A linguagem pode se manifestar de diferentes formas e, através dela, os indivíduos comunicam e interagem partilhando mensagens, experiências, conhecimentos, entre outros. A escrita surge como uma das várias formas de linguagem e, pelo facto de utilizar um código que necessita de ser descodificado para poder ser compreendido, pertence à área dos saberes que necessitam de ensino formal para poderem ser aprendidos. Deste modo, considerando que “(…) a sociedade
contemporânea reforça cada vez mais a necessidade de os seus membros demonstrarem capacidades de escrita, segundo um leque alargado de géneros” (Barbeiro & Pereira, 2007, p.5) a escola deve dar resposta a esta exigência social e promover o desenvolvimento das capacidades de escrita dos seus alunos.
Por conseguinte, tendo em conta que a escrita, sobretudo a escrita de textos, era uma das grandes dificuldades dos alunos da turma do 3ºB foram idealizadas diversas atividades que visavam promover o desenvolvimento de competências essenciais ao processo de escrita. Assim, considerando que, segundo Barbeiro e Pereira (2007), a escrita de textos exige a existência de competências gráficas, ortográficas e compositivas, foram promovidas atividades diversas com o intuito de englobar estes vários domínios. Desta forma, iremos passar a descrever a atividade que envolveu a escrita do texto intitulado Companheiro(a) especial, proposta às crianças na sexta semana de estágio (correspondente à quarta semana de intervenção) (Apêndice 27), e as atividades direcionadas para o dia da criança, propostas à turma na nona semana de estágio (correspondente à sétima semana de intervenção) (Apêndice 30), que envolveram a escrita de texto, de frases e preenchimento de lacunas.
Escrita do texto Companheiro(a) especial
Perante as dificuldades de escrita evidenciadas pelas crianças na primeira atividade de escrita pedida à turma, tentei promover de forma gradual o desenvolvimento de competências que permitissem a superação de algumas das dificuldades evidenciadas. Assim, perante a dificuldade em organizar ideias de forma lógica e coerente, pretendia-se através da proposta de escrita do texto Companheiro(a) especial, disponibilizar ferramentas que permitissem às crianças organizar as suas ideias a partir das indicações fornecidas na ficha proposta.
Deste modo, com o propósito de dar início à atividade planeada comecei por distribuir a ficha Escrita criativa – Companheiro(a) especial (Anexo 1) e, em seguida, expliquei à turma a tarefa que deveria ser realizada. Então perante um conjunto de informações disponibilizadas (personagens, ações, comportamentos) os alunos teriam que selecionar aquelas que iriam utilizar e, posteriormente, teriam que partir delas para escrever um pequeno texto. Ao longo da realização da tarefa, algumas crianças demonstraram algumas dúvidas que através de algum auxílio foram dissipadas e permitiram uma melhor estruturação e correção do seu texto.
Após os alunos terem escrito e ilustrado os seus textos, passamos à apresentação dos mesmos onde cada criança, junto ao quadro, leu o seu texto para a restante turma. Através desta apresentação tornaram-se evidentes algumas das dificuldades de escrita e de expressão oral da turma destacando a necessidade de promover atividades que visassem o desenvolvimento de competências de comunicação e escrita.
Com o objetivo de avaliar os textos das crianças para verificar onde residiam as suas principais dificuldades corrigi os vários textos e voltei a utilizá-los em aulas seguintes. Assim, com o propósito das crianças terem consciência de alguns dos seus erros, os textos foram novamente distribuídos e na aula de TIC tiveram que reescrevê- los no computador tendo em conta as correções realizadas.
Devido às lacunas evidenciadas no texto produzido pelo Aluno T, auxiliei-o na reescrita do seu texto com a finalidade de melhor compreender algumas das suas dificuldades. Ou seja, perante as grandes lacunas já evidenciadas por este aluno tentei utilizar estratégias diferenciadas para, através de um apoio mais individualizado, tentar auxiliar a criança na superação de algumas das suas dificuldades. Deste modo, perante diferentes necessidades, tentei disponibilizar diferentes estratégias de aprendizagem (trabalho a pares e individual para reescrita do texto) para que todos os alunos pudessem superar algumas das dificuldades assinaladas na correção do seu texto. Pretendia-se, assim, que os alunos elevassem “(…) ao máximo o seu ‘nível de aprendizagem’ actual” (Tomlinson, 2008, p.31) a partir do reconhecimento e superação das dificuldades encontradas.
Todavia, apesar de com esta atividade pretender promover o desenvolvimento da capacidade de escrita dos alunos a partir da observação dos seus erros, esta não constitui uma atividade de reescrita de texto mas sim de cópia pois a revisão do texto não foi feita pelos alunos. De acordo com Niza et al. (2011), a capacidade de rever o texto e de reescrevê-lo assumem um papel de extrema importância pois promovem o desenvolvimento da capacidade de escrita dos alunos e da sua capacidade de análise e avaliação crítica do seu trabalho.
Deste modo, poderia ter fornecido algumas notas acerca das incorreções existentes no texto mas não fornecer as sugestões de correção para que pudessem ser as crianças individualmente ou a pares a corrigi-las e a melhorar o seu texto. Uma outra alternativa de iniciação das crianças no processo de reescrita de textos seria de, em grande grupo, analisar alguns dos textos escritos pelos alunos para que, em conjunto,
pudessem identificar alguns dos erros existentes e, desta forma, contribuírem em grande grupo para a superação de dificuldades individuais existentes.
O dia da criança
Através da atividade anteriormente referida e das várias atividades realizadas ao longo das aulas tornou-se evidente que as crianças têm dificuldades não só a nível da escrita de textos mas também a nível ortográfico, o que causa o surgimento de diversos erros de ortografia nas suas produções escritas. Para além disso, nos textos construídos pelos alunos tornou-se claro que existe dificuldades na construção de frases que sejam curtas, claras e lógicas.
Deste modo, na tentativa colmatar algumas dessas lacunas e de contribuir para o desenvolvimento da capacidade de escrita das crianças foram planeadas atividades que envolviam o preenchimento de lacunas com base no que era ouvido, construção de frases e de textos. Então, dada a proximidade do dia da criança e o interesse que os alunos evidenciavam em relação a esse dia, utilizei-a como temática desencadeadora das atividades propostas à turma.
Assim, para dar início às atividades referentes à área curricular do Português, distribuí a letra da canção Há um mundo de sonhos (Apêndice 35) que possuía lacunas que deveriam ser preenchidas pelos alunos. Após a distribuição da ficha expliquei à turma a atividade que seria realizada e, em seguida, os alunos leram o texto em silêncio para que pudessem se familiarizar com a música que seria ouvida. Ao terminarem a leitura do texto coloquei a música para que começassem a preencher os espaços, sendo o procedimento repetido até que toda a turma terminou de completar a letra da canção.
Posteriormente, com o propósito dos alunos poderem verificar se as palavras haviam sido escritas corretamente, iniciamos a correção do exercício. Para tal, cada aluno leu uma frase e as palavras foram registadas no quadro com o objetivo de poderem verificar a sua correção ortográfica. Por fim, para concluir esta atividade a turma cantou em conjunto a canção e iniciou a realização de uma ficha (Apêndice 35) que envolvia componentes de interpretação e compreensão do texto e, ainda, do domínio do conhecimento explícito da língua.
Na aula seguinte, com o propósito de promover o desenvolvimento da capacidade expressiva e comunicativa da criança, procedemos à aprendizagem da canção utilizada na aula anterior que serviria de ponto de partida para a atividade
Figura 26. Dado das expressões.
Figura 27. Lançamento do dado das expressões
durante a aprendizagem da canção Há um mundo de sonhos..
seguinte. Então, após explicar à turma a atividade que iriamos realizar, demos início à aprendizagem da letra da canção.
Para isso, através de um dado (ver figura 26) que possuía diferentes formas de expressão, as crianças lançaram o dado (ver figura 27) e, de acordo com a expressão que se encontrava na face voltada para cima, o aluno dizia um dos versos da canção utilizando a expressão selecionada e, em seguida, toda a turma reproduzia a interpretação realizada pelo colega. O processo foi repetido até ao momento em que a atividade começou a ser encarada como uma brincadeira e não como um momento de aprendizagem o que conduziu à sua conclusão precoce.
Contudo, apesar da atividade anterior não ter sido concluída coloquei novamente a música para que os alunos a pudessem cantar e, assim, pudessem desenvolver capacidades musicais e expressivas. Através destas atividades pretendia promover não só a capacidade de escrita dos alunos mas também o seu desenvolvimento integral através do recurso a diferentes formas de expressão, nomeadamente, expressão musical e dramática. Assim, tendo em conta que as expressões artísticas permitem o desenvolvimento de competências artísticas, sociais, cognitivas, expressivas, comunicativas, entre outros, (Santos, 2007), considerei pertinente servir-me da Expressão Musical e Dramática para abordar conteúdos da área do Português de forma integrada e articulada favorecendo, desta forma, a interdisciplinaridade e o desenvolvimento global dos alunos.
Após concluirmos as atividades anteriormente referidas, escrevi no quadro a palavra criança e pedi que os alunos identificassem palavras que fazem parte do campo lexical da mesma. Várias foram as sugestões dadas pela turma que foram sendo
registadas no quadro e no caderno à medida que iam surgindo. Em seguida, tendo como auxílio algumas das palavras sugeridas pela turma, solicitei a construção de frases acerca do que é ser criança para os alunos desenvolverem a sua capacidade de organização e desenvolvimento de ideias e estruturação de frases, dificuldades evidenciadas em atividades anteriores. Tendo em conta que a escrita, nomeadamente a escrita de textos, apresenta grande complexidade, o professor deve, de acordo com Barbeiro e Pereira (2007), criar condições que facilitem a aprendizagem e domínio das diferentes competências necessárias à utilização desta forma de linguagem. Foi com base nesta realidade que surgiu a atividade anteriormente referida onde, através da escrita de frases que possuíam um tema comum, pretendia-se que os alunos desenvolvessem a sua capacidade de desenvolver e organizar ideias em pequenas composições textuais como as frases.
Na aula seguinte, para poder verificar a progressão dos alunos a nível da produção de texto e desenvolvimento de ideias, foi novamente proposta a produção de um texto. Para isso, com o objetivo de darmos início à atividade, dialogamos um pouco acerca das atividades que haviam sido realizadas nas aulas anteriores acerca da temática do dia da criança e, em seguida, expliquei a tarefa que iriamos realizar. Então, tendo por base o tema do dia da criança, solicitei a escrita de um texto que relatasse aquilo que gostariam de fazer neste dia e que, em seguida, ilustrassem o texto produzido.
Ao longo da construção do texto alguns alunos solicitaram a minha ajuda devido a palavras que não sabiam escrever ou, ainda, por não saberem o que escrever. Como tal, com a intenção de facilitar a superação dessas dificuldades recorri à leitura silábica das palavras para que os alunos pudessem identificar as várias letras que componham a palavra. No que concerne às dificuldades na escrita do texto, recorri ao questionamento onde através de perguntas como “O que gostarias de fazer no dia da criança?”, “Onde gostarias de passar o dia da criança?”, “Com quem gostarias de passar esse dia?” tentava auxiliar os alunos a desenvolver e organizar as suas ideias e, por conseguinte, a estruturar o seu texto.
O surgimento desta atividade prende-se com o facto de querer verificar se tinha havido progressos desde a primeira proposta de escrita de texto até ao momento em que esta atividade foi proposta. Assim, através da avaliação de diferentes atividades de escrita de textos, seria possível verificar se algumas das estratégias utilizadas haviam contribuído para o desenvolvimento de competências de escrita e de criatividade dos
alunos, dois dos objetivos delineados para a área do português relativamente ao domínio da escrita.
Por fim, com a finalidade de concluir as atividades de Português cuja temática era o dia da criança, na última aula recorremos a um conjunto variado de atividades que as crianças, de forma autónoma iam realizando com o propósito de promover o desenvolvimento de diferentes competências. Para isso, foram criadas diversas situações de aprendizagem que envolviam diferentes áreas do saber e que poderiam ser selecionadas pelos alunos após a conclusão de algumas das tarefas propostas. Deste modo, para dar início ao conjunto de atividades planeadas comecei por dialogar com as crianças e explicar as várias tarefas que iriamos realizar.
Terminadas as explicações, distribui uma ficha que possuía um texto dialogal (Apêndice 36) que deveria ser preenchido pelas crianças tendo em conta algumas das informações presentes para, deste modo, poder comparar os progressos tendo em conta o texto de escrita livre, realizado na aula anterior, e a escrita de texto através de orientações já existentes. Enquanto alguns alunos começavam a realização desta tarefa, outros selecionavam uma das suas frases acerca do que é ser criança, construídas em aulas anteriores, e escreviam-na num painel intitulado Ser criança é… e, em seguida, faziam uma ilustração tendo por base a frase selecionada (ver figura 28).
Para além disso, havia ainda um terceiro grupo que, ao som da música Há um mundo de sonhos, utilizada em atividades anteriores, pintava livremente um painel utilizando tintas e pincéis (ver figura 29, 30 e 31).
À medida que as crianças terminavam todas estas tarefas selecionavam de um conjunto de fichas das diversas áreas curriculares (Apêndice 37) aquelas que queriam realizar sendo, deste modo, uma forma de dar resposta às necessidades e interesses desta turma, promovendo, em simultâneo, a sua autonomia.
Nesta aula de conclusão do tema do dia da criança e de conclusão do estágio, tentei disponibilizar um conjunto de atividades que, de forma integrada, envolviam diferentes áreas curriculares tentando, deste modo, promover a interdisciplinaridade, o desenvolvimento integral dos alunos e a diferenciação pedagógica. Assim, considerando que “A expressão plástica é essencialmente uma actividade natural, livre e espontânea
Figura 29. Pintura livre do painel ao som da música Há um mundo de sonhos.
Figura 30. Pintura livre do painel ao som da
música Há um mundo de sonhos.
Figura 31. Painel pintado pelos alunos do 3ºB ao
da criança” (Sousa, 2003, p.160) que possibilita o desenvolvimento de diversas competências e habilidades, tentou-se promover atividades de pintura utilizando diferentes instrumentos (pincéis, tintas e canetas de feltro) com o intuito de promover o desenvolvimento global do aluno. Para além disso, considerando que todos os alunos possuem necessidades individuais que só recebem resposta através da diferenciação pedagógica (Morgado, 1999) tentou-se dar resposta a essas necessidades através da disponibilização de diferentes ferramentas de aprendizagem que poderiam ser selecionadas de acordo com os seus interesses ou necessidades.
Deste modo, através das várias atividades propostas a partir da temática do dia da criança pretendia promover o desenvolvimento de competências de escrita e da criatividade, essenciais para a escrita de textos onde, de forma integrada, foram envolvidas diversas áreas curriculares que, direta ou indiretamente, têm um papel de extrema relevância no desenvolvimento dessas competências.