3.2. Situation de crise
3.2.1. Crise alimentaire
A turma onde ocorre a Prática Letiva Supervisionada é de nono ano de escolaridade, constituída por 24 alunos, sendo que quatro alunos não estão matriculados na disciplina. Dos vinte alunos que frequentam a disciplina, 14 são raparigas e seis são rapazes. As idades estão compreendidas entre os 14 e os 15 anos. Deste grupo turma, uma aluna tem Necessidades Educativas especiais, no entanto, não houve necessidade de adaptar materiais ou adequar estratégias, dado que as suas dificuldades estão circunscritas a algumas disciplinas. Dos dados disponibilizados pela Diretora de Turma
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Termos usados como sinónimos, mas que significam realidades diferentes. O migrante procura outro país para trabalhar ou estudar, podendo sempre regressar ao local de origem. O refugiado foge do seu país, por causas diversas, não tendo condições de regressar. Neste caso, a negação de asilo, coloca em risco a vida da pessoa. É, portanto, carente de proteção. As leis para estes dois casos são diferentes. Na Europa assiste-se a uma crise quer de refugiados, quer de migrantes, embora o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Adrian Edwards, alerte para a utilização dos termos, já que as palavras refugiado e migrante “muda a forma como Governos e media olham para a tragédia. E isso pode influenciar a sua ação”. Neste sentido, aconselha a utilização dos dois termos, como sinónimos, mas para benefício de quem precisa de ajuda, e não dos países acolhedores. “Porque as palavras importam.” Cf. Maria João Bourbon, “εigrantes ou refugiados? A distinção “é importante”, porque “as palavras importam”, (Expresso, 29-08-2015), disponível em http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-08-29- Migrantes-ou-refugiados--A-distincao-e-importante-porque-as-palavras-importam, acedido em 12-05- 2017.
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Cf. Secretariado Nacional da Educação Cristã, Programa de Educação Moral e Religiosa Católica, (SNEC, 2014), 11.
73 verifica-se que alguns alunos são desconcentrados, mostrando bastantes dificuldades em algumas disciplinas. Relativamente aos dados socioeconómicos, esta turma é bastante heterogénea havendo nove alunos com apoio social escolar.
Da observação direta, recolhida através da observação de aulas, constatei que os alunos são interessados e dinâmicos. Estão solícitos às propostas do professor titular e reagem favoravelmente à exploração de recursos audiovisuais. Além disso evidenciam ser alunos autónomos e empenhados nas atividades de pesquisa. Como qualquer turma nesta faixa etária, são conversadores e facilmente se distraem se os recursos e as atividades não forem do seu agrado.
Depois dos dados recolhidos pela observação direta, recorreu-se à implementação de um questionário174 simples e anónimo, realizado numa aula prévia à lecionação da unidade, para aferir o que os alunos pensam sobre a escola e por que se inscrevem na disciplina de EMRC; o que pensam sobre projeto de vida; como vivem a adolescência e o que influencia a felicidade de cada um. Dos vinte alunos matriculados, todos responderam ao questionário.
Os resultados deste questionário foram úteis para perceber como são estes alunos, o que os preocupa e inquieta e que tipo de atividades e estratégias seriam mais adequadas ao perfil destes alunos, no sentido de os motivar para o tema.
Assim, percebemos que, para todos os alunos que constituem este grupo, a escola é importante para ter um futuro melhor; para 85% dos alunos, as aulas são importantes; dos vinte alunos que constituem a turma, 60% inscreveram-se na disciplina de EMRC pelo facto de serem católicos e 35% porque consideram os conteúdos importantes para a sua formação; 90% dos alunos considera a disciplina importante para a sua formação como pessoa; quanto às atividades a realizar em aula, 70% dos alunos apreciam o visionamento de vídeos e a realização de jogos; a maioria dos alunos tem consciência de que a adolescência é uma fase de crescimento físico, intelectual, emocional e espiritual; 90% dos alunos consideram que a família e a escola ajudam o adolescente a tomar decisões; a esmagadora maioria admite que é na adolescência que se traçam projetos; consideram que a vida não é feita de um só projeto, mas de vários; 95% acha que o seu futuro depende das suas escolhas; para serem felizes, 80% julgam importante a presença de Deus nas suas vidas; por fim, a esmagadora maioria percebe
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Este questionário e os respetivos resultados estão disponíveis, na íntegra, no Dossier de estágio e no CD que o acompanha.
74 que a sua felicidade depende de fazerem o Outro feliz, e que contribuírem para a construção da sociedade, trar-lhes-á felicidade.
Estes dados ajudaram a perceber que, para estes alunos, a escola e a disciplina de EMRC são um instrumento essencial para o seu desenvolvimento intelectual e social, o que influi para a motivação e fomenta a aprendizagem. Os resultados apresentados mostraram ainda que os discentes estão sensibilizados para este tema, percebem a importância de se pensar na vida como um projeto e o lugar do Outro e de Deus. Desta forma, compreender estes dados, pensá-los, refleti-los e trabalhá-los permitiu conceber materiais, estratégias e atividades mais ajustadas à turma, ao contexto e ao tema.
Assim, em todas as aulas, privilegiaram-se recursos audiovisuais por serem do agrado dos alunos, mas também porque contribuem para uma melhor aprendizagem e aumentam o rendimento de todos os alunos.
Segundo José Manuel Moran, especialista em comunicação, a linguagem audiovisual é atrativa, desperta o interesse e a curiosidade. É uma linguagem motivadora e dinâmica. Afirma que “os vídeos facilitam a motivação, o interesse por assuntos novos. Os vídeos são dinâmicos, contam histórias, mostram e impactam”.175
Declara que a linguagem audiovisual é uma linguagem que responde à sensibilidade dos jovens porque se dirige mais à afetividade do que à razãoμ “As crianças e os jovens leem o que podem visualizar, precisam ver para compreender”.176
Todos os recursos, materiais, estratégias, dinâmicas ou tarefas realizados na aula ou extra aula foram pensados para motivar os alunos; potenciar a aprendizagem; desenvolver o trabalho colaborativo, através do respeito de regras e da individualidade de cada um, e fomentar o espirito crítico.