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1.1 État de l’art

1.1.4 Convection thermosolutale en milieu poreux

1.1.4.1 Convection thermosolutale sans effet Soret

Nesta seção, analisarei conversas e entrevistas com os pais, buscando identificar a percepção deles a respeito da escola e da escrita. Na seção anterior, mostramos que os pais manifestavam certa preocupação com a educação dos filhos; para tanto, ofereciam apoio e recursos para a leitura e escrita. Isso acontecia em diversos momentos: quando se

interessavam pelas atividades escolares; quando observavam as crianças brincando, e percebiam nessa manifestação a aprendizagem acontecer; quando subsidiavam os estudos, por exemplo, comprando livros da AVON; quando os acompanhavam em suas atividades escolares.

Para a mãe de Ronaldinho, a educação na comunidade melhorou muito. Ela estudou na comunidade até a 8ª série, e naquela época a situação da escola era precária. Segundo a mãe de Ronaldinho, hoje a escola tem muitos livros, computador e as professoras estão mais preparadas. A comunidade também modificou muito nos nove anos em que esteve fora, mas te es aziado uito po ue, à medida que os meninos e meninas crescem e precisam trabalhar, não encontram ali oportunidades. Então, é preciso mudar para outras cidades que oferecem trabalho. Isso geralmente ocorre com a conclusão do Ensino Médio.

Para a mãe de Leo, a educação na comunidade também melhorou em relação à época em que estudou. Quando ela frequentou o ensino primário, muitos professores eram pessoas da comunidade, as se fo aç o . E a p ofesso es leigos.

Na época ocê sabia o básico, mas não era (...) porque teve coisas (...) hoje mesmo lá em Ibiaí tem coisas de química, de física mesmo que eles falam que era pra a gente ter aprendido na 3ª série. Mas a gente não aprendeu. As transformações, os estados da água. Até eu lá tive dificuldade porque não aprendi no início. Algarismo romano, eu hoje tô no 2º ano do Ensino Médio e não sei os algarismos romanos nem de 1 a 10, porque eu não aprendi. Elas até que se esforçavam, mas [...].(Entrevista, D. Simone, 2012)

No trecho da entrevista acima, D. Simone faz uma avaliação de sua experiência no segundo grau na cidade de Ibiaí. Ao confrontar suas experiências na escola dos anos iniciais em Jacarandá com as de aluna do Ensino Médio, faz menção a conteúdos não ensinados (estados da água e algarismos romanos). Ela também menciona o esforço empreendido pelas professoras da comunidade. Talvez esse dado tenha relação com as observações citadas na descrição do contexto da sala de aula e do planejamento pautado em livros didáticos (Ver capítulo 3).

Para Dona Simone, os professores hoje têm muito mais suporte para ensinar, e as crianças são muito mais ativas, porque os pais também incentivam seu aprendizado em casa.

O aprendizado tá bem mais avançado. Até porque os professores hoje eles têm muito mais suporte pra dar uma aula. Tem internet, eles pegam as coisas com muito mais facilidade. Os alunos hoje, não só lá na escola, mas às vezes os pais dentro de casa, já sabe mais alguma coisa, a televisão tá aí, o rádio. As crianças quando vão pra a escola já sabe muito. E antigamente não tinha

isso. Por isso que eu acho que tá bem mais avançado. (Entrevista, D. Simone, 2012)

No relato da mãe de Leo identificamos o reconhecimento de fundos de conhecimento, abordados porMoll (1992), no ambiente familiar: mas às vezes os pais dentro de casa, já sabe mais alguma coisa . No trecho da entrevista, também identificamos o reconhecimento de que a so iedade da i fo aç o te fa ilitado o a esso de professores a conhecimentos variados: Até porque os professores hoje eles têm muito mais suporte pra dar uma aula. Tem internet, eles pegam as coisas com muito mais facilidade [...] a televisão tá aí, o rádio .

Outro depoimento que confirma a valorização da escola e as mudanças ao longo do tempo é o da avó de Cristiano. Ela comentou que a escola na comunidade facilitou o acesso das crianças aos estudos. Sobre os materiais de leitura encontrados hoje com maior facilidade em todo o lugar, a avó de Cristiano mencionou que, quando era criança, as coisas eram bem mais difíceis. Havia pouco material, e era uma época diferente. A educação era mais rigorosa e os alunos eram muito castigados quando erravam. O erro não era permitido. Também para Patrícia, mãe de Neimar, a comunidade melhorou muito desde a época em que era menina. Algumas coisas, como a água encanada e a energia, trouxeram mais conforto. A educação também: A educação era rigorosa e tinha até palmatória. Antes era só o básico, ensinar o nome, o a-e-i-o-u. Material era somente para fazer algumas atividades lá, não podia trazer para casa .

A respeito das possibilidades do acesso à educação formal na comunidade, os pais esperam que os estudos criem oportunidades de melhores condições de vida no futuro para essa geração. Essa posição é semelhante às que aparecem nas pesquisas sobre relação entre família e escola desenvolvidas por Nogueira (2005), Paixão (2006) e Thin (2006). De acordo com Paixão (2006), o significado que as famílias atribuem à escola diz respeito às chances objetivas de futuro vislumbradas para os filhos. A respeito da perspectiva de escolarização das camadas populares, a autora afirma que as famílias te de a us a a es ola izaç o dos filhos chances de escapar de atividades duras e pouco alo izadas PAIXÃO, , p. . A mãe de Fernanda acredita que, pelos estudos, a filha teria melhores possibilidades na vida. Eu espero que a escola dê oportunidade pra ela aprender direito é através do estudo que ela vai ter alguma coisa na vida, trabalho, esforço, dinheiro, faculdade. E isso tem que começar desde a escola inicial . As expectativas quanto à educação escolar são uma realidade presente na

maioria das famílias da comunidade. A avó de Rivaldo acredita que a escola cumpre um papel importante na comunidade e é um meio para facilitar o desenvolvimento dos filhos: A escola é tudo aqui na comunidade, ela é muito importante. Eu não sei ler nem escrever, mas eu faço tudo pra meus filhos e netos aprender a ler e escrever, porque é muito ruim a gente não saber. Minhas filhas estudaram, só não fizeram faculdade. Só meu filho mais novo não estudou, porque ele saiu pra trabalhar e disse que lá não dá pra estudar . O filho mais novo, que era tio de Rivaldo, estudou até o Ensino Fundamental na escola da comunidade.

Na educação dos filhos, o esforço de oferecer a todos a Educação Básica é expresso no relato da avó de Rivaldo. Excetoum dos filhos, que precisou sair para trabalhar antes de concluir o Ensino Médio e hoje sente dificuldade em conciliar o estudo e o trabalho. Todos os tios de Rivaldo moravam fora da comunidade, inclusive, sua mãe, que mudou para São Paulo em busca de trabalho. Já a mãe de Messi percebia a escola como uma porta de acesso a um futuro promissor para os filhos e acreditava que só por meio da formação escolar eles teriam oportunidade de ter uma profissão. Esses dados indicam o esforço dos pais para que as novas gerações tenham acesso a práticas de leitura e escrita, do mesmo modo como evidenciado em análises de Galvão (2003). Ao analisar os dados da pesquisa sobre o letramento no Brasil realizadas pelo INAF/2001, a autora aponta os usos e práticas de leitura e escrita e as relações que são estabelecidas com as gerações mais novas. Segundo Galvão (2003, p. 137), as entrevistas evidenciaram que cerca de dois terços da população, independente da condição de letramento dos pais, realizam o acompanhamento familiar das crianças nas tarefas de casa. Esse acompanhamento pode se materializar de forma diferenciada, por exemplo, oferecendo tempo e espaço para o estudo, disponibilizando materiais, ensinando a ler e escrever etc. Esses dados e os dados sobre o letramento dos pais na comunidade de Jacarandá (Ver tabela 6), com significativa elevação do letramento das mulheres, sugerem a necessidade de desenvolvimento de novas pesquisas, principalmente sobre o letramento das mães que buscam oferecer melhores condições de escolarização aos seus filhos. As expectativas e participação dos pais na educação dos filhos são reflexo de profundas mudanças que ocorreram ao longo do tempo na sociedade. De acordo com Nogueira (2005), as relações entre escola e família foram otimizando-se com o tempo de maneira nunca vista. Entretanto, a forma de contato mais importante da escola com os pais continua sendo a própria criança.

Além disso, em Jacarandá, a regulamentação da escola e também a acessibilidade na comunicação com a cidade (a criação das vias de acesso - como estradas, transporte, telefone e TV) têm contribuído para as transformações na comunidade. Atualmente, os filhos alcançam maiores graus de estudo do que os pais. No entanto, mesmo com melhorias na saúde, educação, assistência social, as pessoas ainda enfrentam muitas dificuldades na comunidade como a continuidade dos estudos, as dificuldades com a produção no modo de agricultura familiar e a falta de empregos. A continuidade dos estudos em Ibiaí é um aspecto que traz ansiedade tanto para os adolescentes que querem dar sequência aos estudos, quanto para os pais que se preocupam com o deslocamento dos filhos. A esse respeito, Dona Patrícia menciona: Eu espero que um dia aqui na escola possa ter o Ensino Médio. Aqui não tem por falta de aluno. Ocê vê que é muito pouco aluno aqui. Eu queria, porque os meninos sofrem muito para ir a Ibiaí. Ir e voltar todos dos dias. Eu acho isso muito cansativo. Meu menino mesmo, minha filha, ele chega cansado e se tivesse que ir trabalhar no outro dia não ia aguentar .

O testemunho dos pais mostra afetividade e responsabilidade pelas futuras gerações. A perspectiva do ensino dos pais revela intensidade emocional no registro de suas próprias experiências e nenhum questionamento sobre o resultado do valor da educação como propiciadora de melhor condição material e social. Eles acreditam na melhoria propiciada pela educação em função do maior acesso a informações e conhecimentos e por produzir e acessar o que falta ao ensino na comunidade.

Capítulo 7