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Apresentado o objeto de estudo, descritos os objetivos e determinados os sujeitos a inquirir, interessa agora justificar os instrumentos de recolha de informação que permitiram aceder aos dados que vieram a ser objeto de análise. São esses instrumentos que permitem a constituição do corpus de documentos a analisar: entrevistas, inquéritos e enunciado de exames. Esse corpus é constituído, por um lado, pelos textos das entrevistas transcritas e, por outro, pelas respostas dos questionários. Além disso, juntou-se a esses documentos uma prova de exame final de Português relativa ao final do Ensino Secundário e realizada em 2013.

Sabendo que era preciso utilizar uma técnica de investigação que ajudasse a averiguar as perspetivas dos professores de Língua Portuguesa do ensino secundário de Timor-Leste, quanto aos seus usos da gramática e dos manuais escolares, escolheu-se a entrevista como principal instrumento para a recolha de informações. Este instrumento foi aplicado, como sabemos, a 17 sujeitos, escolhidos de entre os professores de Português das várias escolas timorenses.

Em complemento, como outro instrumento mais específico para recolha de dados, foi utilizado o questionário, a preencher por um número mais elevado de professores de diferentes Escolas Secundárias do país (48 sujeitos). O questionário que aqui se apresenta procura descrever as práticas educativas dos professores de Português do ensino secundário, no que respeita à relação com a gramática, com os manuais escolares e com outros materiais de apoio ao processo de ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa. Neste questionário também se procuram identificar as dificuldades que têm os professores nas práticas de ensino da língua.

Os instrumentos de recolha de dados aplicados aos professores de Português do ensino secundário em Timor-Leste foram adaptados dos guiões de entrevista descritos no estudo de Amaro (2009, pp. 142-144), por, de algum modo, terem objetivos e questões próximos daquele que este estudo pretende inquirir.

Para os intervenientes preencheram o questionário e os entrevistados responderem às perguntas oralmente, seguindo o guião de entrevista, foram, então,

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utilizados estes dois instrumentos, que serviram como instrumentos de recolha de dados desta dissertação de mestrado e que são apresentados em anexo (Anexos II e III).

A aplicação das entrevistas foi feita junto de 17 professores, em 17 Escolas Secundárias, escolhidas de forma a que fossem representativas das diversas escolas de Timor-Leste. Este grupo de entrevistados é constituído por 7 Diretores de escolas, 3 Vice-diretores, 4 Diretores de turma e 3 professores de Português. Em todo o caso, deve sublinhar-se que todos eles acabam por desempenhar a função de professor de Português, devido à falta de docentes nesta área. Por outro lado e quanto à representatividade dos professores, por dificuldades logísticas, não foi possível entrevistar mais professores nem professores de mais distritos de Timor.

O guião da entrevista, apresentado no Anexo II, visou, sobretudo, aferir as conceções dos professores de Língua Portuguesa e as visões dos responsáveis das Escolas do Ensino Secundário de Timor-Leste sobre os recursos e as dificuldades no ensino da língua e sobre as formas de aprendizagem da gramática.

Partindo da aplicação desta entrevista semiestruturada, os objetivos a atingir eram, como ficou referido: confrontar o uso do manual em relação aos outros recursos disponíveis; averiguar com que propósitos usam os professores timorenses o manual escolar; descrever as atividades realizadas ao nível do ensino da gramática; verificar que conteúdos são ensinados e avaliados ao nível gramatical; e, por fim, conhecer as razões que subjazem à apropriação do manual pelos professores de Língua Portuguesa.

No processo de realização das entrevistas foram tidos em consideração alguns procedimentos no sentido de registar com fidelidade as opiniões dos professores de Português timorenses. A intenção inicial era fazer as entrevistas em língua portuguesa. Todavia, dada a dificuldade de alguns professores em responder em Português, optou-se por fazer cada uma das entrevistas em Tétum, para, de seguida, se proceder a uma tradução e adaptação das respostas dos inquiridos para Português.

De seguida, damos conta da forma como foram concretizadas as entrevistas para que, assim, melhor se conheça o contexto social e escolar das instituições de ensino visitadas. A realização das entrevistas ocorreu num período de dois meses: iniciou-se no mês de fevereiro e terminou em março de 2014, contactando-se os professores timorenses que lecionam a Língua Portuguesa no ensino secundário.

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As entrevistas correram de modo razoável, sendo que os 17 entrevistados responderam às perguntas conforme as suas experiências e os conhecimentos que tinham, mas enfrentaram, quase sempre, algumas dificuldades de falar/responder devido ao seu conhecimento do Português, que era mínimo.

Ainda quanto ao questionário, ele foi aplicado a 57 professores de Português em 17 escolas secundárias previamente estabelecidas. Todavia, na hora da recolha dos questionários, só 48 professores de Português é que os entregaram, e os outros nove professores não conseguiram completar o referido questionário. Assim, foi com estes 48 professores de Português e com questionários escritos por eles preenchidos que se fez a análise dos dados.

Em suma, o trabalho de pesquisa realizado consistiu concretamente em recolher os dados sobre os professores de Língua Portuguesa através do preenchimento de uma ficha de caracterização do docente; de um questionário aos professores de cada nível de ensino; e de uma entrevista com os diretores da escola, assim como com professores de Língua Portuguesa do Ensino Secundário.

Para além dos instrumentos mencionados, optou-se também por analisar a prova do Exame Nacional de 2013, com o objetivo de conhecer melhor os conteúdos sobre o funcionamento da língua avaliados na sua relação com o ensino dos professores de Língua Portuguesa aos alunos finalistas do nível secundário de Timor-Leste.

Mesmo com as dificuldades enfrentadas no contacto com os professores timorenses e na sua disponibilidade para participar nas entrevistas e responder aos inquéritos, cremos que o corpus a partir daí constituído é significativo. De facto, se o exame nacional é constituído por sete páginas, se as entrevistas transcritas têm em média três páginas (o que dá no total cerca de 40 páginas - Anexo V) e se os questionários contêm uma página cada um, pode considerar-se que os textos para análise são um conjunto de depoimentos e respostas importantes para que se possa analisar o que pensam os professores timorenses do Ensino Secundário sobre o ensino da língua e da gramática, através do ensino do manual escolar em Timor-Leste.

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