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L'algorithme de Simmen

4.5.3 Construction d'arbres de profondeur minimale

A ideia de caminhos para a transnacionalidade observa as diferentes trajetórias dos atores no ambiente transnacional, levando em conta “repertórios organizacionais, alvos, demandas e enquadramentos” (VON BÜLOW, 2010, p.25), a partir de dois eixos: o da escala das demandas e o da duração da inserção. É possível dizer que as organizações paraguaias entrevistadas inserem-se neste espaço em “internalização sustentada”, isto é, “para estes atores, engajamento em ação coletiva transnacional é uma questão de política doméstica, mas sua atuação internacional não é restrita a campanhas específicas. Eles atuam em diversas campanhas, mas gastam a maioria dos seus recursos em construção de coalizões no âmbito doméstico e com alvo em atores domésticos” (idem, p.26).

No que tange à inserção das organizações da sociedade civil na ação transnacional em relação à duração da sua ação, as organizações paraguaias que atuam na Reaf inserem-se na ação transnacional de forma sustentada, isto é, continuada ao longo do tempo. Além disso, tal inserção é entendida como um investimento a longo prazo. Segundo Calixto Zarate, dirigente da União Agrícola Nacional entrevistado em 07/09/2010, as organizações que continuaram na Reaf foram aquelas que compreenderam que ela é uma construção de longo prazo, deixa bem

visível esse entendimento. Essa mesma característica de inserção sustentada na Reaf se repete em relação às organizações brasileiras que estão presentes na Reaf.

Entendemos que isso ocorre porque o caso aqui estudado é justamente uma experiência de inserção em um espaço de ação transnacional que se estende ao longo do tempo, isto é, a própria estrutura da Reaf – cuja existência mantém-se por anos e é marcada por reuniões periódicas – facilita esse tipo de inserção41. Este não é, portanto, um eixo importante para diferenciar a inserção das organizações na Reaf. No entanto, é justamente a permanência de tais organizações neste espaço que se coloca como questão, conforme já apontamos na justificativa da pesquisa, e este tema será abordado em detalhes no próximo capítulo.

Ademais, a existência de apoio financeiro para a participação das organizações nas reuniões é, certamente, um dos elementos que contribui para a sua permanência ao longo do tempo, ainda que este apoio não seja, por si só, garantidor da opção das organizações pela participação naquele espaço42.

Há, no entanto, uma observação a ser feita sobre o uso da ideia de caminhos para a transnacionalidade no presente trabalho. Em sua definição original (VON BULOW, 2010, p.27), os caminhos para a transnacionalidade são divididos entre uma dimensão organizacional, que se refere à “procura de respostas para o problema de coordenação e de construção de coalizões”, e os caminhos relativos às ideias, isto é, aqueles ligados à procura de enquadramentos, políticas e conceitos compartilhados. No caso estudado, está, ao menos por enquanto, estabilizada a maneira como as organizações se coordenam e constroem suas coalizões, pois, agrupadas em torno da Coprofam ou individualmente, elas optaram por atuar em um espaço transnacional já instituído, a Reaf. O que observamos aqui, então, são principalmente os enquadramentos e pautas, em relação aos quais há variação na escala de internacionalização.

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Há organizações que participaram da Reaf por um período e depois deixaram de a acompanhar, como é o caso da Federação de Cooperativas de Produção (Fecoprod). Como ela já não está presente às reuniões, ela não foi incluída no neste capítulo, mas as justificações sobre sua saída do grupo de organizações que acompanham a Reaf serão abordadas no capítulo 5, como experiência de rompimento de laços e de discordâncias sobre o funcionamento e os resultados da Reaf.

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No início deste trabalho, esteve presente uma preocupação em entender se a falta de recursos para participação na Reaf seria um fator limitante. Nas entrevistas, no entanto, esse não se mostrou um fator importante, justamente porque há, pelo menos até o momento, apoio à participação das organizações nas seções nacionais e regionais, na forma de passagens e diárias, conforme apontamos na descrição do funcionamento da Reaf.

O que diferencia a inserção das organizações paraguaias na Reaf, portanto, não está relacionado ao formato adotado para ação, mas a como temas domésticos e transnacionais entram na pauta que os movimentos apresentam à Reaf e são por eles enquadrados. A inserção das organizações paraguaias parece se dar a partir das demandas por mudanças nas políticas domésticas. Os alvos são atores nacionais. Soluções nacionais para a venda de tomates e pimentão produzidos por agricultores familiares, fortalecimento de políticas públicas que dêem aos agricultores condição de competir com a produção brasileira, enfrentamento do contrabando e dos problemas de corrupção e entrada e saída ilegal de produtos nas fronteiras são exemplos de problemas cuja solução é buscada a partir da inserção na Reaf. O alvo dessas demandas é menos o Mercado Comum e mais o próprio Estado paraguaio. Não estamos afirmando aqui que as organizações estejam na Reaf apenas com objetivo de influenciar seus países de origem, mas que esse é um traço central de sua atuação naquele espaço. Elas estão ali motivadas pela possibilidade de contato com e de influência sobre o seu país de origem.

A Reaf aparece, na percepção dos representantes da Onac e da UAN, como canal importante de diálogo com o governo paraguaio, perspectiva que traz consigo uma visão positiva sobre as possibilidades de participação em espaços institucionais. Conforme o debate sobre participação apresentado no marco teórico deste trabalho, esta visão positiva da participação não é compartilhada por todas as organizações da sociedade civil da região. A história das experiências de participação no Brasil e no Paraguai é bastante distinta. No Paraguai, este tema não ganhou o mesmo peso que no Brasil – onde a constituição de 1988 abriu diversas possibilidades para a presença de indivíduos e organizações da sociedade em espaços de gestão de políticas públicas. Ao contrário, as experiências de participação no Paraguai são, em geral, mais associadas a tentativas de enfraquecimento do Estado no país. A relação de organizações da sociedade civil com o poder público continuou marcada pela desconfiança, após a redemocratização do país. Diversas tentativas de construção de mesas de diálogo falharam, e a participação nesses espaços é vista como sem resultados por alguns dos principais movimentos, como o MCNOC e a FNC, e por pesquisadores (FOGEL, 2006).

Assim, a valorização de um espaço de diálogo com o governo nacional paraguaio é algo que vale ser notado. Não poderemos, aqui, identificar a gênese dessa ideia positiva em relação à participação, mas na perspectiva relacional com a qual trabalhamos é possível considerar a hipótese que as interações entre organizações no âmbito da Confederação de Produtores

Familiares do Mercosul (Coprofam) foram importantes, pelo menos, para consolidar essa visão entre as organizações paraguaias membros da Coprofam. O Quadro 01, encontrado no final deste capítulo, sintetiza características das organizações do Brasil e do Paraguai entrevistadas e seus caminhos para a transnacionalidade.