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Construction des outils

3. Mise en pratique

3.2. Transfert vers la compréhension de l’écrit

3.2.2. Construction des outils

a) Considerações prévias

Uma importante consideração que o leitor há de ter presente ao abordar o caso “Murilo”, nome fictício do paciente5 que embasa o estudo de caso apresentado neste trabalho, refere-se ao fato deste caso atendido em minha clínica particular ter-se iniciado cerca de dois anos antes de meu ingresso no curso de mestrado. Isso implica que os dados coletados para o caso não atenderam a um maior rigor metodológico que aquele habitualmente conferido aos meus atendimentos corriqueiros, não havendo sido, portanto, registrados na íntegra para posteriores análises recursivas.

Quando já aluno do mestrado e havendo me decidido pela metodologia do “estudo de caso” para a dissertação, o que se deu cerca de um ano após o encerramento do trabalho com Murilo, resolvi procurá-lo de modo a sondá-lo sobre seu interesse em participar de minha pesquisa de mestrado, explicando-lhe tanto a intenção de meu projeto quanto a necessidade de obtenção de sua assinatura em um “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido” que atendesse a todos os esclarecimentos e limites pressupostos por tal instrumento. O termo firmado por Murilo se encontra anexado ao trabalho. Nesse encontro pessoal com Murilo, entreguei-lhe sob forma impressa uma grande parte da revisão de literatura até então efetuada, de modo a que ele tivesse uma idéia clara da temática, da metodologia e da finalidade do trabalho antes da assinatura do termo.

5 Paciente, sujeito, cliente, indivíduo, ser, ente, pessoa... como é difícil restringir a uma só palavra a multiplicidade de todos aqueles com quem me relaciono e a quem atendo em minha clínica particular. Para o escopo deste trabalho, optei pela designação “paciente” para as pessoas a quem atendi ou atendo profissionalmente.

Uma outra necessária consideração refere-se aos dados utilizados no trabalho. Com a passagem dos anos, minha prática clínica consolidou o hábito de efetuar o registro das notas de sessão em cadernos que subdivido para cada paciente atendido, meio oportuno que encontrei para coletar e registrar desde dados biográficos, genograma6 familiar, observações de reações e estados afetivos, respostas ou comentários que me chamaram a atenção nas sessões, até frases literais verbalizadas pelo paciente (ou por mim mesmo) e atividades realizadas em sessão, bem como o registro de tarefas sugeridas para casa e possíveis pontos dignos de serem retomados em futuros encontros. A maior parte desses registros dão-se ao longo do transcurso das sessões, embora em muitos casos o caderno também receba anotações posteriores à partida do paciente, entre um e outro atendimento, quando o tempo, a necessidade ou o interesse assim as justifiquem.

No que se refere aos dados técnicos do atendimento, saiba-se que Murilo foi atendido ao longo de um total de 21 sessões, transcorridas num período de 9 meses. Nos atendimentos prestados a menores de idade tenho por hábito agendar um primeiro encontro, ou “sessão devolutiva”, com os responsáveis do paciente atendido, o que costuma ocorrer entre a terceira e a quinta sessão, sem a presença do paciente. A depender da evolução do caso e da disponibilidade e/ou interesse dos pais, é possível que outras sessões devolutivas venham a ser marcadas, intercaladas a cada 5 ou 6 sessões do paciente atendido. Eventualmente pode ocorrer desses encontros contarem com a presença de todos, paciente e pais ou responsáveis, desde que com o consentimento prévio do paciente. No que se refere ao caso Murilo, a mãe dele compareceu aos três encontros marcados especificamente para os pais, já o pai de Murilo compareceu a apenas uma dessas sessões, na companhia da esposa.

As frases apresentadas ao longo da narrativa do caso que aparecerem entre aspas e em itálico dizem respeito a frases verbalizadas por Murilo ou por um de seus pais, conforme foram registradas no caderno de anotações. E aqui cabe uma importante ressalva, posto que o dinamismo inerente ao transcurso dos diálogos reais ocorridos nas sessões pode resultar numa imprecisão da literalidade das frases efetivamente transcritas para o caderno de notas de sessão, implicando, portanto, numa provável perda da fidedignidade das mesmas, o que somente se evitaria pelo registro integral, sob a forma gravada e/ou filmada das sessões. Ainda assim, e conforme espero deixar claro pela própria construção e evolução do texto deste trabalho, bem como pela forma como o caso foi tratado, entendo que isso não traga prejuízos às articulações teóricas, discussões e conclusões empreendidas a partir dos dados apresentados. Na eventualidade da leitura do texto por parte de algum dos envolvidos citados não coincidir em uma mesma memória, saiba-se que procurei me ater ao máximo, e sempre dentro do possível, aos registros de sessão.

Quanto aos pais de Murilo, entendo seja justo mencionar que estes não foram consultados sobre a participação do filho na pesquisa de mestrado, o que de fato não seria necessário, dada a maioridade de Murilo ao momento da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, uma decisão que espero melhor se esclareça em motivos e finalidade conforme a leitura do trabalho avance.

Devo pontuar ainda que, ao me empenhar em preservar a identidade dos envolvidos, dentro de um máximo rigor e senso de ética possível, algumas informações de certo podem ter sido omitidas ou levemente alteradas de modo a não possibilitar a identificação dos indivíduos envolvidos citados no caso. Como dificilmente se daria o contrário, em se tratando da apresentação de um estudo de caso, optei por manter uma série de dados sigilosos, sobretudo

questões referentes aos pais de Murilo, mesmo quando pudessem revelar-se pertinentes à discussão do caso.

Para finalizar, manifesto que não foi tarefa fácil, mesmo a partir das possibilidades auferidas pela assinatura do Termo de Livre Consentimento Esclarecido, articular o conteúdo do material surgido ao longo das sessões à descrição, dentro de pressupostos ético- metodológicos, de um caso que passa a ser tornado público e aprofundado como elemento chave de uma dissertação de mestrado.

b) Contato inicial e entrevista com a mãe de Murilo

No ofício de psicólogo clínico costumo me valer da conversa ao telefone como primeiro instrumento de contato com possíveis novos pacientes a serem atendidos em minha clínica. Isso porque a maior parte de minha clientela chega a partir de indicações de pacientes e ex-pacientes, alunos, amigos ou clientes, bem como do público em geral a quem presto ou prestei algum tipo de serviço, seja na forma de atendimentos, consultorias, projetos, palestras, aulas, entrevistas, aconselhamento ou a partir de uma simples conversa. E com “Murilo”, não foi diferente. Eu vinha realizando um projeto na área escolar ao longo do segundo semestre do ano de 2004 e a mãe de Murilo pedira à coordenação dessa antiga escola do filho uma indicação de um psicólogo particular para atendê-lo, mais especificamente, conforme salientado no pedido dela, um psicólogo do sexo masculino.

Após um primeiro contato telefônico por ela estabelecido, agendamos uma entrevista prévia, ou primeiro encontro, como assim dou início aos atendimentos a pacientes abaixo da idade considerada pela constituição como de maioridade, um primeiro encontro com os responsáveis do jovem que possivelmente venha a ser atendido. E aqui cabe uma ressalva pessoal surgida daquilo que a minha prática clínica vem constatando ao longo dos anos:

profissional de saúde adequado para trabalhar com o(s) filho(s), como estabelecer o contato telefônico inicial, comparecer ao primeiro encontro no consultório e acompanhar com um maior envolvimento e dedicação o transcurso do trabalho realizado.

De modo que assim começa nosso caso, numa agradável tarde do findar de um primaveril mês de novembro de 2004, ao receber a visita de mais uma mãe desacompanhada para dela ouvir, junto aos primeiros goles mútuos de café, as queixas que motivaram os pais de Murilo a recorrer a um psicólogo homem em busca de soluções – que não tão instantâneas e solúveis quanto a bebida compartida.

A entrevista

Ouvir, importante e necessária ferramenta do psicólogo. Ouvidos que acolhem o relato que chega e que assim aporta elementos primeiros para observações iniciais. Após apresentações recíprocas e esclarecimentos prestados, sob pedidos dela, quanto ao projeto que realizara na escola que me havia indicado, “Mirtre” – assim me referirei à mãe de Murilo, foi objetiva em relatar o porquê de procurar um psicólogo do sexo masculino para atender o filho, expressando em tom sério e suave a seguinte queixa inicial:

- “Murilo é um bom menino, mas está sendo muito influenciado por preocupantes amizades

com colegas... colegas da atual escola, da antiga escola e de nossa quadra7”.

E veja-se que Mirtre não se furtou em “dar nome aos bois”, listando, quando indagada, de nomes a motivos para a rejeição que tinha aos amigos do filho que tanto a incomodavam, apenas para denunciar, em seqüência, que o filho vinha mudando muito ultimamente, e que:

7 O termo Quadra refere-se a uma típica área residencial da classe média/média alta do plano piloto de Brasília. As quadras são áreas formadas por conjuntos de edifícios intercalados por áreas verdes, perfazendo, em seu conjunto, os dois bairros adjacentes ao eixo central de Brasília, as assim chamadas asas sul e norte.

- “... a situação chegou a um limite. É preciso fazer alguma coisa. Estamos muito

preocupados ... Acho que Murilo será melhor tratado por um psicólogo homem... acho que isso será mais adequado ao momento pelo qual ele está passando”.

Uma primeira contextualização sócio-econômica da família de Murilo aponta para um confortável padrão de vida. Ele é o primogênito de uma família constituída por uma irmã três anos mais jovem e por seus pais, ambos profissionais atuantes na área de saúde, o que proporciona à família um elevado padrão aquisitivo e cultural que possibilitou Murilo residir em boas residências e estudar sempre nas melhores escolas, usufruindo e beneficiando-se do típico padrão de vida de um jovem da classe média-alta da capital do país.

Independente de sua classe social e de acordo com as estatísticas, Murilo é um dos 34.1 milhões de brasileiros entre 15 e 24 anos, faixa etária que representa 20,1% da população geral brasileira. Desse total, 32% tem de 15 a 17 anos, 30% tem de 18 a 20 anos e 38% tem de 21 a 24 anos. Murilo ajuda a compor o percentual de 71% dos jovens brasileiros que cresceram em contextos urbanos.

Com idade bem próxima aos 17 anos de idade, Murilo aparenta levar uma vida normal para a idade, sai com os amigos para churrascos, freqüenta ocasionais festas e eventos nos salões de festas e nas casas de colegas, assiste a filmes em cinemas com a turma e passeia nos shoppings e clubes da cidade. Também pratica esportes, estuda idiomas e se dedica com afinco aos estudos, com liberdade para freqüentar os lares de diversos de seus pares e sair para se divertir com os amigos aos finais de semana. Vez que outra, ocupa o pouco tempo livre que lhe resta comunicando-se com os amigos pelo computador, através da internet, ou ao telefone.

Como principal queixa apresentada, Mirtre destacou que acha o filho uma pessoa “muito influenciável” e que, ultimamente, ele vem apresentando preocupantes problemas

haver perdido o sentido e ficado inconsciente, precisando de atendimento médico emergencial em duas dessas ocasiões. E, o pior, na última vez em que isso ocorrera, Murilo foi deixado por um grupo de amigos, em estado deplorável, na emergência do hospital em que o próprio pai trabalhava, dando entrada com um quadro caracterizado como de pré-coma alcoólico.

- “Essa foi a gota d´água”, emocionou-se a mãe, “Nós não sabemos mais o que fazer. Ele

desrespeita as proibições do pai... mas sempre foi um menino tão obediente! Ele precisa de ajuda, precisa de um tratamento... precisa conversar e se abrir com alguém...”.

Ao prosseguir, Mirtre relatou que o rendimento escolar do filho, quem sempre estivera entre os melhores alunos, vinha caindo. Insistia que: “ele não é mais o mesmo de antes”, embora fosse “um bom menino e que nunca deu muito trabalho antes”. Mencionou que a última mudança de escola, quando da transição do filho para o ensino médio, implicou numa lenta adaptação à nova instituição de ensino, mas que após o transcurso de um semestre, Murilo parecia finalmente satisfeito, incomodando-a, contudo, que tivesse mantido as antigas amizades.

Mirtre compartilhou ainda, em tom confessional, que após o nascimento de Murilo ela fora acometida por uma intensa depressão pós-parto, levantando com isso a possibilidade quanto a muitas de suas alegadas dificuldades de relacionamento com o filho estarem relacionadas a esse difícil momento de vida. Ela sentia que deveria buscar se aproximar mais do filho, relatando uma dificuldade de se abrir com ele. Mirtre também fez questão de pontuar que havia um perigoso e preocupante histórico de alcoolismo na família, por parte de alguns parentes, e que tanto ela e o marido estavam muito preocupados com os arriscados hábitos que o filho vinha desenvolvendo. Ela frisou, sem margens a dúvidas, a visão patológica que ela e o marido, ambos médicos, lançavam sobre o envolvimento do filho com o consumo descontrolado de álcool.

Descreveu o relacionamento de Murilo com a irmã como “muito tranqüilo e

companheiro”, mesmo quando os interesses dos dois nem sempre convergissem em função da

diferença de idade. Ao perguntar-lhe sobre como ela via o relacionamento de Murilo com o pai, ela disse se tratar de “... um bom relacionamento. Buscamos ser pais presentes e embora

meu marido esteja muito preocupado com todo o ocorrido, os dois sempre se deram muito bem. Murilo sempre foi respeitoso com o pai, ultimamente é que as coisas desandaram... .”

Por fim, a mãe de Murilo mencionou a proximidade do momento em que o filho teria de se decidir por uma carreira a seguir, já que no semestre seguinte ele completaria a última prova do PAS (Programa de Avaliação Seriada8) e, caso não fosse aprovado, logo teria de disputar o concorrido vestibular de acesso a uma vaga em um curso de graduação.

Já com a hora avançando sobre o próximo paciente já instalado na ante-sala de espera, falei-lhe um pouco sobre minha formação profissional e muito brevemente sobre uma possível sistemática de trabalho, acordando o valor pelo serviço prestado e estipulando a freqüência inicial em um encontro semanal, caso Murilo se decidisse, após me conhecer, em me ter como terapeuta. Deixei bem claro para Mirtre que a escolha quanto ao início de um trabalho, assim como a aderência ao “tratamento”, para usar o termo que ela mencionara, seriam uma decisão e comprometimento de Murilo. Penso ser esta uma primeira forma de fomentar autonomia.

Despedimo-nos cordialmente e combinei com ela de nos reencontrarmos, de preferência com a presença do marido, depois de transcorridas quatro ou cinco sessões com o novo paciente. Entrementes, ela poderia dispor de mim ao telefone. Um diagnóstico mais

8 O PAS (Programa de Avaliação Seriada) é uma iniciativa do Governo do Distrito Federal e da Universidade de Brasília. O programa reserva um determinado número de vagas para os alunos de instituições públicas e privadas que, de acordo com uma pontuação obtida e dentro de um número de vagas disponibilizadas, têm a oportunidade de ingressar na Universidade de Brasília sem a necessidade de passar pelo processo seletivo do vestibular. O PAS avalia os alunos mediante a aplicação de provas anuais aplicadas, a partir do 1º ano do ensino médio, de modo a

preciso somente seria possível com a evolução das sessões. Prazer em conhecê-la, boa tarde e até breve.

c) Primeiro encontro com Murilo

Transcorridos poucos dias do encontro com Mirtre dois golpes curtos e firmes ressoaram à porta do consultório no horário marcado. Murilo entrou, sentou-se e conversamos. Jovem inteligente e atento, bem articulado na escolha das palavras espontaneamente respondidas, Murilo aparentava um jeito cordial, educado nas maneiras e discreto na conduta. Transparecia um olhar ao mesmo tempo circunspeto e ainda assim penetrante. Gostava de música e quando indagado disse não se importar de a ouvirmos em estilo instrumental, sugestão minha, de fundo. Nunca freqüentara um psicólogo antes. Parecia motivado, o que é sempre importante. Denotava arguta perspicácia, com uma instantaneidade de respostas semi- medidas que aos poucos suavizava certa prudência e reserva naturais a um primeiro contato no aconchegante, porém pare ele novo ambiente de consultório psicológico, afinal ele estava sendo estimulado a falar de si e a transcender uma aparente e prevalente introspecção inicial, sem nada conhecer de mim ou mesmo saber como seu caso seria tratado.

Falei-lhe do encontro prévio com sua mãe, pontuando que o importante agora era ouvir dele como estava, a quantas ia seu viver e como ele achava que um psicólogo poderia ajudá-lo nesse seu momento de vida. Para tanto, esclarecemos juntos a diferença entre a atuação dos campos da psiquiatria e da psicologia, procedimento que tenho tornado rotina no atendimento a pacientes. Disse-lhe que este era um encontro para nos conhecermos, que ele ficasse à vontade de me perguntar qualquer coisa, que poderia ir para casa e pensar com calma se gostaria de retornar e juntos começarmos um trabalho; que nesse percurso não haveria remédios paliativos ou soluções mágicas; de modo que avaliasse a sua real motivação e não se constrangesse de simplesmente me telefonar e dizer que pensara melhor e que simplesmente

não viria mais. Confesso que não procedo assim por acaso. Tamanha delegação de escolha já embute o ensejo de uma reflexão quanto a uma responsabilidade que julgo favorecer o desenvolvimento de autonomia própria. Até hoje nenhum jovem a quem tenha feito tal proposta, ante tal liberdade, deixou de iniciar um processo psicoterapêutico e anuir com uma proposta inicial de identificação de queixas e de uma real demanda de trabalho, um trabalho que, embora construído em conjunto por terapeuta e paciente, dá-se, e assim falei a Murilo: “sobretudo consigo”, oportunidade para o desenvolvimento e promoção de uma série de

autos: auto-observação (requisito para todos os autos seguintes), auto-conhecimento, auto-

estima, auto-controle... todos estes confluindo para quiçá o mais importante, o desenvolvimento de autonomia – a qual perpassa importantes questões existenciais, como o são o tema da liberdade e da responsabilidade pelas escolhas e ações no mundo. Afinal, como bem aludido tanto por Sartre (1946/1978) e Skinner (1971/1973), somos bastante daquilo que fazemos de nósmesmos.

Não é nada improvável que minha própria apresentação física e estilo, já desfolhados um terço de século de existência, contribuam para a construção de uma relação dialógica que visa estimular a auto-expressão do paciente, pois, em terapia, a ausência ou escassez de expressão, quer verbalizada ou não, torna difícil o desenlace de um processo que promova auto-conhecimento e o desenvolvimento de uma variabilidade de novos aprendizados e habilidades, tanto no plano intra-psíquico quanto no social. Variabilidade, palavra chave na construção de maturidade e autonomia. Variabilidade, matéria prima e sub-produto da mudança.

Meu estilo de condução de sessão não é nada formal, antes o contrário. Procuro me comunicar com os jovens na mesma linguagem e repertórios aprendidos com os pacientes

longo de nossos encontros. Se minhas longas madeixas e um certo jeito amiúde irrequieto, de recursos ecumênicos e propostas costumeiramente originais, quando não anti-convencionais e criativas, de certo ao início possa inquietar a alguns pais, já aos jovens parece agradar-lhes, o que acredito facilite o estabelecimento da formação do importante vínculo terapêutico. A partir daí procuro me informar do mundo do paciente. Busco apreendê-lo em seu jeito de ser, seus valores, gostos e preferências, seu universo social, seus anseios e receios, enfim, sua dimensão intra, inter ou mesmo transpessoal, dentro do contexto de seus ambientes de vida, o que vai se dando ao longo do transcurso das sessões e na medida das condições de abertura e disposição do paciente. Sendo assim, em algum momento do nosso primeiro encontro, suscitei à conversa:

- “Murilo, fale-me um pouco de você. Pense em algumas de suas qualidades... tipo... pense em

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