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3.3 Quelques compléments de l’article Kamsu-Tamo et al. [2014]

4.2.3 Contribution des ondes équatoriales convectives de Rossby

O Sistema Educativo Português é caraterizado pela sua centralização desconcentrada e é notável que, ao longo das OCEPE e dos Programas e metas curriculares do ensino básico, há sempre um lugar para as artes. Contudo, Read (2007) salienta que “todas as formas de aprendizagem estética são progressivamente eliminadas à medida que a educação se vai transformando numa preparação activa para a vida” (p.262), simultaneamente, nos níveis de escolaridade mais elevados a arte já não é vista como uma disciplina fundamental (Read, 2007).

Apesar da desvalorização das áreas artísticas no currículo, descrita por Read (2007), estas não deixam de ser fundamentais para o desenvolvimento da criança, pois é através da arte que é possível “estimular o desenvolvimento do que em cada um há de individual em harmonia com o grupo social a que pertence” (Reis, 2003, p.41). A arte para a educação é ainda um método que permite o aumento do número de conexões cerebrais de um modo harmonioso e positivo (Reis, 2003). Salienta-se, assim, que “o aumento das conexões cerebrais permite que se desenvolva a inteligência, a memória e a criatividade” (Reis, 2003, p.66), fator que facilitará o desenvolvimento de competências essenciais para a realização da expressão livre.

No âmbito do currículo, as áreas artísticas nas OCEPE surgem na área de expressão e comunicação, no domínio das expressões motora, dramática, plástica e musical. Já em relação à OCP1CEB aparecem como Expressão e Educação: Físico- Motora, Musical, Dramática e Plástica. Deste modo, é essencial distinguir estas quatro áreas artísticas. Através da Expressão Motora a criança tem oportunidade de descobrir e

vivenciar “novas formas de movimento, estendendo estas descobertas à conquista da sua noção de corpo, do seu equilíbrio estático e dinâmico, estruturações práxicas, organizações espaciais e temporais, representações cognitivas” (Sousa, 2003a, p.114). Com a música é pretendido que se proporcione “à criança meios para satisfazer as suas necessidades desenvolvimentais, sobretudo as necessidades de exploração e integração no mundo sonoro, de expressão e criação” (Sousa, 2003b, p.23). Ao trabalhar o desenvolvimento na área da expressão dramática, as atividades realizadas são naturais e espontâneas “da criança a que ela se entrega em qualquer momento e em qualquer situação, abstraindo-se totalmente do mundo da realidade para se envolver profundamente no mundo da sua imaginação” (Sousa, 2003a, p.22). Por fim, com a expressão plástica “o interesse pedagógico centra-se na criatividade, sendo a acção de criar apenas uma forma de desenvolver esta capacidade” (Sousa, 2003b, p.169). Assim sendo, é notório que qualquer uma das áreas de expressão contribui para o desenvolvimento da criança e para a aquisição de competências que lhe servirão de meio para desenvolver as aprendizagens a serem realizadas.

Educar e ensinar, através das áreas artísticas, é sinónimo de proporcionar à criança experiências e momentos de aprendizagens que contribuem para o desenvolvimento biopsicossocial da criança, biológico, psicológico e social. Este

Figura 10. Contributo das expressões para o desenvolvimento biopsicossocial.

Desenvolvimento biopsicossocial Expressão Artística Expressão Ritualistica Expressão Sensorial Expressão Plástica Expressão Dramática Expressão Lúdica Expressão Musical

desenvolvimento, de acordo com Ferraz (2011) é realizado através de mediadores expressivos, “tais como a expressão artística, ritualística, sensorial, plástica, dramática, lúdica, musical entre muitos outros” (Ferraz, 2011, p.44).

Em suma, as áreas artísticas são fundamentais para o desenvolvimento da motricidade fina e global, criatividade, imaginação, ritmo, entre outras. Estas competências irão auxiliar a criança a realizar aprendizagens futuras, tornando-se, portanto, fundamental que o docente proporcione o ambiente próprio e as condições necessárias para a aprendizagem artística das crianças. Assim, a criação de uma “atmosfera de espontaneidade duma feliz industria infantil é o segredo essencial e talvez único do sucesso de ensinar” (Read, 2007, p.354) que irá permitir uma melhor qualidade na educação através do desenvolvimento da criança mas também da aquisição de aprendizagens significativas.

3.6. Tecnologias como potencializadoras de aprendizagens significativas

Atualmente é possível observar uma sociedade que tem como base as tecnologias, sendo a maior parte dos materiais a que temos acesso de cariz tecnológico. Esta tornou-se uma realidade do quotidiano (Ramos, 2007) e tornou-se indispensável para a sobrevivência. As tecnologias desempenham “um papel cada vez mais relevante e decisivo” (Ramos, 2007, p.143), o que acaba por exigir que os cidadãos se adaptem e atualizem, constantemente, perante a sua evolução.

A escola não pode ignorar a referida evolução da sociedade e deve acompanhá- la, com o intuito de capacitar e educar as “crianças para além dos objectos e dos artefactos existentes, preparando-as e dotando-as de competências sólidas, duradouras e, ao mesmo tempo, transferíveis, adaptáveis e flexíveis e que lhes permitam um elevado domínio deste tipo de recursos” (Ramos, 2007, p.143). Assim, durante a prática pedagógica de um docente as tecnologias apresentam-se como materiais motivadores, cativantes e atuais para as crianças.

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são “uma área de formação transdisciplinar, assumindo-se também que a aquisição e o desenvolvimento de competências digitais devem estar presentes ao longo de toda a escolaridade” (Costa, 2012, p.51). Deste modo as TIC podem ser utilizadas em qualquer área disciplinar como um instrumento para a aquisição de aprendizagens. Apresentam-se assim como “uma oportunidade enquanto estratégia de desenvolvimento intelectual e social dos

indivíduos, tomando como factor de motivação e indução desse desenvolvimento a relação natural que os mais jovens têm com as tecnologias digitais” (Costa, 2012, p.51).

As tecnologias são, então, utilizadas “para auxiliar o processo de aprendizagem (…) [no qual as crianças] se envolvem ativamente no processo de construção do conhecimento” (Costa, 2012, p.43). Deste modo, as crianças assumem um papel ativo, no processo de ensino e aprendizagem, realizado através da sua própria ação, durante a procura de respostas para determinadas problemáticas que são do seu interesse, logo são significativas, pois relacionam-se de algum modo com os seus conhecimentos prévios. Contudo, salienta-se a visão dos docentes perante o rol de informações disponibilizadas na internet, pois, a oferta e a rapidez com que é possível aceder à informação é de facto uma vantagem, mas, a qualidade dessa mesma informação já é questionável (Gil &Afonso, 2007).

Em suma, através da utilização das TIC, a criança possui instrumentos que lhe permitem obter um papel ativo no processo de ensino e aprendizagem, à medida que desenvolve a sua autonomia e o seu cognitivo de forma motivada e ao realizar pesquisas do seu interesse. Como resultado, terá oportunidade de refletir sobre a sua própria aprendizagem, vista como significativa, o que será um contributo para a qualidade na educação.