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2.2 Corpus-based translation studies

2.2.1 Corpora

100 Viena, Kunsthistorisches Museum, estela com a representação de um togado

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101 Reconstrução da via di Ercolano em Pompeia com a Schola di Mammia, in Pompei décrite par Ch.

Bomunci, Nápoles, 1830

102 Ostia, restituição do monumento da Porta marina, por M. Floriani Squarciapino

O monumento seria encerrado em todas as faces ou poderia ter uma parte de intercolumnium aberta. 103 Veneto, monumento funerário de Aquileia, restituição "corrigida"

Reconstruído arbitrariamente no centro da cidade antiga, a obra apresenta acentuada desproporção entre o soco e um pequeno tholos coríntio, com seis colunas que acolhia, ao centro, um togatus.

104 Tarragona, mausoléu conhecido sob a designação de Torre dos Scipions, desenho de Th. Hauschild 105 Liguria, o "Pilone" de Albenga, um monumento funerário do século I, antes do restauro

O monumento dominava a planície e a ilha de Gallinaria. Em 1560 foi identificado como faro pelo dominicano G. Giacomo.

106 Albenga, o "pilone" depois do restauro efectuado por D’Andrade em 1892 107 Sarsina, Museo Nazionale, monumento de Aefionius Rufus (recomposição)

108 Desenho de reconstituição do monumento de Murcius Obulaccus de Sarsina (desenho de N. Finamore)

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Desenho da obra e estudo do antigo | O desenho da modenatura clássica

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das referências para a concepção das torres da entrada da barra [101-108]. Nesse sentido, mais se perfila uma quase certeza de que a torre do Anjo deveria ter uma inscrição na sua fachada principal, e de que o seu conteúdo haveria de comunicar uma síntese do sentido da intervenção.

O reconhecimento de que as torres se encontram notadas sob a forma arquitectural de um monumento antigo, com um pedestal ou dado, constitui o princípio da possibilidade de reconhecer o seu significado iconográfico como monumento de exaltação personalizada.

Acresce o sentido de designação de uma passagem - de porta e "arco". Ainda que a torre do Anjo e a torrinha não formem, em conjunto, a figura de um arco (a ideia de portas de rio como torrres, arco e ponte encontrava-se no tratado de Filarete), partilham com os arcos triunfais alguns elementos e temas da sua composição, na parte dos flancos e no coroamento, que identificam o discurso laudatório e comemorativo.

10.4 O desenho da modenatura clássica

Quando, em 1528, Francesco da Cremona desenha as bases e o entablamento dos muros da torre, a molduração das janelas e da porta da capela e, porventura, o coroamento com balaustrada, ainda não pode apoiar-se numa informação desenhada com rigor, que pudesse ser obtida exclusivamente a partir da consulta das ilustrações dos tratados de arquitectura já publicados.

A edição princeps de De re aedificatoria não tinha imagens. E a notação de figuras nos tratados de Filarete e Francesco di Giorgio (os seus Trattati não estavam publicados) era apenas indicativa de um princípio de desenho e de composição genérica, não satisfazendo já as novas exigências de estudo científico do antigo que estavam a ser desenvolvidas nos círculos de arquitectura de Roma por mestres da família dos Sangallo, Peruzzi e outros, e que Raffaello defende na carta que escreve a Leão X. A comunicação de ideias de arquitectura, mediante a representação desenhada rigorosa, e o estudo dos exemplos antigos, com base em trabalhos de medição, começa a ser divulgada com as edições ilustradas de Vitrúvio, de Fra’ Giocondo (1511, 1513) e de Cesare Cesariano (1521)451.

Ora, do mesmo modo que pôde ser observado no caso da tematização da planta centrada, será também por via de um conhecimento directo de obras romanas e de estudos do antigo que circulavam em cadernos de desenho, e por via de um acompanhamento - porventura a participação - na concepção de obras novas que Francesco da Cremona terá formado o seu conhecimento do desenho da modenatura clássica.

A comparação de exemplos de modenaturas desenhadas e medidas no Renascimento, no quadro de um trabalho de levantamento de obras antigas, ou interpretadas como parte de um esforço de proposição do novo, com os perfis adoptados em São Miguel o Anjo permite detectar uma convergência de traços comuns de desenho.

451. No caso do mestre, de origem milanesa, é forçoso reconhecer que as suas imagens não reflectem ainda um rigor e conhecimento crítico dos edifícios, alcançado através do estudo e do levantamento de antiguidades. Alguns dos seus desenhos constituem um desenvolvimento de figuras publicadas por Fra’ Giocondo. Outras ideias lembram desenhos de Filarete, de Bramante, ou fazem referência a mestres lombardos, numa exposição filtrada pela experiência de elaboração antiquária lombarda e de centros adriáticos. Arnaldo Bruschi, "Introduzione", in Vitrúvio [Vitruvio], De architectura. Translato, commen-

tato et affigurato da Caesare Caesariano 1521, a cura di Arnaldo Bruschi ; Adriano Carugo ; Francesco Paolo Fiore (Milano : Edizioni Il Polifilo, 1981) :

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10.4.1 Modenaturas antigas e modernas

As referências para o desenho da modenatura encontram-se em obras antigas e proposições novas, ditas modernas. Entre as modenaturas antigas "citadas" em São João de Foz, poder-se-ia contar o perfil da base do templo redondo de Tívoli, cuja planta também poderia ter merecido atenção [87,113.3].

Mas há também desenhos de modenaturas novas, por sinal atribuídos a Antonio da Sangallo il Vecchio, irmão mais novo de Giuliano. Do lado recto do folio [110], encontram-se desenhados os perfis de um envasamento, uma arquitrave e de seis cornijas. As letras A e M identificam, respectivamente, os pormenores arquitectónicos antigos e modernos. Não se trata, portanto, exclusivamente de uma recolha de perfis antigos, mas também da apresentação de modenaturas concebidas de raiz. Entre os entablamentos modernos desenhados do lado esquerdo destaca-se a segunda cornija pela semelhança que aparenta com o perfil de São Miguel o Anjo [111], com a diferença de que, na obra do Cremonense, falta o listelo, um pormenor que aponta uma simplificação da modenatura.

No verso da folha [109], encontram-se notados desenhos de entablamentos, arquitraves e embasamentos de ornamentação eloquente e perfil complexo que têm interesse pelas circunstâncias em que surgem. Numa das arquitraves representadas encontra-se anotado «in chasa dj jani cjampoljnj»452. Giovanni Ciampolini era uma antiquário romano que tinha recolhido no seu palácio, junto do Campo dei Fiori, no início de Quinhentos, uma notável colecção de antiguidades que é referida em várias obras da época; o mesmo acontecia com D. Miguel da Silva, que também se dedicava à recolha e estudo de antigualhas.

O contexto em que terão sido produzidos os estudos de Antonio da Sangallo explica de um modo mais concreto como se desenvolvia uma parte do estudo do antigo e se dava a formação dos mestres. Um enquadramento semelhante poderá ter estado na origem da formação de Francesco, ou poderia ter sido experienciado pelo mestre ao serviço do bispo de Viseu.

Também o Cremonense poderia ter-se dedicado a estudar e relevar algumas das peças recolhidas por D. Miguel, em São João da Foz, ou de um modo mais difuso, em Entre Douro e Minho, por via da ligação do prelado ao convento de Santo Tirso, e na sede do episcopado viseense.

Estaria, assim, dada uma explicação possível para enquadrar o desenho da modenatura da torre do Anjo. Se a simplificação da modenatura e certos pormenores de rudeza foram tomados de um exemplo antigo, tal poderia decorrer eventualmente do carácter regional e periférico das obras ou peças estudadas.

10.4.2 Bramante, o ninfeu Colonna em Genazzano

Os apontamentos de Antonio da Sangallo il Vecchio, que distinguem e juntam com o mesmo grau de verosimilhança desenhos novos e antigos numa mesma folha, constituem um sinal de legitimação do estudo do novo, que abre caminho à formação da sistemática das ordens clássicas.

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Também a modenatura do pedestal das pilastras do pátio do Belvedere, no Vaticano, serve de exemplo de como o estudo do antigo encontrava o seu sentido em proposições novas [114]. O entendimento do sentido da modenatura vai além de uma imitação de exemplos romanos [112,113]453. Uma lista delimita o plano do dado antes da passagem a uma notação de "friso", no pedestal. Do mesmo modo, um apontamento de cornija de arquitrave delimita o pano de parede da fachada, no enquadramento do piso baixo do palácio Castellesi [71] e no ninfeo de Genazzano [70,115], assim como em São Miguel o Anjo.

O criação de um novum, ao modo antigo, está na ordem do dia da prática disciplinar da geração seguinte, que conta com os irmãos Sangallo (Antonio il Giovane) e Peruzzi. Essa seria, também, a geração de Francesco da Cremona, cuja actividade ainda pode ser retraçada, no Porto, em 1542, mesmo depois da partida do seu mecenas para Roma.

Contudo, já anteriormente, o trabalho de Bramante, em particular a intervenção que terá tido no projecto para o ninfeo de Genazzano, oferece um exemplo da invenção de um programa e obra lúdica, imaginados ao modo antigo.

O ninfeo integra os domínios da família dos Colonna, situados em Genazzano, perto de Palestrina454. Trata-se de um pavilhão aberto que se implanta no campo, numa posição sobranceira ao vale, integrado num recinto ao ar livre, ao qual se acede por um portal rústico. A edificação destinava-se a conceder um enquadramento arquitectural e paisagístico a um espaço de festa e de divertimento que se ligava com um plano de água criado artificialmente : um lago formando um fundo cénico, ao modo de um anfiteatro marítimo (naumacchia). O conjunto representa a «explícita adesão a modelos termais antigos e assinala uma absoluta novidade de concepção, sobretudo porque se encontra referido ao início de Quinhentos»455.

Stefano Borsi reúne algumas referências sugeridas para a ideação da obra: os banhos da villa neroniana de Subiaco, de cuja abadia é comendatário o cardeal Pompeo Colonna, a partir de 1508 (a indicação foi avançada por Thoenes456); os edifícios termais da área de Pozzuoli, estudados por Francesco di Giorgio e Giuliano da Sangallo, e «muito provavelmente também por Bramante»; e a villa de Romolo (de Massenzio), na via Appia457.

O desenho de projecto é atribuído a Bramante, mas a sua execução terá decorrido sem a supervisão do mestre, devendo-se, talvez, a um oficial do seu círculo de colaboradores. Ora, verifica-se que o ninfeo e uma outra construção local, a igreja de Santa Maria Madalena, em Capranica Prenestina458, partilham algumas semelhanças, a partir das quais foi possível estabelecer, para a obra de Genazzano, o perfil de um mestre de

453. Seria de ressalvar que os exemplos romanos reunidos na fig. [113] não abrangem um período de tempo e um número de obras suficientemente largo para validar uma conclusão segura sobre a existência ou não de tal pormenorização na Antiguidade.

454. Com excepção de um curto período de tempo em que o domínio recai sob a alçada do papa Alexandre VI, entre os anos de 1501 e 1503, o feudo man- tém-se na propriedade dos Colonna, pelo que a obra poderia ser reconduzida a uma encomenda da família, que retoma as propriedades depois da morte do papa (1503).

455. Stefano Borsi, "Catalogo critico", in Franco Borsi, Bramante, catalogo critico a cura di Stefano Borsi (Milano : Electa, 1989) : 326. (=Borsi, S. 1989). 456. C. Thoenes, "Note sul ’ninfeo’ di Genazzano", in Studi bramanteschi (Roma, [1970], 1974) : 576-577. In Borsi, S. 1989 : 326.

457. Borsi, S. 1989 : 326.

458. Na igreja de Maria Madalena, em Capranica Prenestina, chama a atenção a alta cúpula, com um tambor envolto, no exterior, numa sequência de ser- lianas com arquivoltas em «bugnato». A igreja foi referida ao ano de 1520, com base numa inscrição perdida que foi transcrita em Setecentos, sendo a sua concepção atribuída a um discípulo de Bramante que faria a utlização de desenhos do primeiro período romano do mestre, porém imprimindo à obra a marca de uma cultura arquitectónica de origem lombarda. A existência de laços entre os Colonna e a Lombardia encontraria sustentação política na relação estabelecida com Ascanio Sforza, e na oposição assumida relativamente ao papado, no tempo de Alexandre VI. Borsi, S. 1989 : 329.

109 Antonio da Sangallo il Vecchio (atrib.), desenhos de cimalhas modernas e antigas (Gabinetto dei Disegni e delle Stampe degli Uffizi, 2044/A r)

110 Idem, cimalhas antigas e modernas (Gabinetto dei Disegni e delle Stampe degli Uffizi, 2044/A v) 111 São Miguel o Anjo, alçado nascente

112 Trieste, ara funerária de L. Usius Philippus

113 Perfis comparados de templos do Latium, entre 300 a.C. e a época augustana, segundo J.-P. Adam 1 Templo C do Largo Argentina, cerca de 300 a.C. ; 2 Templo rectangular de Tívoli, meados do II século a.C. ; 3 Templo redondo de Tívoli, cerca de 110 a.C. ; 4 Templo B do Largo Argentina, estado I, depois de 102 a.C. ; 5 Quatro templos republicanos de Ostia, depois de 90 a.C. ; 6 Templo de Veiovis, cerca de 75 a.C. ; 7 Templo de Hércules, em Ostia, entre 75 e 70 a.C. ; 8 Templo de Portunus entre 75 e 70 a.C. ; 9 Templo B do Largo Argentina, estado II, terceiro quarto do século I a.C. ; 10 Templo D do Largo Argentina, estado II, terceiro quarto do século I a.C. ; 11 Templo A do Largo Argentina, início da época augustana ; 12 Templo mediano do forum Holitorium, época augustana ; 13 Templo norte do forum Holitorium, época augustana. O perfil n.º 3 corresponde ao pódium do templo de Sibila, de Tívoli, desenhado por Giuliano da Sangallo. 114 Bramante, Vaticano, pedestal e base das pilastras do pátio superior do Belvedere

115 Ninfeu Colonna de Genazzano, a parede e o contraforte

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