As IES têm um papel muito importante junto à sociedade, por constituírem ambientes produtores e disseminadores de conhecimento, contribuindo de forma considerável para o desenvolvimento social. O forte caráter social implica a essas instituições na necessidade de interagir com um maior número de segmentos da sociedade do que qualquer outro tipo de organização, tornando-se um desafio para elas, promover a efetiva conversão do conhecimento gerado em benefícios para a sociedade como um todo (GARCIA; ALMEIDA JÚNIOR; VALENTIM, 2011).
Chauí (2003) define as IES como instituições sociais, devido a sua relação expressiva com a sociedade. Para Lousada e Martins (2005, p. 75), “as universidades são depositárias das esperanças sociais de grande parte da população, que espera e cobra resultados, benefícios sociais e culturais efetivos das IES”. Essas instituições promovem benefícios educativos, culturais e científicos para a sociedade, por meio de suas atividades indissociáveis de ensino, pesquisa e extensão. Conforme ressalta Figueiredo (2014, p. 31), as universidades cumprem com a sua responsabilidade social, por meio da introdução de novos profissionais no mercado, formados por meio das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Para Pessoa (2000), as IES, além de se relacionarem com a realidade social local, participam, direta ou indiretamente, de sistemas internacionais, interagindo com instituições estrangeiras.
No âmbito da UFRN, as relações descritas pelos autores no parágrafo anterior, ficam evidenciadas por meio da sua Missão, contida em seu PDI:
A missão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como instituição pública, é educar, produzir e disseminar o saber universal, preservar e difundir as artes e a cultura, e contribuir para o desenvolvimento humano, comprometendo-se com a justiça social, a sustentabilidade socioambiental, a democracia e a cidadania (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, 2010, p. 9).
O texto ainda destaca que, em consonância com a sua missão institucional, “a responsabilidade social da UFRN pode ser avaliada por sua contribuição à inclusão social, ao desenvolvimento econômico, social e cultural, à produção artística, à defesa do meio ambiente e do patrimônio cultural” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, 2010, p. 67).
Diante disso, na visão de Bernheim e Chauí (2008), compete às universidades traduzir os objetivos gerais e os objetivos da sociedade em termos das tarefas que cabem à educação superior, nos seus aspectos quantitativo e qualitativo, tais como formação de pessoal especializado de alto nível; pesquisa; tarefas de extensão; e serviços a serem programados, em prol do desenvolvimento humano sustentável da sociedade.
Nesse sentido, considerando o contexto das IES e suas relações com a sociedade, da qual também faz parte, torna-se necessário para essas instituições o desenvolvimento de mecanismos capazes de identificar, acessar e disponibilizar as informações relevantes, permitindo uma melhor compreensão do ambiente geral. Isso facilitaria a transformação das informações em conhecimentos que possam contribuir para o desenvolvimento da sociedade, por meio da elaboração e/ou desenvolvimento das suas políticas institucionais.
Assim sendo, a mediação da informação se apresenta como um processo fundamental para as IES, tendo em vista toda a dinâmica do fluxo informacional que envolve as suas relações com os diversos segmentos da sociedade, bem como do seu relacionamento com instituições internacionais.
A mediação da informação pode ser compreendida como uma ação decorrente do processo de interação – comunicação e transferência da informação - surgida entre a necessidade de um usuário e a resposta para essa demanda (SACERDOTE; FERNANDES, 2016). Ocorre por meio do mediador, que é o responsável por planejar, organizar e implementar a aproximação entre o sujeito e o objeto (SANTOS, 2015, p. 86). Desta forma, pode-se entender o mediador como o responsável por filtrar e tornar disponíveis as informações para o atendimento de um determinado interesse. Para isso, destaca Carvalho (2013), é importante realizar estudos com usuários, a fim de se conhecer o perfil do seu público, com o intuito de promover uma mediação mais efetiva.
Do ponto de vista conceitual, Almeida Júnior (2009) cita que, apesar de ser muito citada por profissionais da informação que escrevem e estudam o tema, a mediação da informação ainda não tem uma teoria firmada e suas bases conceituais estão dissociadas das suas práticas. Mallman (2008, p. 77) compreende a mediação como “um conceito cheio de indeterminações e desdobramentos”. Para Crippa e Almeida (2011), devido ao caráter polissêmico e sempre contextualizada, parece inviável construir uma definição consensual para a mediação.
Entretanto, ao realizar o levantamento bibliográfico, pôde-se inferir uma definição consensual, citada pela maioria dos autores que estudam o tema. Trata-se da definição de mediação da informação de Almeida Júnior (2009):
toda ação de interferência – realizada pelo profissional da informação –, direta ou indireta; consciente ou inconsciente; singular ou plural; individual ou coletiva; que propicia a apropriação de informação que satisfaça, plena ou parcialmente, uma necessidade informacional (ALMEIDA JÚNIOR, 2009, p. 92).
Com essa visão de interferência, o autor tenta desconstruir a visão equivocada de alguns profissionais da informação que, segundo ele, associam a mediação da informação como a imagem de uma ponte, transmitindo a ideia de algo estático. Para ele, o usuário é o “[...] ator central do processo de apropriação da informação” (ALMEIDA JÚNIOR, 2009, p. 97), ou seja, a mediação só ocorre com a participação decisiva do usuário, que constrói o seu conhecimento por meio da sua interação com o mundo, se habilitando a dar significados às informações.
Na visão de Santos (2015), a ação de interferência promovida pela mediação tem como objetivo auxiliar um sujeito a suprir uma necessidade apresentada em seu meio social, e está presente em todo o processo, desde o surgimento da necessidade até a resolução de um problema informacional, com a apropriação.
Corroborando com a visão anterior, Brasileiro (2013) aponta que a mediação da informação é uma ação de interferência continuada, ou seja, presente em todas as ações de informação. No contexto organizacional, o autor defende que a mediação da informação deve ser desenvolvida, levando-se em consideração as políticas e normas, interesses e objetivos a serem alcançados que justificam as ações voltadas para a informação.
Garcia; Almeida Júnior; Valentim (2011, p. 356; 357) apontam que
Diversos dispositivos legais - leis, decretos, portarias e resoluções - estabelecidos pelo governo, definem a forma como devem funcionar as universidades públicas. Porém, a cultura local, interna e externa, modifica e torna peculiar a maneira como se dá a dinâmica organizacional de cada universidade. Também as especificidades inerentes às diversas áreas do conhecimento interferem na maneira como a universidade se comporta quanto à construção, tratamento, disseminação e uso da informação.
Diante disso, torna-se fundamental para as IES o reconhecimento dos seus fluxos informacionais, para que se possa compreender de que maneira os processos e as atividades organizacionais se alimentam de informações, dentro de cada contexto departamental da instituição, ou seja, entender as formas com que os setores dessas instituições se relacionam com cada segmento da sociedade, locais e internacionais, se torna o primeiro passo para promover a efetiva geração de conhecimento.
Com isso, o desenvolvimento de um sistema de informação dedicado, capaz de centralizar as informações relevantes dentro de cada contexto, ajudaria os gestores dessas instituições a planejar, distribuir e controlar os recursos, no sentido de viabilizar estratégias de ação para o atendimento de cada demanda, fazendo com que as IES cumpram o seu papel, uma vez que, é por meio desse conhecimento gerado, que elas darão o retorno por meio de ações para a sociedade.
4 AS TECNOLOGIAS DIGITAIS COMO SUPORTE AOS SISTEMAS DE