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COUTS DES ALIMENTS DE REMPLACEMENT

Uma das formas de utilização dos minerais da argila é através de pelóides. Os pelóides, cujo nome provém da palavra grega πελος – pelòs – que significa “lama”, “lodo” ou “barro” consistem em produtos formados por uma mistura espontânea ou artificial de água mineral natural, água do mar ou de um lago salgado, com uma componente sólida (orgânica ou inorgânica), resultante de processos geológicos e/ou biológicos naturais ou sintetizados artificialmente, utilizados para fins terapêuticos sob a forma de cataplasmas ou banhos. Os pelóides naturais resultam de processos naturais de formação e sedimentação de matéria orgânica e da precipitação dos elementos mineralizantes da água; e os pelóides artificiais resultam de processos de maturação de lamas ou argilas em água mineral natural durante um determinado período de tempo [16].

A designação de pelóide foi oficialmente adotada pela primeira vez em 1938 pela Sociedade Internacional de Hidrologia Médica (ISMH) no Congresso de Wisbaden, mas foi em 1949, na IV Conferência Internacional de Hidrologia Médica, realizada em França, que se estabeleceu a definição de pelóide aceite até aos dias de hoje [16]. Desde então a Peloterapia, terapia que usa pelóides, é reconhecida pelos seus efeitos terapêuticos comprovados no tratamento de doenças do aparelho locomotor (doenças reumatológicas), afeções dermatológicas, doenças nervosas e em serviços de bem- estar termal [18], [19]. A Peloterapia é uma terapia que atua mediante a transferência de calor para a superfície da pele, provocando vasodilatação, perspiração, estimulação cardíaca e melhorias na respiração. Sabe-se também que o efeito terapêutico dos pelóides não está apenas limitado à transferência de calor para a pele, estando-lhe também associados processos anti-inflamatórios e trocas

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catiónicas entre os minerais da argila e a pele [20]. Contudo, a ação dos pelóides não está completamente compreendida pelas comunidades científicas e médicas, pelo que continuam a realizar- se numerosos estudos nesta área.

Consoante as suas caraterísticas morfológicas e processos de maturação, os pelóides são classificados de diferentes modos de acordo com a nomenclatura adotada pela ISMH em 1949 [16]. Esta nomenclatura tem em consideração a natureza da sua componente sólida, mineral (barros, lodos e lamas, de compostos silícios, alumínicos, cálcicos, etc.), ou orgânica (algas, fungos, bactérias, líquens, musgos, resíduos orgânicos diversos, resultantes de uma microflora autotrófica e seus produtos, tais como ácidos húmicos, etc.), a natureza química da sua componente líquida (sulfúrea, sulfatada, cloretada, mais ou menos alcalina, etc), as temperaturas a que ocorrem e ainda as condições de maturação [21]. A tabela 1 apresenta a classificação adotada pela ISMH em 1949 e que é atualmente utilizada.

Tabela 1: Classificação internacional dos pelóides adotada em 1949 pela ISMH [18]. Tipo de

Pelóides

Origem Natureza química Condições de Elaboração

Sólida Líquida Temperatura Maturação

Fango Lodos Lamas Mineral (Inorgânica) Sulfúreas Sulfatadas Cloretadas Hipertermal Mesotermal Hipotermal In situ Em tanque Limos Mineral (Inorgânica) Água do mar ou

lago salgado Hipotermal In situ

Turfas Orgânica Carbonatadas Sulfúreas Água do Mar Hipertermal Mesotermal Hipotermal In situ Em tanque

Biogeleias Orgânica Sulfúreas Hipertermal In situ

Outras

Biogeleias Orgânica Não Sulfúreas

Hipertermal Mesotermal Hipotermal

In situ

Sapropeli Mista Sulfúreas

Alcalinas Hipotermal In situ

Gytja Mista Água do mar Hipotermal In situ

Nesta classificação é considerado o tipo de processo de maturação a que os pelóides estão sujeitos, distinguindo-se os pelóides primários (in situ ou naturais) dos pelóides secundários (em tanque ou artificiais). Os pelóides primários são aqueles em que o componente sólido foi transportado mecanicamente como matéria dispersa em partículas e posteriormente depositadas em nascentes de águas minerais; os pelóides secundários são aqueles em que o componente sólido provém de uma fonte diferente da componente líquida, sendo por isso misturados em tanque e designados artificiais [18], [21].

Esta classificação é fundamental para a classificação dos pelóides, uma vez que a tipologia dos sedimentos naturais que formam os pelóides determinam o potencial terapêutico de cada material

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geológico. Esta tipologia reflete parâmetros como a origem, a ocorrência e a composição da componente sólida, a quantidade relativa dos componentes sólidos orgânicos e inorgânicos, a natureza química e a temperatura da água mineral natural e ainda o processo de maturação com ou sem agitação da mistura [16].

Relativamente ao tipo de pelóides, o tipo limo considera-se como um tipo especial de fango, havendo substituição da água termal por água provinda do mar ou de um lago salgado. Ambos apresentam fraca capacidade térmica, fraca condutibilidade e baixo índice de arrefecimento. O limo carateriza-se por ter uma granularidade fina onde a argila é o mais importante constituinte inorgânico da componente sólida, que por sedimentação é depositado e acumulado em fundos marginais de mar, de laguna ou de lago salgado, de onde é extraído, formando estes a sua componente líquida, que raramente é água mineral. Devido a acumular-se nos fundos de lagunas ou lagos salgados, apresentam um elevado conteúdo em cloretos, sulfatos, carbonatos e fosfatos, sendo o componente orgânico, bastante mais elevado que nos fangos. Os limos mais utilizados são os que ocorrem no Mar Negro, no Mar Morto e no Mar Menor [12], [15], [22].

O tipo de pelóide turfa carateriza-se por incluir uma componente sólida constituída por uma parte inorgânica ou mineral e por uma parte orgânica rica em vegetais em decomposição, razão pela qual se considera como pelóide natural. Contém também uma componente líquida formada por água mineral termal, cloretada que deve apresentar elevada condutividade e biocompatibilidade, devendo para isso adaptar-se às propriedades físicas e químicas da superfície da pele. O pelóide turfa deve ser esterilizado antes de ser aplicado [22].

No caso do pelóide biogeleia, consiste essencialmente em matéria orgânica natural, composta por algas e bactérias e uma componente líquida. O seu componente inorgânico é constituído por areia, argila e outros compostos derivados da sílica, assim como diversos sais minerais. Carateriza-se também por ter um aspeto gelatinoso e cor amarela ou esverdeada. As suas propriedades mais importantes consistem na sua elevada viscosidade, elevada capacidade térmica, elevada condutividade, fraca plasticidade e muito fraca capacidade de reter água [14], [22].

No que se refere à componente mineralógica dos pelóides, os minerais mais abundantes das argilas são a esmectite e a caulinite, embora também ocorram a ilite, a paligorskite e o talco e outros compostos como a calcite, o quartzo, o feldspatos e a sepiolite fibrosa.

Os pelóides são essencialmente sistemas termoterapêuticos que podem ser aquecidos antes de serem colocados sobre a pele por forma a criar e a manter localmente condições térmicas que promovam o efeito terapêutico desejado, com uma cinética de arrefecimento controlada [20], [23]. A fina granulometria das partículas argilosas e consequentemente a sua elevada superfície específica é um dos fatores que explica a sua elevada capacidade de retenção de água [24]. Um dos minerais argilosos com maior capacidade de retenção é a esmectite, que por este motivo é considerado como um dos mais adequados para Peloterapia. É esta elevada retenção de água que permite ao material manter uma temperatura elevada durante um período de tempo mais longo [20], [24]. Este fato deve-se à elevada quantidade de catiões permutáveis ou elevada capacidade de troca iónica (CEC) dos minerais de esmectite e que lhe confere elevados níveis de hidratação, influenciando dessa forma a quantidade de água presente no material argiloso [25]. Deve no entanto ter-se em atenção que a CEC não seja excessiva por forma a evitar a retenção de iões nos pelóides com danos para a saúde [20].

As propriedades mecânicas das argilas afetam também o desempenho do pelóide na medida em que condicionam a consistência e abrasividade que o pelóide apresenta quando aplicado topicamente. Estas duas caraterísticas influenciam a capacidade de serem moldados antes de aplicados

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bem como a facilidade de manuseamento e a sensação agradável que proporcionam quando aplicados. A consistência dos pelóides traduz-se na plasticidade que apresentam: quanto maior for, mais fácil será o seu manuseamento, a sua adesão à pele e a sua posterior remoção. De acordo com Casagrande [20] um pelóide é considerado como tendo uma plasticidade elevada quando apresenta um limite líquido acima dos 50% e é considerado como tendo uma plasticidade muito elevada quando apresenta uma percentagem superior a 70% de fase líquida [20]. A sensação agradável sentida na pele com a aplicação do pelóide é explicada pelo baixo nível de abrasão que apresenta e que se pretende que seja o menor possível, por forma a não causar desconforto. O grau de abrasão é um indicador do tipo de materiais que compõem o pelóide uma vez que um baixo grau de abrasão está associado a partículas com granulometria inferior a 2 µm e com morfologia adequada. Para aplicações destinadas a tratamentos tópicos devem ser utilizados materiais argilosos cuja abrasividade não exceda os de 5 g/m2, a1000 rpm [23].