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Créer ses propres collections par du code

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5. Créer ses propres collections par du code

O meu brinquedo é… “O meu brinquedo é um livro” (João, 3 anos) “O meu brinquedo é um telemóvel” (Rita, 3 anos)

Na sala azul as segundas-feiras são dedicadas ao “Dia do Brinquedo”, um dia, onde as crianças levam para a escola um brinquedo para brincar durante o recreio. Na segunda semana de intervenção, algumas crianças, enquanto brincavam no recreio, dirigiram-se a mim para mostrar-me o seu brinquedo: “olha o meu dinossauro!” dizia-me o João (3 anos).

Fiquei surpreendida por ver algumas crianças pouco comunicativas, entusiasmadas a mostrar-me o seu brinquedo e a querer falar sobre ele. Estes momentos no recreio, fizeram-me refletir sobre a forma como as crianças se expressam oralmente com maior facilidade quando o motivo são vivências e objetos que têm significado para elas. O à- vontade ao falar do seu brinquedo sensibilizou-me para a reflexão acerca das potencialidades educativas do “Dia do Brinquedo” (BD, 14 de outubro de 2013).

Por detrás dos momentos lúdicos que este dia proporciona às crianças, procurou-se atribuir um objetivo pedagógico potencializador do desenvolvimento das crianças. Ao levar um brinquedo para a escola a criança traz um pouco do seu quotidiano e do conforto do seu lar ajudando-a, por isso, no processo de adaptação, fator determinante do seu bem-estar emocional, especialmente das crianças que iniciam pela primeira vez a experiência da EI. Assim, o brinquedo ajuda-as a fazer a ponte simbólica e afetiva entre o seu lar e a escola, dando-lhe mais conforto e segurança ao longo do dia, elementos essenciais para a sua adaptação à escola.

No dia do brinquedo o Marco levou um jogo de bowling. Instalando a curiosidade em todo o grupo, o Marco quis apresentar o seu jogo mas começou logo a tirar os pinos de dentro da mala, sem dizer uma palavra:

Ed. E.: Então Martim… o que tens aí para nos mostrar? Marco: É um jogo!

Diogo: De bowlingggggg!

Ed. E.: Ah, muito bem! E o que é que tem dentro dessa mala?

Marco: Tem pinos.

Ricardo: Tem uma bola também! Ed. E.: Pois tem. E de que cor é a bola? Marco: Preta.

Constança: E tem muitos pinos. Ed. E.: É verdade, tem muitos pinos. Vamos contar para ver quantos têm? Marco: Simmm!

Todos: 1… 2… 3… 4… 5… 6!

Ed. E.: Boa! Tem 6 pinos. E de que cor são os pinos? Marco: Verde.

Simone: Azul. Matilde: Lalanja

Ed. E.: Temos pinos verdes, azuis e cor de laranja.

Data: 28 de outubro de 2013 Tendo em conta as dificuldades identificadas no grupo a nível da comunicação oral, decidi aproveitar esta situação natural que ocorre semanalmente, como uma oportunidade de desenvolvimento da competência comunicativa verbal das crianças através de experiências de interação criança-adulto e criança-criança, onde cada criança fala do seu brinquedo e os colegas colocam questões (quem o deu, porque pediu para tê-lo, porque o escolheu, quais as funcionalidades do brinquedo, qual o nome atribuído, etc…).

Com a nossa orientação, as crianças foram desafiadas a falar individualmente, sobre o seu brinquedo aproveitando-se o momento para estimular a crianças através do alargamento dos enunciados (ver quadro 6).

Partindo do diálogo acima transcrito, podemos constatar a forma como, partindo de um jogo se conseguiu criar uma conversação que incluiu a participação de várias crianças, atuando a educadora estagiária como um estímulo ao diálogo das crianças através de questões

que conduziram ao alargamento da conversação. Denote-se que, de acordo com Sim-Sim, Silva e Nunes (2008) “Ao conversar com a criança, o adulto desempenha o papel de «andeime», interpretando-a, clarificando as suas produções, expandindo os enunciados e providenciando modelos que ela testa” (p.11).

Associando a motivação em comunicar e se expressar oralmente, surge a intencionalidade do desenvolvimento da compreensão verbal. Para além de constituir um momento em que as crianças se expressam individualmente, procura-se incentivar as restantes a saber esperar pela sua vez.

No decorrer das semanas verificou-se que nem todas as crianças traziam brinquedo, por isso, tentou-se sensibilizar os pais para a importância de incentivarem os filhos a levar para a escola um brinquedo à segunda-feira, procurando explicar as suas potencialidades educativas:

A escolha do brinquedo para levar para a escola representa também um momento de aprendizagem e desenvolvimento. A criança é estimulada a fazer escolhas e a respeitar determinadas regras nomeadamente de segurança (não é aconselhável brinquedos de metal, armas e espadas, etc.). Embora os pais a orientem nesta experiência, deverá ser dada total liberdade à criança de escolher o brinquedo que quer levar para a escola. Notou-se que, após compreenderem as intenções do dia do brinquedo, as crianças começaram a trazer, todas elas, um brinquedo à segunda-feira.

(4 de novembro de 2013).

Inicialmente, nem todas as crianças aderiram a esta iniciativa, porém, ao longo da prática foi- se procurando incentivar cada criança a apresentar aos colegas o seu brinquedo, mesmo só dizendo algumas palavras. Nesta situação destaca-se o Henrique, o Rafael e a Mafalda que nunca se voluntariaram para apresentar o brinquedo. Desta observação, resultou algumas conversas com os pais das crianças, no sentido de os incentivarem a trazer o brinquedo favorito ou outro objeto qualquer. O Henrique, que gosta muito de animais, chegou a levar um cavalo. Ao apresenta-lo – “O meu brinquedo é… um cavalo” – despoletou-se uma série de questões relacionadas com o animal que, embora com respostas pouco aprofundadas, o Henrique demonstrou a predisposição para comunicar e, sentindo o entusiasmo por parte dos colegas que o ajudavam a responder às questões, sentiu a sua participação mais valorizada. De salientar que, tendo esta criança grandes dificuldades na linguagem oral, teve-se em atenção para não colocá-lo em situações constrangedoras como pedir para repetir palavras ou verbalizar que não se compreendeu alguma palavra.

Outras crianças, aquando da apresentação do seu brinquedo, faziam ligações com situações já vividas, como é o caso da Catarina no diálogo seguinte (ver quadro 7).

O brinquedo da Catarina é um bebé. Quando o apresentou aos colegas partilhou com eles algumas situações vividas relacionadas com o mesmo:

Catarina: O meu brinquedo é um bebé que se chama kitty. Constança: Mas isso não é uma kitty!!!

Catarina: Mas eu gosto do nome.

Ed. E.: Catarina, e quem te deu esse bebé.

Catarina: Foi a minha mamã. Ela também deu um à minha mamã. São iguais por isso são irmãos.

Ed. E.: E conta-nos lá o que costumas fazer com o teu bebé. Dás-lhe comida?

Catarina: Sim. Dou comida e mudo a fralda. Eu sei como se faz porque vejo a minha tia a mudar a fralda à minha prima.

Ed. E.: Ah, muito bem! Não podes deixar o teu bebé ficar muito tempo com a fralda.

Catarina: Eu já levei ela ao parque.

Ed. E.: Levaste-a ao parque? E puseste-a a andar de baloiço? Catarina: Sim, e no escorrega também.

Data: 11 de outubro de 2013

Brincar é decerto a atividade mais enriquecedora para as crianças. A brincar a criança desenvolve um infindável número de aspetos relacionados com o seu desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social. É emergente que as escolas, educadores e demais agentes educativos não banalizem o “dia do brinquedo” mas que, pelo contrário, procurem potencializar ao máximo este dia