práticas evoluíram, mas não necessariamente progrediram, ou seja, que as práticas esportivizada ou espetacularizada não são necessariamente melhor do ponto de vista pedagógico, mas sim que cada significado e cada forma de arte marcial possa ter seu valor educacional.
Perspectivas educacionais para a competição dos mais jovens
A competição dos mais jovens, neste caso se referindo a indivíduos com idades entre seis e dezesseis anos, foi o foco do estudo47. O referencial utilizado foram os estudos da sociologia, com o intuito de tentar estabelecer a influência que poderia ser exercida pelo esporte espetáculo no modelo atual dos campeonatos. Para isso, foram utilizados procedimentos de observação e questionários/entrevistas, buscando entender como é construído esse cenário e quais são as concepções de seus personagens sobre o fenômeno, para posteriormente tecer reflexões sobre possíveis implicações educacionais (CAZETTO, 2009).
O que se percebe é que, de maneira geral, a estrutura é transposta ou apenas adaptada do adulto para a criança ou até mesmo do espetáculo dos adultos para a criança. Temos características muito semelhantes no sistema de pesagem, no sistema de chaveamento e no que diz respeito às regras.
O modelo de competição estabelecido ainda influencia o gesto técnico e a tática de luta dos mais jovens, sobretudo pelo sistema de pontuação. Copiar ou apenas adaptar um sistema para os mais jovens, sem uma profunda reflexão pedagógica resulta num modelo de treinamento igual ou muito semelhante ao dos adultos, não contemplando as necessidades educacionais dos mais jovens.
Podemos pensar em alguns pressupostos a serem definidos e escritos como objetivos para a competição dos mais jovens:
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A construção de pesquisa e maiores detalhamentos das investigações efetivadas sobre o modelo estudado de competição nas lutas encontra-se, detalhadamente apresentadas no capítulo 6 (pp. 147-191) no livro Pedagogia do Esporte: aspectos conceituais da competição e estudos aplicados, publicado pela Phorte Editora em 2013, organizado pelos autores Riller S. Reverditto, Alcides Scaglia e Paulo Cesar Montagner. São abordados conteúdos sobre a construção da competição, seus personagens, arbitragem e seus desafios, o que “falam” os responsáveis pelas competições, dentre eles, dirigentes, professores, delegados de esportes. Na sequencia do capítulo, discussões aprofundadas sobre o modelo de competição, suas regras e detalhamentos, sistema de eventos, pesagem dos alunos-atletas, sistema de chaveamento. Ao leitor interessado nesse documento, sugere-se ir à fonte mencionada
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deve ser saudável para os atletas; deve ser educacional;
deve ensinar conhecimentos e valores socialmente considerados positivos;
o campeonato dos mais jovens deve incluir pessoas, e não excluí-las; deve propiciar a maior riqueza possível nas mais diversas
possibilidades motoras, técnicas, táticas, cognitivas e afetivas;
deve propiciar a vivência da vitória e da derrota como elementos representativos do sucesso e do fracasso dentro do processo de formação;
deve contemplar as diferenças entre as idades, entre as regiões, entre os níveis técnicos e entre os ambientes.
Considerações relevantes
Os resultados obtidos apontam para concepções e práticas esportivas que pouco diferenciam os mais jovens nesse ambiente. As reflexões sobre o modelo de competição estabelecido indicam inúmeras características semelhantes entre o esporte dos mais jovens e o esporte espetáculo. Esse modelo único, pensado para o consumo e, muitas vezes, fora do contexto da formação, deixa de lado inúmeras possibilidades pedagógicas, por exemplo, a inclusão e a diversidade, que podem ser contempladas em um modelo diversificado de competição esportiva.
Pode-se defender um modelo diversificado que contemple objetivos e possibilidades pedagógicas, refletindo-se sobre o que a competição ensina, quais são os conhecimentos e valores que são trabalhados na formação dessa faixa etária. Cabe a defesa de modelos que estabeleçam e defendam um sistema de competição específica e preocupada com crianças e jovens.
Diversos personagens constroem a competição da maneira que ela é e da maneira que ela se institucionaliza. Nosso foco observou a competição no âmbito formal do esporte federalizado; no entanto, esse fenômeno pode acontecer em diversos outros cenários, podendo contemplar objetivos e formatos educacionais aqui defendidos. A responsabilidade por uma competição voltada para a formação é de todos os personagens e instituições envolvidos direta ou indiretamente: pais, atletas, federações, conselhos, universidades, governos, ministérios, organizações não governamentais, clubes, etc. Porém, cabe defender que, sobretudo, o professor assuma uma postura educacional no tratamento da competição dos mais jovens.
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REFERÊNCIAS
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