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Critique de l’existant

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 97-101)

C HAPITRE 4 : D ÉVELOPPEMENT AVEC LES PERCEPTRONS MULTICOUCHES

4.1/ Exposé du problème

4.1.2/ Critique de l’existant

Apesar de termos coletado dados referentes aos temas das aulas (propagação, reflexão, refração, difração, interferência e efeito fotoelétrico), analisamos dados referentes a três aspectos do conceito de luz: reflexão, interferência e efeito fotoelétrico. Ao analisar os dados referentes à propagação e à reflexão, notamos que estes (dados e análise) foram repetitivos para os nossos propósitos, pois se referem ao mesmo aspecto do desenvolvimento do conceito de luz, a saber, que estes fenômenos podem ser explicados tanto pelo modelo de onda quanto pelo de partícula. Notamos também que o mesmo ocorreria com à refração, então, mantivemos os dados referentes à reflexão e suprimimos os dados referentes à propagação e à refração, além de que, se mantivéssemos todos, seria uma quantidade demasiada de dados. Percebemos também que o mesmo raciocínio poderia ser aplicado aos dados referentes à difração e à interferência, já que tratam do aspecto ondulatório do desenvolvimento do conceito de luz, então, mantivemos os dados referentes à interferência e suprimimos os dados referentes à difração. Já a análise sobre efeito fotoelétrico foi necessária, já que trata do aspecto quântico desse conceito. Sendo assim, acreditamos que a análise de dados referentes à

97 reflexão, à interferência e ao efeito fotoelétrico seja suficiente para verificar como os estudantes desenvolveram o conceito de luz aqui adotado.

Para realizar a análise dos dados coletados, buscaremos, na linguagem falada e escrita dos estudantes, indícios de internalização relacionados aos conceitos de reflexão, interferência e efeito fotoelétrico. Encontrando tais indícios, em momentos e situações diferentes, ao longo da SD, poderemos compreender como os estudantes desenvolverão o conceito de luz adotado. Para isso, é preciso que os estudantes externalizem (verbalizem, através da linguagem falada ou escrita) os conceitos, por meio de suas características, empregando os termos científicos internalizados, ou sinônimos, adequadamente, de modo que suas respostas representem o significado das expressões discutidas em sala de aula.

A análise, portanto, consistirá na busca de termos científicos, ou sinônimos, que lembrem as características dos conceitos estudados em sala de aula, bem como suas relações elaboradas nas respostas dos estudantes. Vale ressaltar que tal análise não exclui o fato de trazer nosso olhar sobre as respostas dos estudantes, já que, em alguns casos, será necessário julgar se tais respostas configuram indícios de internalização.

Antes do início da análise dos dados, foi importante estabelecer os critérios a serem utilizados. Para a análise da linguagem falada dos estudantes (discussões durante as aulas e debate), buscamos, principalmente, identificar situações nas quais a interação social possibilitou a percepção das características dos conceitos. Já para a linguagem escrita (respostas das questões dos exercícios e da avaliação individual), o primeiro passo foi elaborar a resposta esperada40 para cada questão, que continha as características dos conceitos e os termos científicos discutidos em sala de aula que se esperava encontrar em tais respostas. Em seguida, buscamos:

• a quantidade de características que foram utilizadas, já que uma quantidade maior indica respostas mais ricas;

40 Chamamos de “resposta esperada” a resposta que esperamos que os estudantes

98 • quais características, bem como se estas faziam sentido na frase, isto é, se as expressões esperadas e as relações entre estas foram elaboradas de acordo com a teoria ensinada;

• quais termos científicos foram utilizados, ou se utilizaram sinônimos, e quantas vezes, já que estes são utilizados na explicação das características dos conceitos.

Devido ao fato de só podermos analisar aquilo que o estudante externalizou, não fizemos qualquer tipo de análise a respeito daqueles estudantes que não participaram das discussões ou que deixaram suas respostas em branco (dependendo da situação, a questão em branco pode indicar que o conceito não foi internalizado).

Em nossa análise, buscaremos localizar nas falas e textos dos estudantes as expressões indicativas das diversas características dos conceitos relativos à luz (secção 1.5) ou expressões sinônimas ou, ainda, expressões que possam ser relacionadas a tais características. O emprego adequado das características e termos científicos – em situações diferentes daquelas que foram discutidas, justificando este emprego quando solicitado – indica que foram internalizados (conforme comentado na secção 1.5). A seguir, a relação dos conceitos e suas características.

• PROPAGAÇÃO DA LUZ: ✓ A luz se propaga;

✓ [Propagação] em linha reta, em meios homogêneos. • REFLEXÃO DA LUZ:

✓ A luz incide sobre uma superfície;

✓ A luz retorna para o meio em que estava se propagando;

✓ A reflexão pode ocorrer de forma regular ou difusa, dependendo da superfície de reflexão;

✓ Lei da reflexão;

✓ A reflexão pode ser explicada tanto pelo modelo de onda quanto pelo modelo de partícula.

• REFRAÇÃO DA LUZ:

✓ A luz muda de velocidade;

99 ✓ Meios diferentes têm propriedades ópticas diferentes;

✓ Se a incidência da luz for oblíqua, ocorre desvio na sua trajetória; ✓ Lei da refração da luz;

✓ A refração pode ser explicada pelo modelo de onda; ✓ A refração pode ser explicada pelo de partícula. • DIFRAÇÃO DA LUZ:

✓ A luz é parcialmente barrada por um obstáculo; ✓ A trajetória da luz é desviada;

✓ A refração pode ser explicada pelo modelo de onda. • INTERFERÊNCIA DA LUZ:

✓ Duas ondas luminosas se sobrepõem;

✓ A sobreposição de ondas de luz produz regiões claras e escuras; ✓ As regiões claras e escuras representam interferência construtiva

e destrutiva;

✓ Princípio da interferência;

✓ A interferência pode ser explicada pelo modelo de onda. • EFEITO FOTOELÉTRICO:

✓ Luz incide sobre uma placa metálica; ✓ Luz interage com elétrons;

✓ Luz transfere energia para elétrons; ✓ Elétrons são ejetados da placa metálica;

✓ Princípio da conservação da energia é verificado; ✓ Pode ser explicado pelo modelo dual da luz.

As situações diferentes daquelas em que as características supracitadas foram inicialmente discutidas, e proporcionaram que os estudantes as empregassem (situações estas que também se configuram nos instrumentos de coleta de dados utilizados), foram:

• Resolução dos exercícios (entregues no final da aula);

• Resolução das questões da avaliação individual (aplicada no final da sequência didática);

• Discussões ocorridas no debate (realizado no penúltimo encontro da SD);

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3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

“…luz, quero luz, sei que além das cortinas são palcos azuis, Infinitas cortinas com palcos atrás…” (Vida, Chico Buarque). Neste capítulo, será realizada a análise dos dados coletados, ao mesmo tempo em que serão discutidos os resultados desta análise, com o intuito de solucionar o nosso problema de pesquisa (como estudantes do 2º ano do ensino médio desenvolveram o conceito de luz?).

De um modo geral,ao realizarmos e discutirmos as experiências durante as aulas, esperamos que ocorra a percepção visual dos fenômenos apresentados, a seleção das informações mais importantes e o seu registro pela memória, de modo a produzir uma reconstrução interna do processo externo vivenciado (internalização). Por isso, na análise das aulas e debate (linguagem falada), bem como na análise das respostas dos exercícios e das questões da avaliação individual (linguagem escrita), buscamos encontrar indícios de internalização de conceitos, os quais foram: uso de termos científicos que não haviam sido utilizados anteriormente ou substituição de termos referentes à luz por termos científicos, ensinados ao longo das aulas; identificação de aspectos das experiências vivenciadas nas aulas, em situações diferentes propostas nos exercícios e nas avaliações, ou casualmente nas aulas e/ou debate; explicação dos conceitos estudados, ou suas características, bem como seus empregos em uma situação diferente daquela em que foram discutidos, quando solicitado; justificativa dos empregos destes conceitos (ou suas características), quando solicitado.

Após internalizado, o conceito não está pronto, ele se desenvolve à medida em que o estudante modifica os sistemas conceituais aprendidos, tornando-os mais ricos e complexos. Tal desenvolvimento será verificado ao longo do processo de análise dos dados, através dos indícios de internalização dos conceitos, encontrados em situações diferentes daquelas em que foram discutidos.

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