La tâche d’analyse « contextualisation du domaine de connaissances »
6.2. La contextualisation thématique
As Actividades de Complemento Curricular poderão, com toda a objectividade e pertinência que lhes atribuímos, ser o pólo centralizador das experiências de aprendizagem. Assim, “…as actividades de enriquecimento
estão envolvidos e, para estes, correspondem a oportunidades de aprendizagem que devem ser articuladas com todas as outras” (M.E./D.E.B., 2001, p.11).
No nosso caso e para a nossa investigação, interessa-nos fazer a relação directa das experiências de aprendizagem no Ensino Artístico, que aprofundámos anteriormente, com as Actividades de Complemento Curricular. A vivenciação de experiências diversificadas ao longo do ensino básico, têm um carácter extremamente importante. Importa, portanto, fazer o levantamento destas experiências e contextualiza-las no seio das Actividades de Complemento Curricular.
São experiências de aprendizagem na Educação Artísticas, as seguintes (M.E./D.E.B., 2001, p.150-151):
1. Práticas de investigação;
2. Produção de espectáculos, oficinas, mostras, exposições, instalações e outros; 3. Utilização das tecnologias da informação e comunicação;
4. Assistência a diferentes espectáculos/exposições/instalações e outros eventos artísticos;
5. Práticas interdisciplinares;
6. Contacto com diferentes tipos de culturas artísticas; 7. Conhecimento do património artístico nacional; 8. Intercâmbios entre escolas e outras instituições;
9. Exploração de diferentes formas e técnicas de criação e de processos comunicacionais.
A simples observação destas experiências de aprendizagem, tendo em vista a produção e execução de projectos no seio da comunidade escolar e fora dela, obtêm uma dimensão de supremacia sobre o ensino normal em contexto de sala de aula, e como preparação para outros objectivos. Em todas elas, podemos encontrar uma relação directa com os objectivos que temos vindo a levantar em relação ao Museu dos Cordofones.
Assim, o currículo escolar já não é só uma transmissão de conteúdos ou de um programa de estudos, ou então um simples plano traçado e concluído a todo o custo no final de cada dia ou de cada ano escolar. Cada vez mais a tarefa socializadora e construtora de cidadãos responsáveis, democraticamente
interventivos e críticos em relação à educação e ao seu currículo, é uma realidade desejada e desejável.
“A abertura do sistema educativo a grupos sociais que tradicionalmente não tinham acesso à educação veio tornar necessária a garantia de que a Escola concretizasse a sua missão, deixando de ter finalidades puramente académicas, para passar também a ter uma função socializadora” (Vilhena, 2000, p.48). Esta visão é indispensável para nos tentarmos libertar da força histórica e inerte do currículo e até, do crescente insucesso escolar, onde a escola “…torna-se incapaz de produzir mudanças qualitativas que integrem a heterogeneidade dos saberes, de vivências e de culturas…” (Vilhena, 2000, p.45), ou ainda segundo Teresa Vilhena “…assistindo-se à transformação dessas diferenças em desigualdades, expressas no elevada índice de insucesso escolar, no abandono precoce…” (Vilhena, 2000, p.45).
A incorporação no currículo das experiências de aprendizagem, traz uma nova visão ao currículo, facto que vem valorizar uma organização não estritamente disciplinar do currículo, e assim proceder-se a uma viragem para o entorno do extracurricular “…caminha-se agora, ainda que de forma lenta, para a valorização simultânea da dimensão interactiva do diálogo, da experiência, da cooperação e da partilha, tornada possível através da convergência do curricular com o “não curricular”” (Vilhena, 2000, p.48).
O Conselho de Reforma do Sistema Educativo (C.R.S.E.), comissão criada pela Resolução nº8/86, de 22 de Janeiro, teve como objectivo, o de analisar o sistema educativo português, elaborando para tal, uma Proposta Global de Reforma. Este conselho defendeu uma ideia de currículo que diz: “Em sentido restrito, o currículo é constituído pelo conjunto das actividades lectivas, ficando de fora dele todas as actividades não-lectivas, ainda que reconhecidamente de grande interesse educativo. Em sentido lato, o currículo coincide com o conjunto de actividades (lectivas e não lectivas) programadas pela Escola, de carácter obrigatório, facultativo ou livre” (citado por Ferreira, 2001, p.70). Esta ideia de currículo em sentido lato, é esclarecedora de uma importância curricular do extra-curricular, sendo de “grande interesse educativo”.
Ainda em relação ao C.R.S.E., citado por Manuel Ferreira Patrício (1996, p.62), este, deixa bem claro a importância do extracurricular, quando diz no
Projecto Global de Reforma (P.G.R.) de 1986, que “a Escola deve ministrar um programa de formação que compreenda articuladamente duas componentes: uma componente lectiva e uma componente extralectiva”, indo mais longe, segundo M. Patrício (Patrício, 1996, p.63) ao assumir a ideia de Escola Cultural, na proposta de reorganização curricular, grupo este coordenado por Fraústo da Silva. Assim, o extracurricular, é assumido como sendo uma dimensão e um “…factor decisivo de transformação qualitativa de organização pedagógica de Escola” (Patrício, 1996, p.63).
A presente reflexão à volta das ideias citadas, apenas têm lugar pela sua relação directa com as actuais Actividades de Complemento Curricular, bem como com as Experiências de Aprendizagem, e porque apoiam a nossa ideia. Não queremos no entanto, aprofundar todas as questões relacionadas com o currículo, pois não iria acrescentar nada que nos satisfizesse em relação à nossa abordagem actual do presente trabalho.
Sobretudo, queremos realçar a seguinte ideia levantada por Daniel Sampaio (1996b, p.13), “…a escola não pode ser um local onde se vai gratuitamente, precisa ser um bem que se cultiva e que se enriquece, participando na sua vida…”, facto este que atribuirá às actividades extracurriculares um papel preponderante, e muito mais quando a abertura sai da própria organização escolar, na consciência de que “…na escolha de tarefas e actividades na escola, os novos alunos precisam encontrar novos ambientes” (Sampaio, 1996b, p.13). Daniel Sampaio vai mais longe no sentido da inovação e de um renovar e nivelar de oportunidades, quando se refere à evidência de que os alunos possuem diferentes desenvolvimentos cognitivos, afirmando a este propósito que: “Para conferir sentido e modernidade ao trabalho escolar, é preciso deixar espaço ao improviso e à imaginação, assumir colectivamente alguns projectos da escola e ligar o esforço necessário ao quotidiano dos seus actores” (Sampaio, 1996b, p.14).
Ficámos assim com um quadro bastante claro sobre as potencialidades desta relação pedagógica, não só dentro do quadro legislativo em vigor, como também das possibilidades de concretização e possível reforço do processo ensino/aprendizagem, na obra e agora, pedagógica de Domingos Machado.
Referimos anteriormente quatro pontos que poderiam estreitar e elevar a componente pedagógica da obra de Domingos Machado. Vamos esclarecer nesta altura, esses pontos.
4.6.2. Objectivos
É fundamental que haja objectivos, e que os mesmos sejam claros e perfeitamente compreendidos e assimilados por todos os intervenientes. Não somos no entanto, adeptos de uma visão perfeitamente linear e restritiva, pois tal ideia, nem sequer entra no espírito deste trabalho. Assim, nas palavras de Zahorik citado por Miguel A. Zabalza (1992, p.55), onde podemos observar que “…aqueles professores que planificam previa e minuciosamente são menos sensíveis às ideias e contributos dos alunos, poucas vezes as utilizando durante o desenvolvimento da aula”. De facto, “…poucos são os que defendem modelos de planificação rígidos e prescritivos em que tudo é muito previsto, restando pouca margem para o improviso” (A. Zabalza, p.55). Não vamos naturalmente desenvolver todos estes conceitos em torno do que se poderá entender como objectivo, pois não é de facto importante, mas estas questões paralelas, aparecem-nos como fundamentais para a compreensão do nosso pensamento. Assim, concordamos plenamente que: “O fundamental é que os objectivos sirvam para o que devem servir: ser uma ajuda para desenvolver com maior qualidade e eficácia o processo educativo” (A. Zabalza, p.82).
Em relação a este tema, os objectivos já se encontram perfeitamente definidos no capítulo anterior, onde com clareza, podemos encontrar vários que servem o nosso propósito.