Ce que j’en ai retiré pour ma formation professionnelle
CONSTRUCTION D’UNE SÉQUENCE POUR UN CYCLE
Segundo Menchén Bellón (2011) a história da humanidade é escrita por seres criativos de várias áreas diferentes. Existem inúmeras obras de arte deixadas pelo homem das cavernas, mas até meados do século XX, a criatividade não adquiriu reconhecimento formal e sistematizado. As contribuições de Guilford (1977), com sua estrutura tridimensional do intelecto, dá origem à descoberta do pensamento divergente. Segundo Menchén, a partir dessa teoria, a criatividade está a evoluir a um ritmo rápido.
Sendo considerada, na última década do século passado, como uma atitude e até mesmo como um estilo de vida, a criatividade era entendida como uma capacidade humana de natureza cognitiva. Com a chegada deste século, tornou-se necessário reconceitualizar as pesquisas, incorporadas a partir da física quântica, chegando a ser considerada, hoje, como energia. Para Menchén Bellón (2011), os pensamentos, sentimentos e emoções são energia de acordo com o biólogo inglês Scheldrake. Com esta visão, Menchén Bellón define a criatividade como a capacidade dos seres humanos para apreender a realidade e transformá-la de uma forma única, criando e expressando novas ideias, valores e significados.
Do ponto de vista teórico, existe um vasto repertório de estratégias que surgiram, muitos deles, em torno do ‘Templo da Criatividade’, que existe em Buffalo/EUA. Entre as estratégias mais eficazes que esse autor sugere está o
brainstorming, synectics, o check list, o role playing (dramatizações) e estudos de
caso, todas utilizadas com grande frequência. No campo educativo, as técnicas de pensamento lateral de Edward de Bono (Programa CoRt e Seis chapéus do pensamento) e o Diálogo Analógico Criativo, de Saturnino de la Torre, tem tido excelentes resultados.
Menchén Bellón (2011) acredita que a estratégia mais eficiente para desenvolver o potencial criativo de alunos é a criação de uma escola com professores criativos, que trabalhem em suas salas de aula com um estilo criativo, onde a imaginação tenha tanto valor como o intelecto. Para conseguir alunos criativos, necessitamos de docentes criativos, afirma esse autor.
Para desenvolver a criatividade nas escolas, Menchén Bellón (2011) sugere: a) criar contextos autotélicos onde haja liberdade para gerar ideias, imagens, metáforas, analogias, paradoxos, símbolos e contradições. Esse contexto, segundo Menchén Bellón, cria paixão pelo trabalho; b) promover o ‘Modelo In’ que constitui o sistema criativo do ser humano: in-sight, in-spiração, in-teligência, in-ovação, in- tuição, in-venção, in-vestigação, in-consciente e, porque não, im-aginação; c) criar sinergias e trabalhar em equipe, aprendendo com os outros e ajudando os demais a crescerem mediante uma relação interativa fluída. O importante não é crescer muito, mas crescer juntos; d) redefinir o cérebro a fim de apagar o condicionamento que todos possuem, as crenças que nos limitam e nos impedem de criar e e) estabelecer desafios, o que supõe empregar novas habilidades ou manter todas as capacidades em seu máximo rendimento, exigindo um grande esforço, concentração e quebras de rotina.
As escolas devem definir o conceito de educação, esquecendo-se do modelo do ensino ‘Tamanho único’ e parar de ser um mero transmissor de conhecimento. Devem começar a lançar luz sobre os talentos que os alunos possuem em seu interior, e extraí-los de tal forma que deixe uma marca. Além disso, tem de se construir uma nova consciência, plena de espiritualidade.
As escolas, as organizações e a cidade devem começar a projetar um modelo de gerenciamento em rede e aprender a olhar de maneira diferente, reservando um tempo específico para produzir ideias, projetos e novos produtos, diferentes do trabalho habitual. Todas essas instâncias devem aprender a visualizar o futuro e a projetar que tipos de cidadão desejam, e começar, a partir da escola, a formar cidadãos criativos. Para isto, Menchén Bellón (2012) sugere uma nova proposta: I + C + i, ou seja, I-maginação + C-riatividade + i-novação.
Menchén Bellón (2011) lembra que, ao se combinar os níveis de criatividade e as diferentes facetas de tempo livre, encontramos dois tipos de comportamento: a) o comportamento criativo benéfico, que ocorre em níveis mais elevados de tempo de lazer (educacional, entretenimento e lazer), cujo resultado final é um ócio criativo e b) o comportamento criativo destrutivo, que se dá nos níveis inferiores de tempo livre (consumo e tédio), dominado pela passividade, pela monotonia e pela angústia.
Em sua entrevista com este pesquisador (apêndice 9), ele declara que é preciso educar o ser humano para o tempo livre e dar-lhe sentido em relação à atividade que realiza. Temos a possibilidade de viver experiência de grande riqueza interior, que é de onde se encontra a fonte da criatividade, da felicidade e da alegria. As pessoas que estão sempre muito ocupadas, geralmente não são criativas. Os gregos já eram conscientes de que o ócio era uma arte difícil que requeria o constante cultivo. Para eles, a adversidade é a mãe da criatividade.
Segundo esse autor, a atitude empreendedora é uma janela aberta à criatividade que permite sair da rotina, dos condicionamentos e da zona de conforto e obriga a caminhar por espaços desconhecidos e contextos de risco, e ajuda a visualizar contextos facilitadores para que aflorem ideias impactantes, rompedoras e atrevidas. A criatividade, tanto na atualidade como em outras épocas, é chamada para expandir exponencialmente ao longo de todo o mundo, porém, agora, de uma maneira mais acelerada e com a possibilidade de acesso à maior quantidade de informações, já que documentos, pessoas e lugares dantes de tão difíceis acessos, hoje, com o advento da internet, houve uma grande facilitação desses contatos. Já não é vista como uma capacidade única de gênios, artistas e cientistas, cada vez mais começa a ser entendida como uma necessidade primária e valor universal que todas as pessoas possuem em maior ou menos grau. Para Menchén Bellón (2011) a criatividade é como a eletricidade, sempre lá, mas você precisa se conectar e ligar, e afirma: “O desafio é democratizar a criatividade!” (p. 192)
Os dias vindouros estão sendo desenhados com novos ingredientes. originados nas novas necessidades que surgem com a evolução humana e tecnológica. Uma nova geração de estudantes multi-talentosos já estão sentados
nas salas de aula. Menchén Bellón (2011), em vista do exposto, pergunta: “Como criar um novo sistema educacional para reagir a esta realidade?” (p. 83). Para este autor, o sistema atual tem levado ao fracasso sendo necessário projetar um novo que inclui as novas descobertas da biologia molecular, o poder do hemisfério direito, o advento da nanotecnologia, os avanços da física quântica, TICs, Web 3.0, e ainda afirma: “Um novo mantra deve incorporar as autoridades de educação se querem apanhar o comboio do futuro: Atreva-se a ser criativo!” (p. 14).
A criatividade é a chave para a educação do século XXI. A escola da repetição há de abrir espaço para a Escola Criativa Transformadora (ECT) que se encarregará da formação de homens íntegros e completos, que deixem a rotina e descubram a dimensão humana e transcendental, prescindível para autorrealizarse e ativar os talentos ocultos. A ECT tem como finalidade que os protagonistas do fazer educativo possam reinventarse a cada dia, pois o ser humano é criativo por natureza, ademais que todas as disciplinas são compatíveis com a criatividade.
A criatividade, para Menchén Bellón (2012), pode ser desenvolvida em todas as dimensões da vida e em qualquer lugar, sempre e quando exista intencionalidade e um ambiente propício para que aflorem as ideias criativas que, geralmente, são muito frágeis. Para ele, pode-se estimular a criatividade em casa, no jardim, no mercado, na oficina, na rua, no trabalho. Mas a escola deve ser o lugar privilegiado, sabendo que conta com docentes competentes, criativos e que sabem planejar sua disciplina e sua ação pedagógica com metodologia e estilo criativos. Nessas condições o aluno observa, explora, aprende, sente, visualiza, pensa,intui, imagina e descobre sua própria realidade que lhe serve para crescer e evoluir.
A realidade ‘enlatada’ pertence ao passado. Se quisermos conseguir alunos criativos é necessário ter professores criativos!
Os sistemas educativos, segundo Menchén Bellón (2011), estão obsoletos, foram desenhados para uma determinada época que em nada se parece com a atual. Não vale fazer reformas, nem melhorias, é necessária uma mutação, pois o século XXI requer um novo ser humano com uma consciência renovada, de tal
forma que se elimine o ego e se promova a afetividade para que possamos reconhecer o outro em seu legítimo outro. Seria como “resetar” o sistema.
Faz-se urgente que os docentes se convertam em líderes criativos, que impulsionados por uma motivação intrínseca e entusiasmados por seu trabalho, se transformem em um coach que acompanhe seus discípulos a utilizar da máxima eficácia. Para tanto, os novos indicadores seriam: comprometer-se em lugar de competir, perguntar ao invés de responder, combinar liberdade e responsabilidade, considerar os problemas como oportunidades de nutrir a alma e criar grupos heterogêneos, ser proativo, estabelecer hipóteses, aceitar o erro..., pois o objetivo não é fazer que a criança aprenda algo que não sabia, senão fazer dele alguém que não existia.
As cidades, seguindo o desenvolvimento da educação e da escola, devem incorporar um novo paradigma cíclico: aprender, desorganizar e reaprender, ou dito de outra forma, construir, reestruturar e reconstruir. É uma evolução natural seguindo o mesmo processo como o nosso planeta. Uma de suas principais funções seria gerar cidadãos criativos. Menchén Bellón (1991) entende que vivemos em um mundo complexo, cheio de incertezas, onde a aprendizagem linear, lógica e fragmentada deve evoluir para uma percepção transdisciplinar, com base em uma visão holística da realidade. Novas descobertas científicas mostram-nos que tudo está interligado.
Ainda há muito para descobrir porque o invisível é real. Ele contém um campo inesgotável de significados, e para investigar e explorar espaços desconhecidos é preciso grande dose de criatividade. Menchén Bellón (2011) ressalta que devemos esperar um novo renascimento para despertar os seres humanos e evitar suas crenças limitantes e, ainda, afirma: “É preciso uma mente que permita a reengenharia entender que a verdadeira riqueza está adormecida no mundo interior de cada sujeito” (2011, p. 74).