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Corrélation des mouvements entre les sites 1 et 2

No contexto da Clínica da Atividade, além da concepção teórica de trabalho prescrito, realizado e real da atividade, Clot (2007) propõe que a unidade para análise do trabalho é o triângulo da atividade dirigida, entendendo que a atividade é triplamente dirigida - ao objeto, aos outros e a si mesmo - com a mediação do gênero, enquanto instrumento36. O autor resume

essa noção de atividade dirigida, asseverando que “[...] a atividade de trabalho é dirigida porque não há atividade sem sujeito” (p. 95, op. cit.).

A atividade de trabalho é dirigida pelo comportamento do sujeito e também dirigida por meio do objeto/tarefa, que é aquilo que está para ser feito, sendo o objeto sempre subjetivado, considerando que o sujeito tem incessantemente, à sua disposição, inúmeras opções de como agir (BOURNEL-BOSSON, 2005).

Com relação aos outros, pode-se dizer que a atividade do sujeito acontece sempre em relação às atividades de outrem, sendo sempre uma resposta às atividades de outros. Sentimos aqui, a retomada da noção de dialogismo, proposta pelo Círculo Bakhtiniano. Para os estudiosos do Círculo, a noção de diálogo é constituinte da linguagem, de forma que tudo o que é dito sempre parte de alguém e é endereçado a alguém (VOLOCHINOV, 1988 [1929]).

Dessa forma, assim como não há produção de linguagem no vazio, a atividade também não acontece no vazio: ela sempre parte de alguém para alguém, “é dirigida aos outros depois de ter sido destinatária da atividade destes e antes de o ser de novo. [...] Ocorre numa corrente de atividades de que constitui um elo” (CLOT, 2007, p. 97). É importante lembrar que os outros podem estar ausentes fisicamente da ação, mas nela implicados, como indica Clot (op. cit.).

35 “Plus un sujet a de points de contact avec ces variantes, plus riche et plus souple est son maniement du genre”.

Trazendo para o trabalho docente, isso faz bastante sentido. Por exemplo, quando analisamos determinadas ações e decisões de um professor que são realizadas em sala de aula, considerando alguma norma da escola ou restrição dos pais, mesmo só estando presencialmente em sala o professor e os alunos, observamos a implicação de outros no trabalho docente.

Com a proposição da tríade de análise, Clot enfatiza a condição conflituosa da atividade, ao defini-la como “uma arena, ou melhor, o teatro de uma luta (2007, p. 99)”, demonstrando que o trabalho se realiza na tensão entre os três polos do triângulo, estabelecendo que:

A atividade real de trabalho consiste em ultrapassar as contradições existentes no interior desses três polos de determinação, bem como entre eles. [...] o trabalho consiste, a depender das circunstâncias, em enfrentar tensões entre esses três polos usando cada um como base para se libertar dos outros a fim de permanecer sujeito da situação, sujeito de alguma maneira criativo. Em outras palavras, agir é, apesar de tudo, se impedir de fazer aquilo que requerem isoladamente as pré-ocupações pessoais, a tarefa ou o outro (pp. 99-100).

A partir do triângulo proposto por Clot (2007), e contribuições de outros autores37,

considerando a análise do trabalho docente em um quadro maior de análise, extrapolando o contexto escolar imediato, Machado (2007) propõe um esquema em que estão descritos

elementos que

constituem o trabalho

do professor.

Vejamos:

37Machado (2007) indica que, para a elaboração desse esquema, considera contribuições de Bronckart (2004),

Como se pode verificar, o trabalho do professor é visto como envolvendo o professor, o outro (ou outrem, entendido como os vários interlocutores desse trabalho, mesmo que fisicamente ausentes, como explicado anteriormente) e o objeto, em uma relação de mediação pelos artefatos/instrumentos, considerando que essa prática é sócio-historicamente situada e determinada. Cabe aqui explicitar a noção vygotskiana de instrumento (material ou psicológico) como artefato construído socialmente e apropriado pelo trabalhador, ou seja, instrumento a que o indivíduo atribui significação e com que transforma o meio e o próprio instrumento, sendo também transformado por ele (MACHADO, 2007; MACHADO; BRONCKART, 2009).

Essa noção dos elementos constituintes do trabalho (do professor), advinda de aportes da Ergonomia e da Clínica da Atividade (CLOT, 2007) contribui para a definição, ainda que provisória, como aponta Machado (2007, p. 91), que o ISD tem elaborado para o trabalho docente, sendo este considerado uma atividade i. situada, sofrendo influência tanto do contexto imediato quanto mais amplo; pessoal, considerando que envolve o professor em todas as suas dimensões (física, cognitiva, emocional, entre outras), e também impessoal, já que o professor não é totalmente livre no desenvolvimento do seu trabalho, sendo este definido, em forma de tarefas prescritas, em um momento primeiro, por instâncias externas e de hierarquia superior à do trabalhador; ii. prefigurada pelo próprio professor, no sentido de que este reelabora prescrições externas e constrói prescrições e objetivos para si mesmo, considerando sua situação e seus limites tanto físicos quanto psíquicos; iii. mediada por instrumentos materiais e simbólicos, os quais o professor transforma em instrumentos quando os considera úteis para sua ação; iv. interacional, porque ao agir com instrumentos o professor transforma o meio e o instrumento, sendo por ele transformado ; v. interpessoal, envolvendo vários outros indivíduos e instâncias que influenciam o trabalho, estando estes presentes ou ausentes da situação mais imediata de trabalho; vi. transpessoal, já que guiada por modelos de agir, construídos sócio-historicamente em cada esfera de atuação profissional;

vii. conflituosa, no sentido de que obriga o trabalhador a fazer escolhas para (re)orientar seu agir, considerando vozes contraditórias, entre elas, outros envolvidos nas situações profissionais, o meio, artefatos, as prescrições, entre outros; e, finalmente, viii. pode ser fonte

de aprendizagem de conhecimentos e desenvolvimento de capacidades, ou mesmo, fonte de impedimento para esses processos, quando o professor se vê diante de situações que limitam

ou impedem seu poder de agir, o que pode gerar, além de estresse e fadiga, o sofrimento e desistência do ofício.

Assim, como podemos notar, a interlocução do ISD com as Ciências do Trabalho e Clínica da Atividade tem sido extremamente produtiva, em termos de caminhos teórico- metodológicos para tratamento do objeto ‘trabalho docente’ de forma ampla e considerando-o como um verdadeiro trabalho em sua complexidade.

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