CHAPITRE I. ÉTAT DE L’ART DES RÉACTIONS DE CONTRACTION D’HÉTÉROCYCLES
II.3. C ONCLUSION ET PERSPECTIVES
Realizando pesquisa no banco de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, digitada a palavra festa no campo de busca por assunto, são apontados 1.567 trabalhos (junho/2012). Ditos trabalhos estão, na sua maioria, focados nas festas relacionadas à religiosidade, produções agrícolas e culturas da terra, com destaque às manifestações inerentes ao carnaval e questões étnicas, significando dizer que um de seus aspectos mais tematizados é o “das relações entre festa e ritual” (AMARAL, 1998, p. 35). Observa-se que os autores que tratam do tema demonstram certa preocupação em enfatizar que a festa, a qual, no corpo da presente pesquisa, propõe-se a denominar como festa
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tradicional, a exemplo de Mariano (2008), pois reafirmaria a identidade do local e da comunidade onde a mesma acontece, promovendo a agregação social. Porém, muitas vezes, os trabalhos deixam de estabelecer as relações que deram origem a ditas manifestações, chamadas por eles populares e comunitárias, focando e priorizando em seus estudos apenas o resultado, ou seja, a festa em si.
Em se falando de programas de pós-graduação relacionados a Turismo no Brasil, em nível de Mestrado, existem seis programas, conforme quadro 2.
Quadro 2 – Mestrados em Turismo no Brasil em 2011
PROGRAMA UNIVERSIDADE/FACULDADE LOCAL
Mestrado em Turismo e Meio
Ambiente3 Centro Universitário UNA
Belo Horizonte/MG São Paulo /SP Mestrado em Turismo Universidade de Caxias do
Sul/UCS Caxias do Sul/RS
Mestrado em Turismo e Hotelaria
Universidade Vale do Itajaí –
UNIVALI Balneário Camboriú/SC
Mestrado em Turismo e Cultura
Universidade de Santa Cruz –
UESC Santa Cruz do Sul/RS
Mestrado em Turismo Universidade do Rio Grande do
Norte – UFRN Natal/RN
Mestrado Profissional em
Turismo Universidade de Brasília – UnB Brasília/DF
Fonte: A Autora (2011)
A pesquisa realizada no banco da CAPES, complementada com pesquisa nos websites dos
Programas, mostrou que desses seis, quatro, com exceção da UFRN e UnB, apresentam dissertações relacionadas ao tema festa e eventos. A lista completa está disponível no apêndice A4.
Realizou-se leitura e sistematização mais detalhada de todos os trabalhos relacionados ao tema produzidos no Programa de Pós-Graduação em Turismo – Mestrado, da Universidade de Caxias do Sul, a fim de compreender a tradição do tratamento que é dado às festas no Programa. No banco de dissertações do Mestrado em Turismo, das 120 dissertações defendidas entre 2001 e 2011, onze apresentam alguma festa, festival ou evento como objeto principal de estudo.
3 O programa não está mais ativo 4
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Quadro 3 - Dissertações com tema festa do PPGTUR/UCS entre 2002 e 2011
ANO AUTOR TÍTULO ORIENTADOR
2002 Edegar Luis Tomazzoni
Organização de Feiras de Negócios: um Modelo de Gestão para as Feiras de
Negócios de Caxias do Sul
Prof. Dr. Carlos Honorato Schuch
Santos 2003 Alexandra Marcella
Zottis
A Contribuição dos Cartazes da Festa da Uva na Construção da Imagem Turística de
Caxias do Sul
Prof. Dr. Jayme Paviani
2003 Valmir Francisco dos Santos
O Turismo de Eventos em Caxias do Sul: A Influência dos Eventos de Lazer e dos Eventos de Negócios no Desenvolvimento
do Turismo Local
Prof. Dr. Mário Carlos Beni
2005 Luciane Bradacz Festa da Colônia de Gramado (1985-2004): Evolução Histórica e Atração Turística
Prof. Dr. Airton Negrine 2007 Gisele Silva Pereira
A variável ambiental no planejamento de eventos turísticos: estudo de caso da Festa
Nacional da Uva – RS
Prof. Dra. Suzana Maria De Conto 2007 Mauro Amancio da
Silva
ENTRAI - Encontro das Tradições Italianas: Festa popular, patrimônio
cultural, lazer e Turismo
Prof. Dr. Airton Negrine 2008 Bianca Pugen
Gestão de evento turístico: um estudo organizacional sobre a Festa Nacional do
Peixe Prof. Dr. Carlos Honorato Schuch Santos 2008 Tamisa Ramos Vicente
Vamos cirandar; políticas públicas de Turismo e cultura popular: festivais de
ciranda em Pernambuco 1960-1980
Prof. Dr. Rafael José dos Santos 2008 Carlos Henrique
Cardona Néry
A geração de resíduos sólidos no festival gastronômico de Carlos Barbosa: o
FESTIQUEIJO
Prof. Dra. Suzana Maria De Conto 2009 Adriana dos Santos
Schleder
A Festa Nacional da Uva de Caxias do Sul/RS: o discurso para além das palavras
Profª Drª Susana de Araújo Gastal 2009 Melissa Baccon FESTIQUEIJO: cultura, lazer e Turismo Prof. Dr. Airton
Negrine
Fonte: A autora (2011)
Conforme quadro 3, os estudos perpassam como áreas de interesse o lazer, o meio ambiente e a gestão ambiental, a gestão e a organização, as políticas públicas, a imagem turística e a cultura. Entretanto, analisado o material, observa-se em todas a carência de uma discussão teórica mais aprofundada sobre a concepção do fenômeno, que apresente preocupações com o contexto cultural, político e econômico das mesmas, observado no seu processo de transformação. Em geral, as festas são tratadas como evento, porém Pugen (2008), alerta para uma especificidade das festas, quando as diferencia das feiras, citando seus componentes, que
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seriam: econômico, político, sociocultural e simbólico, enquanto a feira prezaria pela geração de retorno financeiro e lucro aos participantes.
A partir da leitura desses trabalhos, observou-se nessas pesquisas que com grande frequência as festas são tratadas como festas populares, partindo do pressuposto que sua realização se daria pela iniciativa da comunidade e que priorizariam nos seus elementos organizativos manifestações e estruturas chamadas tradicionais. Essa postura nos estudos sobre festa fora apontada por Amaral (2000) para quem, muitas vezes, os pesquisadores estariam excessivamente preocupados em buscar marcas do que se considera como original ou tradicional, esquecendo-se de trabalhar com o contexto onde tais manifestações acontecem. Além disso, observaram-se também semelhanças nas análises das festas estudadas, com maior incidência nos seguintes itens, que indicam que, em algum momento, houve não só a alegria do festejar, mas também alguma situação de conflito: (1) em geral, as festas não possuem registros oficiais de sua história, cabendo a cada pesquisador, com maior ou menor ênfase, de incumbir-se desta tarefa; (2) comumente trocam o espaço de realização, em diferentes edições; (3) modificam seu processo organizacional/gerencial ao longo dos anos; (4) as Festas que eram espontâneas e “do povo” passam a ser profissionalizadas; (5) vêem acompanhadas de estruturas publicitárias e de divulgação, mas mudam com frequência os aspectos de identidade publicitária, tais como logomarca e logotipias; (6) apresentam variação de tempo nos intervalos de suas realizações.