O Instituto das Comunicações de Portugal (ICP) e a Deco (Associação para a Defesa do Consumidor) realizaram um inquérito em Portugal a nível nacional intitulado “As Comunicações no Século XXI” que tinha por objectivo auscultar sobre o impacto da nova Sociedade da Informação na vida quotidiana dos Portugueses.
Metodologicamente tratou-se de um inquérito por questionário do qual foram distribuídos 630.000 exemplares através da Revista Pro Teste, do Semanário Expresso, da Imprensa Regional e Especializada, nas delegações da Deco, nos Centros de Informação Autárquica ao Consumidor (CIAC) e na Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC). O questionário poderia também ser respondido on-
line através do site do Instituto das Comunicações de Portugal, mas
podendo igualmente ser acedido através dos sites da Deco.Proteste, da
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Os resultados obtidos no inquérito “As Comunicações no Século XXI” podem ser consultados em: http://www2.icp.pt:8081/converge/
APDC e do Instituto do Consumidor. O questionário era dirigido ao agregado familiar e não ao indivíduo e decorreu entre 2 e 30 de Abril de 2000. Os resultados obtidos reflectem a realidade das famílias portuguesas com interesse nas comunicações.
Foram considerados para análise todos os questionários que deram entrada até ao dia 3 de Maio de 2000 perfazendo estes um total de 29.057 questionários.
Quanto à distribuição geográfica dos respondentes verifica-se que o maior número de questionários eram oriundos dos distritos de Lisboa (34%) e Porto (14%), seguia-se Setúbal (8%), Santarém (6%), Coimbra e Aveiro, ambos com 5%. No pólo oposto encontram-se Angra do Heroísmo (0,4%) e Horta (0,2%). Quanto à idade dos inquiridos a amostra era composta maioritariamente (81%) por indivíduos com idade compreendida entre os 18 e os 55 anos. O facto de 18% dos respondentes serem indivíduos com idade igual ou superior a 55 anos demonstra o interesse por este tema também nesta faixa etária. Apenas 1% tinham idade inferior a 18 anos.
No que concerne às habilitações académicas os dois maiores grupos eram formados por indivíduos com licenciatura (37%) e indivíduos com formação a nível do ensino secundário (10º/12º ano) (27%). Sendo que 25% dos agregados familiares da amostra tinham rendimento líquido mensal compreendido entre os 150 e os 249 contos e 21% entre 250 e os 349 contos. As classes de rendimento extremas, a que corresponde rendimentos líquidos mensais inferiores a 150 contos ou superiores a 750 contos, foram as que menos responderam ao questionário. Há ainda uma franja de 2% que não refere o rendimento mensal do agregado familiar.
Cerca de 7% dos respondentes tinham em casa, pelo menos, uma pessoa com necessidades especiais.
Da questão sobre a posse de equipamento e serviços os resultados mostravam que:
televisão telemóvel telefone fixo televisão por cabo computador Ligação à Internet 95% 89% 86% 50% 71% 39%
Quanto à quantidade média de equipamentos e serviços verificava-se que, em média, cada agregado familiares ultrapassava a posse de dois televisores. O telemóvel e o acesso a TV cabo via cabo também eram de dois por agregado familiar. Quanto a computadores, em média, cada família ultrapassa a unidade de equipamentos, bem como de telefones fixos e ligação à TV Cabo via Satélite.
Em síntese:
? 68% tinha telefone fixo, cerca de 13% tinha dois e 14% não tinha nenhum;
? 32% possuía telefone sem fios, dos quais 29% apenas um único;
? 39% possuía dois telemóveis, sendo que 13% chegava a possuir três unidades e 32% apenas um; 11% não possuía este tipo de equipamento;
? 41% possuía dois televisores, 24% três, 18% um e apenas 5% não possuíam este tipo de equipamento;
? 19% tinha uma televisão ligada, via cabo, à televisão por cabo e 13% tinha duas; apenas cerca de 6% disponha de acesso, via satélite, à televisão por cabo.
? 56% possuía um computador, 15% possuía dois, contudo, apenas 35% tinha uma assinatura de serviço de acesso à Internet e 4% disponham de duas assinaturas.
«No cômputo geral estes resultados permitem aferir que o perfil da maioria dos inquiridos corresponde a indivíduos de classe média, residentes nos grandes centros urbanos, com um nível de formação superior ao da escolaridade obrigatória e que apresentam um padrão de consumo e de
acesso a serviços de telecomunicações e de audiovisual acima da média nacional.» (ICP, 2000:13)
No que respeita ao comércio electrónico, 14% não respondeu e 22% afirmava não ter opinião sobre o assunto. Dos restantes 38% consideravam a comodidade como um dos aspectos mais atraentes e 30% a facilidade, seguidos de 17% que consideravam a diversidade. Quanto aos aspectos mais preocupantes do comércio electrónico, 60% considerava a segurança nas transições, 44% a ausência de contacto directo com os produtos e 32% seleccionou como aspecto preocupante o fornecimento dos dados pessoais.
Quanto à constante actualização dos equipamentos informáticos as preocupações mais relevantes eram com os custos (60%) e com a incompatibilidade (54%).
Respeitante à disponibilidade para a divulgação de dados pessoais, 26% afirmou não ter nenhuma disponibilidade, 53% pouca e, apenas, 19% afirmou ter total disponibilidade.
Face à questão sobre os aspectos que podem proporcionar um melhor aproveitamento das funcionalidades dos equipamentos/serviços os resultados indiciavam existirem três aspectos mais relevantes: maior simplicidade de utilização (65%), melhores serviços de apoio a clientes (52%) e maior simplificação do manual de instruções (48%). No que concerne a aspectos que podem simplificar a escolha de conteúdos de informação foram seleccionados, a possibilidade de interacção e escolha em tempo real (26%), bem como, a possibilidade de pesquisa de informação (26%). Sendo que 22% reforçava a importância da boa organização e 18% a possibilidade de adaptação.
No que diz respeito a aspectos promotores de utilização da Internet os resultados mostraram que os dois principais factores apontados foram a redução do preço (66%) e a divulgação (65%). De sublinhar ainda que 35% referia a necessidade de se desenvolver maior número de sites em português como meio de promover o acesso à Internet.
Os resultados deste estudo são mais um contributo para que se tenha um perfil do utilizar português, no que diz respeito aos serviços de comunicação.
2.1.4. Uso da Tecnologias de Informação em Portugal (2000)29