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Contre-exemples au-del` a de la signature lorentzienne

3.2 Conjecture de Lichnerowicz pseudo-riemannienne

3.2.3 Contre-exemples au-del` a de la signature lorentzienne

O sujeito da Psicanálise se trata não do sujeito da consciência, da razão, do pensamento, da verdade universal, mas aparece como anterior, à medida que é anunciado no discurso pelo viés da linguagem se tratando de um sujeito dividido em consciente e inconsciente.

A Psicanálise inaugura um novo olhar, com as explanações iniciadas por Sigmund Freud (1856-1939), quando começa, por meio da observação dos pacientes e

da escuta, a escrever sobre novas concepções a respeito do ser humano, construindo um

arsenal teórico, na segunda metade do século XIX. Portanto, antes de Freud começar a escrever sobre a Psicanálise propriamente dita, ele teve um percurso como médico neurologista e psiquiatra, que se inquietou diante do que ia além das questões neurológicas, do fisiológico, das questões e das soluções que a Medicina oferecia para compreender as “doenças nervosas”. Percebia que havia sintomas que não se explicavam pelo viés biológico, como nos casos das histéricas. Em determinado momento, junto com Charcot (médico contemporâneo de Freud), fez uso do método hipnótico, que, resumindo, dizia que o paciente, a partir de um estado alterado da consciência, poderia ser sugestionado a não mais passar pelos acometimentos nervosos dos quais sofria. No entanto, percebeu que, com o acompanhamento desses pacientes, depois de um tempo, o sintoma aparecia novamente. Ele começou, então, a observar que, quando os pacientes falavam de seus “males”, ou seja, quando se recordavam do instante em que a enfermidade havia iniciado, ainda hipnotizados, havia um efeito para os mesmos no sentido do sintoma desaparecer, também por algum tempo. A esse procedimento deu-se o nome de método catártico, que seria, grosso modo, através da fala, o encontro da lembrança do instante em que começou o sintoma (a cena traumática, de origem sexual) com o sentimento que a lembrança ocasionava, podendo ter um efeito de desaparecimento do sintoma. Nesse momento, Freud já fazia uma construção e apontava para uma relação entre algum fato ocorrido na história do sujeito, acontecido geralmente na infância, que havia sido esquecido, mas deixara uma marca que possibilitaria o surgimento posterior do sintoma, talvez, nesse momento, com outra roupagem, ou seja, o deslocamento do sintoma histérico.

Nesse ponto, se arriscou a continuar ouvindo os pacientes, sem o uso da hipnose, mas de forma sistemática (quase diariamente) para conseguir seguir na sua construção de que havia um algo a mais... A partir daí, dessa escuta em que a técnica básica era

“associação livre de ideias”, ou seja, um convite ao paciente falar tudo que viesse à sua cabeça, sem restrições, ele começou a teorizar vários conceitos que funcionam como os pilares da teoria psicanalítica. Freud enfrentou a construção de uma teoria, com objetivo inicial de alcançar a cura.

O inconsciente, a identificação, a pulsão, o recalque36, o narcisismo37, o sintoma, a inibição, a angústia, o mal-estar, a sexualidade, a transferência foram conceitos trabalhados por Freud. No presente trabalho, alguns desses conceitos foram sendo abordados e/ou discutidos desde a introdução até a análise dos dados. Para mim, os conceitos “conversam” entre si, se complementam, tecem um percurso traçado por seu autor.

Parece interessante observar o percurso de Freud para construir e legitimar a teoria por meio de métodos e técnicas, inclusive, que se anteciparam à Psicanálise. Ou seja, a partir de repetições de fenômenos na clínica, em pacientes diferentes, ainda que com a primazia do um a um que a Psicanálise propõe, a teoria vai se firmando enquanto científica e marcando um lugar nesse campo, o da Psicanálise.

Jacques Lacan (1901-1991) foi um psicanalista que fez a releitura da obra de Freud. E foi além das construções de Freud. A Psicanálise de orientação lacaniana vai dizer que o sujeito é constituído, ou seja, não se trata do sujeito da biologia nem do indivíduo que se desenvolve na interação com o ambiente (sociointeracionista). O sujeito é constituído numa prática discursiva, ou seja, é no discurso que o sujeito é falado pelo Outro (que diz de alguém ou de uma voz ou de uma prática discursiva que falará sobre esse sujeito até mesmo antes dele vir ao mundo, já atravessado pela cultura – os pais, os professores, as autoridades escolares, as autoridades de saúde). Ou seja, é o sujeito que é falado e fala, dividido entre consciente e inconsciente, portanto, descentrado, barrado, em falta, não completo, não todo. A noção de significante é um conceito da Linguística utilizado por Lacan para trabalhar sua teoria. O significante é a parte material, acústica das palavras, não o que representa o seu conceito mental. Essa parte se trata do significado. Os significantes que são privilegiados por Lacan, pois aí se dá a manifestação do inconsciente. Daí o aforismo de Lacan (1985, p. 27): “inconsciente

36 “Para Sigmund Freud, o recalque designa o processo que visa manter, no inconsciente, todas as ideias e

representações ligadas às pulsões e cuja realização, produtora de prazer, afetaria o equilíbrio do funcionamento psicológico do indivíduo, transformando-se em fonte de desprazer. Freud, que modificou diversas vezes sua definição e seu campo de ação, considera que o recalque é constitutivo do núcleo original do inconsciente. No Brasil, também se usa recalcamento” (Roudinesco; Plon, 1998, p. 647).

37 “Foi em 1914, em Sobre o narcisismo: uma introdução, que o termo adquiriu o valor de um conceito.

Fenômeno libidinal, o narcisismo passou então a ocupar um lugar essencial na teoria do desenvolvimento sexual do ser humano” (Roudinesco; Plon, 1998, p. 530).

é estruturado como uma linguagem”. Portanto, somos sujeitos divididos entre consciente e inconsciente, atravessados pela linguagem, regidos por ela, operantes através dela. “[...] é toda a estrutura da linguagem que a experiência psicanalítica descobre no inconsciente” (Lacan, 1998, p. 498).

Embora a clínica lacaniana tenha avançado ao incorporar o significante gozo caracterizando a chamada terceira clínica, no presente texto, dentre as várias abordagens que se referem ao sujeito do inconsciente, o conceito de identificação em Psicanálise será por mim privilegiado com a finalidade de dialogar com o conceito de identidade, e diferenciar os dispositivos metodológicos escolhidos para essa pesquisa. Posteriormente, na discussão dos dados, serão abordados os pontos de intersecção e de ruptura entre os campos que consideram o sujeito centralizado, consciente, da identidade e o sujeito descentralizado, inconsciente, da identificação.