a) Workshop
Enquanto reunião de grupos de pessoas em torno de um em determinado projeto ou atividade para discussão sobre o que lhes interessar, podemos considerar os Workshop como uma atividade representativa e simbólica da dinâmica de grupos nos clubes escolares, quer se
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PARTE IV – Análise e interpretação dos dados 111 desenvolva no seu interior, quer se desenvolva numa atividade que implica uma colaboração com entidades e pessoas exteriores ao clube e mesmo à escola, podendo ser considerados como objeto provocador de interação entre as jovens e os jovens«Entretanto a Sandy, Rachel e coordenadora (japonês), estavam estabelecendo os preços para o
Workshop de Sushi, que será no dia 21 ou 22 de Fevereiro de 2013, e se preocupam com os ingredientes
para a sua preparação:
Coordenadora (japonês): temos que comprar salmão Sandy: temos que comprar o salmão que está muito caro.
Coordenadora (japonês): mas vamos comprar peixe cru ou fumado?
Sandy: mas temos que ver quanto vai ser o custo para quem participar, vou por três euros Rachel: mas não tão barato
Sandy: é que a gente quer ir a um Workshop de Sushi, e é tão caro» (NT 18-01-2013)
Estes “eventos” são particularmente significativo da interacção dos clubes com o exterior (ou de saída dos clubes ao exterior da escola), uma vez que neles estão presentes participantes externos, muitas vezes que entram em contacto com os clubes pela primeira vez, e o que obriga a um cuidado extremo na organização do evento, na preparação do “staff”, que serão as jovens e os jovens do clube escolar, como aconteceu no clube de japonês, na função de facilitação, no estabelecimento de um “setting” que não cause ambiguidades e, sobretudo, uma atenção vigilante sobre aqueles que, por qualquer motivo, entram e assistem ao evento porque quiseram,
«Anna R: exato, gosto, gosto de tudo isso, não sei se há muitas atividades para além dos espetáculos. Kate: aos ateliers, aos Workshops.
Anna R: os Workshops, que de vez em quando, por exemplo, o ano passado fomos fazer o Workshop ao
teatro experimental Carlos Alberto, com um ator profissional, que foi muito bom - a Mafalda reafirma
esta informação com um sinal de sim com a cabeça.
Kate: pois conhecemos pessoas de fora, que gostam do mesmo que nós.» (GDF teatro)
Mas nem sempre é possível aos clubes escolares realizarem este tipo de iniciativa ou proporcionarem aos seus membros este tipo de interacção no exterior dos muros da escola, desde logo devido a constrangimentos de verbas que as escolas onde estão os clubes escolares possuem. Assim, muitos clubes escolares permanecem ativos apenas dentro das escolas, quando poderiam eventualmente não só ter o papel relevante que já terão entre as jovens e os jovens, mas de igual modo envolver também a comunidade educativa na sua totalidade, podendo assim não só contribuir para o princípio da sua auto sustentabilidade, mas fundamentalmente constituindo-se comomais uma forma de os estabelecimentos escolares se relacionarem com a comunidade.
b) Ensaios e apresentação de peça de teatro
Para algumas das jovens e alguns dos jovens do clube de teatro, o gosto pelo teatro foi fomentado no meio familiar, de classe média, como são na sua maioria as jovens e os jovens que o frequentam este clube escolar de teatro. Neste tempo e espaço do clube de teatro a interacção gira em volta dos ensaios e apresentações da peça de teatro, transformando-se esta num meio e foco de interação dominante
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PARTE IV – Análise e interpretação dos dados 112 «Pedro (ator): então a tua família…Coordenadora (teatro): e o teu pai gostou Dan… Dan: o meu pai já tinha visto…
Coordenadora (teatro): pois, o teu pai já tinha visto, veio com a tua tia, ela ainda não tinha visto esta…
e veio a tua prima, e tu, Peter veio a tua mãe…
Peter: a minha mãe adormeceu – pois a peça foi apresentada depois das 22h30 na escola
Coordenadora (teatro): a tua mãe adormeceu… estava muita cansada pois foi à noite às dez e meia Peter: a minha tia, nunca tinha visto…
Coordenadora (teatro): gostaram? Peter: portanto, gostaram…
Pedro (ator): gostava de encontrar alguém que não tivesse gostado… gostava de perceber que… Coordenadora (teatro): gostava de uma crítica diferente…gostava de melhorar
Pedro (ator): as coisas que não gosto, gostava de entender destas coisas porque tentam ser simpáticos
mas…
Coordenadora (teatro): eu acho que a tua irmã, Anna R deve ter achado uma seca, pois é um texto do
9º ano…
Anna R: não, que não, gostou, só não entendeu muito bem o que se passava…!» (NT 04-12-2012)
O teatro parece desempenhar para estes jovens, uma função mais formadora, incentivando as e os mais tímidas/os ou mais impetuosas/os a dominar os seus gestos e a sua elocução.
Para as jovens e os jovens do clube de japonês, que também realizou em anos anteriores uma representação de uma peça de teatro, como podemos constatar no seus discursos, essa experiência não foi além de um momento de sociabilidade e entretenimento, não lhe sendo atribuído um carácter dominante de formação, como no caso dos jovens e das jovens do clube de Teatro
«Franco: aquele teatro foi fantástico. Aquele teatro que fizemos no início, eu gostei muito do teatro, … Silvy: pois, foi
Franco: foi quando usamos Kimonos. Eu usei Kimono. Silvy: o senhor palha
Franco: em que tive que me atirar ao chão JCarvalhos: Oh, atira-te.
Silvy: não eras tu - quando olha para a Rigémea – a senhora palha. Rigémea: não era o budista.
Franco: … e que a borboleta, não sai do filo Silvy: ou isso
Franco: toda gente a ver Silvy: exato
André: era só uma pequena libelinha, solta. Eu gostei muito dos moinhos, quando estava com um
avental e gritar com as pessoas, peixe, …
Silvy: o peixe era ele
André: então que era» (GDF japonês)