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3.5) Interpretação dos Resultados

Depois de apresentados os casos das rádios TSF e UFM, verificamos algumas diferenças no uso das redes sociais como fontes de informação. Contudo, em ambas as rádios, as redes sociais fazem parte do quotidiano do jornalista de rádio.

Apesar do fenómeno ser muito recente, cedo se percebeu que a Internet fornecia um conjunto de funcionalidades de grande importância para a melhoria do trabalho jornalístico e, por isso, o recurso à Internet passou a fazer parte indissociável das rotinas dos jornalistas (Canavilhas cit. In Correia, 2011:52).

Portanto, através da observação participante, que decorreu ao longo dos seis meses de estágio, permitiu-me não só verificar como as redes sociais são usadas, mas também aprender novas técnicas e novas competências profissionais.

Em relação ao caso da rádio TSF – Rádio Notícias, de facto as redes sociais fazem parte da rotina dos jornalistas. No entanto, as redes sociais como fontes de informação no processo de elaboração de uma notícia, é algo que ainda não está bem consolidado na redação do Turno da Manhã 1.

O Facebook surge na TSF como uma agenda digital, uma forma de contactar mais rápido a outra pessoa. Porém, o Facebook em muitos casos, torna-se numa ferramenta inútil, pois a pessoa pode ignorar a mensagem do jornalista. O que aconteceu com a TSF. Como tal, nestes casos as fontes de informação tradicionais, como o telefone ou o contacto pessoal com a pessoa continuam a ser uma vantagem.

O Twitter foi a rede social que se revelou mais vantajosa para os jornalistas da TSF. A sua capacidade rápida de divulgar informação resumida e seguir personalidades e instituições de valor-noticioso, tem se revelado bastante útil para os jornalistas. Apesar disso, a TSF apenas usou uma vez o Twitter para produzir uma notícia.

O Twitter é a rede social mais utilizada pelos meios de comunicação, nomeadamente pelo jornalismo. Porém, constatei que na redação da TSF do Porto, do Turno da Manhã 1, apenas três jornalistas, incluindo eu, tínhamos uma conta no Twitter. Este facto pode estar também relacionado com o facto de as redes sociais ainda não serem utilizadas com frequência.

Mas com tantos acontecimentos a decorrerem, os jornalistas da redação do Porto, perceberam a utilidade do Twitter, devido à facilidade em seguir pessoas e instituições de valor-noticioso, e, como tal, no final todos criaram uma conta nessa rede social.

Facebook, foram as ferramentas mais usadas pela TSF.

Portanto, o que se pode concluir é que as redes sociais são utilizadas pela TSF como forma de vigiar a informação. Ou seja, o Facebook e o Twitter são as ferramentas que a TSF usa para “vigiar” a informação das organizações, instituições, agências noticiosas e personalidades. Esta verificação foi, também, comprovado no inquérito lançado no grupo Jornalistas no Facebook. Visto que, 30% dos inqueridos utilizam as redes sociais para seguir pessoas e instituições de valor-noticioso, tal como a TSF – Rádio Notícias.

Já o caso da rádio UFM as semelhanças são poucas. De facto, o Facebook foi deveras importante para a elaboração de três rubricas do programa: “Pass’UTAD”.

Um canal rápido e de fácil acesso, em que é possível chegar à informação e aos contactos pessoais muito mais rápido.

Todavia, o Facebook sendo a rede social mais usada pela população global, o volume de informação é enorme e, assim sendo, muitas vezes torna-se difícil usá-la como fonte de informação. Isto porque, é necessário verificar a validade da informação. Por outro lado, a internet permite ao jornalista procurar informação mais rápido num curto de espaço de tempo. É necessário por isso que as fontes de informação na internet sejam analisadas quanto à sua veracidade e credibilidade. Foi, por isso, que para a elaboração do guião do programa apenas foram usadas páginas do Facebook oficiais e identificadas como credíveis. Deste modo, foi possível obter informação disponibilizada por várias organizações, grupos e instituições. Nestas páginas, a população de Vila Real e estudantes da Universidade, partilhavam os eventos e acontecimentos que iriam acontecer. Aqui, contribuiu o jornalismo participativo.

Em entrevista, Mila Brigas, jornalista da UFM confirma exatamente isso (ver ANEXO 23 – Entrevista Mila Brigas), “(...) as pessoas transformam-se em pequenos jornalistas, que tudo o

que se passa na vida deles e, até mesmo, no bairro ou ao seu redor, vão logo a correr e postam no Facebook ou no Twitter” (Brigas, 13/12/2013).

Desta forma, foi possível que a equipa do “Pass’UTAD”, todas as semanas, tivesse conteúdo para informar a região transmontana, permitindo uma relação de proximidade entre o programa e os usuários do Facebook. Neste caso, pessoas da região.

“É óbvio que o Facebook, as redes sociais ajudam as rádios locais, até porque não têm tantos meios e tanta gente para ajudar” (Brigas, 13/12/2013). Mila Brigas, jornalistas da

UFM, foca uma das vantagens das redes sociais enquanto fontes de informação.

 

informação, por outro lado as rádios regionais e locais fazem-se valer pela internet.

Estes novos meios surgem como ferramentas substanciais e benéficas para os jornalistas, uma vez que possibilitam o acesso à informação e a partilha do seu conteúdo num âmbito mais alargado, por exemplo, mas também lançam novos desafios e complexas problemáticas (Correia, 2011:38)

A credibilidade é exatamente um dos problemas que Sónia Domingues aponta em relação às redes sociais, nomeadamente o Facebook.

O Facebook não pode ser considerado uma rede de informação séria, a não ser de facto as páginas ligadas... por exemplo ao Sapo, a jornais... tem de ser ligado a um jornalismo sério, digamos assim.

Posso eventualmente utilizar o Facebook no sentido de alguém dizer: “Houve um acidente em determinado sítio” e depois tentar saber se de facto aconteceu, pelas redes de informação tradicionais, os bombeiros, polícia, depois confirmar a informação se de facto é ou não verdadeira (Domingues, 13/12/2013)

Ou seja, as redes sociais ajudam sim os jornalistas a obter de forma instantânea a informação. Todavia, o jornalista tem sempre que verificar se a informação é verdadeira ou não através dos métodos tradicionais, como mencionou a jornalista Sónia Domingues.

Desta forma, podemos concluir que as redes sociais não vieram substituir as fontes tradicionais, que vai em linha de conta aos resultados do Gráfico 5, revelando que a maioria dos inqueridos considera que as redes sociais não vieram substituir as fontes de informação tradicionais (84% contra 16%). Não obstante, Mila Brigas considera que as redes sociais já vieram substituir duas fontes de informação tradicionais: o fax e o telex.

Com a internet, com as redes sociais, o email veio substituir, obviamente, o fax. Não veio substituir o telefone, porque nós temos de investigar e autenticar a informação. Temos de ligar para as autoridades para confirmar aquele acontecimento.

Mas o fax e o telex. Até porque no início a Rádio Universidade tinha telex, ligado à luz e as notícias vinham de telex. Portanto, isto é sempre uma evolução contínua e a informação, a comunicação tem de acompanhar esta evolução tecnológica (Brigas, 13/12/2013)

Em relação aos temas que mais se destacaram nas redes sociais como fontes de informação nas rádios foram: a política na TSF e a sociedade na UFM. Já em relação à preferência da rede social, a TSF baseia-se mais no Twitter para obter informação e a UFM no

De uma forma geral, tendo em conta os resultados dos inquéritos, as entrevistas e a análise da observação participante nas rádios TSF e UFM, podemos concluir que o jornalista reconhece a importância das redes sociais como novas fontes de informação, fazendo parte da sua rotina. Contudo, estas novas fontes de informação carecem de credibilidade e, assim sendo, o jornalista através dos meios tradicionais investiga a veracidade da informação.

Apesar do fenómeno ser muito recente, cedo se percebeu que a Internet fornecia um conjunto de funcionalidades de grande importância para a melhoria do trabalho jornalístico e, por isso, o recurso à Internet passou a fazer parte indissociável das rotinas dos jornalistas (Canavilhas cit. in Correia, 2011:52)

Portanto, a internet assume-se como um instrumento indispensável no “(...) contacto com fontes e de pesquisa de conteúdos para o jornalista (...) ” (Correia, 2011:13).

O factor tempo condiciona muitas vezes o trabalho do jornalista e, por isso, as redes sociais funcionam aqui como fontes de informação. Tal como aconteceu com o tweet do

Correio da Manhã, que permitiu que a TSF prepara-se várias peças sobre a morte de João

Rocha.

Posto isto, verificou-se que as redes sociais enquanto fontes de informação gradualmente vão ganhando espaço como ferramentas jornalísticas. Algo, que já vai acontecendo nos órgãos de comunicação regionais e locais.

Em suma, tendo em conta a metodologia desta investigação cada vez mais os jornalistas utilizam as redes sociais como fontes de informação em casos específicos, nomeadamente para “vigiar” a informação. Isto é, seguir notícias, personalidades, instituições e eventos em tempo real e encontrar fontes, sobretudo em casos de tragédias ambientais em que não é possível contactar pelo telefone. Em outros casos, servem como fontes de inspiração para fazer reportagens. No entanto, estas novas fontes de informação continuam a depender dos meios tradicionais no momento de verificar a credibilidade da informação, como tal a informação é sempre, pelo menos devia ser, verificada.

Um dado curioso que aconteceu no meu estágio na TSF, deve-se ao facto de que no início poucos eram os jornalistas que tinham uma conta no Twitter. Mas, com tanto acontecer nesses dois meses, no final de março os jornalistas do meu turno já tinham todos uma conta no Twitter.

Portanto, pode-se concluir que as redes sociais enquanto fontes de informação estão a ganhar cada vez mais espaço na produção jornalística.

 

Conclusão

A rádio foi sem dúvida uma das maiores descobertas do mundo, veio transformar o modo de comunicar da época. Se antes as pessoas eram apenas informadas através dos jornais impressos e em alguns casos apenas ficavam a saber das notícias mais tarde, com a rádio foi possível transmitir mensagens a longa distância e em tempo real.

A rádio veio, assim, introduzir uma nova forma de comunicar. Com o aparecimento da televisão, este meio teve que se adaptar à caixinha. Mas, o verdadeiro desafio da rádio surgiu quando apareceu a internet.

A internet veio alterar a forma como as pessoas se comunicavam. Se com a rádio algumas barreiras de comunicação foram quebradas, com a internet as barreiras foram totalmente quebradas. Bastando para isso um computador ou dispositivo ligado à internet. Com os avanços das novas tecnologias, potenciado pela internet, os órgãos de comunicação social começaram a aproveitar as potencialidades da internet. A partir daqui todos os meios de comunicação começaram a apostar nas plataformas online, através de uma página na internet e uma página nas redes sociais. Esta nova forma de comunicar permitiu que as pessoas criassem uma relação de proximidade com o jornalista.

Através de uma página na internet e outra numa rede social, a rádio passou a transmitir não só em frequência, mas também online a sua emissão. O próprio ouvinte deixou de ser um mero espetador, passando a participar e a intervir no conteúdo informativo do médium. O ouvinte não só pode deixar comentários na plataforma online, como ele próprio pode ser um “pequeno jornalista”. Ao estar constantemente conectado à internet, as pessoas disponibilizam, através de uma foto, de um vídeo ou de um texto, informação do que está acontecer no momento. Este novo comportamento social tem permitido que os meios de comunicação social tenham acesso mais rápido à informação e aos seu contactos. As redes sociais tornaram-se, assim, em novas fontes de informação.

Esta nova prática social foi notada enquanto estagiava na TSF e na UFM. Ao longo dos dois meses de estágio na TSF – Rádio Notícias apercebi-me que de facto as redes sociais são importantes na rotina do jornalista. Se por um lado permitem a divulgação da informação, por outro permitem a captação de informação. Foi exatamente sobre este último ponto que surgiu o tema desta investigação, enquanto estagiava na TSF. Ao aperceber-me da importância das redes sociais na redação da rádio notícias surgiu, então, a ideia de trabalhar este tema.

Todavia, a TSF utiliza as redes sociais, nomeadamente o Facebook e o Twitter, para “vigiar” a informação. Diariamente, as redes sociais eram consultadas pelos jornalistas para averiguar a informação que era atualizada pelas Agências Noticiosas, pelas personalidades de interesse jornalístico e pelos jornais internacionais.

Já a nível regional e local, ao estagiar na UFM foi possível perceber que de facto as redes sociais têm contribuído imenso para a obter informação, mas também divulga-la. Tratando-se de um meio economicamente mais frágil, as redes sociais, particularmente a internet são importantes para a elaboração e captação de informação.

De um forma geral, pude perceber que de facto as redes sociais estão bem patentes na rotina do jornalistas de rádio. Contudo, em ambas as rádio surge o problema de “verificação da informação”. Com tanta informação, o jornalista deve procurar saber se a informação disponibilizada nas redes sociais é ou não verdadeira. E aqui funcionam os meios tradicionais como o telefone.

Portanto, o percurso do jornalismo caminha para a informatização da informação e é importante que o jornalista esteja sempre a par da evolução do jornalismo.

A experiência proporcionada pelo estágio na TSF e na UFM proporcionaram que futuramente eu tenha os instrumentos necessários para usar as redes sociais como fontes de informação. Através da observação participante, não só observei o comportamento dos jornalistas com estas novas fontes, como também permitiu que eu desenvolve-se novas aprendizagens e mecanismos para lidar com estas fontes de informação 2.0.

Portanto, definir hoje jornalismo é uma tarefa complicada devido à constante evolução da tecnologia. A cada momento surgem novas ferramentas que permitem melhorar a produção e divulgação da informação. Assim, esta constante interação das pessoas com o jornalistas e com a informação permitiram criar uma espécie de “máquina de café virtual”. Apenas precisamos de um aparelho tecnológico ligado à internet e em segundos todos estamos conectados a partilhar a informação, a discuti-la, a argumenta-la e a divulga-la.

 

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