MARECHAL SUR UN EXEMPLE
6. La couche résolution et les schémas
6.2. Le contrôle de la construction dans le système MARECHAL
1.1.8. Jogue toda a mistura de leite fervido por cima do polvilho.
Figura 15 Ocorrências de leite morno em CR e CT.
Fonte: captura de tela realizada pela autora.
Tendo observado as ocorrências de leite gelado, leite normal e leite frio, a ULC leite morno soma-se às ocorrências de ULC do CT e do CR, inseridas em estruturas nominais mais extensas, do tipo: 1 xícara (chá) de leite morno; 1 e ½ xícara
de leite morno. Estas ocorrências dessa ULC na lista de ingredientes e em estruturas oracionais avalizam leite morno como uma unidade lexical da linguagem culinária.
As outras unidades mencionadas, também formadas com leite, não apresentam a mesma frequência expressiva nos corpora e não ocorrem como léxico da lista dos ingredientes. Pelo levantamento realizado, não foi identificado caso de variantes entre as ULC dos corpora.
5.2 SAL
Obtivemos 39 ULC pelas buscas a partir de sal, dentre elas, sete ULC comuns entre as modalidades, dez ULC específicas do CR e 18 ULC pertencentes ao CT. Nota-se, nos dados inseridos no Quadro 5, que sal é uma ULS que ocorre na função
de núcleo da ULC – sal marinho, sal a gosto – e na função de qualificador – pistache
sem sal, crosta de sal. Não identificamos variantes formadas com essa ULS.
Quadro 5 ULC e dados referentes à sal. Sal – ocorrências
CR – unidades de ULC CT – unidades de ULC CR: 390 (0,28%)
CT: 383 (0,119%)
ULC comuns: 5 ULC de CR: 5 ULC de CT: 5
Manteiga com sal Pitada de sal grosso Crosta de sal
Manteiga sem sal Pitada de sal marinho Pitada/Pitadinha de sal
Pistache sem sal Sal e pimenta preta Sal com ervas
Sal a gosto Sal marinho a gosto Sal fino
Sal grosso Sal e pimenta a gosto Tempero de alho e sal
Fonte: elaborado pela autora.
5.2.1 Contextos de ocorrência de sal
Em termos de estruturas oracionais em ambos os corpora, constatamos que, em CR, o sintagma verbal com a ULS sal é: <temperar><com><sal>, com 47 das 390 ocorrências totais, como ilustra a Figura 16, a seguir.
Figura 16 Sintagma verbal associado a sal com maior número de ocorrência no CR.
Fonte: captura de tela realizada pela autora.
Já em CT, as estruturas oracionais associadas a sal ou os sintagmas formados com sal apresentam uma variedade significativamente maior que em CR, o que nos motivou a observar com mais acuidade essas ocorrências via concordanciador.
A busca com os grafos <temperar><com><sal> em CT resultou em 28 ocorrências entre as 383 ocorrências da ULS; da busca por <Corrigir><o><sal> obtivemos oito ocorrências no CR e dez vezes no CT.
Diante dessa informação, foi necessário mais atenção ao observar as coocorrências usando a ULS sal associada a verbos suporte37 em ambos os corpora. Os dados aparecem resumidos no Quadro a seguir.
37 A compreensão de verbo suporte para esta pesquisa se baseia nos estudos de Rassi e Vale (2013), em que se discorre sobre uma tipologia de construções verbais com verbos desse tipo. Segundo os autores, sucintamente, compreende-se que o verbo dar está presente em seis tipos de ocorrências, desde na função de verbo pleno (forma prototípica cuja função é dativa), como verbo suporte, ou seja, o verbo se esvazia do seu valor semântico, se tornando dependente de um argumento para que o predicado forme um substantivo predicativo. Portanto, um verbo suporte não é idêntico a um verbo auxiliar, ainda que guarde tais aspectos. Entretanto, seu teor semântico não é capaz de definir o campo semântico das lexias que devem complementá-lo. Essa “seleção natural” de complementos ocorre com maior grau de evidência com os verbos plenos.
Quadro 6 Estruturas oracionais com verbos plenos e verbos suportes complementados por sal.
Estruturas
Oracionais Temperar com
Dar uma temperada
com sal Corrigir o sal
Dar uma corrigida no sal
CR 60 ocorrências – 8 ocorrências –
CT 28 ocorrências 5 ocorrências 10 ocorrências 2 ocorrências
Fonte: elaborado pela autora.
Com esses dados, ressaltam-se as diferenças do léxico especializado nos corpora, tomando como referências determinadas estruturas oracionais. A partir da perspectiva comunicativa, levamos em consideração o emprego dos verbos plenos na modalidade escrita e comparamos com estruturas equivalentes encontradas no corpus transcrito (CT), isto é, na modalidade oral em análise. Em razão da relevância para desses eventos linguísticos para a linguagem, decidimos reportar tais dados de sintagmas verbais para a análise também, conforme mencionamos nos capítulos iniciais.
5.3 MASSA
As ULC selecionadas totalizaram 16, sendo que o maior número delas pertence ao CR e cinco são ULC comuns; houve dois casos de variantes: i) massa de
lasanha (ULC comum aos corpora) e massa para lasanha (CR); e ii) massa de
panqueca e massa para panqueca (cf. Quadro 7).
Apontamos com asterisco (*) as formações com massa de e massa para por haver, segundo os dados coletados, certa peculiaridade de uso entre as modalidades. Ao buscar pelos grafos <massa><de> e <massa><para> encontram-se, em CT, 12 ocorrências para <massa><de> como massa de grano duro, massa de pão de ló,
única ocorrência de massa para panquecas em CT, que revela maior uso de estruturas oracionais ou predicados formados com a preposição para – preposição empregada para explicar a função de finalidade do núcleo da lexia.
Entretanto, na verificação das ULC em CR, foram obtidos os seguintes casos: cinco ocorrências de <massa><para>, das quais quatro formam massa para
lasanha e uma única ocorrência forma massa para panqueca. Podemos considerar que estes casos de ocorrência são fruto da motivação causada pela rotulação de certos produtos culinários – portanto, modalidade escrita – e que podem ser a referência usada na produção textual das receitas. Já na modalidade oral essa influência se revela menos evidente, como em outros casos que observaremos adiante. Na modalidade oral as ULC formadas com a preposição de são preferenciais.
5.3.1 Contextos de ocorrência de massa
Em CR encontra-se o seguinte excerto de receita:
3.1.1. Parente distante do pastelão português (uma torta salgada que no século 19 ganhou versão reduzida e apelido de empada de caixa) a empadinha faz grande sucesso por todo país, preparada das mais variadas maneiras, coberta ou aberta, com recheio seco ou cremoso. Esta versão é feita com pâte brisée (a massa amanteigada e quebradiça que no Brasil é mais conhecida como
massa podre).
Neste CO, há definição de um termo culinário francês, e praticamente um verbete relativo a pastelão português – fatos estes que entendemos como eventos comunicativos que podem estar presentes tanto na escrita como na oralidade culinária, como atestado nas obras mencionadas no Capítulo 3, caracterizando um aspecto
dialógico desses textos voltados ao grande público. O mesmo dado discursivo, observado nos livros impressos, também está presente nos websites dos quais nos servimos para o presente estudo.
Nos eventos discursivos encontrados no CT – ou seja, no texto audiovisual transcrito, em que se faz referência histórica –, menciona-se a definição do termo por meio de qualificadores e de recurso dialógico, similares ao exemplo do CO 3.1.2, a seguir:
3.1.2. Melhor solução é usar a massa Fillo, que é a massa dos