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Le CRIDA, un creuset original d’expériences de recherche et d’intervention d’intervention

I.1. Des études en économie au CRIDA : quelques étapes biographiques. biographiques

I.1.3. Le CRIDA, un creuset original d’expériences de recherche et d’intervention d’intervention

O tratamento e análise dos dados é “(…) um processo que exige questionamento inteligente, uma procura de respostas, observação ativa e memória precisa” (Morse, 2007, p. 35), sendo

que a “(…) finalidade da análise dos dados é ilustrar as experiências dos que as viveram (…)” (Streubert & Carpenter, 2013, p, 48).

A análise de conteúdo dos dados resultantes dos processos clínicos e da observação participante (notas de campo, relatos dos participantes, relatos dos familiares, relatos dos profisisonais de saúde e entrevistas não estruturadas) foi orientada pelos princípios propostos por Strauss e Corbin (2008) em que a “(…) análise de dados é pelo método de comparação constante. Com este processo, o investigador compara cada novo excerto de dados com os previamente analisados. São feitas perguntas relativas às semelhanças e diferenças entre cada peça de dados comparados” (Streubert & Carpenter, 2013, p, 48). Não foi nosso propósito gerar uma teoria explicativa, mas sim utilizar os princípios da mesma, uma vez que estão “(…) baseadas em dados, tendem a oferecer mais discernimento, melhorar o entendimento e fornecer um guia importante para a ação” (Strauss & Corbin, 2008, p. 25). Assim, procuramos não ser influenciados pelo que préviamente sabiamos sobre os participantes e pelo contexto, e as categorias para agrupamento dos dados emergiram a partir destes.

Assim, todo o processo de análise de conteúdo exige “(…) do pesquisador o trabalho de desconstrução para a construção”, ou seja, exige “(…) que o pesquisador esteja aberto para a compreensão de que as palavras têm muito mais a dizer do que dizem” (Batista & Campos, 2007, p. 265), sendo efetuado um processo de agrupamento dos dados semelhantes. Os dados resultantes da análise dos processos clínicos, entrevistas e observações foram codificadas por participante com letras e números de forma a ser garantido o anonimato. A cada participante foi atribuído um número por ordem de entrada no estudo. Acrescentamos as letras PC quando a informação advém do processo clínico, as letras EP quando resulta das entrevistas não estruturadas, as letras NC no que se refere a notas de campo, RP quando nos referimos aos relatos dos participantes, RFP relatos dos familiares do participante, RPS relatos dos profisisonais de saúde. Assim, às letras juntamos números que identificam a ordem de integração do participante no estudo. Por conseguinte, a cada participante corresponde apenas um número, mas pode ter várias letras atribuídas conforme a origem do dado.

Os dados resultantes da aplicação do instrumento, que visavam a seleção dos casos para a fase II do estudo, foram sujeitos a análise estatística descritiva que englobou um conjunto de medidas de tendência central e dispersão que visam a caraterização da amostra; e inferencial que nos permitiu encontrar as diferenças e associações na amostra. Nesta análise dos dados recorremos ao SPSS®21.

87 Com base na teoria dos estilos de gestão do regime terapêutico de Bastos (2012) foram associados a cada estilo de gestão do regime terapêutico um conjunto de itens do instrumento de caraterização dos estilos de GRT que eram específicos de cada um dos estilos.

O processo de análise dos dados seguiu a mesma lógica usada no estudo de Meireles (2014). De forma a podermos caraterizar o estilo de gestão do regime terapêutico dos participantes com base nos itens específicos de cada estilo de GRT (ver figura 10) calculámos um novo score médio para cada um dos estilos de GRT. Assim, cada participante passou a ter um novo score (compreendido entre 0 e 4). Por exemplo, o score no estilo independente é igual à média, ignorando os nulos, dos itens Q125, Q140, Q145, Q202, Q208 do instrumento, assumindo-se assim que um participante com um estilo de GRT independente deverá ter um score elevado (mais próximo de 4) neste âmbito e scores mais baixos nos restantes 3 estilos.

Figura 10: Quadro dos itens específicos por estilo de GRT

O critério para a identificação do estilo puro de gestão do regime terapêutico foi o seguinte:  Estilo puro – casos que possuam um score no estilo específico de GRT

≥3,5 e, necessariamente, score <2 nos restantes estilos de GRT. Em resultado da aplicabilidade deste critério só foi possível apurar 22 casos (14,7%) com um estilo responsável puro, pelo que alargamos um pouco mais os critérios de inclusão:

 Estilo Predominante – casos que possuam um score num estilo de GRT ≥ 3 e, necessariamente, nos restantes estilos de GRT score <2,5. De forma a aumentar a descrição dos estilos de GRT, dado o elevado número de indefinidos identificados, consideramos que:

 Responsável/Formalmente Guiado/Independente/Negligente - casos que possuam um score ≥3 em todos os quatro estilos de GRT;

 Responsável/Formalmente Guiado/Independente – casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Responsável, Formalmente Guiado, Independente e score <2,5 no estilo de GRT negligente;

Estilo de GRT Itens

Responsável 17 itens: Q103; Q105; Q106; Q107; Q108; Q109; Q116; Q118; Q121; Q123; Q127; Q129; Q133; Q134; Q139; Q141; Q201

Formalmente guiado 14 itens: Q101; Q102; Q104; Q110; Q111; Q114; Q120; Q122; Q142; Q143; Q144; Q210; Q211; Q212

Independente 5 itens: Q125; Q140; Q145; Q202; Q208

 Responsável/Formalmente Guiado/Negligente - casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Responsável, Formalmente Guiado, Negligente e score <2,5 no estilo de GRT Independente.

 Responsável/Independente/Negligente - casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Responsável, Independente, Negligente e score <2,5 no estilo de GRT Formalmente Guiado.

 Formalmente Guiado/Independente/Negligente - casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Formalmente Guiado, Independente, Negligente e score <2,5 no estilo de GRT Responsável.

 Responsável/Formalmente Guiado – casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Responsável e Formalmente Guiado e score <2,5 nos estilos de GRT Independente e Negligente.

 Responsável/Independente – casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Responsável e Independente e score <2,5 nos estilos de GRT Formalmente Guiado e Negligente.

 Responsável/Negligente – casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Responsável e Negligente e score <2,5 nos estilos de GRT Independente e Formalmente Guiado.

 Formalmente Guiado/Independente – casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Formalmente Guiado e Independente e score <2,5 no perfil de Autocuidado Responsável e Negligente.

 Formalmente Guiado/Negligente – casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Formalmente Guiado e de Negligente e score <2,5 nos estilos de GRT Responsável e Independente.

 Independente/Negligente – casos que possuam um score ≥3 nos estilos de GRT Independente e de Negligente e score <2,5 nos estilos de GRT do Responsável e Formalmente Guiado.

 Todos os casos que não foram categorizados em nenhuma das categorias anteriores foram classificados como estilo de GRT indeterminado.

Os indicadores específicos de cada grande dimensão do estilo de GRT foi calculado com recurso à média ignorando os nulos dos itens que compõe cada um dos indicadores. As questões específicas de cada dimensão estão descritas na figura 11.

89 Dimensões Itens Controlo 16 itens: Q101; Q102; Q104; Q103; Q108; Q110; Q114; Q117; Q120; Q122; Q123; Q127; Q129; Q133; Q141; Q142 Flexibilidade 19 itens: Q105; Q106; Q109; Q115; Q116; Q121; Q124; Q128; Q130; Q131; Q132; Q134; Q136; Q137; Q138; Q139; Q140; Q143; Q144

Figura 11: Quadro de indicadores específicos de cada grande dimensão do estilo de GRT

Teoricamente do instrumento emergem 7 dimensões fundamentais para caraterizar a gestão do regime terapêutico: locus de controlo interno, tomada de decisão, autodeterminação, atitude face à doença, atitude face ao regime terapêutico, autoeficácia e interação com os profissionais de saúde (Meireles, 2014). O score de cada uma das dimensões foi calculado com recurso a média, ignorando os nulos, do valor obtido em cada um dos itens de cada dimensão (cfr. figura 12). Estas dimensões também foram base da construção das propriedades dos estilos de GRT: controlo e flexibilidade.

Dimensões Itens

Locus de controlo interno 6 itens: Q101; Q102; Q114; Q120; Q122; Q133 Tomada de decisão 5 itens: Q103; Q104; Q105; Q109; Q110

Autodeterminação 6 itens: Q106; Q107; Q111; Q113; Q123; Q132

Atitude face à doença 17 itens: Q108; Q112; Q115; Q116; Q117; Q118; Q119; Q121; Q124; Q125; Q126; Q128; Q140; Q203; Q208; Q211; Q212 Atitude face ao regime 13 itens: Q127; Q135; Q136; Q137; Q138; Q139; Q144; Q145;

Q202; Q204; Q206; Q209; Q210 Autoeficácia 3 itens: Q129; Q130; Q131

Interação com os profissionais 5 itens: Q141; Q142; Q143; Q201; Q213

Figura 12: Quadro de indicadores específicos de cada estilo de GRT

O cálculo de cada uma das dimensões foi efetuada com recurso à media ignorando os nulos dos itens que compõe cada uma das dimensões.

Na análise exploratória dos dados recorremos a testes paramétricos, nomeadamente ao coeficiente de correlação de Pearson, uma vez que as variáveis em estudo são intervalares, com uma distribuição aproximadamente normal e com homogeneidade das variâncias (Martins, 2011) de forma a detetar associações entre as mesmas. Para identificar diferenças inter-sujeitos recorremos ao teste T para amostras independentes. Na extensão do teste T, de forma a detetar diferenças entre três ou mais grupos recorremos a análise da Variância (ANOVA) Unifatorial. Na deteção mais específica da diferença encontrada entre as médias no teste ANOVA recorremos aos testes Post-Hoc.

Na apresentação dos dados apresentamos os resultados com significância estatística, com um nível de confiança superior a 95%.