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Contour Plotting

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Dados extraídos – Realização de quatro entrevistas semiestruturadas online. A seguir demonstramos de forma esquemática como desenvolvemos a OPN:

Quadro 2 - Mapa de Observação OPN

a) Captura dos dados online:

Os vários arquivos coletados constituíram o conjunto de dados para análise e, consequentemente, a decisão de como salvá-los e organizá-los também compõe parte das estratégias adotadas. Inicialmente sugestionamos que acumularíamos uma grande quantidade de dados, caso realizássemos os três tipos de coleta de dados em todas as fases da pesquisa empírica. Anteriormente explicitamos como é a escolha dos observáveis e o período de realização da coleta. No entanto, duas formas básicas de captura dos dados online foram utilizadas. A primeira - relacionada à pesquisa documental - consistiu em salvar diretamente no computador os arquivos de modo legível e editável, em formato de arquivo com extensão html e em formato pdf. A segunda forma - devido ao farto conjunto de dados - relacionada à observação participante netnográfica - consistiu na experimentação e utilização de programas para captura de tela (fixa e em movimento).

O Google Keep, por exemplo, foi utilizado inicialmente para a criação do diário de campo virtual, porém descartamos a sua utilização e criamos nosso próprio diário, conforme demonstrado no quadro 2. O Evernote, foi utilizado inicialmente para a captura e organização dos dados coletados, em conjunto com o Nvivo14, programa de análise assistida dos dados qualitativos (CAQDAS). No entanto, nos sentimos mais confortáveis realizando as codificações do conteúdo textual manualmente. Assim, imprimimos os dados compostos de memorandos e entrevistas e iniciamos o trabalho de codificação, com escritos a margem das folhas impressas. Retrocedemos na utilização do Nvivo e decidimos trabalhar com o Evernote, pois além da funcionalidade de captura, disponibilização dos links de acesso em cada conteúdo capturado e organização de conteúdo, ele nos possibilitou a utilização de tags e automatização de categorias comuns entre o MAB e o MST. Com a utilização do recurso de marcação com tags, conseguimos relacionar os dados por meio de rótulos comuns. Além disso, pudemos escrever parte dos memorandos na mesma página do dado extraído.

b) Interpretação

Esta etapa da pesquisa faz referência à classificação, análise15 e posterior interpretação dos dados coletados. O auxílio dos programas descritos acima colaborou com o constructo de

14 <http://www.qsrinternational.com/what-is-nvivo>

15 Entendemos que para a análise do material coletado o componente humano é fundamental, independente de

categorias para codificação dos dados e posterior descrição e representação visual dos processos comunicacionais dos movimentos sociais na internet. Só que para chegarmos a uma representação refinada dos dados e de categorias teóricas emergentes, utilizamos às técnicas empregadas na teoria fundamentada nos dados16 e adaptadas à netnografia, conforme veremos a seguir.

De acordo com os pioneiros Glaser e Strauss (1967) a linha de investigação da teoria fundamentada nos dados é invertida, pois parte da observação empírica para a definição de conceitos. No entanto, Kathy Charmaz (2009) é mais flexível neste quesito ao demonstrar a importância da realização de revisão de literatura em pesquisas de doutoramento, por exemplo. Para Charmaz (2009, p.252) a teoria fundamentada é “um método de condução da pesquisa qualitativa que se concentra na criação de esquemas conceituais de teorias por meio da construção da análise indutiva a partir dos dados. Como estratégia para a análise dos dados coletados, consequentemente, a fim de transformar o material bruto coletado em uma representação acabada da pesquisa trabalhamos com a técnica de codificação apresentada na teoria indutiva de Strauss e Corbin (2002) e adaptada segundo Kozinets (2014, p.114) aos propósitos da netnografia. A análise dos dados ocorreu a partir dos seguintes passos analíticos organizados:

1. Codificação – Criação de códigos, categorias e conceitos extraídos das notas de campo, entrevistas, código in vivo17 e demais dados netnográficos.

2. Anotações – Reflexões sobre os dados, sobre aquilo que foi visto, lido, percebido, escutado e codificado. A redação do memorando (notas de campo) estabeleceu a próxima etapa lógica após a definição das categorias. No entanto, conforme orienta Charmaz (2009, p.115), a escrita dos memorandos desde o início da pesquisa, foi fundamental para a comparação dos dados.

3. Abstração e comparação – Os dados netnográficos foram classificados e filtrados para a identificação de expressões, termos, sequências compartilhadas, diferenças, relações etc, tal processo orientou a construção dos códigos.

Segundo Kozinets (2014, p.114) a comparação considera as semelhanças e as diferenças entre os dados. Para Tarozzi (2011, p.24) o método de comparação é o coração da GT, segundo o autor a constante comparação sugere “perguntas aos dados, nos vários níveis de análise, e

16 Originalmente conhecida como grounded theory ou GT. No Brasil, alguns autores chamam de teoria

fundamentada nos dados, teoria fundamentada em dados ou de teoria enraizada. 17 Termos extraídos diretamente das falas dos respondentes.

essas perguntas, que buscam nexos entre dados e conceitos, favorecem o progresso da compreensão conceitual dos fenômenos estudados”. Esquematicamente, o método de comparação na GT ocorre da seguinte forma:

1. Verificação e refinamento – retorno ao campo para refinar os dados coletados. 2. Generalização – cobrem ou explicam as consistências no conjunto dos dados.

3. Teorização – confronto das generalizações elaboradas a partir do conjunto de dados sistematizados em conhecimentos. Construção e ou renovação de teoria a partir de novos conhecimentos formalizados, com a análise dos dados, e em confronto com as teorias existentes, ou seja, com a revisão de literatura proposta.

A codificação analítica (KOZINETS, 2014) realizada nesta pesquisa teve como base as técnicas de codificação da teoria fundamentada em dados, ou seja, codificação aberta (inicial), axial e seletiva (CHARMAZ, 2009; CORBIN, STRAUSS, 2002; TAROZZI, 2011).

A codificação aberta consistiu em levantar e selecionar o material bruto, para em seguida criar categorias e rótulos. Ela ocorreu no primeiro nível de abstração, no qual examinamos e separamos os dados. As categorias foram apresentadas a partir deste primeiro levantamento e não pré-estabelecidas, pois a intenção é que a teoria ou o conjunto de conceitos apreendidos no mapeamento fossem revelados na prática.

A codificação axial depreendeu da anterior, com a formação e desenvolvimento de conceitos. Esta etapa esteve intimamente relacionada às notas de campo, nas quais nos baseamos para refinar as categorias criadas.

Segundo Kozinets (2014, p.114) a codificação seletiva “move os construtos para níveis cada vez mais altos de abstração, escalonando-os de forma ascendente e depois especificando as relações que os vinculam”. Esta etapa final consistiu na sistematização dos dados, com a criação de conceitos mais gerais desenvolvidos com a confrontação dos dados já refinados.

Quadro 3 - Esquema de Observação Participante Netnográfica Reconhecimento/Levantamento da comunicação dos

10 movimentos sociais

Seleção de dois movimentos sociais

Entrada – apresentação da pesquisadora aos movimentos sociais selecionados

Observação participante netnográfica (envolvimento/imersão)

Coleta de dados (garantir procedimentos éticos) Análise dos dados e interpretação dos resultados (GT) Redação / Apresentação dos dados teóricos e práticos Fonte: (Adaptado de Kozinets, 2014)

Ética da pesquisa

A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética da Universidade Metodista de São Paulo, cujo parecer consubstanciado foi favorável ao desenvolvido na pesquisa e ao Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) online. Assim como na observação participante a netnografia pressupõe que o pesquisador cumpra várias etapas para garantir a idoneidade da pesquisa, tais como: consentimento informado, garantia de confiabilidade e anonimato aos indivíduos pesquisados, retorno para a comunidade e posição cuidadosa em relação às informações públicas/privadas.

Após apresentação da pesquisadora e da temática da pesquisa foi enviado aos informantes-chaves uma cópia do TCLE e o link do mesmo para preenchimento online. O TCLE online está disponível em <https://goo.gl/forms/tVa3ufSQGyiHhHre2>. Nos pressupostos da netnografia em Kozinets (2014) a apresentação da pesquisa ao grupo/comunidade pesquisado tem o intuito de validar as interpretações sobre as observações realizadas. Além de permitir que a pesquisadora apresente suas opiniões sobre o que foi escrito e se está condizente com o contexto em que se situam. Porém, nesta pesquisa, adotamos o critério da modalidade da observação participante, no qual os pesquisados não interferiram nos procedimentos da investigação, mas terão acesso ao conjunto da pesquisa.

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