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A educação é um fenómeno fundamental do homem, é uma ajuda para o formar como sujeito e como pessoa, para construir a sua autonomia baseada no entendimento de si próprio, dos outros e do mundo. Todos nascemos com necessidade de educação e, o aumento das nossas potencialidades, limites e possibilidades depende muito da educação. É por meio dela que o homem se distingue em relação às outras formas de vida (Bento, 1995). A educação acontece em toda a parte, pode acontecer sem ser almejada e planeada. Segundo esta visão, o conjunto do sistema educativo para além de incluir as instituições tradicionais incumbidas das tarefas de educação e formação, é fundamental envolver também os efeitos produzidos noutros locais.

As diversas transformações que se foram verificando ao longo dos últimos tempos tanto na sociedade como na escola, transformaram a escola num campo

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de atuação profissional exigente e simultaneamente palco de muitas incertezas (Queirós, 2014). A crescente complexidade e diversidade das sociedades atuais exige dos professores uma maior preparação profissional e autonomia para enfrentarem diferentes problemas e desafios como, por exemplo, a diversificação cultural e étnica do público escolar, renovação rápida dos saberes, a heterogeneidade dos saberes escolares, o desenvolvimento de escolas paralelas e a indefinição na divisão do trabalho educativo. Com as várias modificações, os profissionais docentes são confrontados com algumas questões relativamente à indefinição na divisão do trabalho educativo, ou seja, as funções e papeis que são chamados a desempenhar.

Ser professor não é fácil uma vez que lidamos com pessoas. A diversificação de papéis e de responsabilidades, resultado de diversos fatores, confronta os professores com novos desafios, o que leva a uma maior responsabilização dos seus atores (Day, Flores, & Viana, 2007, citado por Batista & Pereira, 2014). A função especifica de ensinar já não é hoje definível pela simples passagem do saber, o entendimento de ensinar como sinónimo de transmitir um saber, deixou de ser socialmente útil. Atualmente o exercício de ensinar é caracterizado por essencialmente como a “especialidade de fazer aprender alguma coisa (a que chamamos currículo, seja de que natureza for aquilo que se quer ver aprendido) a alguém” (Roldão, 2005, citado por Roldão, 2007, p. 95).

Na profissão docente e de acordo com Nóvoa (1991, citado por Queirós, 2014), encontramos duas dimensões determinantes e estruturantes da profissão, mais precisamente o conhecimento e as técnicas e por outro lado, as normas e valores. Os profissionais devem possuir um conjunto de conhecimentos e de técnicas necessários ao exercício qualificado da atividade docente e devem aderir a valores éticos e a normas, que regem não apenas o quotidiano no educativo, mas também as relações no interior e no exterior do corpo docente.

Com todas as alterações e incertezas no campo da profissionalidade docente, existe a necessidade de mudança, mas, nem sempre é fácil definir o rumo. É necessário abandonar a ideia de que a profissão docente se define,

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primordialmente, pela capacidade de transmitir um determinado saber, logo, é necessário perceber o que é essencial aos professores nos dias de hoje, o que é ser um «bom professor».

Não é possível definir o «bom professor», mas, é possível, esboçar alguns apontamentos simples, que caracterizam o trabalho docente nas sociedades contemporâneas (Nóvoa, 2008). A profissionalidade docente não pode deixar de se construir no interior de uma pessoalidade do professor, Nóvoa (2008) identifica cinco facetas que definem o «bom professor» atualmente:

Conhecimento: conhecer bem aquilo que se ensina, o trabalho do professor consiste na construção de práticas docentes que conduzam os alunos à aprendizagem. Ninguém pensa no vazio, mas antes na aquisição e na compreensão do conhecimento;

Cultura profissional: ser professor é compreender os sentidos da instituição escolar, integrar-se numa profissão, aprender com os colegas mais experientes. É na escola e no diálogo com os outros professores que se aprende a profissão, o registo das práticas, a reflexão sobre o trabalho e o exercício da avaliação são elementos centrais para o aperfeiçoamento e a inovação. São estas rotinas que fazem avançar a profissão;

Tato pedagógico: capacidade de relação e de comunicação sem a qual não se cumpre o ato de educar. Saber conduzir alguém «para a outra margem» não está ao alcance de todos. No ensino, as dimensões profissionais cruzam-se sempre, inevitavelmente, com as dimensões pessoais;

Trabalho em equipa: os novos modos de Profissionalidade docente implicam um reforço das dimensões coletivas e colaborativas, do trabalho em equipa, da intervenção conjunta nos projetos educativos de escola. O exercício profissional organiza-se, cada vez mais, em torno de «comunidades de prática», no interior de cada escola, mas também no contexto de movimentos pedagógicos que nos ligam a dinâmicas que vão para além das fronteiras organizacionais;

Compromisso social: podemos chamar-lhe diferentes nomes, mas todos convergem no sentido dos princípios, dos valores, da inclusão social, da diversidade cultural. Educar é conseguir que a criança ultrapasse as fronteiras

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que, tantas vezes, lhe foram traçadas como destino pelo nascimento, pela família ou pela sociedade. Hoje, a realidade da escola obriga-nos a ir além da escola.

Ser professor ultrapassa a mera preparação técnica e científica, reclama também qualidades pessoais, sendo na confluência destas duas vertentes que se define o professor. A ação educativa só pode ser desempenhada por quem acredite que contribui para a formação integral de seres humanos (Santos, 2008, citado por Queirós, 2014). David Labaree (2000, citado por Nóvoa 2008), refere que as práticas docentes são extremamente difíceis e complexas, mas, por vezes, alimenta-se publicamente a ideia de que ensinar é muito simples, contribuindo assim para um desprestígio da profissão. Ser professor é dedicar- se principalmente ao outro, o professor deve ter plena consciência de que o aluno é e será sempre o centro de todo o processo.

Em suma, como considera Block (2008, citado por Queirós, 2014), ser professor(a) é ser corajoso(a), já que as pequenas e grandes decisões diárias desta atividade profissional, assim o exigem.