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Chapitre VI : Annexes

Annexe 6.20 : Résultats de l‟analyse granulométrique sur le matériau après les 105 cycles de

1.2. Les différentes couches d‟une chaussée revêtue (NF P 98-080-1)

O primeiro Momento no Paradigma da Dádiva é a doação (o DAR).

Chama-se dom ao seu gesto, quando se insiste na energia inicial, no acto que desencadeia o ciclo, e no facto de haver uma retribuição imediata e independente do que regressa no fim do ciclo. Isto implica que na trilogia dar – receber – retribuir, nem todos os termos têm o mesmo estatuto. O primeiro é o que funda o sistema. Ele designa a natureza do que se desenrola e traz consigo o resto, define-lhe a lógica e exprime o facto de o sistema não ser mecânico, mas livre, ou indeterminado. É-se verdadeiramente obrigado a concluir que a reciprocidade não é central no dom, e que o dom é em primeiro

lugar um dom, se não se observarem mais do que as coisas concretas que

circulam. (GODBOUT, 1992, p.137, grifo do autor)

Conforme o autor, a doação não apenas inaugura o ciclo, mas estabelece uma relação de autoridade e determinação sobre os demais de seus aspectos. O doador estabelece que aquela doação é uma Dádiva, quando sua doação possui as quatro dimensões, ou duas a duas, antagônicas: obrigação/liberdade, interesse/amância. Em sua liberdade, mostra sua generosidade a partir da escolha do que será doado e de sua abnegação, no desprendimento daquilo que lhe é ou não mais estimado. Todavia, também doa por obrigação, pois somente assim afirmará sua autoridade, demostrando que possui e é possuído pela Dádiva, e não o contrário, quando se colocaria numa condição egocêntrica, de vaidade e presunção. Mauss (2003, p.158-159) afirma: “Ele só conserva sua autoridade [....] se prova que é visitado com freqüência e favorecido pelos espíritos e pela fortuna, que é possuído por ela e que a possui”. Se ele não doar, não poderá provar que possui e, apenas dessa forma, estabelecer uma hierarquia. O donatário é subordinado ao doador, pois só possui a dádiva, porque a recebeu em doação, tornando-se também seu devedor. No entanto, vale lembrar que, todo doador, por mais “primeiro” que seja, é sempre, em instância espiritual um donatário, pois recebeu a inspiração, recebeu a própria vida. E, nesse sentido, ele é um devedor maior, pois recebeu uma dádiva de mais excelência, de um doador de maior grandeza. Dessa forma, apesar de no ciclo inaugurado por ele, o doador parecer ser hierarquicamente superior ao donatário, ele não se sente assim, porque está consciente de que numa volta anterior do ciclo, ele é subordinado ao doador maior, ou seja, ele é menor do que o maior absoluto, por princípio.

Do mesmo modo, o Cante inaugura o sistema CDG, pois se alguém não “for em si mesmo” não poderá provar consistência nem integridade, e, portanto, não terá como estabelecer-se e nem estabelecer, a partir de si. Também, assim como no Paradigma da Dádiva

o doador é um devedor maior, no Cante cada um é íntegro, forte e autônomo apenas porque se aceita sob uma submissão maior, responsável pela liberdade de escolher aquele e aquilo, a que se curva. Então, é nessa condição indigna de submisso e devedor que ele é dignificado, ao ser por aceitar-se, ao receber sem merecer. A descoberta e a construção de si mesmo culminam em presença diante dos demais; nesse sentido, um ato de doação, precisa ser percebido, para se tornar efetivo. Tal status pode ser conquistado por imposição e por interesse, ou por despertar no outro a capacidade e a disposição de perceber, a amância. O desafio está no escolher e conduzir-se de acordo com a escolha feita. Assim, se aparentemente sua doação teve o interesse em se auto dignificar, na verdade, quando motivada pela amância, faz do donatário seu devedor, dignificando-o. Ainda a respeito da dimensão interesse/amância, observa-se que, neste momento do ciclo, o doador tem o interesse em se fazer reconhecido, o que é possível se ele reconhece seu donatário numa ligação de amância, haja vista que conhecer e ser reconhecido, sem prejuízo de nenhum, só ocorre numa relação de alteridade.

Neste momento do ciclo, a dádiva está imbricada da essência do seu doador; seu universo particular, sua humanidade, é inerente à dádiva. É o Namastê, “o Deus que está em mim saúda o Deus que há em você”, são duas almas que se tocam. Sendo assim, pertence ao Cante que “representa mundos Internos e Particulares, tange a alma e as emoções [...]” (NUNES, H., 2015). É o Cante, também, porque a doação é o mundo interno e o cerne do sistema, não apenas por inaugurá-lo, mas também por determinar sua natureza, seus aspectos interiores, sua existência. A doação é a força propulsora, que encoraja o laço social.

Assim, cada dádiva é a repetição do nascimento, da chegada, da vida; cada dádiva é um salto misterioso para fora do determinismo. Por isso a dádiva é frequentemente acompanhada de uma certa sensação de euforia e da impressão de participar de algo que ultrapassa a necessidade de ordem material. (GODBOUT, 1998)

A sensação de euforia se associa tanto à expectativa de recepção, como à de retorno. Incorpora também a espera de uma avaliação a respeito da dádiva, como condutora adequada, para o si que se pretende doar e para o si que irá receber a doação. Pois, caso a dádiva não seja conveniente nem convincente, poderá provocar recusa e, como veneno, destruir a possibilidade de vínculos, ao invés de construí-los. Portanto, a dádiva, tanto como bem material, como bem simbólico, possui Condições Intrapessoal e Interpessoal, haja vista que representa duas almas que devem se conhecer e se reconhecer.

Em se tratando do Repertório, rememora-se que o Cante se relaciona aos Processos de Criação. Conforme já explicitado, o radical da Per, de repertório, relaciona-se a dar vida, criar, recriar. Essa criação, expressão da essência de seu criador, sempre será, apenas, temporariamente acabada, visto que se completa no outro e, por causa de sua liberdade de ir e vir, o outro é fugaz, em relação a nós. Por isso, constitui-se ao tempo em que uma obra fica pronta; mas também se constitui como processo de criação dinâmico e contínuo, baseado em recomeços. Como foi dito, na Oferta, essa essência é o momento da doação, não apenas porque inaugura o ciclo, iniciando o laço e o definindo; mas, principalmente, porque é movido pelo espírito de reciprocidade, a partir de uma doação superior: sua inspiração, sua vocação, a própria vida. Sendo assim, defende-se que, na Oferta de Repertório, o momento da doação tem como eixo os Processos de Criação. Estes processos carregam a alma de seu doador e estabelecem conexão com a alma do donatário. Todavia, para que este laço seja bem-sucedido, observa-se a necessidade de se considerar, qual o tipo de processo de criação, que será capaz de conduzir com eficiência o âmago do doador, ao âmago de quem o recebe.

No caso deste estudo específico, o doador não é uma pessoa física, mas um curso que reflete, na prática, as perspectivas de um projeto pedagógico, por sua vez fundamentado em uma concepção específica de Música, Formação e Docência. Ou seja, o PROLICENMUS é o doador e sua alma é constituída pelos princípios que o fundamentam: a Proposta Musicopedagógica CDG. Dessa forma, os Processos de Criação, uma vez doados, contém a alma do PROLICENMUS, ou seja, seus Princípios. Tais princípios, por sua vez, pertencem ao PROLICENMUS e dizem respeito às suas próprias concepções; portanto, referem-se a uma Condição Intrapessoal (no caso, do intra-curso). Essa condição aponta para o primeiro Ato da Doação, a Seleção da dádiva; neste caso, os Processos de Criação primeiros, inerentes às obras artísticas apresentadas foram, previamente, escolhidos (selecionados) à luz das ideias do projeto pedagógico e da proposta musicopedagógica que sustentam o curso. Em contrapartida, a doação também deve considerar o donatário, no caso deste estudo, os licenciandos. Se por um lado os Processos de Criação devem ser possuidores da alma do PROLICENMUS, também devem ser bons condutores dessa alma, a fim de que ela alcance seus destinos de modo fidedigno e consistente. Para tanto, deve-se considerar, quais as relações entre os princípios e o modo como se dará acesso às obras artísticas escolhidas, devidamente adaptadas às necessidades do donatário, incluindo a realidade contextual, em que ele está inserido. Esta premissa evidencia a Condição Interpessoal da Doação, expondo seu segundo ato: a Disponibilização dos Processos de Criação.