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O Raw-NASA-TLX (RTLX) é uma adaptação da ferramenta NASA-TLX, a qual é uma medida subjetiva, por meio de autorrelato, de avaliação da carga de trabalho mental. Todo o método NASA-TLX foi anteriormente descrito e analisado no tópico 4.2.2.

A adaptação feita pelo Raw-NASA-TLX consiste em uma simplificação do método original, buscando maior brevidade e rapidez nas respostas. Dessa forma, relembrando o NASA-TLX, a sua avaliação consiste em duas partes, descritas por Hart (1986). A primeira delas consiste na atribuição de pesos, entre 0 e 5, para cada uma das seis dimensões (demanda mental, demanda física, demanda temporal, desempenho, esforço e nível de frustração). Para isso, as seis dimensões são comparadas aos pares, gerando quinze pares de combinação. Dessa forma, os participantes circulam a dimensão, em cada par de combinação, que possui maior contribuição na carga de trabalho da tarefa realizada, conforme opinião própria. O peso vai ser igual à quantidade de vezes que a dimensão foi escolhida entre as combinações.

Já a segunda parte consiste na avaliação da magnitude de cada uma das seis dimensões, por meio da atribuição de um valor de 0 a 100, marcado em uma escala horizontal, originalmente de 12 cm e com 20 divisões (HART, 1986).

Por fim, a pontuação da carga de trabalho global individual para cada participante é calculada por meio da multiplicação do peso da dimensão pela sua magnitude, utilizando posteriormente a soma desses seis valores resultantes, a qual será dividida por 15, chegando ao escore final de CTM global.

Segundo Hart (2006) a modificação mais comum feita no NASA-TLX consiste na eliminação do processo de ponderação das dimensões, ou seja, é retirada

a primeira parte da avaliação do método. Essa modificação ficou conhecida como Raw-NASA-TLX e ganhou popularidade por ser mais simples e fácil de aplicar, visto que as avaliações são simplesmente calculadas para cada uma das seis dimensões e elas são adicionadas para criar uma estimativa global da carga de trabalho, sem levar em consideração qualquer ponderação.

Em 1989, três anos após o desenvolvimento do NASA-TLX, já possuíam estudos utilizando a ferramenta sem levar em consideração a etapa de ponderação das dimensões, mesmo que alguns autores não utilizassem a denominação Raw- NASA-TLX.

Em seu estudo, Byers (1989) comparou o NASA-TLX e o RTLX, buscando verificar se realmente era necessária a ponderação das dimensões. Como resultado, o autor encontrou empiricamente que os escores tradicionais do NASA-TLX e os escores considerando todas as dimensões com o mesmo peso estavam quase perfeitamente correlacionados. Assim, Byers (1989) encontrou uma escala igualmente sensível, mostrando que ficava a critério do pesquisador qual das versões utilizar.

Nygren (1991) buscou examinar questões fundamenteis da medição, em sua grande maioria esquecidas durante o dimensionamento das técnicas NASA-TLX e SWAT, para avaliar a carga de trabalho mental percebida. Com base nesse estudo, o autor fez duras críticas ao modelo de ponderação do NASA-TLX, defendendo o não uso de ponderação das dimensões, por ser ineficiente, devido a restrições severas que são colocadas no modelo, com base em argumentos concretos. Para defender o seu ponto de vista, Nygren (1991) utilizou quatro principais argumentos.

O primeiro consiste no fato de que a ponderação produz apenas uma ordem relativa de importância associada a cada fator, porém, no modelo original, ela acaba se tornando uma equação de previsão linear, o que não deveria acontecer. No segundo argumento, Nygren (1991) aborda a questão do valor dos pesos: como eles variam de 0 a 5 e no final de toda a soma é utilizada a divisão por 15, devido ao número de comparações dos pares, o peso máximo que uma dimensão pode receber, utilizando uma escala de 0 a 1, é de 0,33, não refletindo a realidade de muitos casos, os quais podem ter alguma dimensão que represente mais que 33% da carga mental. O terceiro argumento também fala dos valores dos pesos, pois, segundo Nygren (1991), como os pesos são derivados de comparações relativas entre pares, caso uma das dimensões nunca seja escolhida, ela vai receber um peso zero e, consequentemente, não terá impacto nenhum na definição da carga global de

trabalho, fato que muitas vezes não é real. O que essas comparações entre os pares de fatores podem indiciar é que determinada dimensão apenas é a menos importante no conjunto, mas não que ela seja necessariamente irrelevante para o cálculo da carga de trabalho.

Ao mesmo tempo, só é possível ponderar uma das dimensões com o valor zero e consequentemente as outras cinco dimensões serão utilizadas no cálculo da carga global de trabalho, mesmo que na prática elas não sejam relevantes, pois por esse método não é possível retirar mais que uma dimensão do cálculo final. Apesar de em algumas aplicações não se esperar que a ponderação cause grandes erros, visto que se espera que as dimensões menos importantes tenham pouca contribuição, não deixa de ser uma representação distorcida dos verdadeiros julgamentos de importância de um indivíduo para dimensões da carga de trabalho (NYGREN, 1991).

Já no quarto argumento, Nygren (1991) fala que os pesos do NASA-TLX estão condenados a ter pouco poder discriminatório real em um modelo de previsão, o que é agravado pelo fato dos pesos possuírem intervalo de 0 a 0,33 e assim possuírem pequena diferenciação intervalar.

Dessa forma, Nygren (1991) acredita que o sistema de ponderação do NASA-TLX é ineficiente e, por isso, precisa ser modificado e/ou combinado com algum outro tipo de procedimento que permite uma faixa de pesos irrestritos. Para ele, o sistema de ponderação é apenas uma ordenação da importância dimensional, não devendo ser usado para calcular um valor global de carga de trabalho.

Ainda sobre o sistema de ponderação, Nygren (1991) observou em seus experimentos que os desvios padrões dos escores utilizando ponderação são próximos aos valores que seriam esperados de um modelo simples de ponderação com pesos iguais para as dimensões, indicando que os pesos reais do NASA-TLX não acrescentaram nenhuma melhoria significativa na redução da variabilidade entre os sujeitos. Assim, muitas vezes é melhor utilizar uma ponderação igual e simples, somando-se todas as escalas e dividindo pelo número de dimensões, pois, dessa forma, o escore final será a média de todos os seis componentes de carga de trabalho, ou, caso aplicado, será uma média das dimensões que se encaixam com a tarefa executada (NYGREN, 1991).

Hendy, Hamilton e Landry (1993) apoiam a ideia de Nygren (1991) e acreditam que a ponderação do NASA-TLX pouco tem a oferecer na geração de uma estimativa de carga geral de trabalho. Ainda, os resultados do estudo deles suportam

a conclusão que uma classificação univariada da carga de trabalho pode ser mais sensível do que uma escala composta linearmente de vários fatores relacionados à carga de trabalho, que é o caso do NASA-TLX original. Além disso, uma boa estimativa pode ser obtida a partir da média aritmética simples dos fatores individuais, que é o objetivo do RTLX.

Liu e Wickens (1994) examinaram a estrutura de medidas para avaliar a carga mental na execução de tarefas de decisão e monitoramento, sendo uma dessas medidas o NASA-TLX, por meio da escala original e do Raw-NASA-TLX. Com isso, os autores sugerem que a análise das dimensões separadamente pode fornecer informações detalhadas sobre a carga de trabalho, as quais podem não ser obtidas utilizando o escore geral de carga de trabalho do método original. Porém, utilizando comparação dos dois métodos, os autores encontraram maior sensibilidade nos dados utilizando o NASA-TLX original, com ponderação das escalas.

Widyanti e Larutama (2016) observaram a relação entre o desempenho do

lean manufacturing e a carga de trabalho mental experimentada por funcionários de

uma companhia de aviões, a qual foi avaliada por meio do RTLX. Nesse caso, os autores utilizaram escalas com escore entre 0 e 10 pontos para as dimensões e encontraram valores igualmente sensíveis ao método original.

Já Hu et al. (2016) buscaram a relação entre a carga de trabalho e o desempenho de novatos em tarefas laparoscópicas, antes e após receberem treinamento. Para avaliar a carga de trabalho foi utilizado o Raw-NASA-TLX, aplicado após a realização das tarefas, analisando apenas as dimensões, por meio de um escore entre 0 e 20 pontos. Apesar dos autores considerarem o uso do NASA-TLX sem a ponderação uma limitação do estudo, apresentaram como vantagens do RTLX a maior facilidade de aplicação, principalmente em um ambiente clínico, e uma sensibilidade tão boa quanto a do NASA-TLX original.

Sendo assim, o Raw-NASA-TLX apresenta-se como um método simples e rápido para avaliar a carga de trabalho mental, o qual é apoiado em um método muito utilizado e validado, o NASA-TLX. Além disso, com base nos autores apresentados, o RTLX, comparado com a versão original, verificou-se ser mais sensível (HENDY; HAMILTON; LANDRY, 1993), menos sensível (LIU; WICKENS, 1994) ou igualmente sensível (BYERS, 1989), o que mostra que fica a critério do pesquisador qual metodologia utilizar, levando em consideração o contexto da pesquisa e os trabalhadores analisados.

4.2.21 Surgical Task Load Index (SURG-TLX) + Global Operative Assessment of

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