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– Cooperation and coordination

PART C. INSTITUTIONAL ISSUES

Chapter 9 – Cooperation and coordination

Pesquisadores que optaram pela pesquisa qualitativa, ao se decidirem pela descoberta de novas vias investigativas, não pretenderam, nem pretendem furtar-se ao rigor e à objetividade, mas reconhecem que a experiência humana não pode ser confinada aos métodos nomotéticos de analisá-la e descrevê-la (CHIZZOTTI, 2003; p. 232).

As finalidades da fase de análise dos dados têm por: “estabelecer uma compreensão dos dados coletados, confirmar ou não os pressupostos da pesquisa e/ou responder às questões formuladas, e ampliar o conhecimento sobre o assunto pesquisado, articulando-o ao contexto cultural do qual faz parte” (GOMES, 1992; p. 69).

Para a realização desta etapa da pesquisa, utilizou-se a análise de conteúdo, que segundo Bardin é:

um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens (BARDIN, 1994, p.42).

No parecer de Gomes (1992) há duas funções na aplicação da técnica de análise de conteúdos. Pela proposta do autor, uma se refere à verificação de hipóteses e/ou questões e a outra diz respeito à descoberta do que está por trás dos conteúdos manifestos indo além das aparências do que está sendo comunicado.

A escolha por esse tipo de análise de dados se fundamentou na busca pela compreensão de relatos dos sujeitos sociais envolvidos no estudo, além de ser a expressão mais frequentemente utilizada na área da saúde, para representar o tratamento de dados de uma pesquisa qualitativa. Essa técnica permite ultrapassar o nível do senso comum e do subjetivismo na interpretação, atingindo assim, um nível mais aprofundado excedendo os significados manifestados (MINAYO, 2004).

Dentre as inúmeras técnicas de análise de conteúdo, o estudo utiliza a análise temática, que para Bardin (1994) funciona por operações de desmembramento do texto em categorias, segundo reagrupamentos analógicos. A análise temática “consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação e cuja presença, ou frequência de aparição podem significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido” (BARDIN, 1994, p. 105). Pela compreensão de Dalbello- Araujo (2008),

uma leitura atenta do material possibilitará que alguns temas sobressaiam e que a partir deles seja possível montar a matriz temática da qual serão depreendidas as categorias teórico-empíricas posteriormente analisadas. Este tipo de análise exige um constante retorno ao material bruto, o que confere ao processo um caráter artesanal em que o fazer e o desfazer permeam o pensamento e a elaboração da argumentação analítica. (DALBELLO-ARAUJO, 2008; p. 117).

Bardin (1994) organiza a análise de conteúdo cronologicamente em três fases respectivas: a pré-análise; a exploração do material; e o tratamento dos resultados obtidos e a interpretação.

Na primeira fase, o material coletado é organizado tendo, como orientação os objetivos e as questões do estudo. Nesse momento, são realizadas leituras exaustivas do material transcrito, de forma a permitir à pesquisadora que se impregne de seu conteúdo, buscando identificar as unidades temáticas e registrar as impressões decorrentes dessa leitura. A segunda fase é o momento da exploração

do material, quando são sistematizadas as decisões tomadas durante a primeira fase. Nesse momento, são realizadas as codificações em função das questões surgidas com a leitura do material. E a terceira e última fase é o momento de desvendar o conteúdo subjacente ao que estava manifesto. Esse é o momento, de eleger os núcleos temáticos que os compõem, de maneira a operacionalizar a apresentação dos dados identificados (CORRÊA, 2005). “A busca deve se voltar para ideologias, tendências e outras determinações características do fenômeno que estamos analisando” (GOMES, 1992; p.76).

Após a transcrição e revisão das entrevistas, iniciou-se a pré-análise, primeira fase da análise de conteúdo em que houve a realização de leituras flutuantes dos discursos, o que permitiu definir os temas emergentes. Bardin (1994) orienta que durante o tratamento informático dos textos transcritos, deve haver uma codificação das falas, segundo as possibilidades de leitura. No presente estudo, o Quadro 1 mostra como as falas foram organizadas e codificadas no texto transcrito, seguindo um código de cores, de acordo com as quatro questões que nortearam a entrevista (APÊNDICE A). A primeira pergunta arguia como a jovem sentiu o processo de cuidar de um bebê e essa questão bifurcou-se em duas interrogações relacionadas ao apoio recebido por essas mães e às dificuldades sentidas após o nascimento da criança. Para as falas relacionadas ao apoio foi usada a cor rosa e para as informações referentes às dificuldades sentidas por elas, usou-se a cor vermelha. A segunda pergunta questionava o significado da maternidade para essas mães e foi escolhida a cor amarela para identificar as falas relacionadas. A terceira e última pergunta norteadora indagava sobre as perspectivas de vida que essas mães têm após o acontecimento da maternidade, e a cor elegida para organizar as falas correspondentes, foi a cor azul.

Quadro 1. Organização e codificação das falas seguindo um código de cores, de acordo

com as questões que nortearam a entrevista.

Questões norteadoras Cores

Como você sentiu o processo de cuidar de um bebê?

Alguém te apoiou? Rosa

Como você sentiu o processo de cuidar de um bebê? Quais as dificuldades sentidas após o nascimento do bebê?

Vermelha

Para você, o que significa ser mãe? Amarela

Quais as perspectivas de vida que você tem após o

ocorrido? Azul

Após a organização das falas no texto transcrito, as informações foram distribuídas em uma planilha, de acordo com as questões norteadoras, em quatro tópicos: a) O apoio recebido após a maternidade; b) As dificuldades encontradas após o nascimento da criança; c) O significado de ser mãe e d) A perspectiva de vida após o acontecimento da maternidade. Posteriormente, esses tópicos foram reorganizados em dois temas para análise: 1) A experiência da maternidade e 2) A perspectiva após a maternidade. Ambos os temas foram subdivididos em quatro categorias, levando em consideração o direcionamento e a proximidade das falas registradas. Tratando a primeira temática foram encontradas as categorias: a) A vida familiar e conjugal; b) O que é ser mãe?; c) O apoio recebido após a maternidade e d) Reflexões sobre ser mãe adolescente. As categorias observadas na segunda temática foram: a) A escolaridade; b) A inserção no mercado de trabalho; c) Conselhos para jovens da mesma faixa etária e d) Os planos para o futuro (FIGURA 2).

Organizado os dados na pré-análise, iniciou-se a segunda etapa da análise de conteúdo, que corresponde à exploração do material obtido. Nesse passo, foram elaboradas duas planilhas que distribuíram as informações colhidas. Em uma dessas planilhas realizou-se a distribuição dos dados sócio-demográficos, utilizados para formar a caracterização do grupo de entrevistadas (APÊNDICE B). Na outra, estavam descritas as categorias de análise com os discursos correspondentes

(APÊNDICE C). Essa categorização, segundo Bardin (1994), é uma operação de classificação de elementos por diferenciação e reagrupamento com os critérios previamente definidos. Para a autora, as categorias são classes que reúnem em um mesmo grupo de elementos, caracteres comuns.

Cumprindo o objetivo de manter o anonimato das entrevistadas usou-se como pseudônimo para cada jovem, o nome de protagonistas de histórias infantis.

Figura 2. Organização dos temas e categorias utilizadas para análise.