Chapitre 2 – Le cœur du processus : l’élaboration par étapes d’une vision
2. Maintenir une dynamique de groupe
2.3. Fonder les échanges sur des témoignages d’acteurs ciblés
Nesta fase houve o ajustamento entre os critérios recomendados pelos desenvolvedores da escala com os critérios de Beaton et al. (2007), que são um dos critérios mais amplamente utilizados na literatura para a adaptação transcultural de instrumentos. Desta forma, nesta fase realizou-se a tradução do instrumento, adaptação transcultural e validade de conteúdo. Nas etapas 1 e 2, descritas a seguir, os criadores da BNSS utilizam apenas um tradutor em cada fase. Com o intuito de reforçar o processo de tradução, optou-se pelo uso do perfil de tradutores sugeridos por Beaton (2007). Demais especificidades e ajustes, quando existentes, serão descritos nas etapas a seguir:
4.2.1 Etapa 1 – Tradução Inicial
Esta etapa consistiu na realização de duas traduções independentes da versão original da escala (ANEXO C) do idioma inglês para o português. Dois tradutores fluentes em inglês (T1 e T2), um deles com formação na área de saúde mental, enquanto o outro era formado em letras. O tradutor da área da saúde mental conhecia os objetivos da pesquisa, enquanto o segundo não estava ciente destes.
Houve a produção de um relatório em que constavam dúvidas sobre algumas expressões e termos técnicos utilizados em alguns itens.
4.2.2 Etapa 2 – Síntese das Traduções
Valendo-se do uso do relatório produzido pelos dois tradutores e amparado na escala original, o pesquisador do presente trabalho produziu a primeira versão em português da escala, denominada T12. Houve amplo debate com os tradutores anteriormente mencionados para a produção desta versão do instrumento.
4.2.3 Etapa 3 – Tradução Reversa
Consiste na tradução da escala de volta à língua de origem. Esta fase foi conduzida por dois tradutores que tinham o inglês como idioma nativo e fluência em língua portuguesa. Nenhum deles era da área médica. Findado o processo que, inicialmente, foi duplo-cego, os dois tradutores se reuniram e produziram a primeira tradução reversa da BNSS (denominada TR12). Esta fase se propõe a manter uma equivalência conceitual com o instrumento de origem, não sendo necessário se manter literalmente igual à original (BORSA, 2012).
4.2.3.1 Reconciliação da tradução reversa
Uma comissão de especialistas pertencentes à equipe de desenvolvedores da BNSS e especificamente formada para trabalhar com o processo de tradução desta para outros idiomas comparou a TR12 com a escala original e retornou ao pesquisador um documento denominado “reconciliation document”, em que constavam sugestões para melhoramento do instrumento. As sugestões foram seguidas pelo pesquisador, e todo o processo de tradução e
tradução reversa foi reiniciado. Os mesmos tradutores participaram das mesmas fases em que previamente haviam colaborado, sendo produzido inicialmente um documento T12 – versão 2 (T12-2) que, por sua vez, gerou uma segunda versão TR12 (TR12-2). Esta versão foi enviada ao Dr. Strauss, tendo sido analisada pelo comitê da BNSS e considerada satisfatória, recebendo a certificação quanto à tradução, o que automaticamente certifica T12-2 (ANEXO B).
4.2.4 Etapa 4 – Revisão por um Comitê de Especialistas
O material produzido até a fase de certificação pelos criadores da escala (T12-2 e TR12-2) bem como a escala original foram encaminhados para um comitê formado por especialistas. Aqui, novamente, há uma adaptação junto aos critérios de Beaton (2007). Seguindo estritamente a metodologia deste, o comitê deveria avaliar T12, T12-2, TR12 e TR12-2, além do instrumento original. Entendeu-se, contudo, que devido ao processo de tradução exigido pelos desenvolvedores da BNSS seria pouco producente envolver nesta fase as versões iniciais da tradução, visto terem sido rejeitadas pelo próprio comitê de especialistas da BNSS. Como estes consideraram que a segunda versão retrotraduzida captava adequadamente os propósitos e nuances da escala, optou-se por submeter ao comitê apenas as versões citadas inicialmente.
Para composição do comitê de especialistas, optou-se pela adaptação dos critérios utilizados por Vasconcelos (2015), selecionando pesquisadores com ampla formação e experiência em psiquiatria, especialmente na temática da esquizofrenia. O quadro abaixo evidencia os critérios e as respectivas adaptações. Como critério de inclusão no comitê, os especialistas deveriam atingir pontuação mínima de cinco, que foi o parâmetro de pontuação utilizado em outras pesquisas que realizaram adaptação transcultural de instrumentos na área de saúde (VASCONCELOS, 2015; OLIVEIRA, 2014; RIBEIRO, 2013).
Para cada item da escala há 7 respostas possíveis, com a pontuação indo de 0-6, sendo 0 a ausência de sintomatologia e 6 a presença do sintoma e/ou sinal clínico em grau máximo. Quando consideramos 7 possíveis respostas para 13 itens, têm-se 91 possibilidades de avaliações. Entendeu-se que essa larga quantidade de avaliações inviabilizaria o trabalho do comitê de especialistas, motivo pelo qual, para esta avaliação, se considerou a certificação da adaptação emitida pelo próprio comitê da BNSS.
Quadro 4 - Critérios de seleção dos especialistas e respectivas adaptações e pontuações
Critérios Pontos Critérios adaptados Pontos
adaptados
Título de Mestre 1 Título de Mestre 1
Dissertação na temática de dependências químicas 2 Dissertação na temática da esquizofrenia 1 Participação em grupos/projetos de pesquisa que envolvam a temática de dependências químicas
1
Participação em grupos/projetos de pesquisa que envolvam a temática da esquizofrenia
2
Autoria de trabalhos publicados em periódicos que abordem a temática de dependências químicas
1 Autoria de trabalhos publicados
em periódicos que abordem a temática da esquizofrenia
1
Título de Doutor 1 Título de Doutor 2
Tese na temática de dependências químicas
2 Tese na temática da
esquizofrenia
2
Experiência prática na área de dependências químicas por tempo mínimo de 2 anos
2 Experiência prática na área
da esquizofrenia por tempo mínimo de 5 anos 2 Experiência na temática de validação de instrumentos psicométricos 2 Experiência na temática de adaptação transcultural de escalas em saúde mental 2
Pontuação máxima 12 Pontuação máxima 13
Fonte: Elaboração própria, adaptado de Vasconcelos (2015).
Foi enviada uma carta convite por e-mail aos especialistas selecionados em uma amostra por conveniência, em que o presente pesquisador se apresentou e explanou sobre os métodos, objetivos da pesquisa, etapas desta e contribuição esperada (APÊNDICE A). Após concordarem em participar, foram enviados o TCLE e o instrumento de validação dos especialistas (APÊNDICE B).
Ao todo foram seis especialistas (cinco psiquiatras), sendo cinco doutores e um mestre. Todos os psiquiatras têm experiência clínica em esquizofrenia, proficiência em inglês e professores em instituições de ensino superior. O especialista que não é psiquiatra é da área de línguas, com experiência em adaptação transcultural de instrumentos psicométricos. Os especialistas pontuaram segundo o quadro que segue:
Quadro 5 - Critérios adaptados para a seleção dos especialistas e pontuações
Critérios adaptados para a seleção dos especialistas
Pontos Obtidos Especialistas
1 2 3 4 5 6
Título de Mestre/1 1 1 1 1 1 1
Dissertação na temática de esquizofrenia/2 0 0 0 1 0 0
Participação em grupos/projetos de pesquisa que envolvam a temática da esquizofrenia/1
0 1 1 2 0 0
Autoria de trabalhos publicados em periódicos que abordem a temática da esquizofrenia/1
0 1 1 1 0 0
Título de doutor/1 2 2 0 2 2 2
Tese na temática esquizofrenia/2 0 2 0 2 0 0
Experiência prática na área de esquizofrenia por tempo mínimo de 5 anos/2
2 2 2 2 2 0
Experiência na temática de adaptação transcultural de instrumentos psicométricos/2
2 2 0 2 2 2
TOTAL de pontos obtidos 7 11 5 13 7 5
Fonte: Elaboração própria, adaptado de Vasconcelos (2015).
A avaliação da versão T12-2 por parte do comitê permitiu a realização da validade de conteúdo. Seguiram-se os preceitos de Guillemin et al. (1993), considerando a equivalência cultural do instrumento traduzido de acordo com os seguintes aspectos:
a) equivalência semântica – diz respeito ao significado das palavras, questões de vocabulário e gramática;
b) equivalência idiomática - referente ao uso de expressões idiomáticas, coloquialismos. Neste caso, o comitê formula expressões equivalentes no idioma-alvo;
c) equivalência experiencial - averigua se os termos utilizados são coerentes com a experiência vivenciada pela população-alvo;
d) equivalência conceitual - avalia se os conceitos estão ajustados à população brasileira.
Para efeito de cálculo das referidas equivalências concernentes à T12-2, utilizou-se o Índice de Concordância (IC). As pontuações foram averiguadas através de uma escala tipo Likert de 3 pontos, com cálculo do IC tendo sido feito pelo somatório de especialistas que assinalaram “concordo” em cada item, dividido pelo número total de especialistas.
Os instrumentos enviados a cada especialista para análise da T12-2 foram compostos por instruções para preenchimento, conteúdo teórico a ser analisado e espaços para sugestões (APÊNCIDE B). Para a validade de conteúdo, foram considerados ainda os seguintes aspectos: clareza de linguagem, pertinência prática e relevância teórica. A análise destes foi feita por meio de uma escala tipo Likert de 5 pontos, com o IC calculado através do somatório de especialistas que assinalaram “muito” ou “muitíssimo” em cada um dos itens, dividido pelo total de especialistas. Em todos os cálculos do IC, considerou-se como parâmetro de concordância valores maiores ou iguais a 0,80 (OLIVEIRA, 2014).
4.2.5 Etapa 5 - Estudo Pré-teste
Esta etapa foi realizada apenas no CAPS e conduzida pelo pesquisador do presente trabalho. Nesta etapa foi aplicado o instrumento validado pelos especialistas. Esta versão da BNSS foi aplicada em uma amostra de 30 pacientes (nomeada amostra pré-final), seguindo tamanho amostral recomendado por Beaton (2007). Utilizou-se a técnica de sondagem (probe technique). Esta técnica consiste na leitura de cada item da escala para os pacientes, com o entrevistador sondando se as perguntas foram entendidas e solicitando que os indivíduos explicassem com as próprias palavras o que compreenderam (GUILLEMIN, 1993). Em casos de dúvidas sobre qualquer um dos itens, o pesquisador o explicou e pediu ao participante por sinônimos e palavras alternativas para esclarecer sobre o item. Este procedimento foi realizado com cada um dos participantes e quando houve alguma dúvida sobre algum item, a palavra foi substituída por uma mais simples antes que a escala fosse novamente aplicada ao próximo indivíduo. Como resultado deste procedimento, as mudanças foram incorporadas cumulativamente até que não houvesse mais dúvidas adicionais por parte dos participantes da pequisa. Este procedimento serve como validação semântica e faz parte da validação de conteúdo.
Os critérios de inclusão e exclusão seguiram os mesmos utilizados na fase posterior e multicêntrica de aplicação da BNSS, a serem descritos adiante.