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Dans le document 2008 Annual Report (Page 98-101)

O contexto geológico no qual está inserida boa parte do Estado da Bahia abrange majoritariamente a unidade geotectônica denominada de Cráton do São Francisco (CSF, Almeida, 1977). O CSF é bordejado por algumas faixas de dobramentos de idade Brasiliana. Dentre elas, destaca-se especificamente neste estudo, a faixa localizada na porção sudeste do estado, denominada faixa Araçuaí (Almeida, 1978). O atual limite entre esta faixa orogênica e o Cráton é uma zona que foi favorável ao alojamento e à deformação de corpos ígneos (Côrrea-Gomes, 2002), os quais correspondem a granitos, tonalitos e, sobretudo, sienitos alcalinos saturados a insaturados em sílica, identificados primeiramente por Fujimori (1967), e agrupados por Silva Filho et. al. (1974) como Província Alcalina do Sul do Estado da Bahia (PASEBA - Figura 1 e Figura 2).

Este contexto geotectônico envolvendo a faixa móvel do orógeno Araçuaí e o CSF engloba também os processos responsáveis pelo desenvolvimento da Bacia do Rio Pardo e hospeda zonas de cisalhamento de grande relevância dentro do CSF, sobretudo a Zona de Cisalhamento Itabuna - Itaju do Colônia - ZCIIC, bem como a Zona de Cisalhamento de Potiraguá – ZCP, a qual marca o limite tectônico entre a Faixa de Dobramentos Araçuaí, a sul, e o Cráton do São Francisco, a norte (Lima et. al. 1981).

2.6.1 Cráton do São Francisco

O Cráton do São Francisco definido por Almeida (1977) constitui uma porção continental consolidada no Paleoproterozóico, cujo substrato não foi afetado pelas deformações Brasilianas, durante a Neoproterozóico. Esta unidade tectônica compreende grande parte dos terrenos metamórficos do Estado da Bahia com idade maior do que 1.8 Ga e inclui porções dos estados de Minas Gerais, Goiás, Pernambuco e Sergipe. Também é possível reconhecer, além do substrato mais antigo do que 1.8 Ga, um conjunto de rochas metassedimentares de idade pré-cambriana, que estão alojadas no Aulacógeno Paramirim. Neste contexto podem ser reconhecidos o Supergrupo Espinhaço, São Francisco e unidades sedimentares Fanerozóicas. Em seus limites, Almeida (1977), reconheceu os orógenos Brasília, a sul e oeste, Rio Preto, a noroeste, Riacho do Pontal, a norte, Sergipana, a nordeste e Araçuaí, a sudeste (Figura 1).

Recentemente, Barbosa & Sabaté (2003) redefinem o embasamento do Cráton do São Francisco na Bahia como produto da colisão de quatro segmentos crustais durante o ciclo orogenético orosiriano – riaciano, em torno de 2.0 Ga. Estes segmentos crustais são denominados por estes autores:

(i) Bloco Gavião, composto de rochas graníticas, granodioríticas e migmatíticas, com remanescentes de suítes TTG de idade aproximada 3.4 Ga (método U-Pb), e idade Rb-Sr de 2,8-2,9 Ga reequilibradas na fácies anfibolito;

(ii) Bloco Jequié, composto de migmatitos com enclaves de supracrustais e intrusões graníticas-granodioríticas, além de sequências vulcanossedimentares, todas reequilibradas na fácies granulito;

(iii) Bloco Serrinha, composto por ortognaisses migmatizados arqueanos, além de sequencias vulcanossedimentares estabilizados na fácies xisto-verde, intrudidos por numerosos corpos granitícos no Paleoproterozóico, e

(iv) Bloco Itabuna-Salvador-Curaçá (ISC), composto por tonalitos-trondhjemitos e faixas de rochas supracrustais associadas à gabros/basaltos de back-arc ou fundo oceânico, reequilibrados na fácies granulito.

O cinturão Paleoproterozóico corresponde ao Embasamento da porção NE da PASEBA, referente ao CSF, separado do Embasamento gnáissico/migmatitico do Complexo Itapetinga (Faixa Araçuaí), pela zona de cisalhamento de Potiraguá (Côrrea-Gomes, 2002). O Bloco Itabuna-Salvador-Curaçá é constituído, principalmente, por rochas metamorfisadas na fácies granulito sob condições de 5-7 kbar e 850ºC (Barbosa 1990).

41 Considera-se como coberturas do Cráton, as rochas supracrustais mais jovens que 1.8 Ga que foram armazenadas no Aulacógeno do Paramirim (Pedrosa-Soares et. al., 2007), resultando concomitantemente nas Bacias da Chapada Diamantina e do Espinhaço Setentrional, orientadas preferencialmente na direção N-S truncando o Cráton São Franciscano.

2.6.2 Faixa Araçuaí

O Cráton do São Francisco é delimitado por faixas de dobramentos Neoproterozóicas (Ciclo Brasiliano), que correspondem à faixa Brasília, a sul e oeste, Rio Preto a noroeste, Riacho do Pontal e Sergipana, a norte, e Araçuaí a sudeste. A Faixa de Dobramentos Araçuaí (FDA, Almeida, 1978) localiza-se na porção SW da área de estudo (Figura 1e Figura 2). Nesta área, o evento orogenético do Neoproterozóico propiciou a inversão do Aulacógeno do Paramirim, formando cadeias de montanhas e estruturas orogenéticas como dobramentos, cisalhamentos e falhas de empurrão (Pedrosa-Soares & Wiedemann-Leonardos, 2000).

A FDA corresponde ao substrato rochoso das intrusões na porção sul da PASEBA, abrangendo, sobretudo o maciço Itarantim. As unidades que compõem a FDA registram os principais estágios de um orógeno, o qual evoluiu a partir de um rift continental, iniciado por volta de 1,0 – 0,9 Ga, juntamente com o enxame de diques máficos (Oliveira, 2003), estes corpos graníticos anorogênicos são registro do orógeno no interior do paleocontinente São Francisco – Congo. O limite entre a FDA e o CSF é dado pelo traçado da zona de cisalhamento Potiraguá - ZCP (Figura 2).

Segundo Pedrosa-Soares et. al. (2007), os principais estágios evolutivos da bacia precursora da FDA (Figura 8) são:

i) Rifte continental - associação rudito-arenito-pelito com magmatismo bimodal tipo A; ii) Margem continental passiva - associação arenito-pelito-carbonato, turbiditos areno-

pelíticos. Caracteriza-se pela ausência de magmatismo;

iii) Drift – Desenvolvimento de crosta oceânica marcada pela presença de rochas magmáticas ofiolíticas, sedimentação pelágica e químico-exalativa.

Os estágios orogênicos identificados na geologia regional são (Figura 8):

i) Pré-colisional - subducção de litosfera oceânica ativa, geração de arco magmático cálcio-alcalino;

ii) Sin-colisional - interação direta entre partes em colisão, clímax da tectônica tangencial ou “horizontal”, espessamento crustal, fusão parcial e geração de magma tipo S;

iii) Tardi-colisional - tectônica tangencial cessante, escapes laterais, geração de granito S por fusão parcial sob descompressão adiabática, e;

iv) Pós-colisional - colapso gravitacional, plutonismo tipo I e A2.

A porção da área de estudo inserida na FDA (Figura 2) corresponde ao Complexo Itapetinga, de idade Neoarqueana a Paleoproterozóica, composto principalmente por gnaisses e migmatitos. Este complexo pertence ao domínio da Faixa de Dobramento Araçuaí, adjacente à zona de contato com o Cráton. Caracteriza-se por um conjunto de ortognaisses migmatizados de composição sieno–granitica, monzo-granitica e álcali-feldspato granitica (Paixão, 2008). Segundo Rosa et. al. (2004) este complexo é constituído por hornblenda- biotita ortognaisses com níveis de anfibolito e biotítito e por hornblenda-biotita ortognaisse migmatítico, com afinidades com a suíte tonalito, trondhjemito e granodiorito, TTG.

Figura 8: Coluna estratigráfica do Orógeno Araçuaí segundo Pedrosa-Soares et. al. (2007). 1. Conglomerados; 2. Arenito; 3. Pelitos; 4. Diamictitos; 5. Formação Ferrífera Diamictítica; 6.

43 Basalto transicional; 7. Calcário dolomítico; 8. Sedimentos exalativos (chert sulfetado, sulfeto maciço, formações ferríferas e outros); 9. Rochas máficas e ultramáficas oceânicas; 10. Wackes e Pelitos; 11. Rochas piroclásticas e vulcanoclásticas dacíticas; 12. Seixos e Blocos pingados.

2.6.3 Zonas de Cisalhamento

Segundo Motta (1981), a ZCP teve sua estruturação inicial relacionada ao Mesoproterozóico com a abertura do Aulacógeno do Paramirim. Esses metassedimentos se encontram fracamente deformados e metamorfizados. Essas coberturas englobam as unidades litoestratigráficas dos supergrupos Espinhaço e São Francisco, de idades Meso e Neoproterozóico, respectivamente.

A Zona de Cisalhamento de Potiraguá (Almeida 1978) corresponde a um sistema de falhas tido como contemporâneo à instalação do Rift do Paramirim no Mesoproterozóico (Motta et. al. 1981), e reativada no Brasiliano (aproximadamente a 0,6Ga), com direção N140°, demarca o atual limite entre CSF e Orógeno Araçuaí (Figura 2).

A Zona Cisalhante Itabuna – Itajú do Colônia (Lima et. al. 1981), de orientação NE- SW, é dominantemente intracratônica (Figura 2). Acredita-se que esta zona tenha sido instalada no final do Paleoproterozóico (Rosa 2012) e reativada no Neoproterozóico (~0,6Ga), com direção aproximadamente perpendicular ao sistema de falhas de Potiraguá.

Os complexos plutônicos alcalinos, geralmente estão concentrados em sistemas de falhas e lineamentos frequentemente formam domos circulares-ovalados, circundados por uma auréola de metassomatismo (fenitos), e apresentam alto grau de intemperismo, devido à rápida dissolução de seus componente (Barker, 1989). Segundo Côrrea-Gomes (2002), o contexto tectônico “limite Cráton x Orógeno” é o encontrado para os corpos ígneos da PASEBA, que afloram nas áreas de influência das Zonas de Cisalhamento de Potiraguá (Almeida, 1978) e de Itabuna-Itajú do Colônia (Lima et. al. 1981).

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