restrito as pessoas que são responsáveis por elas.
O espaço público permite a mistura social, as diferenças e os interesses distintos, sendo “o lugar físico orienta as práticas, guia os comportamentos, e estes por sua vez reafirmam o estatuto público desse espaço”4. Desta forma, existem diferentes formas de apropriação pelas pessoas, como os usos e significados estão associados a sua aceitação social.
A durabilidade e a estabilidade do espaço público devem-se a elevada atratividade e utilização do espaço, contrapondo-se a obsolescência5. Porém existem outros fatores que podem influenciar os usos e as apropriações desses espaços, como o clima.
O clima é resultado de fatores geomorfológicos e espaciais, como os fatores climáticos globais (radiação, latitude, altitude, ventos, massas de terra e água), locais (topografia, vegetação e superfície do solo) e caracterizados pelos elementos (temperatura do ar, umidade do ar, precipitação e movimentos de ar). Sendo o clima urbano “um sistema que abrange o clima de m dado espaço terrestre e sua urbanização” (MONTEIRO, 1976, p.75).
O estudo do clima urbano permite analisar as interferências humanas no clima local e no desempenho dos espaços públicos, visto que esses espaços, a exemplo das praças, são importantes elementos do tecido urbano, que permitem a convivência social e possuem significado próprio em função do contexto urbano e das suas características locais, contribuem para a melhoria da qualidade ambiental urbana e abarcam muitas vezes o verde urbano, pela presença de arborização (ASSIS, 2005; LEITE, 2012).
Os estudos desenvolvidos por ALUCCI, MONTEIRO (2012), LABAKI et. al (2012), MARTINI (2013) em espaços livres de cidades de clima tropical brasileiras tem auxiliado na análise do desempenho térmico desses espaços e no entendimento das formas de apropriação em função não apenas dos equipamentos, mobiliário ou infraestrutura, mas das condições ambientais, além de ressaltar a importância desses espaços para a qualidade de vida da população.
4 TRINDADE, 2007 apud GOMES, 2002, P.163-164. 5 TRINDADE apud CUNHA, 2002, p. 44.
2.2.1 As Praças
A palavra praça é derivada do “(grego-plateia, “rua larga”, pelo latim-platea), lugar público cercado de edifícios; largo; Mercado; feira”, sendo entendida como espaço de convivência público e urbano (RAPOSO, 2011, p.33).
As praças são espaços livres que fazem parte do desenho urbano da cidade. Para LYNCH (1999), esses espaços são importantes, por serem foco de atividades e estarem localizados muitas vezes no coração de alguma área com forte atividade urbana, podendo ser uma área pavimentada, encerrada por estruturas de edifícios ou rodeada por ruas ou em contato com estas. Nesse espaço, os veículos não têm acesso, pois a sua função principal é o lazer, o descanso, a contemplação da natureza ou atividades lúdicas.
Quanto ao uso, as praças, como os parques e as ruas são públicas, ou seja, acessíveis a todos. São espaços democráticos, de exposição e experimentação da vida pública. Na cidade contemporânea os espaços públicos são plurifuncionais, como as praças dos cafés, de alimentação, de eventos e da vida pública e espaço das mídias. Estão localizadas nos shoppings, “mercado de pulgas, festivais, praias e eventos esportivos”6. Segundo Romero (2001), as praças podem desempenhar diferentes papeis, sendo subdividido em praças urbanas devido ao seu tamanho e funções, considerando desde paradas de espera para ônibus, passagem externa entre dois blocos de prédios e até uma porção alargada do passeio, o que denominaram de praça de rua (pequena porção do espaço livre público imediatamente subjacente ao passeio usada por breves períodos para sentar, esperar, observar). Estes espaços interferem no comportamento humano, nas suas experiências corporais, sensoriais, sociais e de convívio coletivo, possibilitando as trocas e as vivências, através da integração do espaço físico, construído, como também contribuem para o equilíbrio térmico do microclima da cidade, sendo para Alex (2008) os centros sociais do tecido urbano.