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IV. ANALYSES STATISTIQUES DES DONNEES DE SONDAGES DU BASSIN DES CHARENTES

IV.3. Analyse critique des données

IV.3.6. Continuité spatiale

A área experimental utilizada para desenvolver o trabalho pertence ao setor de Sericultura da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” - UNESP, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – FCAV, Câmpus Jaboticabal, e que vinha sendo utilizada há vários anos para cultivo de amoreira. O experimento foi desenvolvido de janeiro de 2006 a outubro de 2008.

O solo é Latossolo Vermelho eutrófico típico, textura argilosa, A moderado, caulinítico, hipoférrico, relevo suave ondulado (Eutrustox), classificado por ANDRIOLI & CENTURION (1999), segundo a EMBRAPA (1999).

Segundo a classificação de Köppen, o clima local é do tipo Aw tropical megatérmico com inverno seco (Volpe)1, com precipitação média anual de 1.424,6 mm e altitude de 615 m.

Previamente ao plantio das mudas, foi realizada em outubro de 2006, na área experimental, a coleta de 20 subamostras de terra para compor a amostra composta nas camadas de 0-0,20 e de 0,20-0,40 m de profundidade para a análise química para fins de fertilidade, a qual está apresentada na Tabela 2.

Tabela 2. Análise química do solo, realizada em outubro de 2006, antes da instalação do experimento, nas camadas de 0-0,20 e de 0,20-0,40 m de profundidade

Camadas pH M.O. P resina K Ca Mg (H+Al) SB T V B Cu Fe Mn Zn S-SO4 Al m CaCl2 g /dm³ mg/dm³ --- mmolc/dm³ --- % --- mg/dm³ --- mmolc/dm³ 0-0,20 4,2 17 14 2,6 9 4 38 15,6 53,6 29 0,16 0,8 17 10,5 0,4 4 4 0,20-0,40 4,2 15 5 1,2 9 4 38 14,2 52,2 27 0,21 0,7 13 7,5 0,3 10 5

A partir da análise química do solo (Tabela 2), foi realizado um experimento prévio, para avaliação da necessidade de calagem, pelo método de incubação. Para esse estudo, o delineamento experimental adotado foi o inteiramente casualizado, com 6 tratamentos e 4 repetições. Para os tratamentos, foram utilizadas doses crescentes de calcário calcinado (CaO = 58,5 % e MgO = 9,0 % e PRNT = 125 %), com o objetivo

1 VOLPE, A. C. Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” - UNESP, Faculdade de Ciências Agrárias e

de elevar a saturação por bases (V) a 50 %, conforme recomendação de PRADO (2003) para caramboleira.

Para o teste de incubação, adotou-se, pelo método de saturação por bases, a metade, uma vez, 1,5 vez, 2 vezes e 3 vezes a dose de calcário para atingir V = 50 %, que corresponde a 0,225; 0,450; 0,675; 0,900; 1,350 g dm-3, respectivamente, além da

testemunha sem aplicação de calcário.

Para tanto, realizou-se a coleta de amostras de solo da área experimental na camada de 0-0,20 m, incubando-as com calcário em copos plásticos, de 0,3 L, mantidos à capacidade de campo pelo método de pesagem, por um período de 60 dias, sendo posteriormente analisada a fertilidade do solo conforme método descrito por RAIJ et al. (2001).

Observou-se, pela equação de regressão [y (V %) = 28,56 + 34,302x (g dm-3) F = 72,92** R2 = 0,91], que para elevar a saturação por bases (V) a 50 % seria necessário

aplicar 0,625 g dm-3 do calcário, o que corresponde a 1,25 t ha-1, considerando-se a

densidade do solo igual a 1,0.

Em 08-01-2007, ou seja, 45 dias antes da implantação do experimento, realizou- -se a aplicação do material corretivo, com auxílio de esparramadeira acoplada a um trator na superfície de toda a área experimental, com posterior incorporação com grade aradora, aproximadamente na camada de 0-0,20 m de profundidade.

Para a implantação do experimento, foram utilizadas mudas provenientes de viveirista especializado da região de Taquaritinga-SP, o qual seguiu as técnicas de propagação preconizadas por DONADIO et al. (2001), sendo a enxertia das cultivares B-10 e Golden Star realizadas nos hipobiotos em 04-09-2006. Salienta-se que as borbulhas foram provenientes da coleção de cultivares da EECB. Quando as mudas estavam aptas para o plantio no campo, em 22-02-2007, instalou-se o experimento.

O experimento foi realizado em parcelas subsubdivididas, tendo como parcelas 2 níveis de irrigação (com e sem); subparcelas 2 cultivares (B-10 e Golden Star) e como sub subparcelas 6 épocas de coletas de plantas, sendo a primeira realizada nas mudas provenientes do viveiro, no momento da instalação, em 22-02-2007, e as demais aos 120 (22-06-2007), 240 (20-10-2007), 360 (17-02-2008), 480 (16-06-2008) e 600 (14-10-

2008) dias após o transplantio para o campo, disposto em delineamento inteiramente casualizado, com seis repetições, totalizando 144 unidades experimentais.

O preparo da área para o plantio das mudas foi realizado entre os dias 22 e 23 de fevereiro de 2007, iniciando-se com a abertura das covas, com o auxílio de um sulcador acoplado a um trator, que realizou um sulco de 0,40 m na base superior e de 0,40 m de profundidade, tendo-se assim uma cova de aproximadamente (0,40 m x 0,40 m x 0,40 m) 0,064 m3. Em seguida, realizou-se a demarcação dos locais de plantio das mudas, no espaçamento de 5 x 5 m. Cada cova recebeu 20 L de composto orgânico curtido à base de esterco bovino, como recomendado por MURAYAMA (1973). O fósforo foi empregado na dose de 180 g de P2O5 por cova, na forma de superfosfato

simples (PRADO, 2003) e 2 g de Zn e 1 g de B (DONADIO et al., 2001).

O plantio das mudas ocorreu em 22-02-2007, seguido do devido coroamento, empregando-se cobertura morta (grama) e irrigando-se, nos primeiros 33 dias após a instalação, com o auxílio de um tanque tracionado por um trator, aplicando 15 a 20 L de água por planta, na região da coroa, admitindo-se um turno de rega de 2-3 dias, dependendo das chuvas. No dia 27-03-2007, instalou-se o sistema de irrigação por microaspersão, colocando-se um microaspersor tipo ‘bailarina’ por planta, com vazão de 30 L h-1, instalado a aproximadamente 0,20 m do tronco de cada planta e que

possuía um raio de ação de aproximadamente 2,0 m.

Todas as plantas foram irrigadas, sendo o manejo realizado segundo recomendação de BERNARDO (2002) para frutíferas em geral, acionando-se o sistema de irrigação, quando eram consumidos de 30 % da água disponível no solo.

Em 17-04-2007, realizou-se a operação de escarificação das entrelinhas da caramboleira para promover a descompactação da região de rodagem do trator, que trafegou acoplado ao tanque de irrigação, durante a irrigação das covas de plantio.

As adubações de cobertura para a frutífera foram realizadas tomando-se como base as indicações de PRADO (2003), iniciando-se com adubação pós-plantio, aos 36 dias após o transplantio das mudas. A quantidade recomendada, de 140 e 112 g de N e K2O por planta, foi parcelada em quatro aplicações (30-03-2007; 29-04-2007; 29-05- 2007 e 28-06-2007), na forma de ureia e cloreto de potássio, respectivamente.

No início da estação chuvosa, nova adubação foi realizada, aplicando-se 200 e 50 g de N e K2O por planta, na forma de sulfato de amônio e cloreto de potássio, respectivamente, parcelada em quatro aplicações, realizadas em 15-11-2007; 17-12- 2007; 16-01-2008 e 15-02-2008.

Até 180 dias do transplantio das mudas, em 21-08-2007, todas as plantas foram irrigadas, para que houvesse o pegamento e o estabelecimento do pomar. Após este período, cessou-se a irrigação em metade das plantas, caracterizando as duas parcelas do delineamento estatístico (com e sem irrigação).

O manejo da irrigação foi realizado com o auxílio de tensiômetros, instalados a 0,20 m, 0,30 m e 0,40 m de profundidade, como recomendado por SILVEIRA & STONE (1994), sendo o de 0,20 m para tomada de decisão para irrigar, enquanto os de 0,30 m e 0,40 m os de controle da profundidade da lâmina aplicada (SAAD & LIBARDI, 1992). Foram instaladas três baterias de tensiômetros, e as tomadas de decisão da irrigação foram realizadas pela média das leituras.

Para a determinação das propriedades físicas do solo, foram coletadas amostras indeformadas do solo, utilizando-se de cilindros de 53,16 10-6 m3 no centro de cada

camada, a 0,5 m do tronco das plantas.

As amostras com estrutura não deformada foram saturadas por meio da elevação gradual de uma lâmina de água em uma bandeja, submetidas às tensões de 0,001; 0,006; 0,01; 0,033; 0,06 e 0,3 MPa, em câmaras de RICHARDS (1947), (KLUTE, 1986). Ao atingir o equilíbrio, as amostras foram pesadas e, na sequência, secas em estufa a 105º C, durante 24 horas, para a determinação do conteúdo de água em cada tensão (GARDNER, 1986) e também a densidade do solo (BLAKE & HARTGE, 1986). A microporosidade foi determinada por secagem, na tensão de 0,006 MPa e também a porosidade total, realizadas segundo DANIELSON & SUTHERLAND (1986), sendo a macroporosidade do solo obtida pela diferença entre a porosidade total e a microporosidade.

As curvas de retenção de água do solo (Figura 1) foram descritas matematicamente pela função proposta por GENUCHTEN (1980), como:

m n

h

r

s

r

θ

)

/[1

)

]

θ

θ

=

+

+

na qual, θ: umidade à base de volume (cm3 cm-3); sθ : umidade de saturação

(cm3 cm-3); rθ : umidade residual (cm3 cm-3); h : tensão em capacidade de campo

aparente (hPa) e α , n e m são parâmetros empíricos. Adotou-se a restrição [ m = 1-

(1/ n )] no ajuste da equação aos dados. Os coeficientes rθ , sθ , α e n da equação de

GENUCHTEN (1980) foram estimados pelo método dos quadrados mínimos não lineares, utilizando-se da rotina “PROC NLIN” (SAS, 1999).

0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 Umidade, cm3 cm-3 T ens ão, M P a (log) 0 - 0,10 m 0,10 - 0,20 m 0,20 - 0,30 m

Figura 1. Curva de retenção de água do solo das camadas de 0-0,10; 0,10-0,20 e 0,20- 0,30 m de profundidade da área experimental.

Os dados meteorológicos no período de condução do experimento encontram-se na Tabela 32 do apêndice e demonstram que o período de maior deficiência hídrica no ano de 2007 foi de agosto a outubro e, em 2008, de julho a outubro (último mês avaliado).

θ = 0,138 + ( 0,400 - 0,138 ) / [1 + ( 0,070 h)1,667] 0,400 θ = 0,152 + ( 0,399 - 0,152 ) / [1 + ( 0,054 h)1,744] 0,427 θ = 0,195 + ( 0,338 - 0,195) / [1 + ( 0,035 h)1,672] 0,402

Até 17-02-2008, aos 360 dias, o controle de plantas invasoras na área de abrangência da copa foi realizado, quando necessário, com capina manual. Após este período, o controle foi o químico realizado com auxílio de dessecantes de contato e/ou sistêmico. O manejo das entrelinhas foi o mecânico com utilização de roçadoras durante todo o período experimental.

As formigas foram controladas antes e durante a condução do experimento, conforme recomendação de BRAGA SOBRINHO et al. (1998).

Realizaram-se coletas de amostras de solo na linha (projeção da copa) e na entrelinha da cultura, nas camadas de 0-0,20 e de 0,20-0,40 m de profundidade, a cada 180 dias, a partir da instalação do experimento, em 21-08-2007; 17-02-2008 e 15-08- 2008. Foram retiradas 20 subamostras por parcela, em cada camada, para constituir uma amostra composta, as quais foram analisadas, quimicamente, para fins de fertilidade do solo, pelo método analítico descrito por RAIJ et al. (2001).

Avaliaram-se, em todas as coletas das caramboleiras, as seguintes variáveis biométricas: altura (do colo da planta até a extremidade da última folha expandida) e diâmetro do caule (a 0,10 e 0,40 m do colo da planta), determinado com o auxílio de um paquímetro digital. Em seguida, as plantas foram divididas em caule e folhas, lavadas em água destilada e secas em estufa com circulação forçada de ar, à temperatura de 65ºC ± 0,3, até atingir massa constante. Determinou-se a massa da matéria seca das diferentes partes da planta, e, em seguida, estes materiais foram moídos e armazenados. Na sequência, determinaram-se os teores de nutrientes no tecido vegetal, seguindo a metodologia descrita por BATAGLIA et al. (1983). E calculou-se o acúmulo dos nutrientes nos diferentes órgãos da caramboleira, ao longo do período experimental, conforme descrito no experimento anterior (item 3.1.).