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Contributions et Cadre de cette Th`ese

Nesse subtema, esclareço o que entendo por meio ambiente e qual a relação que podemos estabelecer entre essa nova definição e as dimensões filogenética, ontogenética, sociogenética e microgenética. Busco propor um conceito que possibilite compreender o processo de atribuição de significados e sentidos dados pelos sujeitos aos elementos constituintes do meio ambiente (físicos, biológicos e sociais). Processo este que julgo ser potencializado, dentro do contexto escolar, por determinadas condições, em especial, por práticas educativas socializadoras (capítulo três e quatro) que possibilitem o desenvolvimento da competência ambiental (capítulo cinco).

Natureza, ambiente e meio ambiente

Embora tenha como foco principal de estudo o meio ambiente humano - individual e coletivo - acredito ser pertinente discutir as bases do conceito de meio ambiente aqui utilizado, as quais perpassam definições epistemológicas mais amplas. Para tanto, distinguirei essa terminologia de outros conceitos próximos e relacionados (ambiente e natureza), frequentemente apresentados como sinônimos, tanto no Ensino de Ciências quanto nas diversas perspectivas de Educação Ambiental.

Nas últimas décadas observamos uma grande preocupação com as questões denominadas ambientais e ecológicas. Essa discussão tem crescido consideravelmente, tanto nos meios de comunicação em massa quanto em revistas e periódicos especializados, e, em grande parte dos casos, creio que o leitor perceba um discurso consensual a todas essas esferas: o ambiente, o meio ambiente ou a natureza é uma entidade com a qual a humanidade se relaciona, na qual está inserida e que deve ser preservada para que as futuras gerações mantenham condições adequadas de sobrevivência.

Assim, temos presente nos discursos de ambientalistas, conservacionistas, educadores, professores, ecólogos e outros grupos ligados à questão, o seguinte slogan: uida àdoàa ie te/ eioàa ie te/ atu ezaàeàdosà e u sosàpa aà ueà oàseàesgote àeà pa aà ueà possa osàdese volve àu aàso iedadeàsuste t vel .

5 Algumas das reflexões contidas no desenvolvimento desse subtema podem ser encontradas em Ribeiro e

No entanto, ao mesmo tempo que a preocupação ambiental torna-se mais frequente e que os debates passam a integrar maior número de pessoas, culturas e opiniões, temos também diversas apropriações de conceitos e, por vezes, uma homogeneização de significados. Se os espaços de discussões em torno das temáticas ambiental e ecológica estão sendo ampliados, o uso apropriado e criterioso de terminologias como ambiente, meio ambiente e natureza, não tem sido discutido na mesma proporção.

H à aà li guage àa ie tal à COIMBRá,à àouà a poàa ie tal à CáRVáLHO,à

2008) uma tendência à homogeneização de significados conceituais, que são cada vez mais apropriados (distorcidos?) pelo senso comum e, ao mesmo tempo, o surgimento de uma diversidade de interpretações, que muitas vezes estão vazias de significados coerentes (THOMAZ, 2001; DULLEY, 2004; FERNANDEZ, 2010).

Desse modo, defendo a ideia de que para aqueles que se dedicam a estudar as questões ambientais e ecológicas (humanas ou não humanas), bem como seus fundamentos conceituais e epistemológicos, e a relação homem – meio ambiente, o rigor na utilização dessas expressões é, ou ao menos deveria ser, aspecto fundamental.

Portanto, buscando fomentar uma discussão sobre as polissemias que envolvem as citadas terminologias, intento nesse capítulo expressar os diálogos com alguns referenciais teóricos que possibilitaram com que eu enxergasse diferenças significativas entre elas. Assim, revelo nossa segunda peça do quebra-cabeça.

Deixo claro que não tenho a pretensão de que minhas argumentações se constituam em palavra final, mas que ao menos possam promover reflexões no âmbito das temáticas ambiental e educativa, além de esclarecimentos para a compreensão dessa tese-ensaio que busca na Aprendizagem Cooperativa (AC) contribuições para o processo de ampliação do

meio ambiente.

Primeiramente, apresento alguns questionamentos para iniciar (e incitar) possíveis discussões. Estas indagações me direcionaram a pensar sobre os conceitos de ambiente, meio ambiente e natureza, e também sobre as apropriações que deles fazemos e, por isso, achei pertinente apresentá-las. É evidente que poderia apontar muitas outras perguntas, no entanto, julgo que as que seguem são suficientes para dar início a essa análise conjunta.

a) Ao conjunto de tudo que existe, damos o nome de natureza, ambiente ou meio ambiente? b) A natureza é uma entidade real ou ela existe somente porque pensamos sobre ela? c) Se o homem não existisse, a natureza existiria? d) Conhecemos todos os elementos

da natureza? e) A natureza pode ser destruída pelo homem? f) Poderia a expressão ambiente ser aplicada com o mesmo sentido a todos os seres vivos, os quais apresentam características morfofisiológicas e comportamentais distintas e particulares? g) O conceito de meio ambiente é específico para cada organismo ou grupo? h) Um organismo interage com todos os elementos do ambiente? i) O meio ambiente pode ser definido somente utilizando-se critérios espaciais/geográficos? j) Todos os seres humanos estão inseridos em um mesmo meio ambiente ou cada um possui seu meio ambiente particular/específico?

Natureza: entidade real ou abstrata? Realidade ou construção?

A priori o vocábulo natureza remete a uma infinidade de significados. Dentre as

definições que podemos encontrar estão: (I) Princípio de vida; causa eficiente e final; princípio vital. (II) Substância ou essência necessária; conjunto das propriedades que definem algo. (III) Características particulares que distinguem um indivíduo; temperamento, idiossincrasia. (IV) Universo, conjunto ou totalidade das coisas naturais; o conjunto de tudo que existe. (V) Conjunto de seres que não o homem. (VI) Sistema de regras, ordem ou lei natural, cujas origens podem estar nas mãos do Criador. (VII) Tudo o que é inato, instintivo, espontâneo em um ser; opõem-se àquilo que é adquirido pela experiência individual ou social. (VIII) Aquilo a que estamos acostumados, os objetos e acontecimentos tais como habitualmente se apresentam; opõe-se ao que é sobrenatural (LALANDE, 1999; ABBAGNANO, 2003). Além dessas conceitualizações temos outras mais, no entanto, nos deteremos às definições IV e V que possuem relação com o presente contexto investigativo.

Para Lenoble (2002), a natureza que o homem conhece é sempre pensada, não sendo necessariamente um objeto real, mas sim uma criação humana e, portanto, uma abstração. Nessa concepção, o conceito de natureza pode variar conforme os grupos sociais de diferentes lugares e épocas, ou seja, passa a ser elaborado a partir das relações sociais construídas espaço-temporalmente.

Gonçalves (2005) também defende essa perspectiva, de que toda sociedade cria, elabora e institui uma determinada ideia do que seja a natureza. Para ele, a natureza se caracteriza por ser historicamente construída na medida em que as relações socioculturais se desenvolvem e, portanto, seu significado não é natural. Afirma que a natureza não é natural.

Outro exemplo que segue esse mesmo pensamento é o trabalho de Collingwood (1978), que discute as diferentes concepções de natureza por meio de uma abordagem histórica. Segundo o autor, a história do pensamento europeu, por exemplo, caracterizou-se por três períodos de acordo com a ideia de natureza predominante: uma visão Grega, uma concepção Renascentista e uma visão Moderna.

Na primeira, a natureza é entendida como uma força que ordena o mundo, dotada de alma e mente própria, isto é, possuidora de uma vitalidade e de uma racionalidade. Assim, o denominado espírito estudado por Sócrates, Platão e Aristóteles, preexistiria na natureza. Esta visão possuía como analogia o próprio ser humano, permitindo com que características intrinsecamente humanas fossem transpostas para a natureza.

Já a concepção de natureza presente na Renascença, entre os séculos XVI e XVII, caracterizava-se pela negação de que esta entidade era dotada de inteligência e vida. A natureza era incapaz de ordenar os seus próprios movimentos de uma maneira racional, tal como defendiam os gregos; não possuía intencionalidade ou movimentos próprios e, assim, não era comparável a um organismo, mas a uma máquina. Essa visão se baseava na ideia cristã de um Deus criador e onipotente, bem como, na experiência humana da construção de máquinas (COLLINGWOOD, 1978).

A concepção moderna, por sua vez, apoiou-se nas teorias evolucionistas as quais possibilitaram entender a natureza como submetida a um estado constante de mudança. Embora houvesse elementos mecânicos na natureza, esta não mais poderia ser considerada uma máquina; isto porque, uma máquina é essencialmente um produto pronto, um sistema fechado que não se modifica ao longo do tempo (ibid.).

O que quero evidenciar resumidamente é que independentemente da concepção de natureza adotada, todas essas visões apresentadas (COLLINGWOOD, 1978; LENOBLE, 2002; GONÇALVES, 2005), bem como outras trabalhadas por Merleau-Ponty (2000), Tamaio (2000), Carvalho (2008) e Thomas (2010), partem do princípio de que a natureza é uma abstração e o que se pensa sobre ela é influenciado pelo contexto social e histórico. Daí os diferentes significados existentes.

Acredito que o que varia de uma concepção para outra é, na realidade, como a natureza é representada, isto é, o que se pensa sobre a sua composição, a sua origem ou a sua finalidade. Não está em discussão um significado exato de natureza ou uma abordagem semântica, mas como as diferentes sociedades passaram a interpretá-la e,

consequentemente, passaram a se relacionar com ela, ou seja, como os grupos sociais pensaram e manejaram suas relações com a natureza (CARVALHO, 2008). Portanto, trata-se de uma abordagem de aspecto significativo, que diz respeito ao sentido dado a essa expressão. É esse sentido, construído na dimensão sociogenética, que estaria sendo tratado por esses autores.

No entanto, Whitehead (1993) apresenta outra visão: a de que a natureza além de ser interpretação/representação é também realidade. Este filósofo britânico discorre a respeito da existência de dois significados para essa terminologia: no primeiro, a natureza pode referir-se a um complexo de entidades existentes que são percebidas por meio da apreensão sensível e que são passíveis de expressão no pensamento. No segundo, pode ser entendida como algo meramente abstrato fruto do pensamento; assim, o conceito de natureza seria aplicado àquilo a que estamos cônscios através da percepção.

Na primeira perspectiva a natureza é entendida como aquilo que se observa pela percepção através dos sentidos, o que implica dizer que ela independe do pensamento, ou seja, a natureza existe em si mesma e é factível de ser percebida. Todavia, a percepção nunca está vazia (MERLEAU-PONTY, 2000) e, assim, ao tomarmos a segunda definição como referência, a natureza pode ser compreendida como algo pensado e, portanto, como uma o st uç oàhu a a.àDesseà odo,à oàpe sa e toàso eàaà atu ezaà àdife e teàdaàpe epç oà se sívelàdaà atu eza à WHITEHEáD,à ,àp. .

Nessa última abordagem, onde a natureza é vista como algo abstrato, ainda existiriam duas formas de pensamento. A primeira delas é quando se pensa sobre a natureza, denominada de pensamento homogêneo, que está presente principalmente nas Ciências Naturais e que exclui qualquer referência a valores morais ou estéticos. Já a segunda forma de pensamento denomina-se heterogêneo e possui a Filosofia como representante; caracteriza-se por pensar sobre o que se pensa da natureza (WHITEHEAD, 1993); seria assim uma metacognição. E é nessa segunda perspectiva que julgo estar inseridas as obras de Colingwood (1978), Merleau-Ponty (2000), Lenoble (2002), Gonçalves (2005), Carvalho (2008) e Thomas (2010), onde os autores pensam sobre o que se pensa da natureza. Tal como essa tese, trabalham com constructos de segundo grau (FLICK, 2012).

H ,à po ta to,à u aà ealidadeà ofe e ida à aoà o he i e to,à ouà seja,à u aà atu ezaà como entidade, como causa da percepção (natureza causal), e há também uma realidade apreendida, fruto do pensamento, isto é, uma natureza pensada cuja origem está na reação

da mente à natureza causal. Esta natureza abstrata é mais ampla e permite acréscimos de qualidades secundárias que estão relacionadas ao modo pelo qual o pensamento age sobre a natureza (WHITEHEAD, 1993). E, assim, adquire dinamicidade e caráter temporal, sendo sempre nova a cada percepção (MERLEAU-PONTY, 2000).

Em suma, quero dizer que a natureza ora pode ser entendia como um relato daquilo que o pensamento conhece (mente  natureza), ora como um relato da ação da própria natureza sobre a mente (mente  natureza). Essa expressão adquire dois significados, sendo aplicada tanto para aquilo que é percebido (realismo) quanto para aquilo que é pensado (representação). Motivo pelo qual surgem inúmeras confusões conceituais.

Por que não utilizar diferentes terminologias para esses dois significados (natureza

real ou causal e natureza representada ou pensada)? Considero que a natureza existe

independentemente de se pensar sobre ela (imagine, por exemplo, a Terra sem humanos; a natureza existiria em si mesma, continuaria seu curso normalmente). Quando, no entanto, elaboramos qualquer raciocínio sobre ela, ou seja, quando esta entidade passa a ser representada por uma mente, passamos a falar de ambiente, não mais de natureza. Assim, o conceito de natureza se refere ao objeto mundo natural e a expressão ambiente à

interpretação/representação feita individual ou coletivamente desse objeto.

Retomando e respondendo a algumas das questões levantadas temos: ao conjunto de tudo que existe, damos o nome de natureza. Esta é uma entidade real que também pode ser pensada/representada. Quando assim o é, passamos a denominá-la de ambiente. Não conhecemos todos os elementos da natureza e somente aquilo que conhecemos e que, portanto, podemos representar compõe o ambiente. Consequentemente, se o homem não existisse, a natureza continuaria a existir, mas o ambiente não.

Essas colocações são ainda apoiadas por Uexküll (1951) e Dulley (2004), autores que também apontam diferenças entre as expressões ambiente, meio ambiente e natureza.

Alguns elementos do ambiente formam o meio ambiente

Segundo Abbagnano (2003), a expressão ambiente refere-se a um complexo de relações entre o mundo natural e o ser vivo, que influi na vida e no comportamento desse mesmo ser. Logo, o uso dessa expressão deve levar em conta as características de cada reino, assim como, os componentes e relações que constituem o espaço no qual um organismo vive, isso porque a dependência dos seres em relação às características do

ambiente varia de uma espécie para outra (dimensão filogenética), como discutido no capítulo anterior.

Isso significa que a expressão ambiente não pode contemplar todas as particularidades existentes de cada ser vivo, pois mesmo pertencentes ao ambiente, cada um possui seu ambiente particular ou mais especificamente, como prefiro, seu meio

ambiente.

Um meio ambiente é, nesse sentido, algo que envolve ou cerca um indivíduo em pa ti ula ,à àaàpe u aàdasà o diç esàe te asà ueàpa aàeleàs oà eleva tesàe àfa eàdasà i te aç esà efetivasà ueà a t à o à a uelesà aspe tosà doà u doà e te io à LEWONTIN,à 2002, p.54), ou seja, varia de acordo com o que é relevante para o organismo.

Na relação entre organismo e ambiente, os seres selecionam quais elementos do mundo exterior devem estar presentes para a constituição dos seus meios ambientes e quais relações entre esses componentes são relevantes para os mesmos. Um meio ambiente não somente é caracterizado por meio da distribuição geográfica e temporal das espécies, mas principalmente como um espaço definido pelas atividades dos próprios seres (LEWONTIN, 2002)6. Os indivíduos determinam os aspectos do mundo exterior que para eles são relevantes, em função de peculiaridades de sua morfologia e metabolismo (aspectos filogenéticos), construindo ativamente seu arredor ou mundo externo.

Ideia semelhante é expressa por Mason e Langenheim (1957) ao argumentarem que não são todos os elementos do ambiente com os quais um organismo interage. Existem fenômenos não ambientais e fenômenos ambientais. Estes últimos referem-se a todas as classes de fenômenos que tem ou podem ter uma relação operacional com qualquer organismo.

Utilizando os conceitos de ambiente operacional e ambiente potencial os autores fazem duas considerações importantes: (1) que existem fenômenos que são imediatos e operacionalmente diretos e significativos para um organismo, e que compõe seu ambiente particular; e que (2) existem também fenômenos que não são imediatamente utilizados, mas que estão em condição futura de serem empregados operacionalmente. Para se evitar uma interpretação polissêmica da expressão ambiente (environment), Mason e Langenheim (1957) utilizam os adjetivos operacional e potencial, para se referirem, respectivamente, aos

6 Embora na obra traduzida de Lewontin (2002) encontra-se aàe p ess oà a ie te ,àoà aisàade uadoàse iaà

fenômenos que entram efetivamente em relação com um organismo particular e aos fenômenos que são capazes de entrar em reação com esse organismo, mas que ainda não foram chamados a fazer. Não estariam essas expressões relacionadas, respectivamente, ao

meio ambiente e ao ambiente?

Dessa forma, Mason e Langenheim (1957) buscam dar ao conceito de ambiente

operacional um caráter não somente espacial, mas também temporal e direcional. Uma vez

que as demandas ambientais de um organismo variam ao longo de sua ontogenia é importante trazer o conceito de tempo para definir seu ambiente particular ou meio ambiente (dimensão ontogenética).

Assim, o tempo de vida de um organismo é o tempo de duração de seu ambiente operacional, ou seja, durante o tempo em que um organismo está vivendo podemos falar dos fenômenos que incidem significativamente sobre ele, no entanto, quando o organismo morre essa relação cessa. Há aqui a resposta à questão colocada no início desse capítulo: nessa perspectiva o meio ambiente não pode ser definido fazendo-se uso somente de critérios espaciais/geográficos.

Portanto, o ambiente operacional, ou como sugiro e prefiro, o meio ambiente, é um conceito que está direcionado ao organismo, a um indivíduo em particular. Essa ideia, também encontrada na noção de umwelt de Uexküll (1951), permite afirmar que a expressão ambiente não pode ser aplicada com o mesmo sentido a todos os seres vivos, os quais apresentam características morfofisiológicas e comportamentais distintas.

Foi na década de 1920 que Jacob Johann von Uexküll (1864-1944) popularizou a expressão umwelt, utilizando-a no sentido de relevant environmental, ou seja, aquele ambiente percebido por determinado organismo. Umwelt (um, à volta e welt, mundo) corresponderia ao ambiente comportamental que é próprio de uma dada espécie ou organismo e que é construído por um conjunto de estímulos dotados de valores e significados (KLOPFER, 1969).

Essa expressão marca a diferença entre o mundo tal como existe em si e o mundo enquanto mundo deste ou daquele ser vivo. Trata-se de um aspecto do mundo ao qual o organismo se dirige, que existe para o comportamento de um animal; é o meio ambiente de comportamento, que se opõe àquele geográfico (MERLEAU-PONTY, 2000).

Umwelt corresponderia ao mundo circundante, ao entorno, ao mundo associado ou,

dos sentidos, do metabolismo, do sistema nervoso e da própria forma do organismo, haveria uma justaposição espacial e temporal de diferentes elementos do mundo que produziriam, assim, um entorno ou mundo externo relevante para o organismo (LEWONTIN, 2002). Esse u doà e te io à se iaà destilado à peloà a i alà ueà po à eioà dosà dadosà se so iaisà o tidosà poderia responder-lhe com determinadas ações (MERLEAU-PONTY, 2000).

Nesse sentido, compreender a relação entre um organismo e seu meio ambiente é reconhecer os signos que a espécie é capaz de perceber, é relacioná-los com suas ações, é definir seu círculo funcional (HEREDIA, 2011) e, portanto, seu ambiente operacional. O meio ambiente corresponde à relação específica que os seres constroem e mantêm com o mundo. Um determinado a i al,àpo àe e plo,às àpe e eàoà ueà deveàpe e e ,àlevaàe à conta seus signos e ignora o resto. Isso ocorre devido a seus diferentes receptores e efetores, também denominados de órgãos perceptivos e operacionais, respectivamente (HEREDIA, 2011).

Cada animal posee determinados órganos para recibir los efectos del mundo exterior, que son llamados receptores u órganos de los sentidos. La estructura de los receptores decide cuáles efectos del mundo exterior ejercen un estímulo sobre el animal y cuáles no. La suma de estos estímulos forma un mundo circundante del animal. Cada animal vive en un mundo especialmente dispuesto para el, que concierta com su espécie de estructura y sólo es capaz de presentarle los problemas adecuados (UEXKÜLL, 1951, p.36-37).

A biologia de um organismo determina o seu meio efetivo e estabelece a maneira pela qual os sinais físicos externos são incorporados. Os elementos externos do mundo físico eà i ti oà passa ia à po à u à filt oà t a sfo ado à iadoà pelaà iologiaà espe ífi aà deà cada indivíduo, de cada espécie, e é justamente o resultado dessa transformação que atinge o organismo e se torna relevante para ele (LEWONTIN .à Cadaàsujeitoàte eàsuasà elaç esà como os fios de uma teia de aranha com certas características das coisas e os entrelaça para faze àu aà edeà ueà a t àsuaàe ist ia à UEXKÜLL,à ,àp. à apud MERLEAU-PONTY, 2000, p.285).

Além do termo umwelt, Uexküll distingue outras duas expressões: umgebung e welt. A primeira referindo-se ao horizonte visual e entorno físico que caracteriza a percepção humana (portanto, sinônimo de ambiente) e welt ao universo científico, ao mundo objetivo, à realidade absoluta (CANGUILHEM, 2001; HEREDIA, 2011), ou seja, à natureza. Ambiente se

diferenciaria de meio ambiente (umwelt) pelo fato de que condições exteriores idênticas acarretam diferentes possibilidades de comportamentos, isto é, de ações e percepções.

Essa ideia da existência de um ambiente particular (meio ambiente), distinto de um

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