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3.2 Environnement graphique

3.2.3 Construction de l’assemblage mol´ eculaire

No ano seguinte à morte de bin Laden, não houve grandes atentados. A mídia se pautou sobre o que já existia e, sobretudo pela ameaça de novos atentados, com o medo sempre alimentado pela retrospectiva dos que já haviam acontecido. Essa foi uma prática comum a cada aniversário dos ataques. Em 11 de setembro de 2011, dez anos após os ataques aos EUA praticamente todos os jornais, sites e telejornais do mundo simpatizante dos EUA retomaram em suas pautas os ataques de dez anos antes. A cobertura foi predominantemente cercada pela intenção de compreender o que havia

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mudado no mundo desde então e verificar os riscos ainda presentes. Um exemplo de como esse terror foi mantido pelo jornalismo e, no nosso caso, na Folha de S. Paulo, é a matéria de capa publicada pelo jornal em 11 de setembro de 2011:

FSP, 11 de setembro de 2011

Na chamada principal da Folha, na edição dos 10 anos dos ataques, a frase “Al-Qaeda

ainda inspira terroristas” é escrita sobre um quebra-cabeças com uma imagem das torres gêmeas e algumas peças faltando. Já no caderno Mundo, que trazia uma edição especial sobre os dez anos, as peças que faltam no quebra-cabeças são as próprias torres.

Em todo o jornal, enquanto colunistas tentam compreender o efeito do 11 de setembro na história do mundo e afirmam que o mundo mudou, a política mudou e a educação nos EUA está mais preconceituosa, a cobertura jornalística da Folha alimenta o medo e a ideia de que ainda não há segurança, reforçada, sobretudo, pelo fato de que há muitos seguidores de bin Laden dispostos a novos ataques.

A revista Veja, por sua vez, publicou, em 07 de setembro de 2011, um especial de 40 páginas, relembrando os principais acontecimentos do 11 de setembro de 2001 e fazendo análises sobre as mudanças no período. Os assuntos seguem a mesma linha da Folha e da própria revista dez anos antes. A crença na mudança dos rumos da história é

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repetida, há ainda discussões sobre as guerras do Afeganistão e no Iraque, sendo que a primeira é tratada como “necessária”. Passa ainda pela morte de bin Laden, e, assim como a Folha, lembra que a ameaça de suas ideias ainda permanece viva.

O especial de Veja termina com um “final feliz”, falando sobre o projeto para a construção das novas torres, que já ocupam parte do espaço deixado pelas antigas torres gêmeas.

Com exceção desse período particular de marcação simbólica de uma década dos atentados, o terrorismo continuou aparecendo na cobertura midiática sob o enfoque do risco.

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Os atentados de 2001 modificaram a forma como o mundo vê e olha o terrorismo. A presença constante do assunto na mídia favorece a manutenção do estado de terror, do estado de alerta contra uma ameaça que, na prática, nem se mostra tão ameaçadora assim.

Um ponto que deve ser aqui destacado é que o lugar onde aconteceram os atentados que começaram a contar a história do terror contemporâneo, as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, se tornaram um dos principais pontos turísticos da cidade. A área foi reativada, com a construção, ainda em andamento de novas torres e também com a presença de um memorial em homenagem às vítimas do 11 de setembro. Desde 2001 o número de turistas do mundo inteiro que visitam o local vem crescendo, o que tem dado um estímulo ao crescimento do comércio da região. Ali mesmo são vendidas camisetas, canecas, fotos, adesivos e toda sorte de souvenirs que provam a visita dos turistas na volta para casa. Um exemplo claro daquilo que Berman (2005) aponta como um dos grandes paradoxos de nossa época: na modernidade, catástrofes são

transformadas em lucro – e em consumo.

Segundo o jornalismo, o mundo nunca mais seria o mesmo depois de 11 de setembro de 2001. De fato não foi. E certamente, se tornou um lugar mais hostil para se viver, muito mais pela sensação de terror que faz com que todos se recolham aos seus medos mais profundos, que pelo terrorismo em si.

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[ CINCO ]

O nosso terror

Caos em São Paulo e o revide da ordem no Rio de Janeiro

Para este capítulo, que fecha o presente trabalho, analisamos a construção de dois episódios recentes e que ainda permanecem na memória dos brasileiros. O primeiro ficou conhecido como o “Dia do PCC” e aconteceu na cidade de São Paulo em 15 de maio de 2006. Veremos como, com a ajuda involuntária da imprensa, os criminosos do Primeiro Comando da Capital conseguiram desestabilizar toda a cidade e criar o caos na vida de milhões de pessoas.

O segundo episódio que analisamos vai no sentido contrário, mas segue as mesma lógica do primeiro: estudamos as estratégias da polícia carioca e do Governo do Estado do Rio de Janeiro no episódio que ficou internacionalmente conhecido como “A tomada do Complexo (ou Morro) do Alemão”, ocorrido em novembro de 2010. Com o estudo deste episódio mostraremos como a imagem da polícia se construiu, nesse momento, a partir de estratégias de comunicação que também se baseiam em camadas profundas da

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cultura, porém, em sentido contrário: para a polícia, a grande questão foi retomar a ordem e marcar essa mudança simbolicamente.

Desta forma, pretendemos analisar como se dá a presença do terrorismo no Brasil – aqui, o terror não vem de estrangeiros, com religiões e visões de mundo consideradas “esquisitas” e incompreensíveis. Nosso terror se dá pelas ameaças de criminosos de dentro do país, e que já provaram ser capazes de desestabilizar consideravelmente a ordem por aqui.

Veremos ainda como em ambos os episódios, o jornalismo teve papel fundamental, seja atendendo aos interesses dos criminosos que pretendiam desestabilizar a ordem, no caso do PCC, seja ajudando a retomar essa mesma ordem, com a divulgação das mensagens adequadas para tal, na tomada do Alemão.

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