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La construction de l’ONDAM sous forme de tendanciel/économies : un principe en

1. Une trajectoire pluriannuelle des activités et ressources pour atteindre les objectifs de santé

1.2. Des ressources cohérentes avec les objectifs

1.2.1. La construction de l’ONDAM sous forme de tendanciel/économies : un principe en

No contexto das pesquisas de sociologia da religião, realizadas no mundo anglo- saxão, a extensa obra do sociólogo Peter Berger revela-se de fundamental importância. O interesse da sociologia da religião em Berger teve inicio com a temática de sua tese doutoral, defendida em 1954, onde abordou o seguinte tema: “Da seita à igreja: uma interpretação sociológica do Movimento Baha-i”.

As importantes reflexões de Berger a propósito da natureza da realidade social, bem como suas incursões no campo da sociologia da religião foram gestadas entre os anos de 1963 e 1970, quando esteve em sua atividade docente na New Schooll for Social Research e no Brooklyn College em Nova York. Neste período temos a seleção das seguintes obras do autor: A construção social da realidade (1966 – escrito em parceria com Thomas Luckmann), O dossel sagrado (1969) e Rumor de anjos (1969). Posteriormente em 1979 a obra: O imperativo herético e em 1992 com a obra Uma glória remota.2

Segundo Teixeira (2010), em seu ensaio sobre Peter Berger e a religião, a compreensão fundamental da sociologia da religião encontra-se presente na obra O dossel sagrado, onde o autor busca ampliar sua teoria da construção social da realidade ao tema da religião.

Para Berger, a religião é um dos sistemas de símbolos fundamentais dos seres humanos “um edifício de representação simbólica” elaborado pelos seres humanos, e que para eles parece elevar-se sobre a realidade da vida cotidiana, garantindo-lhe uma nomização peculiar. Entendida como um empreendimento humano de cosmificação sagrada, que transcende e inclui o ser humano, a religião exerce de fato para os que a ela aderem uma ordenação da realidade, servindo de um potente escudo contra o terror da anomia. (TEIXEIRA, 2010, p. 230).

Para Berger a religião consiste na “ousada tentativa de conceber o universo inteiro como humanamente significativo” (BERGER, 1985, p. 41). A religião para Berger, possui uma dimensão nomizadora, relacionada à manutenção da realidade que implica no exercício de uma vida ordenada e significativa, onde a religião têm a função de ordenar o caos, pois a

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As obras em português de Peter Berger são as seguintes: BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A construção

social da realidade: Tratado de sociologia do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1973; BERGER, P. L. O dossel

sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo: Paulinas, 1985; BERGER, P. L. Rumor

quebra desta ordenação acarreta em potencializar a anomia e o risco da perda de sentido. Com a religião a anomia do cosmo ganha um nomos, e esse ganha sentido, estabelecendo assim a ordem da realidade subjetiva do mundo.

Além da manutenção do nomos, a religião exerce outras funções na sociedade. São elas a legitimação e a integração das experiências marginais ou limites. A primeira função consiste num processo cognitivo de justificação da ordem institucional, que confere “dignidade normativa” a seus procedimentos práticos.3

Na visão de Berger, a religião “foi historicamente o instrumento mais amplo e efetivo de legitimação” (BERGER, 1985, p. 45) sendo que a grande eficácia da legitimação religiosa consiste em fundar na realidade transcendente as precárias construções da realidade humanamente construída. Além disso, a legitimação religiosa pretende relacionar a realidade humanamente definida com a realidade última, universal e sagrada. As construções da atividade humana, intrinsecamente precárias e contraditórias (BERGER, 1985).

Mantendo a realidade transcendente associada à realidade humanamente construída, a religião acaba servindo para manter a realidade do mundo socialmente construído, o que do ponto de vista bergeriano, acabaria produzindo alienação, pois as instituições humanas recebem da religião um status de reconhecimento divino, ofuscando assim a percepção de que este mundo foi e continua sendo co-produzido por seres humanos, embora estes atribuam sua construção ao “outro” sagrado, ou seja, o indivíduo “esquece que este mundo foi e continua a ser co-produzido por ele” (BERGER, 1985, p. 97).

Na concepção de Berger, o mundo social carece de legitimação por ser uma construção essencialmente precária, arbitrária e efêmera. “Todos os mundos socialmente construídos são intrinsecamente precários” (BERGER, 1985, p. 42). Daí surge a necessidade de unir esforços para que se mantenha o mundo humano. Essa manutenção é realizada através de discursos legitimadores, sendo o discurso da religião o mais eficaz para tal tarefa. “A religião legitima de modo tão eficaz porque relaciona com a realidade suprema as precárias construções da realidade erguida pelas sociedades empíricas” (BERGER, 1985, p. 45).

A religião situa as instituições num quadro de referência considerado sagrado e cósmico. A legitimação religiosa relaciona a realidade humana como a única definida numa

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Segundo Teixeira (2010), Berger visualiza diferentes níveis de legitimação, entre os quais a legitimação incipiente já presente no processo de transmissão de um sistema de objetivações lingüísticas, a legitimação rudimentar das proposições teóricas vigentes nos provérbios e máximas morais, a legitimação das teorias explicitas e a legitimação dos universos simbólicos, sendo nesse ultimo nível que se afirma de forma mais solida a integração unificadora dos processos sociais.

coletividade humana. Assim, as atividades humanas, apesar de contraditórias, recebem a aparência de inevitabilidade, firmeza e durabilidade de suas construções ganhando, na visão de Berger, o status da cosmificação, o status cósmico.

As instituições mudam à medida que as exigências da sociedade mudam, portanto, estão sempre em ameaça devido à dialética que compõe a realidade. Todavia, as legitimações cósmicas são aceitas como obvias, passando por cima das contingências humanas e históricas, permitindo ao indivíduo ter um senso de retidão moral nos papéis que devem desempenhar na sociedade.

Todavia, os discursos legitimadores ajudam a sustentar o mundo humano. Contudo, a legitimação não garante a manutenção do mundo, é preciso que existam condições na estrutura da sociedade, para que a mesma tenha efeito. A legitimação precisa então de uma estrutura de aceitação social, ou seja, de plausibilidade para ter validade.4

Segundo Teixeira (2010), as estruturas de plausibilidade constituem a base social fundamental para a “suspensão da dúvida” e a comunidade religiosa têm uma importância essencial nesse processo de manutenção do sentimento de plausibilidade, conservando a experiência de conversão de maneira plausível ao longo do tempo, através do exercício de conversação comunitária.

Em relação à função religiosa de integração das experiências marginais ou limites, a religião exerce um importante papel de integração das experiências anômicas, facultando um significado para as crises biográficas, situando os fenômenos humanos em um quadro cósmico de referência. Diante da situação limitada e da impermanência que marca a condição humana, a religião funciona como um dossel sagrado protetor do nomos.

Berger apresenta também a relação da religião com a consciência humana, a partir de dois aspectos: um alienante e outro de conscientização. A alienação ocorre através do processo da vocação religiosa como uma vida separada do mundo profano. Já o processo de conscientização aparece como resultado final do processo de secularização. Em seu livro O dossel sagrado (BERGER, 1985) dedicará três capítulos ao tema da secularização em suas reflexões sobre religião em modernidade. Sua atenção teórica volta-se na ocasião para a “crise de credibilidade” da religião e seu deslocamento do horizonte da vida cotidiana de setores

4 Segundo Teixeira (2010), trata-se de um conceito fundamental na obra de Berger, apropriado da sociologia do

conhecimento. Segundo Berger, “uma das proposições fundamentais da sociologia do conhecimento é que a plausibilidade, no sentido daquilo que as pessoas realmente acham digno de fé, das ideias sobre a realidade depende do suporte social que estas ideias recebem” (BERGER, 1997, p. 65). Para que uma concepção de mundo permaneça aceitável para o sujeito, é necessário que o mesmo permaneça inserido numa “estrutura de plausibilidade” que reforce, mediante a conversa, a afirmação deste mundo.

significativos da população.

Para o autor, secularização é definida como o “processo pelo qual setores da sociedade e da cultura são subtraídos à dominação das instituições e símbolos religiosos” (BERGER, 1985, p. 119). Para Berger a secularização atua em dois níveis: subjetivo da consciência e no nível da sociedade e da cultura. Ocorre nesse processo tanto uma privatização da religião, com uma redução ao domínio do individuo ou dos pequenos grupos, quanto um processo de pluralismo religioso, resultado da ruptura do monopólio religioso e a instauração de uma situação de competição entre definições distintas da realidade (BERGER, 1985).

Essa situação de competição ou mercado coloca a instituição religiosa diante de duas situações: acomodação atualizando seu produto religioso segundo as leis do mercado, ou o conservadorismo, que possibilita a sobrevivência da tradição religiosa atrás de trincheiras socio-religiosas. Com a crise das antigas estruturas de plausibilidade, a religião na vida pública perde sua relevância e na vida privada é constantemente ameaçada pelas religiões concorrentes, ou como nos lembra Gomes (2004):

A característica-chave de todas as situações pluralistas, quaisquer que sejam os detalhes do seu pano de fundo histórico, é que os ex-monopólios religiosos não podem mais contar com a submissão de suas populações, de sua membrezia. A submissão espiritual é voluntária e, assim, não é segura. Resulta daí que a tradição religiosa, que antigamente podia ser imposta pela autoridade, agora tem de ser posta no mercado. Ela tem de ser vendida para uma clientela que não está mais obrigada a comprar apenas um modelo religioso. Essa é a tese de Berger em seu livro O dossel sagrado (1985). (GOMES, 2004, p. 53).