Após as adequações propostas aos estudos de caso, foram realizadas as suas etiquetagens pelo Procel Edifica, considerando todas as proposições definidas para a certificação nível Ouro do SCA. Conforme a Figura 25, realizou-se primeiramente a etiquetagem do Residencial A, durante a realização do projeto piloto e, posteriormente, avaliaram-se os demais estudos de caso.
Para estas avaliações, foi utilizado o Regulamento Técnico da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edificações Residenciais (RTQ-R), além da Planilha de Cálculo do Desempenho da UH, ambos disponibilizados pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem em seu portal online. Para verificar a contribuição da certificação nível Ouro do SCA para o nível de eficiência energética do edifício, foram realizadas, também, a etiquetagem dos edifícios anterior às proposições.
Nestas avaliações, foram considerados os parâmetros estabelecidos para a Zona Bioclimática 2, na qual se localiza o município de Criciúma, conforme NBR 15220 (2003). Os dados solicitados e inseridos na Planilha de Cálculo foram basicamente: dimensões e orientação dos ambientes de permanência prolongada; propriedades térmicas das paredes e coberturas; características, orientação, áreas de iluminação e ventilação das aberturas; propriedades do sistema de aquecimento de água.
Para a avaliação Procel Edifica, os apartamentos dos edifícios foram ainda agrupados em: os que possuem contato com a cobertura; os que não possuem contato com a cobertura ou com o solo e, os que possuem contato com o solo (térreo). Com estas atividades, pode-se atender o objetivo G estabelecido para este trabalho.
Com as etiquetagens Procel das UHs de ambos os estudos de caso, realizou-se a etiquetagem geral dos edifícios. Esta classificação foi obtida pela ponderação da classificação de suas unidades habitacionais autônomas pela área útil das UHs, excluindo varandas e terraços. Conforme determina o RTQ-R, a pontuação obtida nesta ponderação determina a classificação do edifício, sendo que:
•Pontuação > 4,5 = Procel A; •< 3,5 Pontuação < 4,5 = Procel B; •< 2,5 Pontuação < 3,5 = Procel C; •< 1,5 Pontuação < 2,5 = Procel D; •Pontuação < 1,5 = Procel E;
Esta classificação permitiu a elaboração de gráfico comparativo da variação do desempenho identificado nos estudos de caso, considerando os seguintes critérios:
•Envoltória para o verão; •Envoltória para o inverno;
•Envoltória se resfriada artificialmente; •Aquecimento de água.
Contemplando ainda o objetivo F, inicialmente no projeto piloto e, posteriormente, nos demais estudos de caso, foram avaliados os custos adicionais associados às adequações para a certificação em cada um dos três níveis do SCA. Estas avaliações tiveram por base: a TCPO (2010); as tabelas SINAPI oneradas (IBGE; CAIXA, 2015) e DEINFRA (2015), além de consultas locais de preço. Como valor global inicial da obra, considerou-se o montante financiado na CAIXA.
Para a identificação do incremento no valor obra, elaborou-se um quadro, apresentando todos os critérios para os quais foram propostas adequações, bem como os custos dos materiais e componentes, anteriores e posteriores às adequações. A variação nos valores indica o incremento no valor da obra.
Os valores indicados como custos adicionais em cada um dos critérios não possuem BDI (Benefícios e Despesas Indiretas). No entanto, o montante do custo adicional para cada um dos níveis de certificação foi acrescido de BDI de 20%, tendo por referência o limite inferior estabelecido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), publicado no Acórdão 2622/2013 (INFRAESTRUTURA URBANA, 2013). Visto que os valores iniciais das obras possuem BDI incorporado, o acréscimo de BDI nas estimativas de custos adicionais visa preservar, sobretudo, as variações percentuais entre os valores iniciais e os valores após as adequações propostas. Neste caso, trabalha-se com o conceito de preço,
ou seja, o montante que inclui todos os custos da obra, as despesas e o lucro da construtora, representando o valor que impacta sobre o cliente.
Como resultado, este estudo permitiu análise comparativa entre os estudos de caso, por meio de tabela e gráficos, considerando: os percentuais dos custos adicionais distribuídos pelas seis categorias do SCA; o percentual de incremento no custo da obra, considerando-se os níveis de certificação Bronze, Prata e Ouro; os custos adicionais por unidades habitacionais e por metro quadrado do edifício. Esta análise comparativa permitiu, ainda, a definição de valores médios, de modo a contribuir para trabalhos futuros.
Por fim, também como resultado, a elaboração de gráficos comparativos permitiu a identificação dos diferentes níveis de atendimento ao SCA, indicando a proximidade de cada estudo de caso, para as certificações Bronze, Prata e Ouro. Do mesmo modo, após as adequações propostas, foi possível identificar em quais categorias do SCA houve um maior atendimento percentual de critérios, indicando um equilíbrio ou uma tendência para o atendimento de determinadas categorias.
4 ESTUDO DE CASO – AVALIAÇÃO PELO SCA
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
Fundada em 06 de janeiro de 1880 e emancipando-se de Araranguá em 1925, Criciúma teve o início da sua colonização com a chegada dos primeiros imigrantes italianos e, na sequência, os alemães e poloneses (FILHO, 2015).
Com uma população estimada pelo IBGE, em 2015, de 206.918 habitantes, Criciúma é um município do sul do estado de Santa Catarina e faz parte da AMREC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera), da qual é cidade polo. Conforme a Figura 26, o município de Criciúma, que possui um território de 235,7 km², tem como principal acesso regional a BR-101, além da SC-445, que faz ligação com o município de Içara e, também, permite importante conexão com a BR- 101. Outras rodovias estaduais também permitem a ligação de Criciúma com os municípios vizinhos, acentuando a sua centralidade regional (IBGE, 2015).
Figura 26: Localização e acessibilidade regional de Criciúma.
Com relação a sua caracterização econômica, segundo Filho (2015, p.01), Criciúma é o “maior produtor nacional e segundo maior produtor mundial de pisos e azulejos, [...] é também o terceiro maior polo nacional na produção de jeans e o maior polo estadual do setor de confecções”. Além dos setores cerâmico e têxtil, apresenta outras atividades econômicas importantes: mineração de carvão, responsável por seu grande desenvolvimento econômico no século XX; metal-mecânico; plástico; químico; supermercadista, com as maiores redes de supermercado de Santa Catarina, além da construção civil, com duas das cem maiores construtoras do Brasil e uma oferta de 3200 empregos diretos (CARDOSO, 2011).