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10.CCCCONCLUSÕES

ONCLUSÕESONCLUSÕES ONCLUSÕES

Gostaríamos, neste último capítulo de, além de resumir o trabalho exposto e mostrar futuras possibilidades de desenvolvimento como conseqüência da pesquisa realizada, reforçar a característica de interdisciplinaridade das pesquisas realizadas em Engenharia de Produção, da qual o presente trabalho é exemplo.

Desta forma, tivemos como objetivo mostrar os conhecimentos e os passos necessários à construção de um sistema de apoio à decisão sobre formação de preços, combinação de produtos e terceirização da produção de produtos, subconjuntos e operações de pequenas indústrias.

O trabalho de pesquisa e de desenvolvimento teve a grata oportunidade de contar não só com os recursos acadêmicos da revisão e análise da literatura especializada e da realização de cursos de pós-graduação compatíveis com o tema mas, também e, principalmente, com a pesquisa de campo realizada em conjunto com a atuação profissional de assessoria a pequenas indústrias do Estado de São Paulo, para o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo - SEBRAE/SP.

Conforme já mencionado, tivemos a oportunidade de atender profissionalmente a mais de uma centena de pequenas indústrias do Estado de São Paulo, realizando trabalhos na área de Engenharia de Produção. Vivência profissional orientou a escolha do tema, em total compatibilidade com os problemas que as pequenas indústrias vêm atravessando no Brasil.

A PESQUISA-AÇÃO

Como conseqüência do tema escolhido e do número de empresas envolvidas, estabeleceu-se quase que naturalmente a própria metodologia de trabalho - a Pesquisa-Ação, pois a diversidade de problemas, de sistemas de produção, de gestores etc. obrigou-nos a encontrar os pontos em comum e as formas de se atender a uma maior quantidade de empresas. Daí a formalização de um sistema que tivesse caráter generalista, buscando apoiar a maior quantidade possível de firmas e com o foco em seus principais problemas. Isto seria factível somente com o uso da tecnologia de informação; daí a obrigatoriedade de se especificar um sistema informatizado. Na linguagem da área de sistemas, foi utilizado apenas um programa-fonte em todas as empresas.

SISTEMAS DE APOIO À DECISÃO

Outra característica a ser ressaltada é que a maior parte das empresas, mesmo em se tratando de pequenas indústrias, já possuem, formal ou informalmente, sistemas de informações gerenciais ativos, sejam manuais ou informatizados. No que diz respeito aos sistemas informatizados observamos que, em sua maioria, tratam-se de sistemas transacionais, ou seja, sistemas nos quais a entrada de dados e sua manipulação já se encontram previstas. Isto é uma diferença vital com relação aos sistemas de

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167 tomada de decisões, exigindo a intermediação do gestor-usuário. Exemplo disto é a previsão de vendas, informação gerencial altamente dependente da interpretação de expectativas do mercado; daí a preocupação formal com a construção de um sistema de apoio à decisão generalista e factível de se implantar de forma independente aos mais variados sistemas de informação e de gestão. É bom ressaltar que a moderna tecnologia de informação possibilita integrar praticamente quaisquer aplicativos.

A ANÁLISE ECONÔMICA

Buscamos formalizar um capítulo que desse conta, mesmo que de forma resumida, dos aspectos econômicos dos problemas de nosso interesse. Os fundamentos da questão sobre formação de preços, combinação ótima de produtos e análise de terceirizações são de caráter econômico. A questão da competitividade é na economia o foco do debate. E, em termos conceituais sobre os problemas em foco, é a Microeconomia a disciplina a ser escolhida como rationale. Este foi o objetivo de nossa digressão. Não bastava a quantificação adequada dos custos de produção. Adequada a quê? Gostaríamos aqui de citar Pareto, para quem “(...) a ciência é analítica, e a realidade é sintética”. Não há como tomar decisões sobre preços na empresa moderna sem que se proceda à síntese entre Contabilidade, Economia e Marketing. Não pretendemos, de maneira nenhuma, detalhar ou pontificar sobre a abordagem com que tais disciplinas tratam as questões em referência, mas sim apresentar, de forma resumida e aplicada, como as questões de nosso interesse são vistas por aquelas disciplinas.

A CONTABILIDADE GERENCIAL

O centro da questão nas decisões em foco é a quantificação adequada dos custos relevantes. A primeira e principal pergunta do empresário é sempre sobre a adequação de sua formação de preços. O principal empenho do trabalho aqui mostrado foi tentar esclarecer a adequação do nosso proposto cálculo de custos para a tomada de decisões. Como buscamos mostrar, esta questão é fartamente discutida na atualidade, principalmente em função da competição generalizada que caracteriza o momento tanto brasileiro quanto internacional. Este é problema que transcende a uma determinada área e, mesmo para algumas disciplinas, o assunto é vasto e complexo. Tentamos resumir os principais aspectos do problema, sempre buscando destacar o que seria mais importante de se considerar para a tomada pragmática das decisões envolvidas. Para isto formalizamos um modelo de sistema de custos a princípio desvinculado da contabilidade financeira tradicional, mas procurando não esquecer de uma sua futura conciliação, e esta é tarefa para se dar seguimento em futuro próximo.

A investigação entre os custos orçados e incorridos, ou entre o planejado e o real, deve sempre, na medida do possível, ser realizada nas empresas, e este é o objetivo dos sistemas de planejamento e controle. Mas procuramos mostrar que são dois sistemas algo independentes. O primeiro de caráter prospectivo, por excelência de natureza econômico-financeira; enquanto o de apuração dos custos

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reais é de natureza contábil stricto sensu. Preocupamo-nos aqui com os do primeiro tipo, construindo um sistema de gestão de custos projetados, estimados e/ou prospectivos. Em todas as implementações buscou-se a conciliação contábil ao nível agregado, procurando obter validação dos resultados concatenada com os dados reais da empresa, mas não nos obrigando a isso, já que nem sempre os dados reais são os mais indicados para determinadas decisões, como é o caso do uso de custos de reposição e não valores históricos.

A GESTÃO DE OPERAÇÕES

A área denominada hoje de “Gestão de Operações” busca fazer a síntese entre as disciplinas envolvidas no gerenciamento sistêmico das empresas. Já que o atributo principal perseguido pela empresa moderna é a competitividade, sua obtenção deve procurar conjugar as áreas funcionais da empresa. Já não basta uma produção rápida e produtiva com custos baixos se não estiver ligada a uma visão de competitividade. A melhor gestão, se tivermos que resgatar alguma, seria aquela que alia da melhor forma as necessidades do mercado com a capacidade de fábrica. Esta é a justificativa para que se dê atenção ao caráter dinâmico da Gestão de Operações.

O capítulo sobre “Modelos de apoio às decisões nos sistemas de operações” buscou dar essa visão dinâmica na tomada de decisões; e mais, pela formalização de um modelo de otimização para a escolha do mix ótimo de produtos, foi introduzido, de forma original, o aspecto da formação de preços em mercados de caráter não perfeitamente competitivo.

ESTUDOS DE CASO

Através de um estudo de caso didático e de um estudo de caso sobre a implementação do SAD em indústria de utilidades domésticas, buscamos mostrar a efetividade que o sistema proposto procura oferecer.

O primeiro estudo de caso mostra o modelo sendo utilizado em escala reduzida, em indústria com três produtos e quatro atividades diretas. Partindo de um plano de contas formal, são quantificados os custos das atividades e dos produtos utilizando dois sistemas de custeio: custeio por absorção e custeio baseado em atividades diretas, suas virtudes e problemas principais na tomada das decisões selecionadas.

O segundo estudo de caso mostra a implementação do SAD em caso real em indústria de utilidades domésticas trazendo, além de amostra dos resultados principais obtidos ao longo de quatro anos de utilização, o depoimento de gestor-usuário sobre o sistema implantado.

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O SISTEMA DE APOIO À DECISÃO - SAD

Capítulo específico mostrou o modelo de dados e o modelo matemático do sistema em referência, formalizando a base necessária para sua codificação em linguagem de computação. O sistema foi codificado inicialmente em CLIPPER, linguagem de banco de dados bastante utilizada e generalizada nos últimos anos. Atualmente está sendo criada uma versão utilizando o aplicativo DELPHI em conjunto com banco de dados PARADOX, de forma a oferecer todas as vantagens e recursos de uma linguagem WINDOWS.

A versão CLIPPER foi sendo reformulada a partir de vários protótipos desenvolvidos ao longo dos últimos cinco anos, e implementada de forma parcial, como já foi observado, em 30 pequenas indústrias. Lembramos que uma versão fundamental foi produzida para dar conta da alta inflação do final de 1993 e início de 1994, quando a matemática financeira nas condições de venda a prazo era de vital importância para as empresas.

Na maior parte das empresas nas quais o sistema foi implantado de forma completa, treze para sermos mais exatos, o tempo médio para obtenção dos primeiros resultados foi de aproximadamente quatro meses de trabalho, quase totalmente utilizados para a estruturação dos códigos de produtos, subconjuntos, operações, processos de fabricação, árvores de produtos etc. O principal dispêndio de trabalho em todos os casos foi a formalização da árvore de produtos e do fluxograma de processos por produto, incluindo aí os levantamentos dos tempos pertinentes. Gostaríamos de observar que a maior parte das implementações contou com a ajuda de estagiários de Engenharia de Produção; esquema de trabalho que sem dúvida nenhuma possibilitou melhorar a probabilidade de sucesso na implementação e uso do sistema.

Com respeito à questão da otimização, o SAD em sua atual forma alcança até a análise de resultados global e por produto, conforme visto no capítulo 7, no item 7.6, inclusive calculando margem de contribuição por tempo utilizado de fábrica. As soluções de programação matemática necessárias à otimização estão sendo feitas externamente ao aplicativo utilizando, como mencionado, aplicativos especializados do tipo what’s best. Esta é outra possibilidade que deve ser considerada no futuro, qual seja, a de incorporar algoritmos de programação matemática internamente ao SAD.

Uma última observação, de suma importância, deve ser feita sobre a dificuldade de implementação de sistemas (de qualquer) tipo em pequenas empresas. Com isso não queremos dizer que nas grandes empresas não existem problemas de implantação de sistemas. É sobejamente conhecida a dificuldade de se implantarem sistemas de informação ou mesmo de apoio às decisões nas empresas em geral. São sempre observadas as dificuldades “culturais” em tais implantações, ou seja, dificuldades e problemas de treinamento, de aceitação do pessoal envolvido na formalização de critérios, de procedimentos e de rotinas necessários às operações e manutenções de sistemas. Nas pequenas indústrias, o principal problema (e também virtude, podemos afirmar) é que a operação e manutenção dos sistemas é bastante dependente do gestor-usuário, que na maior parte das vezes é o

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proprietário da firma. É desnecessário relembrar da amplitude de conhecimentos necessários para a tomada de decisões nas empresas, sendo o presente trabalho um singelo exemplo. Mesmo que o sistema-objeto de implantação seja adequado, simples de manuseio, e eficiente em sua operação - condições necessárias para a sua eficiente utilização-, o usuário deve ter os conhecimentos básicos mínimos, o que exige, portanto, formação cultural compatível. Este foi o grande problema detectado na experiência concreta de implantação do sistema SAD. Este problema é bastante minimizado quando o processo de implantação é gradativamente realizado em conjunto com o gestor-usuário, incluindo treinamento adequado.

O FUTURO

Conforme observado ao longo do trabalho, as áreas de interesse, quando nos debruçamos sobre a formação de preços e planejamento da produção, englobam a Economia, a Contabilidade e a Gestão de Operações. Concluímos que é importante não só a plena justificação e delimitação das áreas de interesse, ou mesmo sua interseção, mas muito mais o foco da preocupação, o problema propriamente dito, qual seja, o de como tomar adequadas decisões na empresa para a efetiva competição. Problema eminentemente sistêmico, como nos preocupamos em comprovar e, pela construção do SAD, prover como ferramenta para a pequena indústria.

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