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Contribution M70 anonyme

Dans le document Partie A - Rapport de l’enquête publique (Page 92-96)

2.4 Observations particulières

2.4.6 Contribution M70 anonyme

comportamentos básicos constituintes da classe geral de comportamentos denominada “avaliar a confiabilidade de informações”

O Senso-comum é um processo básico de conhecer que pode ser considerado crítico? E o processo de conhecer Filosofia? Caracterizar o que o conhecimento produzido por meio de

diferentes processos de conhecer indicam sobre o processo criticar pode ser uma maneira de, pelo menos inicialmente, identificar as características de componentes de possíveis comportamentos básicos constituintes da classe geral de comportamentos denominada “avaliar a confiabilidade de informações”. Quais as características do processo “criticar” em obras de Senso-comum? E como esse processo é caracterizado em obras filosóficas? O conhecimento produzido por meio desses dois processos de conhecer entende o criticar como um comportamento? Se não, o que já é conhecido acerca dele no conhecimento produzido por meio desses dois processos de conhecer? O exame do que é “criticar”, “crítica” e “crítico” em dicionários comuns (Bueno, s/d; Ferreira, 1986; Houaiss, 2001; Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, 2001 e Borba, 2002) e em um dicionário de Filosofia (Abbagnano, 2000) parece ser uma maneira de identificar algumas características, pelo menos algumas já conhecidas, do processo criticar.

Avaliar a confiabilidade de informações, relembrando, pode ser entendido como uma parte do que é entendido como criticar. Esse último processo, o criticar, pode ser realizado em relação a múltiplos objetos, tais como a roupa que uma pessoa usa, o discurso de um presidente, o sistema político e econômico de um país, etc. Criticar informações, nessa direção, pode ser considerado um processo realizado em relação a um dos múltiplos objetos que podem ser criticados. Visto as informações poderem ser avaliadas a partir de vários critérios, tais como a relação que a informação tem com os fatos (critério que pode ser denominado “fidedignidade de uma informação”, que parece se referir principalmente ao modo como uma informação foi produzida), pela importância que a informação têm em relação ao momento e à situação em que é apresentada (a “relevância de uma informação”) e pelo grau de sustentação que existe entre a conclusão de uma informação e as afirmações que fundamentam a conclusão (a “confiabilidade da informação”), entre outros critérios, o processo (a classe geral de comportamentos) “criticar informações” parece ser constituído por, pelo menos, três sub-processos (por três sub-classes gerais de comportamentos): “avaliar a fidedignidade de informações”, “avaliar a relevância de informações” e “avaliar a confiabilidade de informações”. Devido a relação de abrangência existente entre criticar e avaliar a confiabilidade de informações, a caracterização do que é indicado nos verbetes “criticar”, “crítico” e “crítica” em dicionários comuns e em um dicionário de Filosofia pode, portanto, ser uma maneira de identificar possíveis componentes de comportamentos básicos constituintes da classe geral de comportamentos denominada “avaliar a confiabilidade de informações”.

Entre os termos “criticar”, “crítico” e “crítica”, o primeiro deles é o que mais enfatiza um processo ou um comportamento, visto ser um verbo, o que indica uma ação realizada pelo organismo. Em relação ao termo “criticar”, nos cinco dicionários examinados o criticar é definido de uma forma que, à primeira vista, parece circular, por meio de expressões como “fazer a crítica

de” ou “proceder à crítica”. Esse tipo de definição parece circular por definir um verbo por meio de um substantivo que faz referência ao verbo: criticar é fazer crítica. Um exemplo hipotético a que tal definição se assemelharia seria, por exemplo, uma definição de ensinar como realizar ensino. Ainda que à primeira vista a definição de criticar em dicionários de senso-comum pareça circular, esse tipo de definição indica a necessidade de exame do que é crítica.

O termo “criticar” é também definido pelos dicionários de Senso-comum como sinônimo de dizer ou falar mal de alguém ou algo. Os termos “dizer mal de” são, por exemplo, indicados pelos cinco dicionários investigados (Silveira Bueno, s/d; Ferreira, 1986; Houaiss, 2001; dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, 2001; Borba, 2002). Um desses dicionários apresenta exemplos de objetos que podem ser falados mal, tais como uma obra, pessoas, costumes (Houaiss, 2001), sem indicar que as informações são um desses possíveis objetos. Outra expressão indicada por esses cinco dicionários é “censurar”. A definição do criticar por meio de expressões como “dizer mal de” e “censurar” e mesmo outras, tais como “expressar desaprovação”, “emitir juízo depreciativo” (Lisboa, 2001), “apontar defeitos”, “depreciar”, “ridicularizar” (Houaiss, 2001), caracterizam o criticar como identificar defeitos em algo ou alguém e, em geral, expressar a identificação desses defeitos. A expressão de “algo negativo” é indicada por expressões como “dizer”, “apontar”, “expressar”, entre outros. Essa parece ser, em algum grau, uma caracterização pejorativa e simplista do processo criticar.

Nas definições do que é criticar em dicionários de Senso-comum são apresentadas expressões que caracterizam o criticar de modo mais sofisticado que apenas indicar defeitos ou censurar. É o caso, por exemplo, de expressões como “notando a perfeição e os defeitos de” (Silveira Bueno, s/d) e “fazer a análise de uma obra, de um trabalho, avaliando a qualidade, as características, os pontos fortes e fracos” (Lisboa, 2001). Esses dicionários indicam que o criticar pode ser a expressão de aspectos positivos ou negativos de algo. A “perfeição de algo”, “pontos fortes”, por exemplo, são expressões que fazem referência a algo positivo de algum fenômeno, o que se distancia de expressões como “dizer mal”, “censurar”, que enfatizam somente o expressar aspectos negativos de algo. Algumas expressões em dicionários de Senso-comum não fazem referência a algo positivo ou negativo, tais como “examinar” (Silveira Bueno, s/d) “examinar obra de arte ou ciência, costumes, comportamentos, nomeando sem preconceitos, e com detalhes, suas características” (Houaiss, 2001), “analisar” (Borba, 2002). Não é claro nessas expressões se o “examinar” ou se o “analisar” produzirão a percepção de aspectos positivos ou negativos de algo. Diferente, por exemplo, do Dicionário de usos do português do Brasil (Borba, 2002), que define o criticar como expressar algo positivo, quando apresenta a definição “manifestar apreciação” (isso se o sentido em que o termo “apreciação” estiver sendo usado como antônimo à “depreciação”).

Mesmo que não façam referência a informações, o exame do que é criticar em dicionários comuns indica características desse processo. A tendência desses dicionários parece ser definir o criticar como identificar defeitos e expressá-los, ainda que sejam também apresentadas expressões que não deixam isso muito claro (analisar, por exemplo) e mesmo expressões que parecem indicar que criticar é expressar os aspectos positivos de algo. O criticar parece ser um processo apresentado em relação a diferentes objetos (seriam classes de estímulos antecedentes?) e nesses dicionários não são apresentadas as diferenças do que é criticar em relação a diferentes aspectos do meio. O que vem a ser criticar informações? De acordo com o exame do criticar em dicionários comuns, criticar parece ser a identificação de aspectos positivos e negativos (principalmente esses últimos) em relação a algo.

E o que é algo crítico? Ou alguém crítico? Alguns dos aspectos apresentados por dicionários comuns em relação ao que é “criticar” também são apresentados em relação ao que é “crítico”. Esse último termo é apresentado como um adjetivo para algo ou para alguém, ou como um substantivo, fazendo referência ao indivíduo que faz críticas. Um dos aspectos que são comuns ou pelo menos semelhantes entre os termos “criticar” e “crítico” em dicionários comuns é o entendimento, de certa maneira pejorativa, de que criticar ou crítico referem-se a simplesmente expressar defeitos ou censurar. Enquanto os dicionários comuns definem o “criticar” em alguns momentos como “dizer mal”, por exemplo, os mesmos dicionários definem “crítico” como “[aquele] que reprova ou censura; que critica destrutivamente” (Lisboa, 2001), “que ou quem deprecia, tende para a crítica como censura, depreciação, desaprovação; glosador, maledicente” (Houaiss, 2001) ou “quem critica ou censura; quem condena” (Borba, 2002). Outro aspecto semelhante entre as definições dos termos “criticar” ou “crítico” é em relação ao fazer crítica. Enquanto o termo “criticar” é definido como “fazer crítica”, segundo os dicionários comuns, o “crítico” é aquele que faz críticas, o que indica (mais uma vez) a necessidade de exame do que é crítica.

Não só de uma maneira pejorativa que o “crítico” é definido em dicionários comuns. O dicionário Aurélio (Ferreira, 1986), por exemplo, define “crítico” como o indivíduo “que encerra crítica, [que encerra] julgamento”, um processo que parece ser mais abrangente do que simplesmente falar mal de algo ou alguém. O dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa (2001) define “crítico” como aquilo “que se refere à análise e julgamento de obras, sobretudo de caráter artístico ou literário” e “que encerra uma apreciação positiva ou negativa, um julgamento”. Esse tipo de definição parece definir o “crítico” como o processo em que alguém pode expressar, além de percepções negativas, também percepções positivas em relação a algo. Essa característica também pode ser percebida no Dicionário de usos do Português do Brasil (Borba, 2002), em definições de “crítico” como “apreciativo; avaliativo” (não

apenas como o depreciativo), “quem estuda minuciosamente, analista”, “quem faz avaliação ou apreciação, especialmente de produção estética”, “que tem discernimento; que é capaz de estabelecer julgamentos”.

Criticar é um comportamento? Enquanto o verbo “criticar” parece indicar que sim, visto os verbos em geral indicarem processos ou ações a serem apresentados pelos organismos, o termo “crítico” como adjetivo indica mais uma característica de algo ou alguém e, como substantivo, indica alguém que apresenta o processo criticar. Em relação aos comportamentos apresentados pelos indivíduos, também parece ser possível entender o “crítico” como uma característica de qualquer comportamento. O dicionário de usos do Português do Brasil (Borba, 2002), por exemplo, define o “crítico” como algo que seja “significativo, crucial, fundamental”. Em diferentes momentos, os comportamentos a serem apresentados por um indivíduo parecem variar de acordo com um grau de criticidade. É crítico, por exemplo, ao indivíduo que irá fazer uma prova o comportamento estudar. E parece não ser qualquer comportamento de estudar que é crítico, mas o comportamento estudar com algumas características específicas. Para o indivíduo que está desidratado, parece ser crítico o comportamento ingerir líquidos. Como um adjetivo, nesse sentido, o que é crítico não parece ser uma classe de comportamentos apresentados pelos indivíduos, mas um grau de qualquer comportamento, e que varia de acordo com a situação que o organismo está. Esse entendimento, de que crítico pode ser entendido como um possível grau de qualquer comportamento, indica a necessidade de serem especificadas as variáveis que determinam o grau de criticidade dos comportamentos apresentados por um organismo.

Em relação ao termo “crítico”, dicionários comuns o definem como algo que é depreciativo, o que se assemelha com as definições de “criticar” como “dizer mal”, “censurar”, como algo que faz julgamentos que tanto podem ser positivas ou negativas (verbos como “examinar”, “avaliar” indicam essa característica do que é crítico, e principalmente expressões como “apreciação”). Uma diferença entre o criticar e o que é crítico é a função gramatical desses termos. Uma vez que criticar é um verbo, ele denota um processo a ser realizado por um indivíduo e por isso, o criticar parece poder ser entendido como uma classe geral de comportamentos. Já o que é crítico como substantivo indica o indivíduo que faz críticas e como adjetivo, parece ser uma característica de qualquer comportamento. Em relação à noção de comportamento, criticar parece ser entendido como uma classe geral de comportamentos e crítico parece ser um grau de qualquer comportamento, que varia de acordo com a situação em que o individuo está. Se avaliar a confiabilidade de informações for uma classe geral de comportamentos, quais os componentes que ela tem? E quais as características que ela precisa ter para ser uma classe de comportamentos com alto grau de criticidade?

O exame do que é “crítica” em dicionários comuns pode ser uma maneira de caracterizar com clareza o que envolve o processo criticar. No verbete crítica é apresentado com menor ênfase que os verbetes “criticar” e “crítico”, a característica desse processo como algo que apenas deprecia e expressa defeitos e erros acerca de algo. Ainda assim, tal característica é apresentada pelo Dicionário Silveira Bueno (1986), por exemplo, ao definir “crítica” como “ato de criticar, de censurar; censura, condenação”, ou pelo Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa (2001) que define o criticar como o “julgamento, dito desfavorável, usado para censurar alguém ou alguma coisa, realçando-lhe os defeitos”, pelo Houaiss (2001) que define “crítica” como “ação ou efeito de depreciar, censurar; opinião desfavorável; censura, depreciação, condenação” e pelo Dicionário de usos do Português do Brasil (Borba, 2002) que define “critica” como “censura; juízo desfavorável”. Já o Dicionário Silveira Bueno (s/d) não apresenta tal característica para a crítica, definindo-a como a “arte de julgar as produções literárias, artísticas e científicas”.

Assim como o Dicionário Silveira Bueno (s/d), outros dicionários utilizam a expressão “julgamento” ou “julgar” como uma característica da crítica. O Dicionário Aurélio (Ferreira, 1986), por exemplo, define crítica como a “arte ou faculdade de examinar e/ou julgar as obras do espírito, em particular as de caráter literário ou artístico”, indicando além do julgar, também o examinar. Outros exemplos são Houaiss (2001), que define crítica como “a arte e habilidade de julgar a obra de um autor”, como “atividade de examinar e avaliar minuciosamente tanto uma produção artística ou científica como um costume, um comportamento; análise, apreciação, exame, julgamento, juízo” e como “capacidade de julgar, de criticar” e Dicionário de usos do Português do Brasil (2002) que define crítica como “avaliação ou apreciação especialmente de produções estéticas” e como “avaliação; análise”. São diversos, nesse sentido, os termos, os verbos e as expressões apresentados em dicionários comuns que indicam que o processo criticar ou a crítica são processos mais complexos que simplesmente identificar e expressar os defeitos de algo, como é possível entender tal processo a partir de expressões como “censurar”, “dizer mal”, entre outros. O verbo julgar, ou o substantivo que faz referência a esse verbo, o julgamento, é apenas um desses verbos, termos ou expressões. Além deles, são também apresentados o analisar, o avaliar, o apreciar, o examinar, entre outros.

Alguns dicionários definem a crítica também como o conjunto de pessoas que exerce tal atividade (o dicionário Aurélio, por exemplo, em Ferreira, 1986; Lisboa, 2001; Houaiss, 2001 e Borba, 2002). Alguns deles indicam a crítica como o produto do processo criticar (o dicionário Aurélio, em Ferreira, 1986; Houaiss, 2001; Lisboa, 2001), ainda que tais dicionários usem o termo “atividade” em vez de “processo”. O dicionário Houaiss (2001), em relação a textos e a documentos,

define crítica como a “análise de fatos e circunstâncias subjacentes (a determinado texto); avaliação pela qual se julga a fidedignidade ou a validade (de um documento)”. Também em relação a documentos, no verbete “espírito de crítica” (apresentado no verbete crítica), o Dicionário Lisboa (2001) define esse termo como a “discussão ou análise de fatos ou documentos para os tornar compreensíveis, para clarificá-los...”. Já o “criticamente” (outro verbete apresentado no verbete “crítica”, do Dicionário Lisboa, 2001) é definido como “utilizando o julgamento, a capacidade de examinar e avaliar”, o que parece indicar que a pessoa usa ou tem a capacidade de julgar, em vez de caracterizar a crítica como um processo. Ainda assim, de acordo com esses dicionários, destacando novamente, a crítica envolve aspectos bem mais abrangentes do que simplesmente a identificação e a expressão de defeitos ou de erros em algo ou alguém. Entender a classe geral de comportamentos denominada “avaliar a confiabilidade de informações” como uma parte daquilo que é entendido por criticar ou crítica parece, nesse sentido, também envolver aspectos mais abrangentes que a simples identificação e expressão de erros em informações, o que indica a necessidade de identificar quais são esses componentes mais abrangentes.

Um dos dicionários comuns cujos verbetes “criticar”, “crítico” e “crítica” foram examinados (Houaiss, 2001) apresenta três indicações do que é crítica para a Filosofia. Em uma dessas três indicações, crítica é considerada o “exame de um princípio ou idéia, fato ou percepção, com a finalidade de produzir uma apreciação lógica, epistemológica, estética ou moral sobre o objeto da investigação”. É usado, nessa definição, o verbo “exame” e a expressão “produzir uma apreciação” (que é semelhante ao apreciar, expressão apresentada em alguns dicionários comuns). A apreciação indicada pelo dicionário é lógica, epistemológica, estética ou moral. Não é, portanto, qualquer tipo de apreciação que é crítica, mas somente apreciações com certas características específicas, ainda que o dicionário Houaiss (2001) não indique o que garante uma apreciação lógica, epistemológica, estética ou moral. Em outra indicação acerca do que é crítica para a Filosofia, o dicionário Houaiss (2001) indica que entre os pensadores iluministas, a crítica é o “questionamento moral de todas as convicções, crenças e dogmas, mesmo se legitimadas pela tradição ou impostas por autoridades políticas ou religiosas”. É apresentado um verbo substantivado, “questionar”, e é indicado nessa definição que as autoridades não são um critério para considerar aquilo que é crível. Por fim, o mesmo dicionário indica que no Kantismo, crítica é o questionamento acerca dos limites da própria razão, sem deixar suficientemente claro no que consiste a razão.

Referências ao filósofo Kant são feitas também em outro dicionário, não mais de Senso- comum, mas de Filosofia (Abbagnano, 2000). Segundo esse dicionário, o termo “crítica” foi introduzido por Kant para designar o processo em que a razão empreende o conhecimento de si mesma, a fim de determinar a validade do conhecimento, definição que apresenta estreita relação

com o que o dicionário Houaiss (2001) indica como “crítica” para a Filosofia. Na definição do que é crítica no dicionário Abbagnano (2000), não fica suficientemente claro no que consiste a razão e tampouco o que é validade do conhecimento. Ainda segundo esse dicionário, a crítica para os iluministas diferia da crítica para o filósofo Kant, por que aqueles filósofos consideravam que todas as coisas poderiam ser submetidas à crítica, exceto a própria razão, processo que Kant realiza e deixa claro até mesmo no título de um de seus livros, Crítica da razão pura (que Kant cogitou intitular Os limites da sensibilidade e da razão). Segundo Abbagnano (2000), o filósofo iluminista Locke considerava a crítica como o exame das capacidades do homem e como a verificação de quais são os objetos que seu intelecto é capaz de considerar ou não. Abbagnano (2000), entretanto, não explicita a que processo ou fenômeno Locke se referia quando usa a expressão “intelecto”.

O conhecimento já existente e produzido acerca do que é criticar ou crítica pode ajudar a identificar as características de componentes de possíveis comportamentos básicos da classe geral de comportamentos denominada “avaliar a confiabilidade de informações”? Dicionários comuns definem criticar, crítico e crítica com uma ênfase um pouco pejorativa em relação a esse processo ao considerá-lo como a identificação e expressão dos defeitos de algo ou de alguém. Falar mal de alguém, por exemplo, vai ao encontro desse tipo de entendimento do que é criticar. Mas os mesmos dicionários indicam que o criticar pode ser um processo mais abrangente do que isso, ao indicarem verbos como “examinar”, “analisar”, “apreciar”, “avaliar”, que sugerem processos cujos produtos não são apenas percepções negativas em relação a algo ou alguém. Seriam eles, verbos que iniciam nomes de comportamentos básicos constituintes da classe geral de comportamentos denominada “avaliar a confiabilidade de informações”? O exame do que é “crítico” em dicionários comuns ainda possibilitou o entendimento da criticidade como uma característica de qualquer comportamento, a ser avaliada de acordo com as características da situação em que o indivíduo está. Por sua vez, o dicionário de Filosofia examinado possibilitou principalmente caracterizar a crítica como o processo de avaliar os limites da própria razão, ainda que razão necessite de definição.

As características indicadas acerca do que é criticar, crítico e crítica em dicionários comuns

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