LE PARCOURS PRAGMATICO-SÉMANTIQUE
I.3.3. La construction dynamique du sens
O acervo científico hoje disponível, sobre a actuação das drogas no cérebro e as suas repercussões no comportamento dos sujeitos, sugere a tomada de medidas preventivas, por parte de empresas e organizações, de modo a que o consumo de drogas não afecte interesses dignos de protecção social.
Esta actuação é hoje aceite internacionalmente, especialmente em populações de susceptibilidade acrescida, que desenvolvem actividades nas quais a garantia da segurança colectiva é uma questão central e em que os interesses colectivos relevantes se sobrepõem aos direitos individuais.
A organização militar, pelas características das missões que executa e pelo tipo de meios que lhe estão confiados optou por desenvolver um programa de prevenção, com utilização de rastreios toxicológicos, para dissuadir o consumo de drogas e antecipar a intervenção clínica, convicta dos reflexos negativos na saúde, na segurança, na disciplina e na operacionalidade das tropas decorrentes do uso dessas substâncias.
O presente estudo epidemiológico, analítico, transversal, é o primeiro estudo científico realizado nas Forças Armadas, para estimar a prevalência do consumo de drogas ilícitas, tendo em vista a definição de estratégias de pessoal e a melhor afectação de recursos. Tendo como instrumento de medida as análises toxicológicas realizadas por laboratório militar, este estudo epidemiológico identificou, como objectivo principal, estimar a prevalência do consumo de drogas no Ramo. A concretização deste objectivo permitiu estimar, com um grau de confiança de 95%, que a prevalência é de 3,8/1.000, com um erro de 0,37%, ou seja, o verdadeiro valor situa-se entre 0,1/1.000 e 7,5/1.000.
Para o efeito foi utilizada uma amostra aleatória simples, de 1039 indivíduos, representativa da população em estudo.
É um valor que sugere estar a ser bem sucedida a estratégia desenvolvida nesta área pelo Ramo, assente essencialmente em informação e na capacidade dissuasora do programa de despistes toxicológicos.
Comparado com outras estimativas, o valor é claramente inferior à prevalência de consumo de qualquer substância ilícita no último mês, na população portuguesa, entre os 15 e os 64 anos, de 25/1.000, segundo dados de 2001, e acompanha os valores encontrados nas Forças Armadas Americanas – Força Aérea, de 6,6/1.000, obtidos com base num estudo epidemiológico, efectuado entre 1996 e 1999.69
Enquadrando este resultado nas proporções apresentadas pelo Relatório Anual do IDT, de 2005, para as Forças Armadas, observa-se que esta estimativa é inferior, algo que era esperado uma vez que essas proporções comportam enviezamentos comprometedores da
exactidão e, por conseguinte, da validade dos dados do quinquénio. A distinção entre os Ramos e os tipos de rastreio (aleatório e não aleatório), aproximaria, por certo, os valores. Em termos de prevalência, os quatro casos detectados permitem a inferência estatística para a população do Ramo (3,8/1.000). Atenta a dimensão da população no activo (10.033), o intervalo de confiança definido e a precisão do estudo, pode afirmar-se que, com base no rastreio toxicológico realizado, o Ramo terá entre 1 e 75 consumidores de drogas ilícitas nas suas fileiras.
No que respeita à identificação de características socio-demográficas determinantes do consumo de drogas, um dos objectivos específicos do estudo, o número de casos positivos detectado não permite a extrapolação dos resultados, para a população do Ramo.
No entanto, as características dos casos, com destaque para as que são comuns entre eles, sexo (masculino), categoria (Praça), forma de prestação de serviço (QP) e nível de escolaridade (entre o 9º e o 12º ano); as que revelam preponderância, estado civil divorciado; e também para aquelas que inesperadamente não estão representadas nos positivos, como é o caso dos escalões mais baixos da idade, dos anos de serviço e das remunerações, sugerem uma nova reflexão sobre a definição de grupos de risco.
Relativamente à cadeia de procedimentos seguida para a realização deste estudo, considera-se que foi atingido o objectivo específico de identificação de uma metodologia padrão para a realização de estudos similares, nos outros Ramos e em organizações interessadas: o programa informático de nomeação de militares a rastrear e o registo de todos os passos relacionados com a custódia da amostra, até à produção de um resultado, é seguro e cumpre as normas internacionais de referência, podendo ser seguido nos mesmos moldes, noutros ambientes organizacionais.
A tecnologia analítica é cientificamente reconhecida como a mais adequada; o desenho do estudo e o tratamento estatístico efectuado seguiram critérios que permitem assegurar a validade do mesmo, tendo sido especificados ao pormenor por forma a possibilitar a repetição de todos os procedimentos.
As condicionantes custo e tempo são sempre importantes na investigação e é sabido que os estudos de prevalência na área da saúde, especialmente quando falamos de acontecimentos raros, são dispendiosos porque exigem amostras de grande dimensão. No entanto, sem eles e apesar das sua limitações específicas, não é possível ter um diagnóstico, com validade científica, do que se passa na população. Só a partir daqui podemos avançar com segurança e rigor para a intervenção ou para a realização de estudos mais finos, normalmente menos onerosos, que levam à caracterização dos problemas e a escolha das soluções que a eles melhor se ajustam, determinando a recuperação do investimento previamente efectuado.
Neste sentido, pelas características da organização militar e especialmente pelos recursos humanos que a integram, conclui-se ser importante promover a observação de séries anuais de casos, resultantes de selecção aleatória, e a realização regular de estudos epidemiológicos, que ajudem a redefinir grupos alvo, a perceber a dimensão do fenómeno e a exacta medida em que o mesmo interfere com a saúde, a segurança e o desempenho dos indivíduos.
Ambas as iniciativas poderão contribuir decisivamente para o melhor conhecimento da realidade, ajudarão a projectar a respectiva evolução e proporcionarão fundamento científico para as estratégias a empreender, sustentando as opções que a organização entenda seguir perante os desafios que irão sempre colocar-se na área do consumo de substâncias com potencial adictivo.
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