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Coopération transcontinentale et internationale

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CANADA-QUÉBEC

4.3 Coopération transcontinentale et internationale

Diego S. Mendes; Daniel Minuzzi de Souza; Huáscar Sidorak Castro

O

desenvolvimento do esporte e, principalmente, do esporte “ama- dor” no Estado de Santa Catarina, na segunda metade do século passado se deu, de forma geral, similarmente ao percurso seguido pelo esporte no Brasil. Considerando-se aí, sobretudo, as regiões mais de- senvolvidas do país, como a região Sudeste, por exemplo. Entretanto, este desenvolvimento generalizado encontra no Estado condições específicas de organização e estruturação que lhe confere peculiaridades locais de re- levância significativas para o contexto da produção de uma cultura espor- tiva catarinense. É exatamente neste ponto que pretendemos nos ater, a

fim de destacar, entre outras coisas, o papel que jogam, neste cenário, dois atores de fundamental importância para o esporte dito amador no Estado em questão: Os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) e a Fundação Cata- rinense de Esporte (FESPORTE).

Para compreendermos tal relação, no entanto, é necessário apresen- tar um espectro do que se apresenta no horizonte ao se referenciar o es- porte “amador”1 em Santa Catarina. O Estado tem um dos mais bem estru-

turados sistemas esportivo do país. O dito esporte “amador” (excetuando o futebol), talvez em virtude da grande influência européia na sua coloniza- ção, encontra-se ramificado em todo o Estado, sendo que sua prática alcan- ça boa parte da população de todas as idades. Papel importante exerce, no caso, o poder público: Santa Catarina é, provavelmente, o único Estado que tem uma Secretaria Estadual de Organização do Lazer (SOL), composta pe- las fundações específicas que tratam do esporte, da cultura e do turismo 2.

No campo esportivo, a gestão pública é feita de modo compartilhado entre o Conselho Estadual de Esporte, como órgão definidor das políticas, prioridades e normas, e a Fundação Estadual de Esporte (FESPORTE), que tem papel operacional, articulado com as Fundações Municipais de Esporte (FME), presentes em praticamente todos os municípios3. O sistema esportivo

público assim concebido e com dotação orçamentária específica garante um amplo processo de participação dos municípios, mesmo daqueles de peque- no porte e baixo poder econômico, uma vez que há o incremento das ações por meio da regionalização das etapas nos principais eventos esportivos pro- movidos pela FESPORTE, entre os quais se destacam: Jogos Abertos de Santa 1 No documento referente à Política Estadual de Desportos de Santa Catarina, de 1999, o JASC é classificado como esporte de rendimento. Apesar disso, entendemos que o discurso midiático apresenta-o como um encontro do esporte amador, com exceção do Futebol. Por este motivo utilizamos o termo amador entre aspas.

2 No segundo mandato do atual governador Luis Henrique da Silveira, ela passou a chamar-se Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte, mantendo a sua forma de funcionamento via funda- ções estaduais nas respectivas áreas.

3 O relacionamento administrativo no campo esportivo entre Estado e Municípios, definido em lei estadual, deve ser entre fundações. Assim, a participação dos municípios nos eventos promovidos pela FESPORTE só pode se dar através de fundações municipais de esporte, o que implica a quase obrigatoriedade da sua criação.

G i O v a n i d e L O r e n z i p i r e s ( O rG .)

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Catarina (JASC); Joguinhos Abertos, Para-JASC; Jogos Escolares de Santa Ca- tarina (JESC) e Olimpíada Estudantil de Santa Catarina (OLESC); assim como a Volta Ciclística do Estado; a Maratona Internacional de Santa Catarina e a Maratona Aquática (de travessias). A vocação esportiva do Estado tem pro- porcionado também ao poder público captar e apoiar eventos em parceria com a iniciativa privada, dos quais os principais são o triatlo IRONMAN; Volta à Ilha; Moleque Bom de Bola e o Festival de Dança de Joinville.

Apesar da óbvia influência política exercida pelo partido ou grupos partidários que se revezam no poder, tanto em âmbito estadual quanto mu- nicipal, o esporte em Santa Catarina assume condição próxima a uma política de Estado (e não apenas de governo), o que possibilita certa estabilidade e perenidade dos grandes projetos esportivos, fazendo com que alguns dos eventos da FESPORTE, como o JASC, esteja na sua 47ª edição em 2007.

Este evento, em especial, revela importância central no desenvolvi- mento esportivo do Estado, especialmente no fomento e organização do esporte “amador” catarinense, conforme se pode constatar em estudo re- cente sobre as políticas públicas de esporte e lazer em Santa Catarina rea- lizado por Vaz (2001). O fato decorre de o evento ser um dos mais antigos do Estado, sendo realizado desde a década de 1960 e da presença concomi- tante dos esportes ditos olímpicos, de forte apelo midiático, e modalidades “esportivas” de origem étnica, praticado tradicionalmente por imigrantes, como é o caso do punhobol; do bolão de 16 cm; do bolão de 23 cm; da bocha e do tiro ao prato. Tais modalidades esportivas foram fortemente di- fundidas pelas colônias germânicas, que são marcantes no Estado de Santa Catarina. Estes fatores combinados fazem com que grande parte dos muni- cípios catarinenses busquem se organizar para tentar participar do evento. Deste modo, as políticas públicas do Estado passam a ter íntima ligação não só com a realização e participação dos municípios nos jogos, mas tam- bém com a agência promotora do mesmo, a FESPORTE, visto que é necessá- ria a filiação dos municípios participantes do evento à instituição, que, nestes termos, também influi na organização do esporte “amador” catarinense.

Sendo assim, acreditamos que, a partir da inter-relação JASC e FES- PORTE, podemos situar como se constituiu o quadro contemporâneo do

esporte dito amadorístico no Estado de Santa Catarina, contribuindo com o leitor na contextualização deste componente junto ao estudo da cobertura jornalística esportiva desta região do país.

Breve contextualização histórica do “amadorismo” em Santa

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