CHAMBRE DES REPRÉSENTANTS
B- Le contrôle du budget de la chambre des représentants au Maroc
Antes de apresentar o modelo de análise é fundamental apontar com rigor qual é o objeto de estudo. Nesta dissertação pretendeu-se investigar as visitas em família a museus, e estudou- se o caso do ME.
Se o objeto de estudo desta investigação são as famílias então torna-se necessário delimitar o conceito de família aqui aplicado. Para este estudo foram consideradas famílias todos os grupos de visitantes compostos no mínimo por dois elementos, tendo um eles obrigatoriamente até 14 anos de idade inclusivamente. Foi este o escalão de idade definido pois é o mesmo que é estabelecido pelo ME nas categorias de ingresso para as crianças para visitarem exposições.
Na fase inicial (inquérito por questionário) todas as famílias foram consideradas na pesquisa pois procurou-se precisamente ter uma visão geral e ampla das visitas em família a museus – não apenas as que os frequentam assiduamente mas também os que fazem visitas esporádicas. Estudaram-se tanto as famílias que têm por hábito visitar museus como aquelas que o fizeram de forma pontual, que é para também captar as exceções estatísticas, como por exemplo quando os adultos do grupo familiar têm baixos níveis de escolaridade. Este questionário foi uma fonte de dados através da qual foi feita uma análise quantitativa inicial dos visitantes em família.
O modelo de análise seguiu de perto o de Ana Rita Coelho (2008) no seu estudo sobre o público não-escolar do Pavilhão do Conhecimento. Nesse modelo de análise são exploradas três dimensões: as trajetórias de vida dos visitantes, os contextos das visitas e as experiências das visitas. Todavia, o estudo presente trabalha sobre uma segmentação específica do público não-escolar e num museu diferente, e por esse motivo tiveram, naturalmente, de ser feitas algumas adaptações a este modelo de análise: as três dimensões de análise mantiveram-se (quadro 2) mas, as sub-dimensões e os indicadores sofreram algumas alterações.
Numa primeira dimensão analisam-se as trajetórias biográficas ou seja, remonta-se aos contextos de socialização das famílias e aos seus contactos com a cultura museológica. Como a sociologia tem demonstrando os indivíduos não chegam a museus como folhas em branco: as suas experiências de vida são suscetíveis de influenciar a experiência da visita e a respetiva
30
apreciação (Falk e Dierking, 2000). Assim procurou-se captar “um conjunto de conhecimentos, interesses, competências, crenças, atitudes e experiências prévias” dos elementos das famílias, “as quais combinadamente podem afetar não apenas o modo como eles vivem a visita a uma exposição mas também que sentido lhe atribuem” (Coelho, 2008, p. 28). Mas também aqui interessa conhecer os aspetos que definem agregado familiar: informação sociodemográfica (sexo, idade, escolaridade, profissão e situação na profissão, estado civil, composição e relações de parentesco entre os vários elementos, número de filhos e suas idades), práticas culturais (o que costumam fazer em conjunto) e visita a museus (quando, a quais, com que frequência, preferências temáticas). Trata-se então de ter em conta não só o presente mas também o passado, assim como a pluralidade dos contextos sociais onde as famílias se inserem, para se descobrir os motivos que levaram os adultos a ir ao museu com as suas crianças.
Quadro 3 - Modelo de análise.
A partir de Coelho (2008).
A segunda dimensão da análise está relacionada com o contexto da visita, onde se distingue o contexto físico, o contexto temporal e social, e as intensões da visita. O contexto físico engloba tanto a exposição como o edifício do museu e os seus arredores ou seja, trata do ambiente no qual se dá a interação. O ambiente onde cada sujeito se encontra define o seu comportamento, e é por isso que não agimos da mesma maneira estando por exemplo na praia, na escola, numa igreja ou num museu. Em cada espaço “incorporamos regras sociais e assimilamos a forma como devemos agir” (Coelho, 2008, p. 30). Mas mesmo entre os museus o ambiente não é sempre o mesmo pois variam entre os de carácter mais expositivo e os mais interativos, os e ciências e os de artes (Sicard, 2001). O contexto temporal e social está
TRAJETÓRIA DE VIDA História pessoal e familiar Visitas a museus ou exposições CONTEXTO DA VISITA Contexto físico Contexto temporal e social Motivações e intenções EXPERIÊNCIA DA VISITA Decorrer da visita Apreciação
31
relacionado com o dia da semana em que decorre a visita, as pessoas que compõem o grupo de visita, e os contactos estabelecidos não só com os restantes elementos do grupo mas também com outros indivíduos como por exemplo os funcionários da instituição. E por fim as intenções da visita, que se prendem aos motivos que levam a família a visitar o museu ou seja, quais os motivos em concreto, as razões e as expetativas ao irem ao museu.
A terceira e última dimensão prende-se com a experiência da visita. Trata-se da análise da relação das famílias com o museu e as exposições durante a visita, isto é, os percursos (que exposições escolheram ver, por que razões), as interações com o espaço e também entre elementos de gerações diferentes (que módulos manipularam, se andaram sempre juntos durante a visita), a duração da visita (onde passam mais tempo e porquê), os comportamentos (qual a atitude das diferentes gerações, quem lidera a visita, a diferença de comportamento entre as exposições), as formas de aquisição de conhecimento (se leem os textos explicativos, quem lê, se alguém na família toma uma posição mais explicativa e por que razões), e as apreciações (satisfação da visita e respetivas motivações).
Através deste modelo pretende-se “identificar diferentes experiências de visita e de interpretá-las partindo dos elementos enunciados em relação às duas primeiras dimensões” ou seja, “tentar-se-á perceber a forma como as duas primeiras dimensões influenciam a terceira dimensão” (Coelho, 2008, p. 32): como as características sociodemográficas de uma família e um determinado contexto situacional, que neste caso é o ME, influenciam a experiência da visita do grupo.