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defaparecia dos olhos dos q avião, & tãocheaderciplandor,c,uecega- ua os que os punhâo nclla. Os Gen- tios lhe tem tanta veneraçã o,que lhe fazem muytos votos,& oíFertas em fuas doenças,oupretencões, ou nas perdas das coufas, queeítimão, & mandão azeyte, & cera pera fe alu- miar,& logo dizem,que rccebê fau- de, & achão, o que perdem,& pou- co auia quando o Arcebifpo alyche

gout que o Rey velho de Cranga-

nor perdendo certa coufa de q goí- taua, mandou azeite à Cruz, & logo a achou. O que ellc atributa à Cruz dos Chriítãos. E com cada dia re- ceberem muytos Gentios remedio de fuas necefsidades,nefte diuino fi- nal,nam deitão mão de feu principal fruitoque hefua faluação.

A o outro dia depois que o Arce- bifpoentrouem Cranganorlhe che- gou hnm Patamar, que afsi cbamão aos correos da terra , & co m cartas delRey Samorim,em que o auiíaua, como elRey de Còchim intentaua de nouo a guerra ao Caimal da Cu- rugeira feu confederado, q ellepri- meyro tinha impedido como atras fica dito, com a qual lhe auia de ícr forçado largar o cerco que no inuer no tinha podo fobreo Cunhale, cõ- tra oquefeaíientara nas pazes,& có certos,que elle Arcebifpo tinha fey- toemCòchim por ordem do Vito. Rey com elle Samorim, que fendo afsim, de força fe auia deacudircõ fua gente, & que fem culpa fua íica- ua quebrando o que ambos tinhao affentado, & elle tinha prometido ao Eílado. Era ja o de Còchim palia do pera astertas do Caimal »quan- do efte recado chegou ao Arcebif- po,nem o Rey tinha diífo dado con- ta ao Capitão Dom Antonio de N o

ronha,nem auifadoo Arcebifpo, té- doprimeyro prometido, a ambos de defiftirdefta guerra por rezam da emprezado Cunhale,como arras fi ca dito. Mas como elle defgoftaua muyto deitas guerras, & procuraua impedilas pera que tendo os Portu- guezes inimigos poderofos pendef- iem mais de lua amizade em vendo ofucceífo,q osPortuguezes tiue- rão,tornou de nouo a intétar a mef- ma guerra deite Caimal. Como o Arcebifpo teue cartas do Samorim, logo efereueo outras a elRey de C ò chim,que ja hiacaminhãdo,em aue lhe pedia nam intétaife aquella guer ra,por nam inquietar o Samorim, q eítaua febre o Cunhale efpcrando pola armada dos Portnguezes, que auião de vir no principio do veram, & juntamente auifou ao Capitão, & a Cidade de Còchim,do que oSamo rim lhe pedia, & logo o Capitão, & Vereadores fe vicrão vereô o Arce bifpo a Cranganor, onde determina rão que fe foílem todos ao Rey de Còchim pedirlhe o mefmo em pef- foa, como o Arcebifpo lhe tinha pe- dido por fuas cartas, o que logo fize ram, & quando chegarão ja oRey tinha começado a fazer tnalàs terras do Caimal, mas vendo o Capitão, & Vereadores,cartas do Arcebifpo deíiílio da guerra começada, & def- pedio a gente que coníigo trazia.

Neíte meyotempoefperauao Ar cebifpo por recado dosapontamen tos que mandara ao Arcediago, qc.3 andaua outra vez vacillando, & re- ceando de fe ver có elle,por perfua- fam dalgüs miniítros do Demónio, queoinquietauão , & afsim lhe ef- ereueo , que aceitana os apontamen tos, & todos juraria , mas q não po- deria ir tão cedo ter com elle como

Capitulo deZjafeir. SS lhe mandafle, por andar concluindo

certos negocios de importância, cõ o Rey doMangate,em cujas terras então eftaua,pretendia efte Rey , & apertaüa muyto com elle que nam folie, nem fc ajuntafle com o Arce- bifpo, & o de Cochim,ainda que lhe dizia que foíTe polias queixas do Ar cebifpojmoftraua cõ tudo por out ra parte ter grandeí:ntin?ento, cõ o q íe esfriaua o Arcediago de rrodoef- cuÍ3ndofe,qne o Rey do Malangarc o retinha, que parecia que fe arcpé- dia do que tinha prometido. O qne vendo o Arcebiípo,deípedio hú cria do íeu muy bêacõpaniiadoaoRey d e M a n g a t e c õ Carta,em qne lhe p e diadcixaííe viro Arcediago tcrcõ elle tratar negocios,que lhe impor- tsuâo , & quando alsi o nam fizelíè, que ellc fe daua por agrauado, & os Portuguezes procurarião de o defa- grauariO que o Arcebiípo dizia,por que como todo o comercio da geri te do Mangate he em Cochirn,com muyto pouco cuftopoderião osPor tuguezespor em grande aperto a ef- te Rey: que apertado do recado ref pondeo, que elle daria licença ao Ar cediago, o qua!,nem cõ ella fe veyo ao Arcebiípo. Oque vendo, mãdou fegunda vez ter cõ elle dousreligio- fosdaCõpanhiaidizédolheq aquella era a vitima amoeftação que lhe fa- ria, quefenam vieífedentroem oy- to dias,que era humfabbado: ao Do , mingo íeguinre o auia de mandar de clarar por efcõmungado, & auia de prouer ao Caçanar , que configo trazia na fua dinídade.

Antes que lhe vieíTea reporta def te recado recolhendofe e!Rey deCò chim da guerra da Corugeira,quis paílar por Cranganor pera vidrar o Arcebiípo,&:tr2tar cõ elle feus nego

cios. Vinha o Rey etn hüa manchua bem concertada.« cõ feus Regedor mòr,& ate vinte Naircs dos mais no bres confino, que toda a mais gente tinha mandado por terra tirando al- gfis que o fegmão noutras manchu« as: Foy o Arcebiípo efperar ao Caiz da fortaleza, & recolhèrãofe ambos emhüaarmada q eftaua junto delle, aondeíós,& defefpejados falarão hü grande efpaco nos negocios do mef- m o R e y deCòchim , os quaes acaba dos, chamou o Rey o íeu Regedor m ò r , & o s maisNaires,&0 Arcebif- po,o Capitão da fortaleza, e feus cria dos, & paretes todos, lhe agradeceo deíiftir da guerra daCurugeira,pro- metendolhe da parte delRey, & do VizoRey todos os agradecimentos deuidosa çjuelle beneficio, & atniza de,& acreícentou, q-je ifto nam tira ua fazerlhe perante toda aquellagé- tealgüas queixas, que tinha fuas. A o q o Rey refpondeo, que as diíleflê, que a todas folgaria de fatisfazer, & o Arcebiípo cõ mortra de muita fe- ueridade lhe diíle. A caufa.porque elRey de Portugal meu Senhor, & Irmão de Vofla Alteza me mandou q u e v i e f l e í ô , & cõ tanta Confiança aeftes ReynosdoMalauaracodirís coufas da Ley dosChriftãos, q nelle moráo queeftão caidas, & perdidas, foy poríaber que nos Reynosde V . Alteza auia muytas Igrejas deftes Chriftãos, aos quais como herdey- ro doReynodçDiamper,aonde lé- us Reys auião refidido, ficaua mais obrigado ajudar,e defender,pois os Reys de Diamper eráo proteélores, &deíenfores dosChriftãos,& como V . Alreza he íeu Irmãoem armas,& o mayor Rey do Malauar lhe pare- cia que elle me defenderia de todos os perigos, & cõfcu fauor, & ajuda faria

Liurofrimeyro»

faria cõmuyta fuauídade o que dos oje todos os queellatem,lhe tem cl- Chridãos pretendia, &nedaconfí- les dado, porque quando tomaram anca me parti de Goa, & deixei meu amizadecõ os Reys de Còchim erã B i i p a d o j & m e meti por terras tam elles dos mais pequenos, & pobres edranhas,& tão longe do mar,&das Reys do Malauar,& oje os tem fey- armadas, & Cidades dosPortugue- to mais ricos,& poderofos q todos, zes,no que me acho tão enganado, & fobre ido quer V . Alteza fauore- por terra de diuerfos Reys,& Senho ceranteso Arcediago feu vaffalo,q res,em nenhúasfou pior tratado que ami,&atodo o Eftado dos Portu- nas de V . Alteza, porque nas outras guezes,que muitas vezes poríeu fer me fazem honra, & nas fuas recebi uiço,&pellodosReysantepaíTados, muitos ,agrauos, 8í defeortezias de té derramado muyto fangue,& fer- íeus Regedores,& de feus Naires, & uido,como fe fora feu proprio Rey. os Chridãos,q me recebião,&aga- AcodiooRey que Ihenamtinhão falliauáofaõ auexados,mal tratados, feyto em fuas terras taes agrauos q por iflo, 8c cada dia fou ameaçado mereceífem tão graues queixas.Ref dos feus cõ morte:Ao que tomando pondeò o Arcebifpo o mayor de to a mão o Regedor mòr diífe.diga V . dos os agrauos, he quererem matar Senhoria, que males lhe fizerão nas a hum fem porque,iflo me pretende terras delRey meu Senhor. A o que rão fazer muitas vezes os vaflalosde reipondeo o Arcebifpo agaíbdo,nin V . Alteza com tantas afrontas que guem as fabe melhor que vos, que me pejo de as referir. Acudio o Rey as vides, 8c as difsimulades, 8' nam que taes?Com o que referio o Arce fey fe as procurades, & nam hâ pera bifpo tudo o que palTara,em Molan- que as encubrais a eIRey. A o que o durre no Diamper,& as olasque el- R e y acodio, dizendo, que elle nam le efereuia cótra elle aos outros Re- fabia nada do que paflaua . R e - ys a petição do Arcediago, Sífauo- plicou o Arcebifpo. Eu as efereui a r e s que lhe daua pera nam vir à fua

V . Alteza, porvezes, éc nunca lhe obcdiencia,3í a elle nunca lhe quife- quisdaroremedio que eu delia efpe radarhüaola, q por vezes lhe pedi- raua,& lhe os Portuguezes merece, ra, pera que todos os Chriílãos de & por iífoV.Alteza lne efquecé, por feus Reynos lhe obedeceííém. A o q que nunca lhe lembrarão pera as re- o Rey nam refpondeo outra coufa, mediar.& cadigar. Mas eu me quei • fenam que da ola trataria com o Ca xarey a eIRey de Portugal meu Se- pitão de Còchim, & lha mandaria, nhor de mefazer fayr dc minha ca- A o que replicou o Arcebifpo q fua fa, Sc paliar ao Malauar, confiado na Alteza fempre lhe dilataua o quepe- Irmandade, amizade de V . Alteza, q ra ede eífeito lhe pedira,que lha não lhe tão pouco lembra nede particu- mandaífe,porque fe os Chridãosfof lar. C u y d a V . Alteza que lhe quero fem verdadeyros Chridãos nam fe eu tirar de vafialos os Chridãos de lhe daria de Reys em pontos de fua feus Reynos, & nam fe lembra que ley,8:mais de Reys infieys idolatras mal podem os Portuguezes preten- que adorão paos, Sc pedras,& ao De der tirar vafialos a fua Coroa, quan- monio, Sc nam conhecião o verda- dolhe procuram tantos, &quaudo dcyro Deos que criara todasacou- fas,