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8.1 Gestion des fichiers

8.1.4 Création de liens : la commande ln

Nordeste

Como visto anteriormente, a variabilidade do vento na regi˜ao Nordeste ´e condicionada pela in- fluˆencia de sistemas meteorol´ogicos predominantes, suas atua¸c˜oes durante o ano na regi˜ao e suas peculi- aridades locais da camada limite, que proporcionam em particular algumas caracter´ısticas na circula¸c˜ao

dos ventos.

No Nordeste do Brasil, o ciclo clim´atico sazonal do vento ´e marcado nesta regi˜ao. Em m´edia, entre os meses de novembro a janeiro, a incurs˜ao de sistemas frontais, que se deslocam dos subtr´opicos da Am´erica do Sul para o setor centro-sul do Nordeste causando chuvas nessa faixa, tendem a manter ventos predominantemente de sudoeste para nordeste e em alguns casos de sul para norte (LIRA, 2009). No ver˜ao e outono austrais (janeiro a maio), os ventos passam a soprar climatologicamente entre os quadrantes norte e leste, prevalecendo ventos de nordeste. Em alguns anos h´a influˆencia diferentes neste setor associado a variabilidade interanual das anomalias de temperatura do mar no Atlˆantico Tro- pical, que podem alterar este regime. Anos em que as anomalias de TSM do Atlˆantico Tropical Norte est˜ao mais quentes que as anomalias de TSM do Atlˆantico Tropical Sul, h´a uma frequˆencia maior de ventos soprando de sudeste nesta regi˜ao do NEB. Por´em, neste per´ıodo de janeiro a maio, em particular mar¸co e abril, sobre o setor norte do Nordeste do Brasil, a Zona de Convergˆencia Intertropical (ZCIT) atua causando eventos de chuvas mais frequentes na regi˜ao, e em geral, a ocorrˆencia de ventos mais fracos sobre esta ´area do Nordeste.

A partir de junho at´e o in´ıcio de novembro, o Nordeste semi´arido ´e marcado por um per´ıodo de reduzida precipita¸c˜ao, exceto o setor leste da regi˜ao que tem seu per´ıodo chuvoso centrado entre abril e julho, com influˆencia dos chamados Dist´urbios Ondulat´orios de Leste (perturba¸c˜oes atmosf´ericas que se deslocam do Oceano Atlˆantico na dire¸c˜ao do continente provocando chuvas na chamada zona da mata nordestina). Como n˜ao s´o em grande parte do Nordeste, mas tamb´em em grande parte da Am´erica do Sul, entre junho e novembro predomina-se uma massa de ar seco associada ao deslocamento do sistema de alta press˜ao, denominado de Alta Subtropical do Atlˆantico Sul (ASAS), para a costa leste-sudeste do Brasil, ocasionando sobre o Nordeste o predom´ınio de ventos soprando entre os quadrantes leste-sudeste. Este sistema no primeiro semestre do ano tem sua localiza¸c˜ao preferencial no setor sudeste do Oceano Atlˆantico.

Al´em destas caracter´ısticas sin´oticas que influenciam o regime de ventos no Nordeste do Brasil de forma interanual, as brisas terrestres e mar´ıtimas e os efeitos locais da camada limite planet´aria, s˜ao tamb´em fatores que tˆem papel importante nas mudan¸cas de dire¸c˜ao e velocidade dos ventos na escala di´aria.

Silva (2003) definiu trˆes grandes regi˜oes e´olicas no Nordeste, apresentando caracter´ısticas de vento singulares. Sendo estas: Litoral Norte-Nordeste, Litoral Nordeste-Sudeste e Nordeste Continental.

O Litoral Norte-Nordeste compreende a faixa litorˆanea do extremo norte do Maranh˜ao ao ex- tremo sul no Rio Grande do Norte. As condi¸c˜oes de vento em toda regi˜ao s˜ao conduzidas, principalmente, pelo ciclo anual de posi¸c˜ao e intensidade da ZCIT e pelas fortes ocorrˆencias de brisas mar´ıtimas. Esta regi˜ao foi dividida em 2 sub-regi˜oes como mostra a Figura 2.11.

A primeira sub-regi˜ao (Sub-regi˜ao 1), que engloba praticamente todo o litoral do Maranh˜ao, pos- sui regimes de vento anuais mais amenos (5–7 m/s `a 50 m de altura), com decremento gradual `a medida que se aproxima da ZCIT.

A segunda sub-regi˜ao (Sub-regi˜ao 2), que se estende do litoral do Piau´ı ao Rio grande do Norte, possui regimes e´olicos muito fortes, apresentando velocidades m´edias anuais entre 7 e 9,5 m/s (50 m de

18 altura). A principal causa dos bons resultados de vento nesta sub-regi˜ao ´e a a¸c˜ao conjunta dos Ventos Al´ısios e das fortes brisas mar´ıtimas; ambas positivamente influenciadas pelo afastamento da ZCIT.

Figura 2.11: Litoral Norte-Nordeste. Fonte: Silva (2003)

A regi˜ao denominada Litoral Nordeste-Sudeste se estende do extremo norte da Para´ıba at´e o extremo sul da Bahia. A figura 2.12 ilustra a ´area de abrangˆencia do Litoral Nordeste-Sudeste.

Nesta faixa litorˆanea observa-se a diminui¸c˜ao gradual da intensidade dos ventos; estando a mai- oria da costa entre 5 e 8 m/s (50 m de altura). Este fato ´e associado `a combina¸c˜ao de trˆes fenˆomenos ocasionados pelo afastamento da zona equatorial.

O primeiro ´e ocasionado por uma redu¸c˜ao na intensidade dos Ventos Al´ısios, devido `a libera¸c˜ao gradual do calor latente contido nas grandes massas superiores de ar `a medida que se movimenta para os p´olos. O segundo ´e a ocorrˆencia de brisas mar´ıtimas mais fracas, devido `a redu¸c˜ao na magnitude dos gradientes t´ermicos oceano-terra. Esta redu¸c˜ao est´a ligada a diminui¸c˜ao da temperatura da superf´ıcie nas latitudes mais altas, fortalecida por efeitos de frentes frias remanescentes em alguns meses do ano. Por ´ultimo, a a¸c˜ao de frentes frias remanescentes que se propagam na costa sul da regi˜ao.

Al´em desses, podem ser constatadas fortes ocorrˆencias de zonas de convergˆencias noturnas favore- cidas pela dire¸c˜ao dos Ventos Al´ısios e das brisas terrestres, principalmente nos meses de outono e inverno.

Figura 2.12: Litoral Nordeste-Sudeste. Fonte: Silva (2003)

A regi˜ao coberta pelo Nordeste Continental compreende toda a ´area continental interior do Nor- deste. Esta regi˜ao e´olica foi dividida em 2 sub-regi˜oes (Figura 2.13).

Na primeira sub-regi˜ao (Sub-regi˜ao 1), que engloba praticamente todo o interior do Nordeste, a intensidade do vento decresce rapidamente `a medida que se afasta do litoral, devido os efeitos da rugosi- dade, de barreiras naturais pela orografia regional e a diminui¸c˜ao da contribui¸c˜ao das brisas mar´ıtimas.

A intera¸c˜ao com outras massas de ar provenientes de outras regi˜oes alteram o clima de algumas ´

areas desta sub-regi˜ao. Entre as mais importantes est˜ao: a penetra¸c˜ao de frentes frias provenientes do Sul do Brasil afeta a climatologia e´olica no sul da Bahia, de novembro a fevereiro.

Observam-se, tamb´em, ocorrˆencias de brisas de lagos em ´areas isoladas, como as que circundam os grandes lagos da barragem de Sobradinho, na Bahia e da barragem de Itaparica, na divisa de Pernam- buco com a Bahia.

Entretanto, muitas ´areas elevadas de montanhas, serras e chapadas que se estendem do Rio Grande do Norte a Bahia, apresentam condi¸c˜oes que induzem a acelera¸c˜ao dos ventos. Estas ´areas foram classificadas como Sub-regi˜ao 2 do Nordeste Continental.

As ocorrˆencias de altas velocidades de vento se encontram de forma localizada, em ´areas que apresentam fortes brisas de montanhas/vales ou onde a canaliza¸c˜ao e a compress˜ao vertical dos ventos ´e mais acentuada. As velocidades m´edias nestas condi¸c˜oes variam de 6 a 10 m/s (50 m de altura).

Vale salientar que esta regi˜ao apresenta n´ıveis de turbulˆencia, de dispers˜ao das ocorrˆencias de vento e gradientes verticais de velocidade muito maiores que as observadas nas regi˜oes litorˆaneas.

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Figura 2.13: Litoral Nordeste-Sudeste. Fonte: Silva (2003)