As três linhas estratégicas definidas constituem unidades processuais a partir das quais são propostas atividades que visam a aplicabilidade no terreno de vários excertos de depoimentos, bem como a institucionalização de redes colaborativas entre instituições de ensino superior e instituições dedicadas à promoção e defesa da cultura e identidade locais. Diferenciam-se dos núcleos museológicos pelo facto de não se encontrarem limitadas a um edifício ou a determinado espaço. Antes, representam bases metodológicas em redor das quais é possível experimentar novas abordagens à aplicabilidade dos resultados do trabalho de campo realizado.
a. Território.
Definir um território nas suas múltiplas variantes não é tarefa fácil. Neste caso, porém, importa balizar do ponto de vista geográfico os seus limites. De um modo geral, estes são aqui assumidos, tendo por base a latitude dos depoimentos recolhidos.
Verifica-se que ao longo das décadas da existência das Minas da Borralha, o território ocupado por estas foi intensamente vivido. Não só porque se trata de um espaço físico cenário de uma atividade industrial intensiva que, por via dos fenómenos de industrialização, foi profunda e progressivamente desvirtuado do seu desenho primitivo, como também porque nele que se situam várias aldeias – Borralha, Caniçó, Paredes e Linharelhos – e uma vila,
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Salto, muitas vezes cenários de narrativas extremamente interessantes do ponto de vista histórico e sociológico. Assim sendo, o território referido ocupa a área que vai desde a vila de Salto até à aldeia de Campos, esta última já no Concelho de Vieira do Minho (imagem 1). Recuperar parte dessas narrativas de forma a processar um olhar diferente relativamente ao espaço vivido é o principal objetivo das propostas apresentadas.
Localização dos antigos trilhos de contrabando de minério, por forma a
criar circuitos para a prática do trekking.
Estão identificados dois trilhos outrora usados por apanhistas e farristas para o contrabando do minério (Imagem 1):
Imagem 1: Localização dos dois percursos pedestres.
1. Partindo dos escritórios passando pela aldeia de Caniçó, mini-hídrica das Cruzinhas, aldeia de Linharelhos, terminando na concessão mineira da Quebrada (aldeia de Campos). Distância aproximada de 5 km.
2. Partindo dos Quartos Novos, seguindo o curso do Rio Borralha, de montante para jusante, até ao lugar da Borda D’Água, na vila de Salto. Distância aproximada de 4 km.
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Limpeza dos trilhos, através da promoção de acões de voluntariado jovem. Sinalização dos trilhos ao longo do seu percurso, completando a sinalética
universal dos percursos pedestres, com informações retiradas dos excertos dos depoimentos relativas ao contrabando de minério.
Objetivos:
Proporcionar ao público a oportunidade de conhecer o espaço físico ocupado pelo Couto Mineiro da Borralha e, ao mesmo tempo, contactar com aspetos da memória coletiva da comunidade.
Incentivar a práticas de desporto e convívio, promovendo o respeito e o conhecimento pela natureza.
Valorizar o valor comunal e social dos lugares, mediante o reconhecimento da importância das memórias individuais dos informantes para a reconstrução do território (Benton, 2010).
Implementar um sistema de legendagem pelo território das Minas,
recorrendo ao Glossário de Termos e Expressões.
Objetivos:
Interpretar o território industrial com base nas narrativas dos informantes, complementando a paisagem tecnológica com a imagem humanizada.
Interpretar estruturas em perigo de desaparecimento ou mesmo já desaparecidas.
Ex:
Forno: Nome dado a uma pequena construção, situada junto ao rio da Borralha na área da lavaria velha, onde os apanhistas depositavam o minério recolhido. Cada grupo de apanhistas tinha uma caixa de madeira com o número correspondente à sua licença, onde colocava ao final do dia o produto do seu trabalho.
“… chamavam-lhe o forno que era onde a gente ia levar o minério pró engenheiro prá afinagem…”.
“… também íamos lá abaixo ao forno, chamávamos-lhe o forno que era o depósito onde metíamos lá o minério”.
Recuperar expressões e termos entretanto caídos em desuso, renovando a sua aplicação a um contexto evocativo.
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China: Termo usado pelos trabalhadores, apanhistas e farristas das Minas da Borralha para designar uma pedra de minério, com elevada percentagem de minério e, consequentemente, com pouco seixo.
“… tiramos lá muito minério, era cada china de aluvião!”
“ … eu e mais a minha mãe, eu ia pra lá e apareciam lá chinas todas limpinhas; a gente tinha de cavar mais um pedaço de areia…”
Salão: Designação dada pela maioria dos apanhistas e farristas ao espaço que medeia entre a terra solta e o solo propriamente dito e onde, segundo os eles, se encontravam bolsas de minério de aluvião
“… nós éramos para ir apanhar o salão, lá em baixo, porque o minério de aluvião estava entre a terra preta ou amarela e o salão, ou o fim da terra”.
b. Quotidiano operário e histórias de vida.
O desafio consiste em dar a conhecer as verdadeiras experiências de viver e trabalhar numa exploração de volfrâmio, pela voz de quem, direta ou indiretamente, contactou com o fenómeno do minério.
Desenvolver um programa de visitas guiadas de curta duração com várias gerações de antigos operários, proporcionando um ambiente informal de partilha de experiências e conhecimentos.
Promover sazonalmente um workshop de mapeamento coletivo e cartografias
críticas, aberto ao público em geral e às escolas em particular.
Objetivos:
Encontrar formas alternativas de comunicação que despertem a criatividade, a discussão e o intercâmbio cultural entre diferentes gerações.
Promover a auto-estima da comunidade mineira, através da valorização dos seus percursos de vida.
c. Investigação e promoção do Património Imaterial Mineiro.
O renascimento da indústria mineira nacional acaba por ser o mote para a concretização desta linha estratégica. O atual contexto sócio-económico veio dar maior visibilidade ao património
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industrial mineiro nacional, o que poderá dar o mote para que instituições universitárias e museus, possam desenvolver redes de parcerias em redor desta temática.
Estabelecer redes de investigação com universidades, museus e demais instituições ligadas à cultura que partilhem dos mesmos interesses. A 12 de Abril de 2012, a investigação na qual o projeto museológico se baseia, foi apresentado no Clube de Leitura da FEUP, tendo sido alvo de bastante interesse por parte de responsáveis do Museu da FEUP e do Departamento de Engenharia de Minas e Geoambiente38.
Objetivos:
Potenciar os acervos museológicos das instituições aderentes e a experiência acumulada dos seus recursos humanos, canalizando-a para projetos comuns como por exemplo exposições co-comissariadas.
Criar uma base de dados transversal aos membros da rede, para os termos e expressões oriundos da gíria mineira.