• Aucun résultat trouvé

Construction et utilisation des SIG (Cours-TD)

Dans le document Livret LICENCE 2019 – 2020 (Page 125-132)

Era o ano de 1968, Lucas tinha em torno de cinco anos quando foi levado, pelo pai, para assistir seu primeiro jogo de futebol no estádio. Um clássico estadual: Internacional e Grêmio. Mesmo que já tivesse uma pré-disposição em torcer para um dos dois times, Lucas ainda não tinha se decidido. A ida ao estádio, portanto, ganhava uma relevância ainda maior. Ao contrário do que acontece na maioria dos clássicos, quando prevalece o equilíbrio, aquele GreNal seria diferente: o Grêmio venceria com quatro gols a zero, do rival. No final do jogo, o menino estava convencido: torceria para o Internacional.

O episódio lembrado por Lucas já na etapa inicial da entrevista, poderia ser apenas uma recordação banal de sua infância, que demonstrasse a cumplicidade que tinha com o pai, ou a origem de uma trajetória como torcedor de um time de futebol. O fato, no entanto, ganha uma relevância ao aparecer como um exemplo do seu olhar ao menos favorecido, já nos primeiros anos de vida. O entrevistado faz questão de ressaltar esse posicionamento logo após narrar o episódio do jogo de futebol:

meu pai me levou o primeiro jogo que eu assisti foi um jogo porque tinha aquela história grêmio e inter né e=e a gente tinha uma tendência ahm nas nossas discussões diárias de ser sempre do lado do mais fraco daquele que precisa mais né então eu me lembro que o primeiro grenal que eu assisti né o:: o co-irmão ganhou de quatro a zero que era o Grêmio tá ganhou de quatro a zero e o que que eu falei pro meu pai eu falei ahm paiê eu sou colorado então eu acho que se-bah se eu for te contar @as histórias@ eu acho que a gente fica assim= mas: desse estilo sabe no estilo sempre de procurar se posicionar do lado (1) ahm aquele lado que mais precisa do lado que, é o mais fraco do lado que é o que está submetido à exclusão né então procurar ter essa postura assim solidária eu acho que a palavra solidariedade é a palavra mais importante de todas=todas=todas solidariedade qualquer

situação é um=é a herança que eu trago assim (Transcrição: página 4, linhas 2-14)

Há alguns aspectos relevantes nas observações de Lucas ao fazer uma análise do fato, que são importantes de serem analisados separadamente. Ele cita que há outras histórias como essa em sua biografia, em que ele se posicionou em prol do excluído e do menos favorecido. Logo em seguida, ele faz referência à profissão de professor como um eterno “aprendendo ensinando e auxiliando e ajudando o aluno né” (Transcrição: página 4, linhas 16-17), nesse caso, mais carente de conhecimento.

Em outros momentos da entrevista, quando quer novamente se referir ao seu posicionamento constante em favor dos menos favorecidos, Lucas volta a falar do jogo de futebol, de torcer pelo time que perdeu. Isso ocorre quando ele cita, por exemplo, a escolha da sua área de estudo – mais ligada à área social – , a opção por fazer voluntariado com idosos e não crianças e até na fala de sua esposa de que “eu não posso ver uma comunidade uma vila que eu já quero ir lá bater uns papos com os caras saber como é que está não sei o que o que que falta o que não falta” (Transcrição: página 6, linhas 20-22)

É possível perceber que Lucas tem muito claro que a solidariedade é um sentimento transversal em sua trajetória de vida e também em diversos aspectos de sua realidade atual. Uma solidariedade herdada dos pais, uma herança, como ele afirma – o que reforça sua percepção da influência que os pais tiveram na formação de seu caráter.

Neste momento da análise já é possível traçar algumas percepções em direção ao problema central desse estudo, o voluntariado. Meister (2003, p. 62) sugere que a solidariedade é palavra-chave para o voluntariado, pois é um dos valores motores para a ação em direção ao próximo. Ele afirma que solidarizar- se é “estar com as pessoas, compartilhar experiências, passando o que se sabe e conhecendo coisas novas”.

O autor afirma que a base motivadora das ações das pessoas é esse sentimento de responsabilidade de umas com as outras. Para ele:

o entendimento da palavra, do conceito de solidariedade, pelas pessoas, as desinstala, conduz para uma ação social efetiva. A solidariedade constitui-se sobre a forma relacional, recíproca. (MEISTER, 2003, p. 33)

Nesse sentido, a solidariedade age como força motriz, onde o voluntário acredita que pode contribuir com os outros, ajudar, fazer o bem, ser agente transformador – seja por motivos ideológicos, religiosos ou tantos outros. Para o autor, a ação voluntária resulta de uma reflexão, com intuito de construir uma nova ordem, mobilizando individual e coletivamente e, por essa razão, “podemos dizer que o voluntário é um agente transformador” (Meister, 2003, p. 34).

Seguindo outro caminho teórico, Araújo (2008, p. 29-34) atrela a concepção de voluntariado à solidariedade social doadora como forma de agir em favor do próximo, no enfrentamento da pobreza, por meio da caridade e da assistência social. O autor afirma que essa ação, na qual a pessoa coloca seu tempo, energia, afetividade e intelecto à disposição de outros, é movida por motivos pessoais, sem expectativas de remuneração.

Define, ainda, a solidariedade social doadora como um:

modo de pensar e agir nas relações sociais de assistência, apresentando nuances quanto a seus propósitos de promover o desenvolvimento de processos de apaziguamento das crises sociais, expressões culturais de defesa de interesses sociopolíticos e econômicos, em nome da justiça social. (ARAÚJO, 2008, p. 35) As perspectivas teóricas em torno do conceito de solidariedade nos ajudam a compreender a pré-disposição de Lucas para as atividades de voluntariado. Já foi citado que o próprio entrevistado tem a percepção de que a solidariedade faz parte de sua trajetória de vida e personalidade, então é possível perceber que esse caminho rumo ao voluntariado acaba ocorrendo de forma natural. No próximo subcapítulo irei apresentar o momento-chave da decisão de Lucas de engajar-se no voluntariado.

Dans le document Livret LICENCE 2019 – 2020 (Page 125-132)

Documents relatifs