Segundo REIS E LAY (1995), o modo mais eficaz para a realização de avaliações sobre o ambiente urbano consiste no emprego concomitante dos diversos métodos e técnicas disponíveis, sendo a opção decorrente do tipo de problema proposto para o trabalho.
A metodologia empregada neste estudo fundamentou-se na combinação de vários métodos de coleta de dados, dentre eles levantamento de arquivo e levantamento de campo (levantamento físico e questionários). É fundamental salientar que o método implica um processo, uma finalidade, enquanto que a técnica diz respeito à materialização dessa finalidade. Neste trabalho, o levantamento físico foi registrado através de fotografias e anotações.
3.4.1 Levantamento de arquivo
Esta fase caracterizou-se pela procura de materiais e informações necessárias às atividades desenvolvidas, tais como: informações sobre as vias que compõem o objeto de estudo e informações relativas ao trânsito na cidade de Pelotas/RS.
As informações conseguidas com esse levantamento são importantes para determinar como será encaminhada a avaliação do ambiente e do próprio levantamento de campo. Quanto mais informações adquiridas, maior subsídio se terá para dar início ao levantamento de campo e o diagnóstico do sistema cicloviário de Pelotas/RS (ver Apêndices D, E, F e G).
3.4.2 Levantamento de campo
O levantamento de campo é um método com diferentes fases que consistem na coleta in loco de informações pertinentes ao ambiente em questão.
Para que ocorra uma compreensão da real situação do sistema cicloviário, é necessário descrever as características físicas e de infraestrutura presentes em cada uma das vias (ver Apêndices A, D, F e G), tornando-se possível relacionar o
grau de satisfação da via em relação aos padrões exigidos, com o nível de satisfação dos usuários.
O trabalho de campo foi realizado em todas as vias que compreendem o Sistema Cicloviário de Pelotas, sendo a primeira etapa relativa ao levantamento físico e medições, realizada em julho de 2011, e a segunda etapa relativa aos questionários realizados de dezembro de 2011 a fevereiro de 2012.
3.4.3 Levantamento físico/ medições
Os levantamentos físicos/medições proporcionam subsídios que permitem a averiguação do desempenho do ambiente construído, através da comparação com critérios de desempenho preestabelecidos como, por exemplo, normas técnicas ou padrões exigidos na busca de conforto e segurança ao usuário.
Ao tratar das ciclovias e ciclofaixas, entende-se que a comparação de medições físicas do local com preceitos de dimensionamento que especifiquem medidas necessárias para a realização de atividades de deslocamento, é tão relevante como as informações coletadas através de questionários.
Nesta pesquisa, a fase de levantamento físico consiste na verificação do gabarito transversal das vias, assim como na verificação das condições estruturais relativas às premissas do desenho urbano.
Essa etapa avaliou de forma técnica as vias destinadas aos ciclistas através de indicadores e variáveis. Para tanto, foi aplicada uma planilha (ver Apêndice A) nas ciclovias e ciclofaixas que avaliou os seguintes itens: a) estrutura viária, desenho e características da via; b) infraestrutura, equipamentos e mobiliário associados; c) sinalização; e d) interseções e travessias. Os indicadores e variáveis surgiram em decorrência da comparação entre uma revisão de elementos que conferem segurança e conforto aos espaços destinados aos ciclistas, como os elementos presentes no Manual de Planejamento Cicloviário do GEIPOT (2001), o qual determina elementos básicos para a implantação e/ou reestruturação de um sistema cicloviário que atendam à demanda e à conveniência do ciclista em seus deslocamentos em áreas urbanas.
Dessa forma, considera-se importante o desenvolvimento de instrumentos de análise da qualidade de sistemas cicloviários como forma de subsidiar novos projetos e melhorar as vias existentes. A seguir, encontram-se uma revisão de
métodos de avaliação dos espaços destinados aos ciclistas, uma síntese dos critérios de análise utilizados e a proposta de indicadores que poderão ser utilizados na análise de sistemas cicloviários brasileiros.
Na busca de expandir e aprimorar o espaço urbano destinado à bicicleta, diversas metodologias têm sido elaboradas para avaliar a qualidade do sistema cicloviário em áreas urbanizadas. A maioria dos métodos está embasada nos trabalhos de Landis (1994), Davis (1987), Sorton e Walsh (1994) e Epperson (1994).
Segundo Carter (2006), as metodologias de avaliação podem ser subdivididas em dois tipos, os estudos que agrupam a análise de acidentes para definir o nível de risco dos ciclistas e os estudos que levam em consideração as características da via ou interseção, podendo se tornar um local atrativo para usuários de bicicleta. As principais metodologias relacionadas à compatibilidade de vias são devidas à Botma (1995), HCM (TRB, 2000), Davis (1998), Epperson (1994), Sorton e Walsh (1994), Landis (1994) e Dixon (1996)
Até 1980, os fatores habitualmente empregados para quantificar a qualidade do nível de serviço oferecido aos ciclistas eram velocidade, liberdade de manobra, interrupções de tráfego, conforto, conveniência e segurança (EPPERSON, 1994). Após 1980, alguns estudos foram elaborados com base nas condições das vias (EPPERSON, 1994; SORTON E WALSH, 1994; DIXON, 1996; LANDIS, 1997), através dos seguintes critérios de avaliação: volume de tráfego, largura da faixa, limite de velocidade, condição do pavimento e localização da via (ver tabela 7).
Para definição dos aspectos a serem analisados, foram considerados o conjunto de variáveis mais utilizadas nos métodos estudados, assim como os princípios recomendados pelo Ministério dos Transportes através do Manual de Planejamento Cicloviário que se mostraram importantes sob o enfoque da realidade brasileira; como as questões relacionadas com segurança, conexão, diversidade, visibilidade, acessibilidade e a integração.
Assim, são propostas três variáveis medidas por treze indicadores conforme apresentado na Tabela 8. Os indicadores têm uma relação mais direta com a operação e a infraestrutura do sistema cicloviário e, portanto, influenciam o planejamento e o projeto.
Metodologias Objetivos Variáveis
EPPERSON (1994)
Obter um índice de condição da via, visando à segurança do ciclista.
Volume de tráfego médio diário Número de faixas de tráfego
SORTON E