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1 RELATION DES OBSERVATIONS DU PUBLIC

1.2 Observations spécifiques

1.2.5 Contribution N° 110 : NATURE EN OCCITANIE

A presente pesquisa é definida como qualitativa, pois abrange a obtenção de dados descritivos e enfatiza o processo de elaboração de SE e analisa características do que foi produzido. Na pesquisa qualitativa ou investigação qualitativa, expressão utilizada por Bogdan e Biklen (1994, p.16), os dados recolhidos são denominados por qualitativos, porque são ricos em fenômenos “descritivos relativamente a pessoas, locais e conversas, e de complexo tratamento estatístico”. Os autores apresentam cinco características básicas para a investigação qualitativa: 1ª) o ambiente natural é sua fonte direta de dados e o pesquisador é o seu principal instrumento; 2ª) os dados escolhidos para a investigação são essencialmente descritivos; 3ª) o interesse com o processo é maior do que com o resultado; 4ª) a análise dos dados tende a ser de forma indutiva; e 5ª) os investigadores estão interessados em compreender o significado que as pessoas atribuem às suas vidas.

Segundo Lüdke e André (1986, p.13) a pesquisa qualitativa pode assumir várias formas, entre elas está o estudo de caso que vem “ganhando crescente aceitação na área de educação, devido principalmente ao seu potencial para estudar as questões relacionadas à escola”. A pesquisa em questão está inserida na modalidade de estudo de caso, pois o

processo de elaboração das SE por licenciandos é algo particular, singular do curso de Licenciatura em Química da Unijuí.

O estudo de caso surge na Sociologia e na Antropologia no final do século XIX e início do século XX (ANDRÉ, 2005). Na Educação, os estudos de caso aparecem em manuais de metodologia de pesquisa nas décadas de 60 e 70, mas com um sentido muito estrito, como um estudo descritivo de uma unidade e que são incluídos modelos pré-experimentais de pesquisa de exploração inicial de uma temática. Um marco importante para introduzir o estudo de caso qualitativo na área de educação foi a Conferência internacional realizada em Cambridge, Inglaterra, em 1975 (ANDRÉ, 2005).

A respeito do conceito do estudo de caso, há que se considerar um ponto em comum no debate da Conferência, que o estudo de caso sempre abrange uma instância de ação, sendo essa uma definição ampla que pode levar a conclusões equivocadas (ANDRÉ, 2005). Também enfatiza que os estudos de caso não devem ser tomados como modelos pré- experimentais de pesquisa, pois os conhecimentos gerados tem um valor em si mesmo. A autora, fundamentada em Stake (1994), destaca que o que caracteriza o estudo de caso não é um método específico nem uma metodologia, mas um tipo de conhecimento, uma escolha particular do objeto de estudo. E acrescenta, fundamentada em Merriam (1988), que o conhecimento gerado no estudo de caso é diferente do conhecimento derivado de outras pesquisas, porque o conhecimento gerado é mais concreto; mais contextualizado; mais voltado para a interpretação do leitor e baseado em populações de referência determinadas pelo leitor.

Para Lüdke e André (1986, p. 17), o estudo de caso é estudar um único caso. Esse tipo de estudo deve ser escolhido quando o pesquisador apresentar interesse em estudar algo singular/único, particular. As autoras acrescentam que “o caso é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenvolver do estudo”. Dessa maneira, entende-se o processo de elaboração de SE pelos licenciandos na disciplina de Estágio Curricular Supervisionado IV: Ensino de Química I, no curso de Licenciatura em Química da Unijuí como algo particular desse curso.

Yin (2001, p.32) define estudo de caso como “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos” e acrescenta que para isso é possível utilizar variadas fontes para reunir evidências e informações, desde que sejam adequadas e permitam compreender o caso no seu todo. Nesse tipo de pesquisa

também enfatiza-se a “interpretação em contexto” e preocupa-se em retratar a realidade de forma completa e profunda, uma vez que procura representar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista presentes numa situação social.

Segundo Yin (2001, p.34, grifos do autor), há no mínimo cinco circunstâncias diferentes em que o estudo de caso se aplica:

A mais importante é o explicar os vínculos causais em intervenções da vida real que são complexas demais para as estratégias experimentais [...]. Uma segunda aplicação é descrever uma intervenção e o contexto na vida real em que ela ocorre. Em terceiro lugar, os estudos de caso podem ilustrar certos tópicos dentro de uma avaliação, [...]. A quarta aplicação [...] pode ser utilizada para explorar aquelas situações nas quais a intervenção que está sendo avaliada não apresenta um conjunto simples e claro de resultados. Em quinto lugar, o estudo de caso pode ser uma ‘meta-avaliação’ [...].

Lüdke e André (1986) apresentam características fundamentais do estudo de caso, entre estas destacam-se as que citam que os estudos de caso: 1) visam à descoberta, isso porque o pesquisador sempre estará atento para novos elementos que possam surgir no estudo mesmo que ele parta de pressupostos teóricos iniciais; 2) enfatizam a ‘interpretação em contexto’, pois necessita-se considerar o contexto em que se situa o estudo para uma apreensão mais completa do objeto; 3) buscam retratar a realidade de forma completa e profunda; 4) usam uma variedade de fontes de dados, que são coletados em momentos distintos, em várias situações e com variados tipos de sujeitos; 5) revelam experiência vicária e permitem generalizações naturalísticas; 6) procuram representar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista presentes numa situação social e 7) utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa.

Diante dessas características compreendemos que em um estudo é importante a constante reformulação dos pressupostos, uma vez que o conhecimento nunca está finalizado. Também observamos que ao ser considerado o contexto em que acontece o estudo a compreensão do objeto será mais completa. Além disso, os fatores externos podem possibilitar a compreensão e interpretação da problemática a ser estudada. Nesse tipo de pesquisa, a preocupação está em relatar a complexidade de um caso particular/único, focalizando o problema como um todo.

Um estudo de caso, segundo Nisbet e Watt (1987 apud LÜDKE; ANDRÉ, 1986), apresenta três fases em seu desenvolvimento, que são descritas a seguir:

1ª) exploratória ou definição dos focos de estudo: esta fase “começa como um plano muito incipiente, que vai se delineando mais claramente à medida que o estudo se desenvolve” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p.21). A pesquisa inicia-se com uma problemática, que pode ser

uma série de questões ou pontos críticos, que ao longo do estudo vão sendo explicitadas, reformuladas ou abandonadas. É o momento de explicitar as questões de análise (o caso), “confirmar - ou não - as questões inicias, estabelecer os contatos iniciais para entrada em campo, localizar os participantes e estabelecer mais precisamente os procedimentos e instrumentos de coleta de dados” (ANDRÉ, 2005, p.48).

2ª) coleta dos dados e delimitação do estudo: nesta fase, são identificados os elementos-chave e os contornos aproximados do estudo, depois disso o pesquisador pode iniciar a coleta dos dados, “utilizando fontes variadas, instrumentos mais ou menos - estruturados, em diferentes momentos e em situações diversificadas” (ANDRÉ, 2005, p.51). É importante delimitar os “focos da investigação e estabelecer os contornos do estudo”, pois não conseguiremos “explorar todos os ângulos do fenômeno num tempo razoavelmente limitado” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p.22).

3ª) análise sistemática dos dados e elaboração do relatório: nessa fase, mesmo que a análise esteja presente em várias fases da pesquisa, ela se torna mais “sistemática e formal após o encerramento da coleta de dados” (ANDRÉ, 2005, p.54-55). Assim, o primeiro passo é organizar todo o material coletado, separando-o em diferentes arquivos, segundo as fontes de coleta ou arrumando-o em ordem cronológica. O passo seguinte é a leitura e releitura de todo o material para identificar os pontos relevantes e iniciar o processo de construção das categorias descritivas. Após essa análise é elaborado o relatório final, que exige do pesquisador certa habilidade de escrita (ANDRÉ, 2005).

Cabe ressaltar que essas fases não se organizam em uma sequência linear, existindo uma superposição entre elas. Sendo assim, não conseguimos precisar o instante de separação das etapas, uma vez que elas “se interpolam em vários momentos, sugerindo apenas um movimento constante no confronto teoria-empiria” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 23).

Para além da caracterização e das fases de desenvolvimento, é importante sabermos sobre a classificação que alguns autores fazem dos estudos de caso, pois elas podem nos auxiliar a enquadrar a investigação a ser realizada. Yin (2001), Bogdan e Biklen (1994) classificam os estudos de caso em únicos, em que o pesquisador investiga uma realidade, um contexto, enfim um caso único. E estudo de casos múltiplos, em que o pesquisador estuda dois ou mais casos, que podem assumir ampla variedade de formas. Segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 97), alguns estudos de caso múltiplos “começam sob a forma de um estudo de caso único cujos resultados vão servir como o primeiro de uma série de estudos, ou como piloto

para a pesquisa”. Conforme os autores há também, o estudo de caso comparativo, em que o investigador estuda dois ou mais casos e posteriormente os compara e os contrasta.

Já para Stake (1995 apud ANDRÉ, 2005) o estudo de caso pode ser intrínseco, quando o investigador tem interesse intrínseco naquele caso particular; instrumental, em que o interesse do pesquisador pode ser uma questão que um caso particular irá ajudar a elucidar, e coletivo, quando o investigador não se concentra num só, mas em vários casos. Há essa distinção não pelo fato de ser útil agrupar os estudos de caso em categorias, mas sim porque para cada tipo de estudo pode-se priorizar procedimentos de coletas diferenciados.

Frente a isso, podemos considerar o estudo de caso uma metodologia de pesquisa consolidada, uma vez que, ao pesquisar casos particulares, esse tipo de estudo pode identificar aspectos gerais e relacioná-las com outras situações convergentes. Além disso, no estudo de caso é permitido estudar um ou mais casos em seu contexto real, utilizando variadas fontes de investigação e insere-se numa lógica de construção de conhecimento, incorporando a subjetividade do pesquisador.

Em síntese, esta pesquisa constitui um estudo de caso qualitativo na medida em que procedeu em ambiente natural e é um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real acadêmica em que as SE foram produzidas. Os métodos de recolha de dados, essencialmente descritivos permitiram analisar as SE elaboradas pelos licenciandos. Para a organização e análise dos dados utilizamos a ATD (MORAES; GALIAZZI, 2011), que será descrita no item a seguir.

2.2 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO DE ANÁLISE: ANÁLISE TEXTUAL