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Chapitre 3 : Revue des méthodes de prétraitement des données d’imagerie

3.1. Corps de l’article

3.1.3. Correction atmosphérique

Como indicamos no capítulo anterior, a partir de nosso interesse pelo movimento etnomatemático iniciamos, no ano de 2002, nosso projeto de pesquisa, cujo objetivo primeiro relacionava-se com a construção de um mapeamento da produção científica desta área – por meio da análise das dissertações e teses produzidas nos diversos programas de pós-graduação das universidades brasileiras. Essa modalidade de estudo é comumente interpretada como uma pesquisa denominada estado da arte.

Assim, como é próprio desses trabalhos, estávamos interessados não apenas em inventariar tal produção mas também em analisá-la de modo crítico e reflexivo, a fim de revelar suas singularidades e pluralidades de enfoques. Além disso, interessava-nos compreender sua gênese e seu desenvolvimento, em especial, o envolvimento dos pesquisadores com o tema e suas percepções sobre a etnomatemática.

Para tanto, parecia-nos significativa a análise dos questionamentos e soluções apresentados pelas investigações desenvolvidas dos caminhos teórico-metodológicos percorridos no encaminhamento de tais pesquisas, da diversidade cultural presente nos contextos sociais e culturais estudados e a pluralidade de interpretações dos pesquisadores acerca da própria etnomatemática.

Naquele momento, algumas perguntas norteadoras foram elaboradas com o objetivo de melhor delinear os caminhos – teóricos e metodológicos – futuros para a realização da pesquisa: Quem são os pesquisadores em etnomatemática e quais foram suas motivações para esse estudo? Quais foram os diferentes grupos culturais estudados em suas pesquisas? Quais os diferentes problemas de pesquisa levantados por essas pesquisas? Como os pressupostos da etnomatemática ajudaram no encaminhamento das soluções/respostas da pesquisa? Quais metodologias de pesquisa foram utilizadas? Quais as dificuldades encontradas pelos pesquisadores durante a realização de seus estudos? Quais as propostas pedagógicas apresentadas? Como esses pesquisadores conceituam a etnomatemática? Qual sua visão sobre esse estudo?

Nossos objetivos também incluíam a possibilidade de construir uma compreensão da etnomatemática a partir do ponto de vista de seus pesquisadores. Interessava-nos a possibilidade de criar um amplo diálogo com os sujeitos/autores dessa produção por meio da leitura de seus trabalhos, da aplicação de questionários e da realização e análise de entrevistas.

Contudo, ao final dos primeiros anos desse estudo, foi possível percebermos a amplitude de tais questionamentos/encaminhamentos que, apesar de significativos, determinariam e configurariam um estudo muito amplo, em especial em termos de um mestrado. As dificuldades presentes no direcionamento de nossa investigação, que, de algum modo, determinavam a re-elaboração dos caminhos da pesquisa, surgiram quando da identificação de mais de 60 trabalhos em etnomatemática – superando os 40 previstos inicialmente – assim como das limitações de tempo próprias de uma dissertação de mestrado.

Na verdade, nossa própria idéia acerca da etnomatemática ampliou-se no decorrer da pesquisa, a partir das vivências no ambiente da pós-graduação e do contato mais cuidadoso com as produções da área. Dito de outro modo, o campo de pesquisa em etnomatemática, em termos teóricos e temáticos, mostrou-se muito amplo e complexo.

Muitos caminhos foram, então, desconstruídos e reconstruídos na busca por uma problematização mais fértil para esta investigação, que significasse uma contribuição importante para a etnomatemática e para as demais áreas de conhecimento envolvidas com este campo de estudos.

A problematização foi mais bem aprofundada a partir dos ricos questionamentos apontados pela banca5 em nosso exame de qualificação. De modo geral, as críticas e sugestões apresentadas trataram de uma trivalência nos objetivos da pesquisa, o que tornava a proposta mais abrangente do que um “simples” estado da arte.

Dado esse fato, três caminhos possíveis eram sinalizados. O primeiro deles seria a realização de um estado da arte a partir da leitura verticalizada dos trabalhos por meio da eleição de categorias prévias de análise. Nesse caso, ouvir os sujeitos dessa produção não seria necessário, na medida que os próprios textos dos autores constituiriam uma base documental suficiente para a investigação. O segundo caminho, indicado a partir de nossa reflexão, seria desencadear uma discussão sobre o próprio conceito de etnomatemática, a partir do diálogo com os pesquisadores. Nesse caso, não teria tanta relevância a produção de tais autores em outro momento histórico; interessar-nos-ia analisar a interpretação atual elaborada pelos pesquisadores acerca do conceito de etnomatemática. O terceiro caminho possível seria tratar da história do movimento etnomatemática, no sentido de reconstituir ou compreender como esta área de conhecimento emerge no Brasil. Poderíamos, por este caminho analisar a história do próprio conceito de etnomatemática, o modo como ele vai se

5Fizeram parte de nossa banca de qualificação os Professores Ubiratan D’Ambrosio e Antonio Joaquim

transformando. Nesse caso, privilegiaríamos a pesquisa sobre os fatores/causas do envolvimento dos primeiros pesquisadores com essa área temática. Para isso, a realização de entrevistas e aplicação de questionários seria fundamental, além da análise documental/bibliográfica específica da época (déc. 70 e 80).

Naturalmente, tais opções possuem intersecções/sobreposições, possibilitando novas alternativas para este estudo, além das sugeridas. Diante dessas alternativas, recortes foram reelaborados, levando-se em conta, especialmente, as características próprias de uma dissertação de mestrado, além das limitações de tempo para sua conclusão. Desse modo, optamos pelo primeiro caminho sugerido, qual seja: construir um estado da arte da pesquisa brasileira em etnomatemática, por meio de uma análise baseada na eleição de categorias de investigação. Entretanto, dada a relevância do tema, não abandonamos a possibilidade de analisar alguns fatos/fatores, especialmente da década de 70 e 80, que antecedem os primeiros passos dessa área de pesquisa no país. Avaliamos que tal discussão nos permite construir algum esboço acerca do contexto a partir do qual as pesquisas foram produzidas, o que nos auxiliaria na compreensão do desenvolvimento da pesquisa brasileira em etnomatemática.