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A Tabela 2 apresenta o resumo das decisões de investimento (valores previstos) nos projetos de usinas eólicas, com base nas sugestões do VPL e da TOR.
Tabela 2 – Resumo dos métodos para os projetos eólicos
Decisão Método
VPL TOR
Viável 105 49
Inviável 45 101
Total 150 150
A partir da análise da Tabela 2, observa-se que os métodos de análise de investimento adotaram posturas quase que diametralmente opostas com relação às tomadas de decisões nas usinas eólicas. Deste modo, percebe-se uma atitude mais conservadora por parte da TOR, segundo a qual em 67,33% das situações o investidor geraria mais valor se esperasse pelo próximo LER ao invés de investir imediatamente, ao passo que o VPL apresentou uma atitude mais agressiva ao sugerir que 70% das usinas seriam tecnicamente viáveis. A Tabela 3 apresenta a análise dos projetos fotovoltaicos feitas pelo VPL e pela TOR.
Tabela 3 - Resumo dos métodos para os projetos fotovoltaicos
Decisão Método
VPL TOR
Viável 83 65
Inviável 11 29
Total 94 94
Fonte: Elaboração do autor
Ao se analisar a Tabela 3, ratifica-se a postura mais conservadora da TOR com relação ao VPL, posto que ela foi capaz de predizer 69,15% dos projetos como viáveis de investimento imediato, ao passo que o VPL sugeriu como tecnicamente geradoras de valor 88,30% das usinas fotovoltaicas.
Entretanto, as Tabelas 2 e 3 não apontam o grau de assertividade dos métodos de análise de investimento. Para tanto, faz-se necessário confrontá-las com os quantitativos reais de usinas eólicas e fotovoltaicas que entraram em operação comercial até agosto de 2019, conforme Tabelas 4 e 5.
Tabela 4 – Situação real dos projetos eólicos
Situação Total Percentual
Geraram 102 68,00%
Falharam 48 32,00%
Fonte: Elaboração do autor
Tabela 5 – Situação real dos projetos fotovoltaicos
Geraram 74 78,72%
Falharam 20 21,28%
Fonte: Elaboração do autor
As situações reais apresentadas nas Tabelas 4, quando confrontadas com as decisões sugeridas pelos métodos de análise de investimentos (Tabela 2), originam as matrizes de confusão que constam nas Tabelas 6 e 7.
Tabela 6 - Matriz de confusão VPL projetos eólicos
Observado/Previsto Investe Não Investe FP
Investe 86 19 19
Não Investe 16 29 16
FN 16 19 35
Fonte: Elaboração do autor
A partir da Tabela 6, pode ser visto que o VPL foi capaz de identificar corretamente 86 projetos como viáveis (verdadeiro positivo- VP) e 29 como inviáveis (verdadeiro negativo- VN). Entretanto, o método classificou erroneamente 19 projetos como viáveis (falso positivo – FP) e 16 como inviáveis (falso negativo – FN).
Tabela 7- Matriz de confusão TOR projetos eólicos
Observado/Previsto Investe Não Investe FP
Investe 44 5 5
Não Investe 58 43 58
FN 58 5 63
Fonte: Elaboração do autor
A partir da Tabela 7, pode ser visto que a TOR foi capaz identificar corretamente apenas 44 projetos viáveis. Entretanto, houve uma superioridade com relação ao VPL no tocante aos VN´s, tendo em vista que foram identificados corretamente 43 projetos como inviáveis. A TOR classificou erroneamente 5 como viáveis e 58 como inviáveis.
A Tabela 8 apresenta as acurácias, as sensibilidades e as especificidades do VPL e da TOR com relação às usinas eólicas.
Tabela 8 - Assertividade VPL e TOR projetos eólicos Método Acurácia Sensibilidade Especificidade
VPL 76,67% 84,31% 60,42%
TOR 58,00% 43,14% 89,58%
Fonte: Elaboração do autor
Com base na Tabela 8, observa-se que nos projetos eólicos houve uma maior acurácia do VPL, pois classificou corretamente, de uma maneira global, 76,67% dos empreendimentos. O citado método também foi superior na sensibilidade, ou seja, em 84,31% dos casos, foi mais assertivo em prognosticar um projeto viável como verdadeiramente viável. Entretanto, a TOR foi mais precisa em identificar um projeto inviável como verdadeiramente inviável, com 89,58% dos casos classificados corretamente.
Fazendo o mesmo procedimento para os projetos fotovoltaicos, ou seja, ao comparar-se as Tabelas 3 e 5, tem-se as matrizes de confusão para o VPL e a TOR, conforme Tabelas 9 e 10.
Tabela 9 - Matriz de
confusão VPL
projetos
fotovoltaicos
Fonte: Elaboração do autor
Tabela 10 – Matriz
de confusão
TOR projetos
fotovoltaicos
Observado/Previsto Investe Não investe FP
investe 71 12 12
Não Investe 3 8 3
FN 3 12 15
Observado/Previsto Investe Não investe FP
investe 60 5 5
Não Investe 14 15 14
Fonte: Elaboração do autor
Confrontando-se as Tabelas 9 e 10, é possível verificar que o VPL foi superior na classificação correta dos VP´s e a TOR, nos VN´s. Logo, pode-se afirmar que o VPL foi mais eficaz na identificação correta dos projetos viáveis, ao passo que a TOR foi superior na seleção dos inviáveis. Essa afirmativa é ratificada no cálculo das assertividades dos modelos para as usinas fotovoltaicas, conforme Tabela 11.
Tabela 11 - Assertividade VPL e TOR projetos fotovoltaicos Método Acurácia Sensibilidade Especificidade
VPL 84,04% 95,95% 40,00%
TOR 81,08% 75,00% 79,79%
Fonte: Elaboração do autor
A Tabela 11 corrobora o percebido na tabela 8, quanto à prevalência do VPL na identificação dos empreendimentos viáveis, ao passo que a TOR é mais efetiva no trato dos projetos inviáveis, tendo em vista que apresentaram, respectivamente, uma sensibilidade de 95,95% e uma especificidade de 79,79%, para os projetos fotovoltaicos. Entretanto, houve uma sensível diminuição da superioridade do VPL com relação à TOR no tocante à assertividade global (acurácia) do método. Deste modo, foram calculadas as áreas sob as curvas ROC (AUC) a fim de verificar se a maior acurácia do VPL era efetivamente significativa no teste qui-quadrado, conforme é apresentado no Tabela 12.
Tabela 12 – Teste das áreas sob as ROC
Projetos Método AUC chi2
Eólicos VPL 0,7237 0,1451 TOR 0,6636
Fotovoltaicos VPL 0,6797 0,0855 TOR 0,7804
Com base nos testes qui quadrado das diferenças entre as AUC apresentados na Tabela 12, fica evidenciado que não se pode afirmar qual o método de análise de investimento é mais assertivo, tendo em vista que a hipótese nula (AUC iguais) não pôde ser refutada. Deste modo, a H1 levantada neste trabalho é refutada, pois o fato de a TOR lidar com a incerteza com maior efetividade não a faz superior ao VPL.
A fim de testar se a H2 levantada por este estudo não poderia ser refutada, ou seja, se existe uma concordância substancial nas tomadas de decisões entre o VPL e a TOR, foi calculado o Índice Kappa, conforme Tabela 13.
Tabela 13 - Cálculo Índice Kappa
Fonte: Elaboração do autor
Os Índices Kappa apresentados na Tabela 13 indicam que os níveis de concordâncias entre o VPL e a TOR variam de razoável a moderado. Isso pode ser explicado, possivelmente, porque os métodos VPL e TOR têm focos diferentes, conforme visto das Tabelas 8 e 11. O primeiro foca nos projetos viáveis, enquanto o segundo, nos inviáveis. Deste modo, fica refutada a segunda hipótese levantada por este estudo quanto à existência de uma concordância substancial nas tomadas de decisões entre o VPL e a TOR.