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Projetos SIGs ignoram as questões de abrangência da concepção e da implantação. Por um lado, têm-se os projetos ambiciosos, que contemplam a variedade das aplicações possíveis e caminham para todas as implantações concomitantes em curto prazo. Em um outro extremo, há projetos que, pragmáticos em excesso, contemplam a implantação rápida de capacidade operacional. Esses SIGs, ao não darem a devida importância as fases essenciais de um projeto, como a modelagem de dados, comprometem o desenvolvimento futuro do projeto (RODRIGUES, 1997).

Na literatura, encontram-se trabalhos que se referem à criação de banco de dados geográficos para transporte, utilizando SIG e SGBD, todavia verifica-se a desconsideração existente quanto à modelagem dos dados. Esses trabalhos não levam em consideração a interface futura dos dados atuais com os dados vindouros, que não refletem os entes e relacionamentos dos dados de maneira a permitir uma visão holística do espaço em questão, como os descritos a seguir.

Pode-se citar o SIG realizado na Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo – EMTU, onde se estruturou um banco de dados geográficos para atender às necessidades de auxílio no planejamento do transporte urbano, porém o trabalho não relata o modelo de dados utilizado quando da criação do banco de dados (RAMOS et al., 1999).

NASSI et al. (1994), ao desenvolver seu trabalho para atender aos problemas de transporte público para municípios, tiveram por objetivo agilizar as consultas aos dados, torná-las mais confiáveis e produzir imagens com informações espaciais. No entanto, na concepção do banco de dados para atender seus objetivos, não houve a preocupação com a modelagem dos dados.

O projeto de SIG em transportes desenvolvido por DANTAS et al. (1997), ressalta e diferencia as aplicações com uma abordagem sob o enfoque de gerar novas informações através da análise espacial. Em sua metodologia, uma das etapas, consiste na criação do banco de dados relacional para inserção dos dados coletados, porém, na descrição das etapas não apresenta a realização da modelagem para a definição das entidades e seus relacionamentos.

SIQUEIRA & CASSUNDÉ (1994) citam a criação de um banco de dados para atender às necessidades atuais da EMTU – Recife, e a pretensão de realizar a interface com os demais sistemas informatizados utilizados pela empresa. Porém, os autores não citam a realização da modelagem dos dados, onde poderia constar não só as definições das entidades e dos relacionamentos atuais, como demonstrar a possível interface com outros sistemas, de maneira a atender à funcionalidade desejada atual e futura.

SANTOS & FERREIRA (2004) desenvolveram uma modelagem de forma resumida, aplicada ao planejamento de trânsito e transportes utilizando a técnica de modelagem OMT-G e para sua implementação utilizaram as ferramentas AutoCAD MAP, MAPINFO e Access.

PRADO et al. (2005), com o objetivo de calcular a eficiência relativa das linhas do transporte público urbano, implementaram dados, para o Sistema de Informações Geográficas, referentes ao número de veículos e motorista, quilometragem rodada e viagens realizadas. Nesse trabalho, porém, não ficou clara a criação do banco de dados e a forma utilizada para a inserção dos mesmos e se os autores tiveram a iniciativa de estruturar o banco de dados, através da modelagem.

HENRIQUE & LOUREIRO (2005), com o propósito de caracterizar o comportamento da acessibilidade dos usuários do Sistema Integrado de Transporte de Fortaleza (SIT-FOR), desenvolveram um banco de dados georreferenciados no software SIG TransCAD. Em suas análises utilizaram da seleção e manipulação dos dados, no entanto, em sua metodologia, não citaram a criação de um modelo para inserção e manipulação dos dados referentes a transporte.

CAETANO & GUALDA (2005), ao desenvolverem em sua pesquisa um sistema de informações de apoio ao usuário de um sistema de transporte coletivo, apresentam em sua metodologia a etapa de pesquisa sobre o projeto e arquitetura de sistemas e banco de dados. Embora nesta etapa os autores não identifiquem a modelagem de dados utilizada para a sua estruturação, nota-se a sua preocupação em projetar um banco de dados modular para possibilitar, se necessário, a criação de módulos adicionais.

Tem-se observado, em muitas aplicações revisadas, o descaso com a modelagem de dados, no entanto, cada vez mais se tem a necessidade de uma visão integrada do espaço modelado e de se representar e diferenciar os diversos tipos de dados envolvidos nas aplicações geográficas, seus relacionamentos e sua manutenção. Esse tipo de visão é obtido através da modelagem de dados, que dentre muitas vantagens, facilita a visualização e entendimento do sistema.

RODRIGUES (1997), quando em seu trabalho descreveu as constatações sobre o projeto SIG, citou alguns impactos que ocorrem em sua dinâmica e afirmou que existe um mal silencioso nesses projetos, que seria o não entendimento da exatidão, precisão, completeza e qualidade das questões. Os efeitos desta desconsideração inevitavelmente emergirão de forma dramática, quando do uso do sistema.

Especificou que, geralmente, em função da pressa existente em colocar o sistema para funcionar, provedores afoitos, induzem a alimentação dos dados nos bancos de dados sem a devida reflexão da abrangência do sistema, e qual seria a melhor estruturação dos dados a ser adotada, a qual, sem dúvida, poderia ser adquirida através do processo de modelagem dos dados. Declara que o descaso pela modelagem dos dados seria o grande mal crônico dos projetos de SIG (RODRIGUES, 1997).

Segundo RODRIGUES (1997), há um caminho bom. É pensar grande e implantar pequeno, ou seja, conceber e modelar um sistema abrangente imaginando o futuro. Desenvolver e implantar inicialmente pequenos componentes para os quais se dispõem de recursos e que terão resultados comprovados.

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